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Taís Lie Okano

Verticalização e Modernidade: São Paulo 1940-1957

São Paulo

2007

(2)

T A I S L I E O K A N O

VERTICALIZAÇÃO E MODERNIDADE: SÃO PAULO 1940-1957

Dissertação apresentada à Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.

Orientadora: Nadia Somekh

São Paulo

2007

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Ficha catalográfica

O411v Okano, Taís Lie

Verticalização e Modernidade: São Paulo 1940-1957 / Taís Lie Okano – São Paulo, 2007.

242 f. ; 30 cm.

Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2007.

Bibliografia: f. 118-125.

1. Verticalização. 2. Modernidade. 3. São Paulo 1940-1957.

I. Título.

CDD 724

(4)

VERTICALIZAÇÃO E MODERNIDADE: SÃO PAULO 1940-1957

Dissertação apresentada à Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.

Aprovado em 01 de outubro de 2007

BANCA EXAMINADORA

Profª. Drª. Nadia Somekh Universidade Presbiteriana Mackenzie

Prof. Dr. Antonio Claudio Pinto da Fonseca Universidade Presbiteriana Mackenzie

Profª. Drª. Sarah Feldman

Universidade de São Paulo

(5)

Aos meus pais, Wilma e Masaru, meus irmãos Vanessa e Fábio, pelo constante incentivo, carinho e apoio; e a Deus que está sempre ao meu lado me iluminando.

“God has given each of us the ability to do certain things well” and “If you use wisely what you have you will be given more”.

(Romans 12:6; Matthew 25:29)

“For I can do everything with the help of Christ who gives me the strength I need.”

(Philippians 4:13)

(6)

AGRADECIMENTOS

Nada se faz sem o apoio e a ajuda de pessoa queridas, assim venho por meio desta agradecer:

À Nadia Somekh que me aceitou como orientanda, me ensinando e me incentivando a todo o momento;

À Banca de Qualificação, à profª. Sarah Feldman e ao prof. Antonio Claudio Pinto da Fonseca pela leitura e sugestões, mostrando uma nova visão do problema;

Ao Grupo de pesquisa Verticalização e Desenho da Cidade de São Paulo pelas críticas teóricas e sugestões;

Aos professores e funcionários da FAU-Mackenzie, aos funcionários da biblioteca da FAUUSP e à Prefeitura de São Paulo (Contru) pela atenção e permanente apoio;

Aos meus amigos da ABEUNI pela compreensão e estímulo para o desenvolvimento deste trabalho;

Aos meus amigos da graduação e do mestrado pelas discussões;

Aos meus primos, tios, à minha família, a base de tudo da minha vida, que me ofereceram a solidariedade e o incentivo essencial.

E finalmente à FAPESP, pela bolsa, sem a qual não conseguiria me dedicar integralmente à

pesquisa.

(7)

RESUMO

O presente trabalho estuda a Verticalização em São Paulo e a constituição da Modernidade. A análise tem foco no período de 1940 a 1957, levantando-se aspectos econômicos, políticos, culturais e legislação pertinente ao processo de Verticalização da cidade. Esse processo contribuiu para a formação da metrópole, lhe atestado a capacidade tecnológica e produtiva, a intensidade da atividade industrial.

Através da sistematização e da análise de parte dos edifícios construídos com elevador de 1940 a 1957, objeto de estudo deste trabalho, foram caracterizados três subperíodos na Verticalização de São Paulo, da transição dos edifícios ecléticos até a arquitetura moderna que passa a predominar a partir da década de 50.

Palavras chaves: Verticalização, Modernidade, São Paulo 1940-1957.

(8)

ABSTRACT

The present work discusses the vertical growth in São Paulo and the constitution of Modernity. The analysis has focus in the period of 1940 and 1957, entering many aspects:

economics, politics, culturals and suitable legislations to the process of the city vertical growth. This process contributed for the establishment of the metropolis, certifying the technological and productive capacity to it, the intensity of the industrial activity.

Through the system organization and the analysis of this work studied object, the part of the buildings constructed with elevator between 1940 and 1957, three sub periods in the São Paulo vertical growth were characterized in the transition from eclectic buildings till modern architecture which will dominate after the ’50s.

Key words: Vertical Growth, Modernity, São Paulo 1940-1957.

(9)

SUMÁRIO

Introdução... 8

Capítulo 1: [1940-1945] Crise e Progresso... 22

ƒ Plano de Avenidas ... 29

ƒ Condições Econômicas... 34

ƒ Legislação... 40

ƒ Ícones x Levantamento... 49

ƒ Algumas considerações ... 56

Capítulo 2: [1946-1949] A Modernidade Latente ... 57

ƒ Condições Econômicas... 60

ƒ Legislação... 63

ƒ Ícones x Levantamento... 65

ƒ Algumas considerações ... 76

Capítulo 3: [1950-1957] A Consolidação da Modernidade ... 77

ƒ IV Centenário de São Paulo ... 85

ƒ Condições Econômicas... 90

ƒ Legislação... 95

ƒ Ícones x Levantamento... 101

ƒ Algumas considerações ... 113

Considerações finais ... 114

Referências Bibliográficas... 118

Anexo Iconográfico ... 126

(10)

INTRODUÇÃO

Os estudos que deram origem a esta pesquisa tiveram início ao final da graduação, quando tinha muitas dúvidas e perguntas que me instigavam a continuar estudando. Com o incentivo e estímulo de muitos professores, colegas e familiares comecei a pesquisar, foquei o meu interesse para o melhor entendimento da cidade de São Paulo, a qual sempre tive imensa fascinação.

Os meus questionamentos sempre rondavam o âmbito da arquitetura: como esta constituiu a

cidade? Como e quando a área central se tornou o que ela é hoje? Quando esta se consolidou

com os seus grandes edifícios e suas belas galerias com calçadas e ruas que nos convidam a

passear por elas? Andar pelas ruas do centro sempre será um eterno prazer, descobrindo a

cada momento um novo detalhe e uma nova história.

(11)

E é na década de 40 e 50, período de estudo desta pesquisa, que a cidade de São Paulo, como o Brasil, passou por grandes transformações urbanísticas, arquitetônicas, econômicas, culturais e sociais elevando-se a condição de metrópole, apresentando novos atributos de uma nova cultura metropolitana, com uma nova forma de construir, de comprar, de morar, de circular, de viver.

1

Nesse verdadeiro caldeirão cultural, a modernidade se instalou e ganhou forças, gerando debates que se iniciaram no meio-artístico literário e se estendeu rapidamente para o cinema, o teatro e a arquitetura.

2

Esse crescimento foi sentido na vida da cidade e a verticalização foi uma das concretizações dessa mudança.

A modernidade é uma experiência ou visão de mundo que está relacionada ao projeto de ser moderno. Ser moderno é a ruptura com todas e quaisquer condição histórica precedente e futuro, é encontrar-se num ambiente que promete crescimento, transformações e que, ao mesmo tempo, ameaça destruir tudo o que sabemos.

3

Esta pesquisa nasce da observação da evolução da verticalização em São Paulo no momento da entrada do moderno nos edifícios para atender uma nova classe social, a classe média urbana, proveniente da expansão industrial no país, num período em que a cidade se transforma na maior cidade tanto em questões populacionais quanto do espaço físico e na maior economia brasileira, suplantando Rio de Janeiro que então era a Capital federal do Brasil.

1 Ver MEYER, Regina Prosperi. Metrópole e urbanismo, São Paulo anos 50. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo. São Paulo, 1991.

2 Ver ARRUDA, Maria Arminda do Nascimento. Metrópole e Cultura: São Paulo no meio século XX. Bauru:

Editora da EDUSC, 2001.

3 HARVEY, David. Modernidade e modernismo. In: ____.Condição Pós-Moderna. 14ª edição. São Paulo:

Edições Loyola, 2005. Parte I, p.21-44.

(12)

A verticalização é parte do processo de produção do espaço

4

; um fenômeno que identifica nossa urbanização, cuja compreensão é necessária para entender a urbanização brasileira.

Sua produção (verticalização), vista como uma geografia dos espaços metropolitanos, materializada na produção de edifícios, constitui-se numa possibilidade inusitada de articulação das múltiplas formas do capital num objeto, o edifício, num mesmo lugar, o urbano, num tempo/circulação extremamente reduzidos. A verticalização, assim realiza espetacularmente a acumulação e a reprodução. 5

Assim crescimento vertical é a expansão em altura da área construída urbana; verticalização é a multiplicação efetiva do solo urbano

6

, e pode ser associado a essa definição não só a característica da verticalidade como também do aproveitamento intensivo da terra urbana (coeficiente de aproveitamento maior do que simplesmente uma ou duas vezes a área do terreno); mas isso não pode ser tomado como premissa, pois são dois conceitos diferentes que não podem ser misturados e confundidos, os conceitos de verticalização e densidade, não são sinônimos um do outro. Uma cidade pode ser verticalizada e não ser densa

7

, como é o caso de São Paulo, ao mesmo tempo em que outra cidade pode ser densa e não ser verticalizada. Paris do século XIX é um exemplo disto, embora conte com um padrão construtivo bastante denso não apresenta a característica da verticalidade.

A verticalização só foi possível pelo avanço da tecnologia nos EUA: o aço na sustentação do esqueleto do edifício – a estrutura – e o uso do elevador no transporte vertical.

8

4 SOUZA, Maria Adélia A. de. A identidade da metrópole: A verticalização em São Paulo. São Paulo: Editora Hucitec - Edusp, 1994.

5 Ibid. p.25-26

6 SOMEKH, Nadia. A (des) verticalização de São Paulo. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) Universidade de São Paulo, São Paulo, 1987.

7 Ibid.

8 GOLDBERGER, Paul. The Skyscraper. 5ª edição. EUA: Knof, 1989.

(13)

Do ponto de vista da tecnologia, os primórdios da verticalização brasileira podem ser contados pelo “embate” entre a opção pelo emprego de estruturas metálicas e a moldagem da estrutura em concreto armado. A segunda opção significava a constituição de um modo de produção muito mais nacionalizado do que o emprego de estruturas metálicas, geralmente projetadas e produzidas no exterior. A partir de 1926, com o estabelecimento da indústria de cimento no país, a segunda opção passou a significar uma opção mais viável. Foi principalmente no período de restrição às importações, durante a Segunda Guerra Mundial, que se consolidou o emprego do concreto armado.

9

Em São Paulo o processo de verticalização se inicia como processo por volta dos anos 20 quando os altos edifícios se disseminam, mas os primeiros surgem já nos anos 10, quando a altura mínima exigida no centro era de três ou quatro pavimentos para as novas construções, estimulando o adensamento. O marco inicial do processo de verticalização em São Paulo foi a Casa Médici de 1912. Este edifício se localizava na esquina da rua Líbero Badaró com a Ladeira Dr. Falcão Filho, sendo o primeiro edifício de escritórios e o primeiro com estrutura de concreto armado, calculada e executada para permitir vários pavimentos.

10

O primeiro grande arranha-céu

11

de São Paulo é o edifício Martinelli construído em 1929 que transmitiu as novas possibilidades de crescimento vertical com os seus 72,5 metros de altura.

Embora Christiano Stockler das Neves reclame o título de primeiro arranha-céu para o Edifício Sampaio Moreira com 13 andares.

12

9HOMEM, Maria Cecília Maclério. O prédio Martinelli: a ascensão do imigrante e a verticalização de São Paulo. São Paulo: Projeto, 1984. p.104.

10 TOLEDO e LEMOS. Apud SECRETARIA DE ESTADO DOS NEGÓCIOS METROPOLITANOS – SNM, EMPLASA e SEMPLA. Bens culturais arquitetônicos no município e na região metropolitana de são paulo.

São Paulo: Secretaria dos Negócios Metropolitanos, 1984. p.321.

11“Arranha-céu” é um termo originado nas cidades americanas para descrever os edifícios mais altos da cidade.

(GOLDBERGER, 1989) Isso não quer dizer que hoje em dia eles continuem sendo “Arranha-céus”, pois isto é uma relação comparativa com o resto da cidade.

12 SOUZA, Maria Adélia A. de. A identidade da metrópole: A verticalização em São Paulo. São Paulo: Editora Hucitec - Edusp, 1994. p. 89.

(14)

Nos anos de 1940 a 1957 o crescimento vertical da cidade de São Paulo se localiza principalmente no centro e nos bairros próximos a região central. Isso pode ser observado comparando com a pesquisa do período anterior de 1920 a 1939 de Somekh

13

com o período de 1940 a 1957 que 13 novos bairros começavam a se verticalizar: Cerqueira César, Bom Retiro, Bela Vista, Consolação, Perdizes, Brás, Jardim Paulista, Pinheiros, Paraíso, Mooca, Cambuci, Santana e Aclimação. No período de 1920-1939 70% dos edifícios se localizavam no centro contra 30% do período de 1940-1957.

14

Nesse período em São Paulo os edifícios com 10 pavimentos já eram considerados altos e verticalizados em relação à média da cidade. Assim, a verticalização em São Paulo se localizava em áreas valorizadas e, portanto centrais, mas já se espraiando para áreas mais afastadas, menos valorizadas, descrito anteriormente. Bastide descreve São Paulo nesse período, década de 50:

A cidade poderia ter-se estendido horizontalmente apenas, mas o alto preço dos terrenos obrigou-a a se erguer verticalmente [...] as dificuldades de circulação fizeram refluir às indústrias da periferia para o centro, que é o local de trabalho. E as casas do centro, para responder a esta nova necessidade, precisaram transformar-se em arranha-céus [...].15

A verticalização em São Paulo entre 1940 e 1957 é pesquisada por vários autores sob óticas diferentes, e este trabalho terá principalmente como ponto de partida os trabalhos: A cidade vertical e o urbanismo modernizador: São Paulo 1920-1939

16

, A habitação coletiva em São

13 SOMEKH, Nadia. A cidade vertical e o urbanismo modernizador: São Paulo1920-1939. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994.

14 Ibid.

15 BASTIDE, Roger. Brasil, Terra de Contrastes. São Paulo: Difusão Européia dc Livro, 1959. p.129.

16 SOMEKH, op. cit.

(15)

Paulo: 1928-1972

17

e A produção imobiliária privada e a construção da cidade de São Paulo: 1970-2002

18

.

De acordo com A cidade vertical e o urbanismo modernizador: São Paulo 1920-1939

19

, os anos de 1940 a 1956 constituem o segundo período da verticalização em São Paulo, a chamada verticalização americana, de características ascendentes em que os índices de aproveitamento permanecem altos como no primeiro período, 1920 a 1939, no qual a cidade reproduzia predominantemente padrões europeus no espaço urbano. O segundo período começa com a implantação do registro de elevadores e vai até antes da primeira limitação do coeficiente de aproveitamento dos terrenos com a Lei n° 5.261 de 1957. O padrão de construção valorizado passa a ser o norte-americano com predominância de edifícios residenciais, e é desse período a maioria das kitchenettes existentes na cidade.

Na tese A habitação coletiva em São Paulo: 1928-1972

20

, o período em estudo corresponde ao segundo e ao terceiro período da habitação coletiva em São Paulo. O segundo período corresponde à iniciação e consolidação, 1942 a 1952, e se inicia com a regulamentação da Lei do Inquilinato de 1942 que inibiu a produção de edifícios para aluguel, ao mesmo tempo em que surge o conceito do condomínio pelo preço de custo. Nesse período acontecem mudanças de usos e costumes, e há um aumento significativo na produção de cimento no país. Surgem novos pólos de crescimento e a predominância de uso é estritamente residencial, os institutos de aposentadorias e pensões (criados em 1936) ganham força como alternativa de suprir a alta demanda de habitação. O maior número de edifícios já não se encontra mais no centro.

17 ROSALES, Mario Arturo Figueroa. Habitação Coletiva em São Paulo 1928>1972. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.

18 FONSECA, Antonio Claudio Pinto da. A produção imobiliária privada e a construção da cidade de São Paulo: 1970-2002. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo. São Paulo, 2004.

19 SOMEKH, Nadia. A cidade vertical e o urbanismo modernizador: São Paulo1920-1939. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994.

20 ROSALES, op. cit.

(16)

O terceiro período é caracterizado pela diversidade e gigantismo, 1952 a 1957, começando com a revisão do Código de Obras Arthur Saboya e com a promulgação de um novo Código de Obras. No que diz respeito ao coeficiente máximo de aproveitamento do terreno e ao zoneamento da capital as questões permanecem bastante genéricas permitindo o surgimento de grandes edifícios modernos e estimulando a verticalização e o adensamento, como é o caso dos Edifícios Copan e Conjunto Nacional.

Segundo A produção imobiliária privada e a construção da cidade de São Paulo: 1970- 2002

21

, este período corresponde à fase do “preço fixo”, para os edifícios residenciais.

Superada a fase “rentista” (período anterior à fase “preço fixo”) a aceleração do processo de expansão periférica está por começar, traçando definitivamente os rumos que a cidade ostentará nos próximos 50 anos. O desinteresse dos investidores em aportar recursos no imóvel de aluguel, por causa da Lei do Inquilinato, gerou enorme escassez de moradias, empurrou parcelas da população para a construção da casa própria em lotes baratos e distantes dos locais de trabalho e dos serviços essenciais. Buscava-se uma alternativa que mantivesse o mercado favorável ao investidor. A característica desse mercado é a possibilidade de (dentro de um quadro de inflação baixa, isto é, situada num patamar entre 15 e 20% ao ano, e oferta de emprego em alta, com grandes expansões econômicas em desenvolvimento) financiar ao comprador em parcelas mensais fixas dentro de certo período de tempo. Entretanto, o mesmo surto de crescimento econômico que de certa forma amparou o sistema a construir a custo fixo, gerou a partir do final da década de 50, uma inflação crescente que inviabilizaria o sistema de forma definitiva. A partir de 1958, quando a inflação se aproximou de 40% ao ano, o sistema de “preço fixo” entrou em crise, levando muitas das empresas que vinham atuando no mercado a desaparecerem.

21 FONSECA, Antonio Claudio Pinto da. A produção imobiliária privada e a construção da cidade de São Paulo: 1970-2002. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo. São Paulo, 2004.

(17)

Além dos trabalhos já citados, existe uma série de estudos do urbanismo paulistano que aborda o período pós-1940, principalmente os que se referem aos planos elaborados, às concepções urbanísticas e às influências das teorias americanas e européias na cidade. Nessa linha encontram-se análises como as de Leme (1982) Planejamento em São Paulo: 1930- 1960, Osello (1983) Planejamento Urbano em São Paulo (1899-1961), Meyer (1991) Metrópole e urbanism: São Paulo anos 50, Feldman (1996) Planejamento e zoneamento: São Paulo 1947-1972, Rolnik (2003a) A cidade e a Lei. Legislação, Política Urbana e Territórios na Cidade de São Paulo.

A discussão da entrada da modernidade na cultura, no urbanismo e na verticalização em São Paulo, analisando o novo modo de vida e a nova cultura, pode ser observada em alguns trabalhos e livros, como a Metrópole e Cultura: São Paulo no meio do século XX de Arruda (2001), Metrópole e urbanism: São Paulo anos 50 de Meyer (1991), A promoção privada de habitação econômica e a arquitetura moderna, 1930-1954 de Sampaio (2002), Habitação Coletiva em São Paulo 1928>1972 de Rosales (2002), Produção imobiliária e tipologias residenciais modernas: São Paulo 1945-1964 de Rossetto (2002) e Arquiteturas no Brasil de Segawa (2002).

Já as pesquisas sobre a evolução da verticalização na cidade de São Paulo restringem-se principalmente a Homem (1984) O prédio Martinelli: a ascensão do imigrante e a verticalização de São Paulo, Souza (1989) A identidade da metrópole: A verticalização em São Paulo e Somekh (1987 e 1997) A (des) verticalização de São Paulo e A cidade vertical e o urbanismo modernizador: São Paulo 1920-1939.

A Livre Docência, A identidade da metrópole: A verticalização em São Paulo

22

, foi defendida no Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. Desta forma, seu enfoque

22 SOUZA, Maria Adélia A. de. A identidade da metrópole: A verticalização em São Paulo. Tese (Livre Docência em Geografia) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1989.

(18)

principal é a questão geográfica da verticalização no município de São Paulo. A autora visa principalmente o valor da terra, a produção do sítio social e as legislações, sendo superficial as análises relacionadas à arquitetura desta verticalização. Nas poucas vezes em que entra neste viés, faz referência à pesquisa de Somekh

23

e outros autores. Na tese, Souza descreve o período de 1945 a 1954 como a fase de enorme caos urbano, símbolo de um crescimento incontrolado. “São Paulo consolida-se como importante centro sócio-econômico brasileiro.

[...] Desenvolvem-se os meios de comunicação (televisão, em 1949). Multiplicam-se os bancos. Intenso desenvolvimento industrial. Inicia-se o processo de incorporação imobiliária.”

24

Os anos de 1554 a 1982 são divididos em sete grandes períodos do processo de produção e ocupação do espaço no município de São Paulo, que fundamentam o processo de verticalização. O período (1945-1964) é caracterizado como a Metrópole vertical, no qual se inicia o adensamento advindo da verticalização. “Acentua-se o caos urbano em face do intenso processo de expansão, que é apesar de tudo, acompanhado de planejamento e modernização urbana. Início de um intenso processo de verticalização com função, sobretudo, residencial.”

25

Será adotado aqui como período referencial de 1940 a 1957, da dissertação A (des)verticalização de São Paulo

26

e como objeto de estudo esta pesquisa dará continuidade à tese A cidade vertical e o urbanismo modernizador: São Paulo 1920-1939

27

, estudando o 2°

período da verticalização em São Paulo. Será analisada a amostra do segundo período

23 SOMEKH, Nadia. A (des) verticalização de São Paulo. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) Universidade de São Paulo, São Paulo, 1987.

24 SOUZA, Maria Adélia A. de. A identidade da metrópole: A verticalização em São Paulo. São Paulo: Editora Hucitec - Edusp, 1994. p.51.

25 Ibid., p.52

26 SOMEKH, op.cit.

27 SOMEKH, Nadia. A cidade vertical e o urbanismo modernizador: São Paulo1920-1939. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994.

(19)

estabelecido na dissertação, realizando um levantamento, o fichamento de 139 edifícios dos 2.720 construídos entre 1940 a 1957 em São Paulo, estudando a relação desses edifícios com a história da cidade e a entrada do moderno na verticalização. Entende-se que a partir dessa amostra dos edifícios será possível a reconstrução do universo completo.

A analise do contexto da evolução da verticalização, a história de São Paulo e a entrada do moderno foram pesquisadas em livros e periódicos verificando os principais acontecimentos políticos, econômicos, sociais e culturais.

Sobre o objeto de estudo

Para entender o objeto de estudo, os edifícios com elevadores em São Paulo, adotaremos a amostra de 5% dos edifícios construídos no Município entre os anos de 1940 e 1957, retirada inicialmente da dissertação A (des) verticalização de São Paulo

28

.

Os edifícios foram selecionados por Somekh na lista de Registros de Elevadores da Prefeitura do Município de São Paulo (PMSP), sendo escolhido todo vigésimo endereço de instalação na lista, sendo um total de 5% dos edifícios construídos com elevadores de 1940 a 1957. E nesta pesquisa foi aprofundado o levantamento incluindo os números das chapas dos elevadores, verificando quais elevadores ainda possuem o mesmo número de chapa e quais foram trocados por motivos diversos: troca do elevador, troca da chapa por esta estar deteriorada e outros. Alguns edifícios não encontrados na pesquisa de campo e foram trocados por outro próximo na lista.

A lista de Registros de Elevadores foi proveniente do Departamento de Registro de Elevadores da PMSP, este incorporado à Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano (SEHAB) na sua criação em março de 1977. Hoje, o Departamento de Registro de Elevadores

28 SOMEKH, Nadia. A cidade vertical e o urbanismo modernizador: São Paulo1920-1939. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994.

(20)

da SEHAB, faz parte do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru-5), e se encontra no Edifício Martinelli, Rua São Bento, 405 – 19° andar.

O recorte do objeto pela lista de Registro de Elevadores dá a vantagem da precisão do local do edifício, a certeza dele ter sido executado e a noção da dimensão do edifício pelo número de elevadores; mas, por outro lado, hoje em dia é difícil utilizar esse registro como base para novas pesquisas, pois quando um prédio mais antigo troca a placa (por algum motivo: de perda ou deterioração) este recebe um novo número e entra na seqüência atual de numeração.

A legislação exigia a licença para elevadores desde 1925, com a Lei Municipal n°

2.818/1925

29

, mas o livro de registro de elevadores é instituído em 1940. Pois é a partir deste ano que o Decreto-Lei n°26 obriga a vistoria de todos os elevadores para a obtenção do alvará de funcionamento.

Em 1940, foram registrados 1.232 elevadores já existentes no Município, assim seus primeiros registros são retroativos. A partir desta data foi estabelecida a relação cronológica das licenças expedidas adicionadas das chapas trocadas. Então a chapa de n° 1 não é de 1940, só sendo de 1940 a chapa n°1.233. O elevador só se torna obrigatório na cidade de São Paulo a partir de 1956 com o decreto n°3.205.

Hoje, todos os dados dos elevadores estão informatizados na prefeitura. Na lista impressa dos elevadores possui os que estão em funcionamento e os que não receberam novas chapas. O sistema da prefeitura é capaz de achar o número atual da chapa pelo endereço do edifício ou pelo número antigo da chapa do elevador. É importante ressaltar que os edifícios aqui fichados estão ordenados de acordo com o registro da licença de seus elevadores, podendo não ser coincidente com o ano de sua construção.

29 SOMEKH, Nadia. A (des) verticalização de São Paulo. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) Universidade de São Paulo, São Paulo, 1987. p.21

(21)

Sobre a estruturação do trabalho

A delimitação temporal desta pesquisa se balizará na interferência da legislação no processo de verticalização da cidade de São Paulo. Iniciando-se em 1940 com a implantação do registro de elevadores pela Prefeitura do Município de São Paulo com o Decreto-lei nº 26 de 1940 e indo até a primeira limitação do coeficiente de aproveitamento dos terrenos com a Lei n°

5.261 de 1957, que regulamenta o coeficiente máximo de aproveitamento em 4 vezes a área do lote para edifícios residenciais, isto inviabiliza a construção no centro da cidade.

Dividimos este trabalho em três capítulos decorrentes de uma periodização interna ao recorte temporal estudado. Esta periodização foi delimitada a partir da análise do objeto de estudo e do gráfico resultante deste.

0 2 4 6 8 10 12 14 16 18

1940 1941

1942 1943

1944 1945

1946 1947

1948 1949

1950 1951

1952 1953

1954 1955

1956 1957

n° totais de edificios Outros

Modernizados

Modernos

A evolução de 5% dos edifícios construídos com elevador na cidade de São Paulo, levantados neste trabalho.

Período 1 Período 2 Período 3

(22)

O gráfico anterior mostra que até meados de 1945 – Período 1 – havia uma mescla de edifícios Ecléticos a Modernos verticalizados construídos na cidade de São Paulo. No processo do ecletismo até a arquitetura moderna no Brasil houve o modernizado ou protomodernismo ou tardo-ecletimos ou ainda Art Déco

30

, uma arquitetura de formas simples e de tratamento formal geometrizado, que pode ser considerado uma das primeiras expressões do modernismo, pois a transição até a arquitetura moderna não se deu de estalo. Em vez de ruptura, houve mutação lenta e imperceptível.

31

Os Ecléticos, são todos os edifícios onde se pode notar o emprego de um vocabulário arquitetônico originária da distante remota Antiguidade greco-romana.

32

E os Modernos seguem os “cinco pontos da arquitetura nova”

preconizados em 1926 por Le Corbusier: volume construído elevado em pilotis, planta livre em estrutura independente, fachada livre, janelas dispostas na horizontal e terraço-jardim.

33

Todos estes edifícios de 1940 a 1945 acompanham a crise brasileira da Segunda Guerra Mundial e o progresso da atividade econômica industrial, promovendo uma intensa urbanização e definindo o início de uma nova realidade social.

A partir deste período até meados de 1949 – Período 2 – havia uma grande predominância dos edifícios modernizados, os quais possuíam uma modernidade latente que prenunciava, seja pelo ideário ou pelo resultado formal, a arquitetura moderna e a metrópole que surgirá a partir da década de 50. No final da década de 40, no pós-guerra, São Paulo tem um crescimento de sua economia com um maior desenvolvimento do setor industrial, acompanhado pelo início da expansão da periferia e a compactação da área consolidada da cidade, região central.

30 Ver SEGAWA, Hugo. A Modernidade Pragmática. In: SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil: 1900-1990.

2.ed. São Paulo: Editor da Universidade de São Paulo, 2002.

31 CZAJKOWSKI, Jorge. (org.) Guia da arquitetura Art Déco no Rio de Janeiro. 3ªed. Rio de Janeiro: Casa da Palavra: Prefeitura do Rio de Janeiro, 2000.

32 BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. 3ª Ed. em português. São Paulo: Perspectiva, 1999.

33 LE CORBUSIER. Precisões sobre um estado presente da arquitetura e do urbanismo. São Paulo: Cosac &

Naify, 2004. p.127.

(23)

E após 1949 – período 3 – havia uma predominância dos edifícios modernos, sendo eles que ditavam a curva total de edifícios construídos em São Paulo, consolidando a modernidade.

Neste período a cidade se transforma numa metrópole em crescente expansão, com um novo espaço urbano e com novos atributos físicos, sociais, econômicos e culturais.

E finalmente concluímos que nos anos de 1940 a 1957 houve o processo de consolidação dos

edifícios modernos e da modernidade surgindo a metrópole São Paulo. A verticalização nesse

período se deu principalmente nas principais avenidas da cidade e nas suas proximidade, onde

havia infra-estrutura de bonde, água e energia, tornando a área central tal como nós a

conhecemos hoje. Essas grandes transformações irão marcar para sempre o futuro da cidade

de São Paulo.

(24)

CAPÍTULO 1: [1940-1945] CRISE E PROGRESSO

O período de 1940 a 1945 é delimitado pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e pela Era Vargas do Estado Novo (1937-1945), governo centralizador que concentrava na esfera federal a tomada de decisões antes partilhada com os estados, e autoritário que entregava ao Poder Executivo atribuições anteriormente divididas com o Legislativo.

34

A cidade de São Paulo, em 1940, já contava com 1.337.644 de habitantes e em grande ritmo de crescimento, começando a surgir a “metrópole industrial”

35

, mas ainda não era o centro

34 Acervo do CPDOC – Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – FGV.

Navegando na história: Era Vargas e Os anos JK. Disponível em: <http://www.cpdoc.fgv.br/ comum/htm/>.

Acesso em: 26 out. 2006.

35 SAES, Flávio. A Metrópole industrial e suas várias faces: São Paulo (1930-1960).In: PORTA, Paula. (org.) História da Cidade de São Paulo, V.3: A cidade na primeira metade do século XX. São Paulo: Paz e Terra, 2004.

(25)

econômico e nem o centro político do Brasil. O Rio de Janeiro neste período era o Distrito Federal do Brasil com 1.781.567 de habitantes.

36

Nesse período, a verticalização começa ter seus alicerces consolidados para o desenvolvimento desse fenômeno, principalmente com a aceitação da moradia verticalizada pelas classes média e alta da cidade de São Paulo. Esses edifícios, internamente, precisavam reproduzir os programas arquiteturais das edificações não-verticalizadas para uma melhor aceitação.

37

“Era preciso que fosse oferecido à classe média um apartamento apto, em tudo, a substituir a casa isolada, não a casa modesta de gente pobre, mas o palacete da classe abastada.”

38

Os edifícios tinham como a idéia principal de empilhar várias casas iguais num mesmo terreno, confortáveis com cômodos amplos, como se fossem a solução ideal para a casa nobre no coração da cidade. Esses apartamentos tinham circulações definidas, a social e a de serviços.

39

Um ponto interessante é a etimologia dessa nova forma de morar, apartamento, o qual já remete a todo esse ideário de empilhar várias casas num mesmo terreno. A origem da palavra apartamento é apartar ou separar, fazendo alusão a uma casa dividida em várias unidades habitacionais, tornando-se num edifício de diversas casas separadas, apartamentos.

Do ponto de vista da morfologia urbana, a verticalização da área central, se inseriu num parcelário colonial. Estes eram caracterizados por lotes estreitos e profundos, e os edifícios não apresentavam recuos frontais nem laterais como se pode constatar no levantamento dos edifícios (5% dos edifícios construídos com elevador em São Paulo) da área central onde 100% dos edifícios tinham essas características, a reprodução disto é a imagem a seguir:

36 IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estatísticas do Século XX. Disponível em:

<http://www.ibge.gov.br/seculoxx/default.shtm>. Acesso em: 8 maio 2006.

37 Ver LEMOS, Carlos Alberto Cerqueira. História da Casa Brasileira. São Paulo: Contexto, 1996. Capítulo 8 – O Apartamento.

38 LEMOS, Carlos Alberto Cerqueira. Cozinha etc. 2.ed. São Paulo: Editora Perspectiva, 1978.

39 LEMOS, Carlos Alberto Cerqueira. História da Casa Brasileira. São Paulo: Contexto, 1996. p.79.

(26)

Edifícios sem recuos num parcelário colonial. Rua Benjamin Constant – Centro.

Fonte: Acervo Folha Imagem, FOLHA ON LINE.

Essas condições de implantação do edifício no lote eram determinadas pela legislação da área central da cidade (Art. 32 do Código de Obras “Arthur Saboya” )

40

, mas isso não significava que os edifícios teriam que ter a forma do lote, como ocorriam na maioria das implantações, verticalizando todos os limites do terreno. Como o Edifício Guarani (Ícone deste período, p.45), e os edifícios abaixo:

ficha [1940 F.02] edifício Av. Rangel Pestana. ficha [1942 F.01] Edifício na Rua Barão de Limeira.

GEGRAN 1973 / Foto: Taís Okano, jan.2006. GEGRAN 1973 / Foto: Taís Okano, jan.2006.

40 Ver subcapítulo: Legislação

(27)

ficha [1942 F.03] Edifício Vila Rica ficha [1943 F.02] Edifício São Tomas GEGRAN 1973 / Foto: Taís Okano, jan.2006. GEGRAN 1973 / Foto: Taís Okano, jan.2006.

Os únicos edifícios com uma implantação diferente no terreno neste período (com recuos frontais e laterais), estavam localizados no bairro do Higienópolis.

ficha [1945 F.04] Edifício Piauí ficha [1940 F.05] edifício na Rua Sabará.

GEGRAN 1973 / Foto: Taís Okano, jan.2006. GEGRAN 1973 / Foto: Taís Okano, jan.2006.

Estes terrenos eram maiores, não tendo previamente um parcelário colonial e não possuíam

legislações quanto aos recuos. Como a maioria dos edifícios construídos de 1940 a 1945 se

localizava no centro, a maior parte dos edifícios (desta pesquisa) não possuía recuos:

(28)

com um 6%

frontal e lateral

19%

sem recuos 75%

A grande ênfase estética dava-se nas fachadas frontais. Pois com a implantação exigida pela legislação, era esta a fachada que lhes restava. Cada vez mais freqüente passam a ser usadas as formas modernizadas nas fachadas, ainda não sendo modernas, pois não são uma arquitetura do movimento moderno o qual vai além para enfrentar os problemas sociais. É uma arquitetura modernizada, pois corresponde à necessidade constante do capitalismo de buscar aumento da produtividade. Essa maior produtividade é alcançada retirando-se os ornamentos das fachadas das antigas arquiteturas ecléticas, simplificando-as e não usando novas técnicas para gerar novas formas.

41

Gregori Warchavchik, arquiteto conhecido por projetar residências modernistas

42

, tem nesse período o seu primeiro edifícios com programa da habitação coletiva vertical com o Edifício Barão de Limeira (ficha 1940 F.01). Edifício que “Impressiona pelo contraste do terreno exíguo e pela liberdade de suas formas, em época na qual a maioria dos arquitetos lidava, ainda, apenas com volumes ortogonais”

43

.

41 SOMEKH, Nadia. A cidade vertical e o urbanismo modernizador – São Paulo 1920-1939. Editora da USP- FAPESP. São Paulo: Studio Nobel, 1997.

42 SEGAWA, Hugo. Arquitetura no Brasil 1900-1990. 2.ed. São Paulo: Editor da Universidade de São Paulo, 2002.

43 ROSALES, Mario Arturo Figueroa. Habitação Coletiva em São Paulo 1928>1972. 313p. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002. p.70.

Gráfico de recuos do levantamento de 5% dos edifícios construídos em São Paulo entre 1940 e 1945.

(29)

Todo esse cenário dos anos 40 é contraditório e ambíguo, de progresso a crise: enquanto São Paulo é renovada por novas avenidas e ‘embelezada’ por altos edifícios, num contexto de opulência, especulação imobiliária e industrialização; os trabalhadores sofrem de falta de moradia, surgem as primeiras favelas e a cidade começa a se expandir horizontalmente .

44

A seguir duas imagens desse período contraditório.

São Paulo, renovada por novas avenidas e ‘embelezada’ por arranha-céus. Av. Nove de Julho sentido centro, com o Ed. Martinelli em evidência no lado esquerdo. Cartão Postal, década de 40.

Fonte: Acervo Mario A. Figueroa Rosales .

44 BONDUKI, Nabil. Origens da habitação social no Brasil: Arquitetura Moderna, Lei de Inquilinato e Difusão da Casa Própria. 3.ed. São Paulo: Estação Liberdade/Fapesp, 2002.

Edifício Barão de Limeira (Ficha 1940 F.01).

Foto:Taís Okano – jan. 2006.

(30)

Favela da Várzea do Penteado, junto à Av. do Estado e próxima ao centro, foi provavelmente a primeira favela, 1942. Fonte: BONDUKI, 2002. p.271.

A evolução da cidade de São Paulo veio com o crescimento populacional, um fenômeno nacional das principais capitais, que acompanhou historicamente o seu desempenho econômico. Este iniciado no final do século XIX com o auge da produção cafeeira, passando a década de 30 com a implantação da indústria têxtil e alimentícia, até os anos 50, quando a região metropolitana concentrou grande parte da atividade econômica nacional com a implantação da indústria automobilística.

45

Durante a história do crescimento da cidade, São Paulo foi objeto de inúmeras intervenções urbanísticas, de projetos pontuais a abrangentes. No final no século XIX e no início do século XX houve a contribuição de Victor da Silva Freire, como Diretor de Obras Municipais, tornando-se protagonista da atividade urbanística em São Paulo durante a República Velha;

em 1912 teve a proposta do consultor francês Joseph Antoine Bouvard para o projeto do Vale do Anhangabaú; e no período de estudo deste trabalho o Plano de Avenidas de Prestes Maia, publicado em 1930, foi o plano urbanístico que se implantou.

46

45 TASCHNER, Suzana P. e BOGUS, Lucia M. M. São Paulo: o caleidoscópio urbano. São Paulo, Perspec., jan./mar. 2001, vol.15, no.1, p.31-44.

46 Ver CAMPOS, Candido Malta. Os rumos da cidade: urbanismo e modernização em São Paulo. São Paulo:

Editora SENAC São Paulo, 2002.

(31)

Plano de Avenidas

Nas gestões dos Prefeitos-engenheiros Fábio Prado (1934-1938) e Prestes Maia (1938-1945), São Paulo tem seus projetos urbanísticos saídos do papel como o Plano de Avenidas, que permitiu uma planejada intervenção do Estado no espaço urbano, criando condições para o desenvolvimento da cidade industrial, diferente das gestões municipais anteriores que não conseguiram planejar o núcleo urbano em rápida expansão. O processo de crescimento vertical e horizontal de São Paulo passou a se amparar neste Plano.

47

O Plano de Avenidas de Prestes Maia surgiu de propostas viárias do Perímetro de Irradiação concebido por João Florence de Ulhôa Cintra (1887-1944), o qual se baseava no grande ritmo de crescimento da cidade de São Paulo, mas não se preocupava em minimizar a explosão demográfica e sim buscava semelhanças em relação a exemplos internacionais, europeus e norte-americanos. Esses serviam como referências urbanísticas para legitimar as suas idéias e argumentos.

48

O Plano procurava estabelecer eixos urbanos claros, identificando anéis centrais ou perimetrais sucessivos, apoiados em vias radiais, assim tendo um caráter centrípeto, podendo ser indefinidamente ampliável. Tal modelo dava preferência ao transporte rodoviário, o do automóvel, a uma estrutura urbana voltada ao crescimento viário para facilitar o escoamento do tráfego já intenso na época.

49

47 MORAES, José Geraldo Vinci De. Metrópole em sinfonia: história, cultura e música popular na São Paulo dos anos 30. São Paulo: Estação Liberdade, 2000. Capítulo 3.

48 SOMEKH, Nadia; CAMPOS, Candido Malta. Plano de Avenidas: o diagrama que se impôs. In: SOMEKH (org.), 2002.

49 SOMEKH, Nadia. A (des) verticalização de São Paulo. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1987.

(32)

Esquema teórico do Plano de Avenidas propondo uma estrutura viária radial- perimetral para São Paulo. Fonte: SOMEKH (org.), 2002. p.61.

Esse modelo não só visava melhorias dos fluxos urbanos, mas sim, produzir uma melhoria real do espaço da cidade, produzindo perspectivas agradáveis com largas avenidas e espaços de qualidade para a cidade, uma verticalização disciplinada com logradouros mais arejados.

50

“A preocupação com a qualidade do plano e das obras é evidente”

51

como se pode observar na imagem a seguir.

A cidade imaginada por Prestes Maia em seu plano. Fonte: SOMEKH (org.), 2002. p.64.

50 FONSECA, Antonio Claudio Pinto da. A produção imobiliária privada e a construção da cidade de São Paulo: 1970-2002. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo. São Paulo, 2004.

51 Ibid., p.29.

(33)

Para transformar em realidade a continuidade volumétrica dos edifícios da imagem acima, o Plano de Avenidas foi acompanhado de muitas Leis, Decretos e Atos. Como o Ato n°663 (do Código Arthur Saboya) e o Decreto-Lei n°92 de 1941

52

, que aplicados rigorosamente deu origem a Rua Marconi, a Rua Xavier de Toledo, a Av. São Luis e outras.

Vistas da Rua Marconi e da Rua São Luis nos anos 40, respectivamente. Cartão Postal.

Fonte: Acervo Mario A. Figueroa Rosales.

Essas legislações podem ser notadas nos estudos das seções transversais de vias - edifícios com 11 andares no alinhamento da calçada e possíveis escalonamentos de corpos elevados – que correspondem fielmente ao Ato n°663 e Decreto-Lei n°92.

Seções transversais típicas para vias arteriais, propostas no Plano de Avenidas de Prestes Maia.

Fonte: CAMPOS, 2002. p. 401.

52 Ver subcapítulo: Legislação

(34)

A maioria desses edifícios eram obras privadas, assim para garantir as qualidades simbólicas que deveriam diferenciar os espaços dominantes da capital paulista, houve imposições de diretrizes estético-volumétricas para conciliar a visão liberal sobre as iniciativas privadas.

“Nesse contexto o papel de diversos planos urbanísticos desenvolvidos até então tendia a ser minimizado em face do peso das realizações individuais. [...] Fabio Prado considerava São Paulo uma ‘cidade sem sistema’, [...].”

53

O Plano marcou profundamente o futuro da cidade, foi implantado através da abertura de grandes avenidas, provocando a renovação urbana e das edificações, que geraram despejos e demolições para construções de edifícios com maior área, tudo isso num período da crise da habitação.

54

Demolições para abertura de avenidas em SP.

Fonte: BONDUKI, 2002. p.266

As obras do Plano de Avenidas só foram viabilizadas pela rearticulação administrativa e financeira da ação centralizadora do estado autoritário implantado por Vargas e o Estado Novo (1937-1945). Foram construídas, alargadas e prolongadas avenidas (Nove de Julho, Paulista, Pacaembu, São João, Rio Branco...) e outras obras foram feitas. Entretanto, o Plano de Avenidas não foi completamente executado.

53 CAMPOS, Candido Malta. Os rumos da cidade: urbanismo e modernização em São Paulo. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2002. p.509.

54 BONDUKI, Nabil. Origens da habitação social no Brasil: Arquitetura Moderna, Lei de Inquilinato e Difusão da Casa Própria. 3.ed. São Paulo: Estação Liberdade/Fapesp, 2002.

(35)

Avenida e Túnel 9 de Julho, sob o Trianon, por volta de 1945.

Fonte: Cartão Postal. GERODETTI, 1999.

De acordo com Somekh (1987), esse conjunto de transformações urbanísticas, o arejamento e o descongestionamento da área central permitiram um uso mais intensivo da sua base fundiária, articulando melhor o crescimento vertical. Com o Plano, as avenidas ficaram mais largas, assim abriram espaços para promoção imobiliária e o processo de verticalização, na medida em que os limites máximos de altura estavam relacionados com a largura da via (Decreto Lei nº 92/ 1941

55

).

A média de altura dos edifícios (construídos com elevador) levantados de 1940 a 1945 na cidade era de 10,9 pavimentos. Os edifícios mais altos, com mais de 20 pavimentos, se encontravam nas principais avenidas da região central. Abaixo estão a relação ano por altura dos 5% dos edifícios construídos em São Paulo de 1940 a 1945 e os edifícios mais altos:

0 5 10 15 20 25 30

1940 1940 1940 1940 1941 1941 1942 1942 1942 1943 1943 1944 1944 1944 1945 1945

Altura dos edifícios por ano no levantamento de 5% dos edifícios construídos em São Paulo entre 1940 e 1945.

55 Apresentado no subcapítulo: Legislação (1940-1945)

Edifício na Av. Ipiranga Edifício na Av. São Luis

(36)

Edifício Vila Rica na Av. São Luis Cine Ipiranga e Hotel Excelsior na Av. Ipiranga

ficha [1942 F.03] ficha [1944 F.02]

Foto: Taís Okano, jan.2006. Cartão Postal dec. 50. Acervo: Mario F. Rosales

Condições Econômicas

A partir de 1930 ocorrem grandes mudanças na economia brasileira em especial o

"deslocamento do centro dinâmico"

56

da agricultura de exportação para a produção industrial voltada para o mercado interno. "O rápido crescimento da indústria modificou a dinâmica da economia brasileira e promoveu a intensa urbanização, definindo uma nova realidade social."

57

Período Agricultura Indústria Transportes e

Comunicações Governo Total 1930/34 47,0 23,9 10,3 18,8 100,0 1935/39 43,2 29,9 9,6 17,3 100,0 1940/44 37,1 36,1 10,2 16,6 100,0 1945/47 35,9 37,5 10,9 15,7 100,0 Brasil: valor adicionado por classes de atividade econômica.

Fonte: GREMAUD, Amaury Patrick et al. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Atlas, 1997. p.119.

56 FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. 34.ed. São Paulo: Companhia da Letras, 2007. p.274.

57 GREMAUD, Amaury Patrick et al. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Atlas, 1997. p.158.

Cine Ipiranga e Hotel Excelsiro

(37)

No final desse período em 1945, pela primeira vez o valor da atividade econômica industrial supera a atividade agrícola, e a partir deste momento a atividade agrícola vai diminuindo sua importância na economia da cidade de São Paulo, como mostra a tabela anterior.

Na década de 40 há um crescimento do setor bancário para atender as novas demandas, acompanhando o crescimento da economia paulista. Surge uma nova geração de bancos, os privados nacionais, para compor o setor já existente de bancos estatais e estrangeiros. Isso indica o dinamismo da economia nesses anos, a produção industrial e a circulação de mercadoria propiciaram amplo espaço para o crescimento de novas instituições de crédito:

Banco da América (fundado em 1943), Banco Sul Americano do Brasil e Banco Itaú (ambos dos anos 40), Banco Auxiliar de São Paulo (1942, da família Bonfiglioli), Banco Brasul (1943, controlado pelas famílias Mellão, Malzoni e Souza Dantas) e Banco Cruzeiro do Sul (família Jafet). Mas esse surgimento de uma nova geração de bancos ocorre em todo o Brasil.

58

A atividade industrial foi objeto de preocupação no governo de Vargas durante o Estado Novo (1937-1945), foram criadas: Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional (1940), Comissão executiva Têxtil (1942), Comissão Nacional de Combustíveis e Lubrificantes (1941), Comissão Nacional de Ferrovias (1941), Comissão Vale do Rio Doce (1942) etc.

Além das comissões que tentavam identificar e equacionar os problemas setoriais, o governo já investe em alguns setores industriais: a Companhia Siderúrgica Nacional (Usina de Volta Redonda) que é inaugurada em 1946, mas sua construção é iniciada em 1941; Companhia Vale do Rio Doce (1942); Companhia Nacional de Álcalis (1943); Fábrica Nacional de Motores, produção de caminhões (1943); Companhia Hidrelétrica de São Francisco (1945).

59

58 SAES, Flávio. São Paulo Republicana: vida econômica. In: PORTA, Paula. (org.) História da Cidade de São Paulo, V.3: A cidade na primeira metade do século XX. São Paulo: Paz e Terra, 2004. p.255.

59 GREMAUD, Amaury Patrick et al. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Atlas, 1997. p.154.

(38)

Boa parte das construções dessas Companhias foi financiada pelos IAPs – Institutos de Aposentadorias e Pensões – como forma de aplicação desses recursos.

60

Os IAPs funcionaram como importante fonte alternativa de investimentos públicos, numa política de desenvolvimento econômico de implantação da infra-estrutura industrial. Outra vertente das atividades das carteiras dos IAPs foi a política de habitação, mas suas construções em São Paulo não promoveram a verticalização de São Paulo. “Os conjuntos residenciais construídos pelos IAPs para aluguel não eram verticais. Consistiam em casas térreas e sobrados ou, ainda em blocos de quatro andares sem elevador; exceção feita ao Conjunto Residencial Nove de Julho [...].”

61

Em outras cidades como o Rio de Janeiro, os IAPs viabilizaram as incorporações imobiliárias e seus financiamentos possibilitaram intenso processo de verticalização e especulação imobiliária.

62

“O Estado investiu decididamente em infra-estrutura para o desenvolvimento industrial visando à substituição de importações. Não há como não reconhecer que a industrialização que se afirma a partir de 1930 e vai até o fim da Segunda Guerra Mundial constituiu um caminho de avanço relativo de forças espontâneas e de fortalecimento do mercado interno, com grande desenvolvimento das forças produtivas, diversificação, assalariamento crescente e modernização da sociedade.”63

O início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) provocou uma forte recessão nos primeiros três anos no Brasil (a produção industrial cresceu apenas 3,9% ao ano), mas em 1943-1944 o

60 “[...] recursos arrecadados junto a empregados e ao próprio Estado, de modo que esses não perdessem seu poder aquisitivo e se pudesse garantir, no futuro, o pagamento de aposentadorias e pensões [...]” FARAH, Marta Ferreira. “Estado e habitação no Brasil: o caso dos Institutos de Previdência”, in Espaço & Debate 16, ano V, p.

73-82. São Paulo,1985. p.78.

61 SOMEKH, Nadia. A (des) verticalização de São Paulo. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1987. p.94.

62 BONDUKI, Nabil. Origens da habitação social no Brasil: Arquitetura Moderna, Lei de Inquilinato e Difusão da Casa Própria. 3.ed. São Paulo: Estação Liberdade/Fapesp, 2002.

63 MARICATO, Ermínia. Urbanismo na periferia do mundo globalizado: metrópoles brasileiras. São Paulo Perspec., Oct./Dec. 2000, vol.14, no.4, p.21-33.

(39)

País iniciou a diversificação das exportações para os países da América Latina, antes direcionadas para Estados Unidos e Alemanha, aumentado a produção industrial que voltou a crescer aceleradamente (9,4% ao ano em média).

64

A recessão foi refletida na verticalização da cidade, com uma diminuição na construção de edifícios nesses anos.

0 20 40 60 80 100 120

1940 1941 1942 1943 1944 1945

Edifícios construídos por ano.

Fonte: Registro de elevadores do Município de São Paulo – PMSP

Ao final da Guerra (1945), os setores industriais do País, região de São Paulo e Rio de Janeiro, voltam a entrar em crise pela falta de condições de se reequipar, usando os equipamentos disponíveis até a exaustão. A taxa de crescimento do produto industrial caiu de 10,7% em 1944, para 5,5% em 1945. As máquinas em uso apresentavam, também, um elevado grau de obsoletismo, tirando da indústria nacional condições para competir com o produto importado, principalmente quando se normalizou o comércio industrial.

65

Mas em 1946 entrou em funcionamento a Companhia Siderúrgica Nacional, com a produção de aço em Volta Redonda, que foi um importante indutor pelos efeitos sobre o restante das indústrias.

66

64 FURTADO, Braga Milton. Síntese da economia brasileira. 7.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2000. p.161.

65 Ibid., p.167.

66 GREMAUD, Amaury Patrick. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Atlas, 1997. p.144.

(40)

O dinamismo da atividade econômica também aparece na expansão física da cidade associada ao avanço da construção civil gerando um acelerado crescimento da verticalização.

Um índice dessa intensa atividade da construção civil é o número de empresas do ramo com mais de cem operários registrados nos catálogo das indústrias do Departamento de Estatística de 1945. São 33 empresas, muitas das quais se tornam muito conhecidas na cidade de São Paulo como:

Leandro Dupré (ano de fundação: 1936, 115 empregados), Lindenberg e Assunção (1940, 731 empregados), Meinberg e Simberg (1941, 129 empregados), Oscar Americano (1940, 717 empregados), Severo Villares & Cia. Ltda. – sucessora do Escritório Ramos de Azevedo (1938, 382 empregados), Soc. Técnica e Comercial Anhanguera (1937, 825 empregados), Camargo Correia & Cia. Ltda. (1939, 285 empregados). 67

O crescimento da construção civil neste período se deu na “aceleração da construção de arranha-céus na área central, destinados aos investidores ou aos setores de renda mais alta”

68

. As edificações para a classe média e baixa sofreram uma queda no total de construções, principalmente para o mercado de locação residencial, mercado rentista, devido ao congelamento dos aluguéis, Lei do Inquilinato (Decreto-Lei n. 4.598/42

69

). Esse mercado rentista na sua maioria não era de edifícios verticalizados e com elevador, assim não afetou diretamente o crescimento da construção vertical da cidade. Essa queda agravou a crise habitacional, mas isso não quer dizer que o mercado imobiliário perdeu ou diminuiu seus investimentos como mostra o quadro a seguir.

67 SAES, Flávio. São Paulo Republicana: vida econômica. In: PORTA, Paula. (org.) História da Cidade de São Paulo, V.3: A cidade na primeira metade do século XX. São Paulo: Paz e Terra, 2004. p.255.

68 BONDUKI, Nabil. Origens da habitação social no Brasil: Arquitetura Moderna, Lei de Inquilinato e Difusão da Casa Própria. 3.ed. São Paulo: Estação Liberdade/Fapesp, 2002. p.251.

69 Apresentado no subcapítulo: Legislação (1940-1945)

(41)

Ano Construções Índice Transmissões em Cr$ milhões Índice

1939 10.183 111 392 112

1940 11.183 125 411 117

1941 11.819 128 573 164

1942 7.509 82 685 196

1943 7.197 78 1.130 323

1944 7.385 80 1.825 521

Evolução das construções e transmissões imobiliárias da cidade de São Paulo, 1939-1944.

Fonte: Associação Comercial e PMSP, apud BONDUKI, 2002. p.251.

A lei do inquilinato funcionou como instrumento da política econômica de desestimular os investimentos imobiliários do mercado rentista, com o objetivo de redirecionar os recursos internos para implementação e fortalecimento do parque industrial brasileiro. Assim reduzindo ou eliminado um setor não-produtivo e que vivia basicamente de rendas, gerando um maior crescimento da economia nacional através do crescimento industrial.

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Do ponto de vista físico e simbólico, a década de 40 é a época do surgimento do prédio verticalizado em apartamentos como forma de moradia de gente abastada. Nesse momento o mercado imobiliário “inventa” a moradia verticalizada de classe média e alta, em Higienópolis, e depois nos arredores da Avenida Paulista. Estes imóveis tiveram como efeito o crescimento acelerado da incorporação

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(construção de um prédio mediante a participação financeira de vários condôminos) de edifícios de apartamentos para venda num mercado que trabalha a ‘preço fixo’.

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70 Ver BONDUKI,op. cit., p.227-245.

71 No início, os edifícios de apartamentos até a década de 40, eram edifícios particulares advindos da economia cafeeira. Era habitual que famílias tradicionais paulistas fossem proprietárias do terreno e os “incorporavam”, ou seja, gerenciavam todo o processo de produção do edifício, até era dado o nome da família ao edifício.

(ROSALES, Mario Arturo Figueroa. Habitação Coletiva em São Paulo 1928>1972. 313p. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.)

72 FONSECA, Antonio Claudio Pinto da. A produção imobiliária privada e a construção da cidade de São Paulo: 1970-2002. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo. São Paulo, 2004. ‘Preço fixo’: dentro de um mercado de inflação baixa, isto é, situada num patamar entre 15 a 20% ao ano, e oferta de emprego alta, com grandes expansões econômicas em desenvolvimento, financiar ao comprador, em parcelas mensais fixas dentro de um certo período de tempo.

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No mercado de preço fixo tende-se a trabalhar pela verticalização, pelo barateamento do preço do lote e pelo adensamento de imóveis para maior rentabilidade do negócio. De acordo com Langenbuch (1971) um dos fatos marcantes do período a partir de 1940 é o início da compactação da área edificada.

A incorporação se disseminou a partir dos anos 40, com a construção de edifícios em condomínios na cidade de São Paulo. A primeira norma que regulou os condomínios e que foi o instrumento de fundamental importância para as ações de incorporação é o Decreto Federal n. 5.481 de 1928. Este dispunha sobre a alienação parcial de edifícios com mais de cinco pavimentos, estabelecendo, assim, normas de co-propriedade, ou seja, os prédios eram construídos sem que fosse necessária a disponibilização de recursos exclusivamente por parte do empreendedor.

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Outras normas que regularam os condomínios e as incorporações, nesse período de estudo, foram: o Decreto-lei Federal n. 5.234, de 8 de fevereiro de 1943 e a Lei Federal n. 285, de 5 de junho de 1948.

Legislação

Durante o período de 1940 a 1945 a verticalização em São Paulo sempre esteve acompanhada da legislação municipal que teve um papel muito mais incentivador do que limitador no processo.

A altura dos edifícios é inicialmente determinada pela localização (Zona), sendo que na Zona Central foi novamente regulamentada a partir do Decreto-lei nº 92 de 2 de maio de 1941, estimulando a verticalização do Centro da cidade, determinando altura mínima de 11

73 SILVA, Luís Octávio da. “A constituição das bases para a verticalização na cidade de São Paulo”.

Arquitextos, nº 080, Texto Especial 399. São Paulo, Portal Vitruvius, jan. 2007. Disponível em:

<www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp399.asp>. Acesso em: 2 maio 2007.

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pavimentos a várias ruas de São Paulo, quando na maioria das edificações não possuíam essa altura. Pode-se observar que neste período o edifício Martinelli ainda se destaca por sua altura na paisagem da cidade de São Paulo. As demais Zonas (Urbana e Suburbana) continuaram com a regulamentação da Consolidação do Código de Obras “Arthur Saboya” (1934) nos Artigos 143, 144 e 145.

Vista aérea, década de 40. Cartão Postal.

A seguir, discutiremos as legislações pertinentes ao processo de verticalização no período de 1940 a 1945, em ordem cronológica para melhor entendimento da ação do Estado no processo.

O Art. 32 da Consolidação do Código de Obras “Arthur Saboya” – aprovado pelo ato n°663/1934 estabelece que na Zona Central não serão permitidas edificações recuadas do alinhamento.

Ed. Martinelli

Referências

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