O período de 1940 a 1945 é delimitado pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e pela Era
Vargas do Estado Novo (1937-1945), governo centralizador que concentrava na esfera federal
a tomada de decisões antes partilhada com os estados, e autoritário que entregava ao Poder
Executivo atribuições anteriormente divididas com o Legislativo.
34A cidade de São Paulo, em 1940, já contava com 1.337.644 de habitantes e em grande ritmo
de crescimento, começando a surgir a “metrópole industrial”
35, mas ainda não era o centro
34
Acervo do CPDOC – Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – FGV. Navegando na história: Era Vargas e Os anos JK. Disponível em: <http://www.cpdoc.fgv.br/ comum/htm/>. Acesso em: 26 out. 2006.
35
SAES, Flávio. A Metrópole industrial e suas várias faces: São Paulo (1930-1960).In: PORTA, Paula. (org.)
História da Cidade de São Paulo, V.3: A cidade na primeira metade do século XX. São Paulo: Paz e Terra, 2004.
econômico e nem o centro político do Brasil. O Rio de Janeiro neste período era o Distrito
Federal do Brasil com 1.781.567 de habitantes.
36Nesse período, a verticalização começa ter seus alicerces consolidados para o
desenvolvimento desse fenômeno, principalmente com a aceitação da moradia verticalizada
pelas classes média e alta da cidade de São Paulo. Esses edifícios, internamente, precisavam
reproduzir os programas arquiteturais das edificações não-verticalizadas para uma melhor
aceitação.
37“Era preciso que fosse oferecido à classe média um apartamento apto, em tudo, a
substituir a casa isolada, não a casa modesta de gente pobre, mas o palacete da classe
abastada.”
38Os edifícios tinham como a idéia principal de empilhar várias casas iguais num
mesmo terreno, confortáveis com cômodos amplos, como se fossem a solução ideal para a
casa nobre no coração da cidade. Esses apartamentos tinham circulações definidas, a social e
a de serviços.
39Um ponto interessante é a etimologia dessa nova forma de morar, apartamento, o qual já
remete a todo esse ideário de empilhar várias casas num mesmo terreno. A origem da palavra
apartamento é apartar ou separar, fazendo alusão a uma casa dividida em várias unidades
habitacionais, tornando-se num edifício de diversas casas separadas, apartamentos.
Do ponto de vista da morfologia urbana, a verticalização da área central, se inseriu num
parcelário colonial. Estes eram caracterizados por lotes estreitos e profundos, e os edifícios
não apresentavam recuos frontais nem laterais como se pode constatar no levantamento dos
edifícios (5% dos edifícios construídos com elevador em São Paulo) da área central onde
100% dos edifícios tinham essas características, a reprodução disto é a imagem a seguir:
36
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estatísticas do Século XX. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/seculoxx/default.shtm>. Acesso em: 8 maio 2006.
37
Ver LEMOS, Carlos Alberto Cerqueira. História da Casa Brasileira. São Paulo: Contexto, 1996. Capítulo 8 –
O Apartamento.
38
LEMOS, Carlos Alberto Cerqueira. Cozinha etc. 2.ed. São Paulo: Editora Perspectiva, 1978.
39
Edifícios sem recuos num parcelário colonial. Rua Benjamin Constant – Centro.
Fonte: Acervo Folha Imagem, FOLHA ON LINE.
Essas condições de implantação do edifício no lote eram determinadas pela legislação da área
central da cidade (Art. 32 do Código de Obras “Arthur Saboya” )
40, mas isso não significava
que os edifícios teriam que ter a forma do lote, como ocorriam na maioria das implantações,
verticalizando todos os limites do terreno. Como o Edifício Guarani (Ícone deste período,
p.45), e os edifícios abaixo:
ficha [1940 F.02] edifício Av. Rangel Pestana. ficha [1942 F.01] Edifício na Rua Barão de Limeira.
GEGRAN 1973 / Foto: Taís Okano, jan.2006. GEGRAN 1973 / Foto: Taís Okano, jan.2006.
40
ficha [1942 F.03] Edifício Vila Rica ficha [1943 F.02] Edifício São Tomas
GEGRAN 1973 / Foto: Taís Okano, jan.2006. GEGRAN 1973 / Foto: Taís Okano, jan.2006.
Os únicos edifícios com uma implantação diferente no terreno neste período (com recuos
frontais e laterais), estavam localizados no bairro do Higienópolis.
ficha [1945 F.04] Edifício Piauí ficha [1940 F.05] edifício na Rua Sabará.
GEGRAN 1973 / Foto: Taís Okano, jan.2006. GEGRAN 1973 / Foto: Taís Okano, jan.2006.
Estes terrenos eram maiores, não tendo previamente um parcelário colonial e não possuíam
legislações quanto aos recuos. Como a maioria dos edifícios construídos de 1940 a 1945 se
localizava no centro, a maior parte dos edifícios (desta pesquisa) não possuía recuos:
com um 6% frontal e lateral 19% sem recuos 75%
A grande ênfase estética dava-se nas fachadas frontais. Pois com a implantação exigida pela
legislação, era esta a fachada que lhes restava. Cada vez mais freqüente passam a ser usadas
as formas modernizadas nas fachadas, ainda não sendo modernas, pois não são uma
arquitetura do movimento moderno o qual vai além para enfrentar os problemas sociais. É
uma arquitetura modernizada, pois corresponde à necessidade constante do capitalismo de
buscar aumento da produtividade. Essa maior produtividade é alcançada retirando-se os
ornamentos das fachadas das antigas arquiteturas ecléticas, simplificando-as e não usando
novas técnicas para gerar novas formas.
41Gregori Warchavchik, arquiteto conhecido por projetar residências modernistas
42, tem nesse
período o seu primeiro edifícios com programa da habitação coletiva vertical com o Edifício
Barão de Limeira (ficha 1940 F.01). Edifício que “Impressiona pelo contraste do terreno
exíguo e pela liberdade de suas formas, em época na qual a maioria dos arquitetos lidava,
ainda, apenas com volumes ortogonais”
43.
41
SOMEKH, Nadia. A cidade vertical e o urbanismo modernizador – São Paulo 1920-1939. Editora da
USP-FAPESP. São Paulo: Studio Nobel, 1997.
42
SEGAWA, Hugo. Arquitetura no Brasil 1900-1990. 2.ed. São Paulo: Editor da Universidade de São Paulo,
2002.
43
ROSALES, Mario Arturo Figueroa. Habitação Coletiva em São Paulo 1928>1972. 313p. Tese (Doutorado em
Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002. p.70.
Gráfico de recuos do levantamento de 5% dos edifícios construídos em São Paulo entre 1940 e 1945.
Todo esse cenário dos anos 40 é contraditório e ambíguo, de progresso a crise: enquanto São
Paulo é renovada por novas avenidas e ‘embelezada’ por altos edifícios, num contexto de
opulência, especulação imobiliária e industrialização; os trabalhadores sofrem de falta de
moradia, surgem as primeiras favelas e a cidade começa a se expandir horizontalmente .
44A
seguir duas imagens desse período contraditório.
São Paulo, renovada por novas avenidas e ‘embelezada’ por arranha-céus. Av. Nove de Julho sentido centro, com o Ed. Martinelli em evidência no lado esquerdo. Cartão Postal, década de 40.
Fonte: Acervo Mario A. Figueroa Rosales .
44
BONDUKI, Nabil. Origens da habitação social no Brasil: Arquitetura Moderna, Lei de Inquilinato e Difusão
da Casa Própria. 3.ed. São Paulo: Estação Liberdade/Fapesp, 2002.
Edifício Barão de Limeira (Ficha 1940 F.01). Foto:Taís Okano – jan. 2006.
Favela da Várzea do Penteado, junto à Av. do Estado e próxima ao centro, foi provavelmente a primeira favela, 1942. Fonte: BONDUKI, 2002. p.271.
A evolução da cidade de São Paulo veio com o crescimento populacional, um fenômeno
nacional das principais capitais, que acompanhou historicamente o seu desempenho
econômico. Este iniciado no final do século XIX com o auge da produção cafeeira, passando a
década de 30 com a implantação da indústria têxtil e alimentícia, até os anos 50, quando a
região metropolitana concentrou grande parte da atividade econômica nacional com a
implantação da indústria automobilística.
45Durante a história do crescimento da cidade, São Paulo foi objeto de inúmeras intervenções
urbanísticas, de projetos pontuais a abrangentes. No final no século XIX e no início do século
XX houve a contribuição de Victor da Silva Freire, como Diretor de Obras Municipais,
tornando-se protagonista da atividade urbanística em São Paulo durante a República Velha;
em 1912 teve a proposta do consultor francês Joseph Antoine Bouvard para o projeto do Vale
do Anhangabaú; e no período de estudo deste trabalho o Plano de Avenidas de Prestes Maia,
publicado em 1930, foi o plano urbanístico que se implantou.
4645
TASCHNER, Suzana P. e BOGUS, Lucia M. M. São Paulo: o caleidoscópio urbano. São Paulo, Perspec., jan./mar. 2001, vol.15, no.1, p.31-44.
46
Ver CAMPOS, Candido Malta. Os rumos da cidade: urbanismo e modernização em São Paulo. São Paulo:
Plano de Avenidas
Nas gestões dos Prefeitos-engenheiros Fábio Prado (1934-1938) e Prestes Maia (1938-1945),
São Paulo tem seus projetos urbanísticos saídos do papel como o Plano de Avenidas, que
permitiu uma planejada intervenção do Estado no espaço urbano, criando condições para o
desenvolvimento da cidade industrial, diferente das gestões municipais anteriores que não
conseguiram planejar o núcleo urbano em rápida expansão. O processo de crescimento
vertical e horizontal de São Paulo passou a se amparar neste Plano.
47O Plano de Avenidas de Prestes Maia surgiu de propostas viárias do Perímetro de Irradiação
concebido por João Florence de Ulhôa Cintra (1887-1944), o qual se baseava no grande ritmo
de crescimento da cidade de São Paulo, mas não se preocupava em minimizar a explosão
demográfica e sim buscava semelhanças em relação a exemplos internacionais, europeus e
norte-americanos. Esses serviam como referências urbanísticas para legitimar as suas idéias e
argumentos.
48O Plano procurava estabelecer eixos urbanos claros, identificando anéis centrais ou
perimetrais sucessivos, apoiados em vias radiais, assim tendo um caráter centrípeto, podendo
ser indefinidamente ampliável. Tal modelo dava preferência ao transporte rodoviário, o do
automóvel, a uma estrutura urbana voltada ao crescimento viário para facilitar o escoamento
do tráfego já intenso na época.
4947
MORAES, José Geraldo Vinci De. Metrópole em sinfonia: história, cultura e música popular na São Paulo
dos anos 30. São Paulo: Estação Liberdade, 2000. Capítulo 3.
48
SOMEKH, Nadia; CAMPOS, Candido Malta. Plano de Avenidas: o diagrama que se impôs. In: SOMEKH (org.), 2002.
49
SOMEKH, Nadia. A (des) verticalização de São Paulo. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) –
Esquema teórico do Plano de Avenidas propondo uma estrutura viária radial-perimetral para São Paulo. Fonte: SOMEKH (org.), 2002. p.61.
Esse modelo não só visava melhorias dos fluxos urbanos, mas sim, produzir uma melhoria
real do espaço da cidade, produzindo perspectivas agradáveis com largas avenidas e espaços
de qualidade para a cidade, uma verticalização disciplinada com logradouros mais arejados.
50“A preocupação com a qualidade do plano e das obras é evidente”
51como se pode observar na
imagem a seguir.
A cidade imaginada por Prestes Maia em seu plano. Fonte: SOMEKH (org.), 2002. p.64.
50
FONSECA, Antonio Claudio Pinto da. A produção imobiliária privada e a construção da cidade de São
Paulo: 1970-2002. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo. São Paulo, 2004.
51
Para transformar em realidade a continuidade volumétrica dos edifícios da imagem acima, o
Plano de Avenidas foi acompanhado de muitas Leis, Decretos e Atos. Como o Ato n°663 (do
Código Arthur Saboya) e o Decreto-Lei n°92 de 1941
52, que aplicados rigorosamente deu
origem a Rua Marconi, a Rua Xavier de Toledo, a Av. São Luis e outras.
Vistas da Rua Marconi e da Rua São Luis nos anos 40, respectivamente. Cartão Postal. Fonte: Acervo Mario A. Figueroa Rosales.
Essas legislações podem ser notadas nos estudos das seções transversais de vias - edifícios
com 11 andares no alinhamento da calçada e possíveis escalonamentos de corpos elevados –
que correspondem fielmente ao Ato n°663 e Decreto-Lei n°92.
Seções transversais típicas para vias arteriais, propostas no Plano de Avenidas de Prestes Maia. Fonte: CAMPOS, 2002. p. 401.
52
A maioria desses edifícios eram obras privadas, assim para garantir as qualidades simbólicas
que deveriam diferenciar os espaços dominantes da capital paulista, houve imposições de
diretrizes estético-volumétricas para conciliar a visão liberal sobre as iniciativas privadas.
“Nesse contexto o papel de diversos planos urbanísticos desenvolvidos até então tendia a ser
minimizado em face do peso das realizações individuais. [...] Fabio Prado considerava São
Paulo uma ‘cidade sem sistema’, [...].”
53O Plano marcou profundamente o futuro da cidade, foi implantado através da abertura de
grandes avenidas, provocando a renovação urbana e das edificações, que geraram despejos e
demolições para construções de edifícios com maior área, tudo isso num período da crise da
habitação.
54Demolições para abertura de avenidas em SP. Fonte: BONDUKI, 2002. p.266
As obras do Plano de Avenidas só foram viabilizadas pela rearticulação administrativa e
financeira da ação centralizadora do estado autoritário implantado por Vargas e o Estado
Novo (1937-1945). Foram construídas, alargadas e prolongadas avenidas (Nove de Julho,
Paulista, Pacaembu, São João, Rio Branco...) e outras obras foram feitas. Entretanto, o Plano
de Avenidas não foi completamente executado.
53
CAMPOS, Candido Malta. Os rumos da cidade: urbanismo e modernização em São Paulo. São Paulo: Editora
SENAC São Paulo, 2002. p.509.
54
BONDUKI, Nabil. Origens da habitação social no Brasil: Arquitetura Moderna, Lei de Inquilinato e Difusão
Avenida e Túnel 9 de Julho, sob o Trianon, por volta de 1945. Fonte: Cartão Postal. GERODETTI, 1999.
De acordo com Somekh (1987), esse conjunto de transformações urbanísticas, o arejamento e
o descongestionamento da área central permitiram um uso mais intensivo da sua base
fundiária, articulando melhor o crescimento vertical. Com o Plano, as avenidas ficaram mais
largas, assim abriram espaços para promoção imobiliária e o processo de verticalização, na
medida em que os limites máximos de altura estavam relacionados com a largura da via
(Decreto Lei nº 92/ 1941
55).
A média de altura dos edifícios (construídos com elevador) levantados de 1940 a 1945 na
cidade era de 10,9 pavimentos. Os edifícios mais altos, com mais de 20 pavimentos, se
encontravam nas principais avenidas da região central. Abaixo estão a relação ano por altura
dos 5% dos edifícios construídos em São Paulo de 1940 a 1945 e os edifícios mais altos:
0 5 10 15 20 25 30 1940 1940 1940 1940 1941 1941 1942 1942 1942 1943 1943 1944 1944 1944 1945 1945
Altura dos edifícios por ano no levantamento de 5% dos edifícios construídos em São Paulo entre 1940 e 1945.
55
Apresentado no subcapítulo: Legislação (1940-1945)
Edifício na Av. Ipiranga Edifício na Av. São Luis
Edifício Vila Rica na Av. São Luis Cine Ipiranga e Hotel Excelsior na Av. Ipiranga
ficha [1942 F.03] ficha [1944 F.02]
Foto: Taís Okano, jan.2006. Cartão Postal dec. 50. Acervo: Mario F. Rosales
Condições Econômicas
A partir de 1930 ocorrem grandes mudanças na economia brasileira em especial o
"deslocamento do centro dinâmico"
56da agricultura de exportação para a produção industrial
voltada para o mercado interno. "O rápido crescimento da indústria modificou a dinâmica da
economia brasileira e promoveu a intensa urbanização, definindo uma nova realidade
social."
57Período Agricultura Indústria Transportes e
Comunicações Governo Total
1930/34 47,0 23,9 10,3 18,8 100,0
1935/39 43,2 29,9 9,6 17,3 100,0
1940/44 37,1 36,1 10,2 16,6 100,0
1945/47 35,9 37,5 10,9 15,7 100,0
Brasil: valor adicionado por classes de atividade econômica.
Fonte: GREMAUD, Amaury Patrick et al. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Atlas, 1997. p.119.
56
FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. 34.ed. São Paulo: Companhia da Letras, 2007. p.274.
57
GREMAUD, Amaury Patrick et al. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Atlas, 1997. p.158.
Cine Ipiranga e Hotel Excelsiro
No final desse período em 1945, pela primeira vez o valor da atividade econômica industrial
supera a atividade agrícola, e a partir deste momento a atividade agrícola vai diminuindo sua
importância na economia da cidade de São Paulo, como mostra a tabela anterior.
Na década de 40 há um crescimento do setor bancário para atender as novas demandas,
acompanhando o crescimento da economia paulista. Surge uma nova geração de bancos, os
privados nacionais, para compor o setor já existente de bancos estatais e estrangeiros. Isso
indica o dinamismo da economia nesses anos, a produção industrial e a circulação de
mercadoria propiciaram amplo espaço para o crescimento de novas instituições de crédito:
Banco da América (fundado em 1943), Banco Sul Americano do Brasil e Banco Itaú (ambos
dos anos 40), Banco Auxiliar de São Paulo (1942, da família Bonfiglioli), Banco Brasul
(1943, controlado pelas famílias Mellão, Malzoni e Souza Dantas) e Banco Cruzeiro do Sul
(família Jafet). Mas esse surgimento de uma nova geração de bancos ocorre em todo o
Brasil.
58A atividade industrial foi objeto de preocupação no governo de Vargas durante o Estado Novo
(1937-1945), foram criadas: Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional (1940),
Comissão executiva Têxtil (1942), Comissão Nacional de Combustíveis e Lubrificantes
(1941), Comissão Nacional de Ferrovias (1941), Comissão Vale do Rio Doce (1942) etc.
Além das comissões que tentavam identificar e equacionar os problemas setoriais, o governo
já investe em alguns setores industriais: a Companhia Siderúrgica Nacional (Usina de Volta
Redonda) que é inaugurada em 1946, mas sua construção é iniciada em 1941; Companhia
Vale do Rio Doce (1942); Companhia Nacional de Álcalis (1943); Fábrica Nacional de
Motores, produção de caminhões (1943); Companhia Hidrelétrica de São Francisco (1945).
5958
SAES, Flávio. São Paulo Republicana: vida econômica. In: PORTA, Paula. (org.) História da Cidade de São
Paulo, V.3: A cidade na primeira metade do século XX. São Paulo: Paz e Terra, 2004. p.255.
59
Boa parte das construções dessas Companhias foi financiada pelos IAPs – Institutos de
Aposentadorias e Pensões – como forma de aplicação desses recursos.
60Os IAPs funcionaram
como importante fonte alternativa de investimentos públicos, numa política de
desenvolvimento econômico de implantação da infra-estrutura industrial. Outra vertente das
atividades das carteiras dos IAPs foi a política de habitação, mas suas construções em São
Paulo não promoveram a verticalização de São Paulo. “Os conjuntos residenciais construídos
pelos IAPs para aluguel não eram verticais. Consistiam em casas térreas e sobrados ou, ainda
em blocos de quatro andares sem elevador; exceção feita ao Conjunto Residencial Nove de
Julho [...].”
61Em outras cidades como o Rio de Janeiro, os IAPs viabilizaram as incorporações imobiliárias
e seus financiamentos possibilitaram intenso processo de verticalização e especulação
imobiliária.
62“O Estado investiu decididamente em infra-estrutura para o desenvolvimento industrial visando à substituição de importações. Não há como não reconhecer que a industrialização que se afirma a partir de 1930 e vai até o fim da Segunda Guerra Mundial constituiu um caminho de avanço relativo de forças espontâneas e de fortalecimento do mercado interno, com grande desenvolvimento das forças produtivas, diversificação, assalariamento crescente e modernização da
sociedade.”63
O início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) provocou uma forte recessão nos primeiros
três anos no Brasil (a produção industrial cresceu apenas 3,9% ao ano), mas em 1943-1944 o
60
“[...] recursos arrecadados junto a empregados e ao próprio Estado, de modo que esses não perdessem seu poder aquisitivo e se pudesse garantir, no futuro, o pagamento de aposentadorias e pensões [...]” FARAH, Marta
Ferreira. “Estado e habitação no Brasil: o caso dos Institutos de Previdência”, in Espaço & Debate 16, ano V, p.
73-82. São Paulo,1985. p.78.
61
SOMEKH, Nadia. A (des) verticalização de São Paulo. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) –
Universidade de São Paulo, São Paulo, 1987. p.94.
62
BONDUKI, Nabil. Origens da habitação social no Brasil: Arquitetura Moderna, Lei de Inquilinato e Difusão
da Casa Própria. 3.ed. São Paulo: Estação Liberdade/Fapesp, 2002.
63
MARICATO, Ermínia. Urbanismo na periferia do mundo globalizado: metrópoles brasileiras. São Paulo Perspec., Oct./Dec. 2000, vol.14, no.4, p.21-33.
País iniciou a diversificação das exportações para os países da América Latina, antes
direcionadas para Estados Unidos e Alemanha, aumentado a produção industrial que voltou a
crescer aceleradamente (9,4% ao ano em média).
64A recessão foi refletida na verticalização da cidade, com uma diminuição na construção de
edifícios nesses anos.
0 20 40 60 80 100 120 1940 1941 1942 1943 1944 1945
Edifícios construídos por ano.
Fonte: Registro de elevadores do Município de São Paulo – PMSP
Ao final da Guerra (1945), os setores industriais do País, região de São Paulo e Rio de
Janeiro, voltam a entrar em crise pela falta de condições de se reequipar, usando os
equipamentos disponíveis até a exaustão. A taxa de crescimento do produto industrial caiu de
10,7% em 1944, para 5,5% em 1945. As máquinas em uso apresentavam, também, um
elevado grau de obsoletismo, tirando da indústria nacional condições para competir com o
produto importado, principalmente quando se normalizou o comércio industrial.
65Mas em 1946 entrou em funcionamento a Companhia Siderúrgica Nacional, com a produção
de aço em Volta Redonda, que foi um importante indutor pelos efeitos sobre o restante das
indústrias.
6664
FURTADO, Braga Milton. Síntese da economia brasileira. 7.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2000. p.161.
65
Ibid., p.167.
66
O dinamismo da atividade econômica também aparece na expansão física da cidade associada
ao avanço da construção civil gerando um acelerado crescimento da verticalização.
Um índice dessa intensa atividade da construção civil é o número de empresas do ramo com
mais de cem operários registrados nos catálogo das indústrias do Departamento de Estatística
de 1945. São 33 empresas, muitas das quais se tornam muito conhecidas na cidade de São
Paulo como:
Leandro Dupré (ano de fundação: 1936, 115 empregados), Lindenberg e Assunção (1940, 731 empregados), Meinberg e Simberg (1941, 129 empregados), Oscar Americano (1940, 717 empregados), Severo Villares & Cia. Ltda. – sucessora do Escritório Ramos de Azevedo (1938, 382 empregados), Soc. Técnica e Comercial Anhanguera (1937, 825 empregados), Camargo Correia & Cia. Ltda. (1939, 285
empregados). 67