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Ilícitos eleitorais

No documento CODIGO PENAL CODIGO PENAL (páginas 77-89)

Secção I

Infracções relativas à apresentação de candidatura ARTIGO 204

(Candidatura plúrima)

Aquele que, intencionalmente, subscrever mais do que uma lista de candi-datos a deputados da Assembleia da República, a membro da assembleia pro-vincial e da assembleia autárquica, é punido com pena de exclusão em todas

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as listas que subscrever e multa de doze a vinte e quatro salários mínimos na-cionais.

ARTIGO 205

(Normas éticas da campanha)

O apelo à desordem ou à insurreição ou incitamento ao ódio, ao racismo, tri-balismo, regionalismo, xenofobia, à violência ou à guerra, são punidos com pena de prisão maior de dois a oito anos, se outra mais grave não couber.

ARTIGO 206

(Violação do dever de neutralidade e imparcialidade)

Todo aquele que violar o dever de neutralidade e imparcialidade perante as candidaturas é punido com pena de prisão até um ano e multa de um a dois salários mínimos nacionais.

ARTIGO 207

(Utilização indevida de denominação sigla ou símbolo)

Aquele que, durante a campanha eleitoral, utilizar a denominação, a sigla ou símbolo de um partido político, coligação de partidos ou grupo de cidadãos elei-tores concorrentes, com o intuito de os prejudicar ou injuriar é punido com pena de multa de seis a doze salários mínimos nacionais.

ARTIGO 208

(Utilização abusiva do tempo de antena)

1. O candidato a Presidente da República, do Conselho Autárquico, os partidos políticos, coligação de partidos ou grupo de cidadãos concorrentes, e respecti-vos membros que através da rádio e televisão e durante as campanhas eleito-rais e no exercício do direito de antena para propaganda eleitoral, apelarem à desordem ou a insurreição ou incitamento ao ódio, à violência, à guerra, revolta, tumulto, tribalismo, regionalismo ou xenofobia são imediatamente suspensos do exercício desse direito pelo período de um dia ao número de dias que durar a campanha, consoante a gravidade da falta e o grau da sua repetição, sem pre-juízo da responsabilidade civil ou criminal.

2. A suspensão abrange o exercício do direito de antena em todas as estações de rádio e televisão, mesmo que o facto que a determinou se tenha verificado apenas numa delas.

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ARTIGO 209

(Falta de entrega do conteúdo das emissões dos tempos de antena) 1. Para efeitos de prova de conteúdo de quaisquer emissões relativas ao exer-cício do direito de antena conferido aos concorrentes, as estações de rádio e televisão devem registar e arquivar, até à validação das eleições, o registo dos tempos de antena, devendo facultar, quando solicitado, a entidade que supe-rintendem os processos eleitorais.

2. É punida com a pena de multa de 50 a 100 salários mínimos a emissora que violar o disposto no número anterior.

ARTIGO 210

(Utilização indevida dos bens públicos)

Os representantes legais dos partidos políticos ou coligações de partidos e demais candidaturas que, em campanha eleitoral, utilizarem bens do Estado, das autarquias locais, dos institutos autónomos, das empresas públicas e so-ciedades de capitais exclusiva ou maioritariamente públicos, são punidos com pena de prisão até um ano e multa de seis a doze salários mínimos.

ARTIGO 211

(Violação da liberdade de reunião eleitoral)

Aquele que impedir a realização ou o prosseguimento de reunião, comício, cortejo ou desfile de propaganda eleitoral é punido com pena de prisão até seis meses e multa de três a nove salários mínimos.

ARTIGO 212

(Reuniões, comícios, desfiles ou cortejos ilegais)

Aquele que, durante a campanha eleitoral promover reuniões, comícios, cor-tejos ou desfiles sem o cumprimento do disposto na legislação eleitoral é puni-do com pena de multa de quinze a trinta salários mínimos.

ARTIGO 213

(Violação dos direitos de propaganda sonora e gráfica)

Aquele que violar o que dispõe a legislação eleitoral sobre propaganda com uso de meios sonoros ou gráficos, é punido com pena de multa de três a nove salários mínimos

ARTIGO 214

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(Dano em material de propaganda eleitoral)

1. Aquele que roubar, furtar, destruir, rasgar ou por qualquer forma inutili-zar, no todo ou em parte, ou tornar ilegível, o material de propaganda eleitoral afixado ou o desfigurar, ou colocar por cima dele qualquer material com o fim de o ocultar é punido com pena de prisão até seis meses e multa de dez a vinte salários mínimos.

2. Não são punidos os factos previstos no número anterior se o material de propaganda houver sido afixado na própria casa ou estabelecimento do agente sem o seu consentimento ou contiver matéria desactualizada.

ARTIGO 215

(Desvio de material de propaganda eleitoral)

Aquele que descaminhar, retiver ou não entregar ao destinatário circulares, cartazes ou papéis de propaganda eleitoral de qualquer lista é punido com pena de prisão até seis meses e multa de três a cinco salários mínimos.

ARTIGO 216

(Propaganda antes e depois de encerrada a campanha eleitoral)

1. Aquele que, antes do início da campanha eleitoral, no dia das eleições ou no anterior fizer propaganda eleitoral por qualquer meio é punido com pena de multa de dez a vinte salários mínimos.

2. Na mesma pena incorre aquele que no dia das eleições fizer propaganda nas assembleias de voto ou nas suas imediações até trezentos metros.

ARTIGO 217

(Revelação ou divulgação de resultados de sondagens)

Aquele que fizer a divulgação dos resultados de sondagens ou de inquéritos relativos a opinião dos eleitores quanto aos concorrentes às eleições legislati-vas e presidenciais, no período entre o inicio da campanha eleitoral até à divul-gação dos resultados eleitorais pela Comissão Nacional de Eleições, é punido com pena de prisão até um ano e multa de dois a cinco salários mínimos.

ARTIGO 218

(Não contabilização de despesas e receitas)

Todo aquele que violar o disposto na legislação eleitoral sobre a obrigatorie-dade de contabilização de despesas e receitas relacionadas com a campanha eleitoral é punido com pena de multa de dez a vinte salários mínimos.

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ARTIGO 219 (Não prestação de contas)

1. Todo aquele que se furtar à prestação de contas, nos termos da legislação eleitoral, é punido com pena de multa de dez a vinte salários mínimos e fica im-pedido de concorrer nas eleições seguintes.

2. Os membros dos órgãos centrais dos partidos, coligações, mandatários de lista, delegados ou representantes, respondem solidariamente pelo pagamento das multas.

SECÇÃO II

Infracções relativas às eleições ARTIGO 220

(Violação da capacidade eleitoral activa)

1. Aquele que, não possuindo capacidade eleitoral activa, se apresentar a vo-tar é punido com pena de multa de dois salários mínimos..

2. A pena de prisão até um ano e multa de um a dois salários mínimos nacio-nais é imposta ao cidadão que, não possuindo capacidade eleitoral activa, con-siga exercer o direito de voto.

3. Se, para exercer aquele direito, utilizar fraudulentamente identidade do outro cidadão regularmente recenseado, é punido com pena de prisão de seis meses a dois anos e multa de dois a três salários mínimos.

ARTIGO 221

(Admissão ou exclusão abusiva do voto)

Aquele que concorrer para que seja admitido a votar quem não tem esse di-reito ou para a exclusão de quem o tiver e, bem assim, quem atestar falsamente uma impossibilidade de exercício do direito de voto, é punido com pena de pri-são até seis meses e multa de dois a três salários mínimos.

ARTIGO 222 (Impedimento do sufrágio)

1. Todo aquele que impedir qualquer eleitor de exercer o seu direito de voto é punido com pena de prisão até três meses e multa de três a cinco salários mínimos.

2. O agente eleitoral ou de autoridade que dolosamente, no dia das eleições,

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sob qualquer pretexto, impedir qualquer eleitor de exercer o seu direito de voto, é punido com pena de prisão até um ano e multa de cinco a dez salários míni-mos.

ARTIGO 223 (Voto plúrimo)

Aquele que votar ou permitir que se vote mais de uma vez é punido com pena de prisão de três meses a um ano e multa de três a cinco salários mínimos

ARTIGO 224 (Mandatário infiel)

Aquele que acompanhar um cego ou portador de outra deficiência a votar e dolosamente exprimir infielmente a sua vontade, é punido com pena de prisão até seis meses e multa de três a cinco salários mínimos.

ARTIGO 222

(Violação do segredo de voto)

Aquele que usar de coacção ou artifício de qualquer natureza ou se servir do seu ascendente sobre o eleitor para obter a revelação do voto, é punido com pena de prisão até seis meses e multa de três a cinco salários mínimos.

ARTIGO 225

(Coacção e artifício fraudulento sobre o eleitor)

1. Aquele que, por meio de violência ou ameaça sobre qualquer eleitor, ou usar de artifícios fraudulentos para constranger ou induzir a votar em determinado candidato, ou abster-se de votar, é punido com pena de prisão de três meses a um ano e multa de três a cinco salários mínimos.

2. A mesma pena é aplicada aquele que, com a conduta referida no número anterior, visar obter a desistência de alguma candidatura.

3. A pena prevista nos números anteriores é agravada nos termos da legisla-ção criminal em vigor, se a ameaça for praticada com uso de arma ou a violên-cia for exercida por duas ou mais pessoas.

4. Se a mesma infracção for cometida por cidadão investido de poder públi-co, funcionários ou agente do Estado ou de outra pessoa colectiva pública, de agente eleitoral ou ministro de qualquer culto, é punido com pena de prisão de seis meses a um ano e multa de cinco a dez salários mínimos.

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ARTIGO 226

(Despedimento ou ameaça de despedimento)

Todo aquele que despedir ou ameaçar despedir alguém do seu emprego, im-pedir ou ameaçar imim-pedir alguém de obter emprego, aplicar outra qualquer sanção para forçar a votar ou a não votar, porque votou ou não votou em cer-ta candidatura, ou porque se absteve de vocer-tar ou de participar na campanha eleitoral, é punido com pena de prisão de seis meses a um ano e multa de três a cinco salários mínimos, sem prejuízo da nulidade da sanção e da automática readmissão do emprego se o despedimento tiver chegado a efectuar-se.

ARTIGO 227 (Corrupção eleitoral)

Aquele que, para persuadir alguém a votar ou deixar de votar em determi-nada lista, oferecer, prometer ou conceder emprego público ou privado de ou-tra coisa ou vantagem a um ou mais eleitores ou, por acordo com estes, a uma terceira pessoa, mesmo quando a coisa ou vantagem utilizadas, prometidas ou conseguidas forem dissimuladas a título de indemnização pecuniária dada ao eleitor para despesas de viagem ou de estada ou de pagamento de alimentos ou bebidas ou a pretexto de despesas com a campanha eleitoral, é punido com a pena de prisão até um ano e multa de cinco a dez salários mínimos.

ARTIGO 228 (Não exibição da urna)

1. O presidente da mesa da assembleia de voto que dolosamente não exibir a urna perante os eleitores no acto da abertura da votação, é punido com pena de prisão até três meses e multa de três a cinco salários mínimos.

2. Quando se verificar que na urna não exibida se encontravam boletins de voto, a pena de prisão até um ano, sem prejuízo de aplicação do disposto no ar-tigo seguinte.

ARTIGO 229

(Introdução de boletins de voto na urna e desvio desta ou de boletins de voto) Aquele que, fraudulentamente, depositar boletins de voto na urna antes ou depois do início da votação, se apoderar da urna com os boletins de voto nela recolhidos mais ainda não apurados, ou se apoderar de um boletim de voto em qualquer momento, desde a abertura da assembleia de voto até ao apuramento

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geral da eleição, é punido com pena de prisão de seis meses a um ano e multa de três a cinco salários mínimos.

ARTIGO 230

(Fraude no apuramento de votos)

O membro da mesa da assembleia de voto que dolosamente aponha ou per-mita que se aponha indicação de confirmação em eleitor que não votou, que troque na leitura dos boletins de voto a lista votada, que diminua ou adite votos, a uma lista no apuramento de votos, ou que por qualquer forma falseie o resul-tado da eleição, é punido com pena de prisão de seis meses a dois anos e multa de três a cinco salários mínimos.

ARTIGO 231

(Impedimento ao exercício dos direitos dos delegados das candidaturas) 1. Aquele que impedir a entrada ou saída de delegados das candidaturas nas mesas das assembleias de voto ou que por qualquer forma se oponha a que eles exerçam os poderes que lhes são reconhecidos pela legislação eleitoral, é punido com pena de prisão até seis meses e multa de três salários mínimos.

2. Tratando-se de presidente da mesa, a pena é até um ano de prisão.

ARTIGO 232

(Recusa de receber reclamações, protestos ou contra-protestos) O presidente da mesa da assembleia de voto que injustificadamente se recu-sar a receber reclamações, protestos ou contra-protestos, é punido com pena de prisão até seis meses e multa de três a cinco salários mínimos.

ARTIGO 233

(Recusa em distribuir actas e editais originais)

Todo aquele que, tendo o dever de faze-lo, injustificadamente se recusar a distribuir cópias da acta e do edital do apuramento de votos devidamente assi-nadas e carimbadas, aos delegados de candidatura ou mandatários, aos parti-dos políticos, coligação de partiparti-dos ou grupo de cidadãos eleitores concorren-tes, é punido com pena de prisão até seis meses e multa de três a cinco salários mínimos.

ARTIGO 234

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(Perturbação das assembleias de voto)

1. Aquele que perturbar o normal funcionamento das assembleias de voto com insultos, ameaças ou actos de violência, originando desordem, paralização ou tumulto, é punido com pena de prisão até três meses e multa de dois a três salários mínimos.

2. Aquele que, durante as operações eleitorais, se introduza nas assembleias de voto sem ter direito a fazê-lo e se recusar a sair, depois de intimado pelo respectivo presidente, é punido com pena de prisão até três meses e multa de dois a três salários mínimos.

3. Aquele que se introduza armado nas assembleias de voto fica sujeito a ime-diata apreensão da arma e é punido com pena de prisão até dois anos e multa de cinco a dez salários mínimos.

ARTIGO 235

(Obstrução dos candidatos, mandatários e representantes das candidaturas) O candidato, mandatário, representante ou delegado das candidaturas que perturbar o funcionamento regular das operações eleitorais, é punido com pena de prisão até três meses e multa de três a cinco salários mínimos.

ARTIGO 236

(Obstrução à fiscalização e observação)

1. Aquele que impedir a entrada ou saída de qualquer mandatário ou fiscal dos partidos políticos ou coligação de partidos políticos, grupos de cidadãos eleito-res concorrentes, mandatário ou delegado das candidaturas, jornalista ou ob-servador nas assembleias de voto ou que, por qualquer modo, tentar opor-se a que eles exerçam todos os poderes que lhe são conferidos pela presente Lei, é punido com pena de prisão até um ano e multa de três a cinco salários mínimos.

2. Tratando-se de presidente da mesa, a pena não é, em qualquer caso, infe-rior a seis meses de prisão.

ARTIGO 237

(Obstrução ao exercício de direitos)

Todo aquele que impedir os membros da Comissão Nacional de Eleições ou dos seus órgãos de apoio, indicados de proceder à supervisão, centralização e ao apuramento dos resultados eleitorais, ou por qualquer outra forma obstruir ao exercício pleno das suas competências, será punido com pena de prisão até um ano e multa de três a cinco salários mínimos.

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ARTIGO 238

(Não cumprimento do dever de participação no processo eleitoral) Todo aquele que for designado para fazer parte da mesa da assembleia de voto e, sem motivo justificado, não realizar ou abandonar essas funções é pu-nido com multa de dois a três salários mínimos.

ARTIGO 239

(Falsificação de documentos relativos à eleição)

Aquele que, de alguma forma, com dolo vicie, substitua, suprima, destrua ou altere os cadernos eleitorais, os boletins de voto, as actas e os editais das mesas das assembleias de voto ou quaisquer outros documentos respeitantes a elei-ção, é punido com pena de dois a oito anos de prisão maior e multa de quinze a trinta salários mínimos.

ARTIGO 240

(Reclamação e recurso de má fé)

Todo aquele que, com má fé apresente reclamação, recurso, protestos ou contra-protestos, ou que impugne decisões dos órgãos através de recurso in-fundado, é punido com pena de multa de cinco a dez salários mínimos.

ARTIGO 241

(Não comparência de força policial)

Se, para garantir o regular decurso da operação de votação for competente-mente requisitada uma força policial, nos termos previstos na legislação eleito-ral, e esta não comparecer e não for apresentada justificação idónea no prazo de vinte e quatro horas, o comandante da mesma é punido com pena de prisão até três meses e multa de cinco a dez salários mínimos.

ARTIGO 242

(Incumprimento de obrigações)

Aquele que, injustificadamente, não cumprir quaisquer obrigações impostas pela Lei ou omitir a prática de actos administrativos necessários à sua pronta execução, bem como a demorar infundadamente o seu cumprimento, é punido com pena de multa de cinco a dez salários mínimos.

CAPÍTULO VI

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Falsidades Secção I

Falsidade da moeda, notas de bancos nacionais e de alguns títulos do Estado ARTIGO 243

(Falsificação de moedas, notas de banco e títulos do Estado)

1. Aquele que falsificar moeda, da forma daquelas que têm curso legal no país, e a passar usando dela por qualquer maneira, ou a expuser à venda, e bem as-sim aquele que, por concerto com o fabricador ou sendo seu cúmplice, praticar qualquer destes actos ou neles tiver parte, será condenado em prisão maior de oito a doze anos.

2. Na mesma pena incorrerão os que falsificarem notas de bancos nacionais, ou inscrições, ou obrigações de dívida pública moçambicana.

3. Se houver somente o fabrico, a pena será a de prisão maior de dois a oito anos.

ARTIGO 244

(Passagem sem concerto com o falsificador)

Aquele que, sem concerto com o fabricador e sem que seja seu cúmplice, pas-sar a moeda, notas, inscrições ou obrigações falsificadas, ou as puser à venda, será condenado a prisão maior de dois a oito anos.

ARTIGO 245

(Fabrico de moeda com o valor da legítima; cerceio; cumplicidade com o falsi-ficador e passagem)

1. A pena de prisão maior de dois a oito anos será imposta:

a) Ao que sem autorização legal fabricar, ou passar, ou expuser à venda qualquer peça de moeda com o mesmo valor das legítimas;

b) Ao que cercear ou por qualquer modo diminuir o valor de alguma das peças de moedas legítimas, e passar ou expuser à venda a moeda as-sim falsificada;

c) Ao que, por concerto ou cumplicidade com o falsificador, praticar algum dos actos declarados neste artigo, ou neles tiver parte.

2. Se a moeda assim falsificada não foi exposta à venda nem chegou a pas-sar-se, a pena será a de prisão.

3. O que passar a moeda falsificada por qualquer dos modos declarados

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te artigo ou a expuser à venda, não se concertando nem sendo cúmplice com o falsificador, será condenado ao máximo da pena de prisão e o máximo da multa.

ARTIGO 246

(Passagem sem conhecimento da falsidade no momento do recebimento) Se em qualquer dos casos declarados nos artigos antecedentes o passador teve conhecimento da falsidade só depois de ter recebido a moeda como ver-dadeira, a pena será a de multa de seis meses a dois anos, mas nunca inferior ao dobro do valor representado pelas peças de moeda falsa que passou.

ARTIGO 247 (Actos preparatórios)

1. As penas determinadas nos artigos desta secção para os passadores da moeda, notas, inscrições ou obrigações falsificadas, se aplicam aos que as in-troduzem em território moçambicano.

2. A pena de prisão maior de dois a oito anos será imposta àquele que fabri-car, importar, expuser à venda, vender, ou por qualquer modo fornecer, sub-ministrar, possuir ou retiver cunho para moeda e chapa, ou formas com letras de água, que sirvam exclusivamente para falsificação da moeda, ou de notas de banco, ou de quaisquer títulos do Estado de dívida ou representativos de moeda.

3. A pena de prisão e multa será imposta àquele que, sem licença do Governo , fabricar, importar, expuser à venda, vender, ou por qualquer modo fornecer, subministrar, possuir ou retiver balancés ou prensas de cunhar e serrilhas que sirvam, posto que não exclusivamente, para a falsificação da moeda, notas ou títulos especificados no parágrafo antecedente.

4. O disposto nos parágrafos antecedentes não é aplicável aos bancos, com-panhias ou estabelecimentos em relação ao fabrico de moeda, notas ou outros papéis que por leis especiais lhes estiver cometida ou permitida, nem aos in-divíduos que para o mesmo fim contratarem com o Governo, ou com referidos bancos, companhias ou estabelecimentos.

ARTIGO 248 (Moeda estrangeira)

Aquele que cometer em território moçambicano algum dos crimes declara-dos nesta secção, falsificando, ou passando ou introduzindo falsificada moeda estrangeira, será condenado de acordo com as regras seguintes:

a) se a pena for a de prisão maior de oito a doze anos, impor-se-á a pena

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de prisão e multa correspondente:

b) se for a de prisão maior de dois a oito anos, impor-se-á a pena de prisão até um ano e multa correspondente.

c) se for a pena de prisão, a mesma pena até três meses e multa corres-pondente.

ARTIGO 249

(Denúncia, isenção de pena e cumplicidade do comprador)

1. Será isento de pena o comprador que, antes de consumado qualquer dos crimes enunciados nos artigos antecedentes, e antes de ser instaurado o pro-cesso, der à autoridade pública conhecimento do mesmo crime e das suas cir-cunstâncias, e dos outros agentes

2. Em todos os casos declarados nesta secção o comprador será punido como cúmplice do passador.

ARTIGO 250

(Rejeição de moeda com curso legal)

Aquele que recusar moeda que tenha curso legal no país será condenado na multa de vinte vezes o valor da moeda recusada.

SECÇÃO II

No documento CODIGO PENAL CODIGO PENAL (páginas 77-89)