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Em O manifesto Comunista, Marx e Engels (2017) afirmam que, no desenvolvimento histórico a burguesia desempenhou um papel revolucionário ao derrubar o Antigo Regime, mas não sem introduzir novas relações sociais de exploração. No entanto, desponta desse domínio uma latente contradição, pois, se por um lado "A burguesia não pode existir sem revolucionar incessantemente os instrumentos de produção" (Ibid., p. 24), por outro ela se esforça ininterruptamente em conservar seu projeto hegemônico de dominação, isto é, a divisão da sociedade em classes e o domínio da propriedade privada.

Por conseguinte, em nossas análises acrescentamos que, ao inferirmos sobre o caráter conservador da burguesia não cometemos o equívoco de incorrer na contradição liberal e conservador. Como bem demonstrado por Losurdo (1998) - ao debater tal dilema no que concerne a obra de Hegel - diante da questão sobre esse pensador ser conservador ou liberal "qualquer resposta é errada, porque, na realidade, o que está gravemente incorreto é a própria formulação do problema" (Ibid., p.113). Além disso, podemos ainda sobrepor que:

Em suma, a tradição teórica do Estado mínimo, negando precisamente o aspecto da comunidade política, da comunidade dos citoyens (grifos do autor), acaba por absolutizar, no Estado, o momento de repressão da violência organizada para a manutenção das relações de propriedade existentes (LOSURDO, 1998, p. 122).

Dessa forma, considerando que oportunamente o liberalismo pode ser tanto ou mais conservador do que os conservadores ou mesmo mais reacionário do que propria mente os

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Procuramos evidenciar com o termo "desesperadora" a voracidade com que os ajustes econômicos têm alcançado várias partes do mundo a partir da crise de 2007. Entendemos que a crise sinaliza e comprova as ideias preconizadas por Mészáros (2011) a respeito de a crise representar não um episódio particular, mas a síntese de uma crise total do capital em que, cada vez mais, para a sobrevivência deste sistema é necessário incidir políticas que propiciam o aumento das desigualdades a fim de manter o privilégio de determinadas classes e o crescimento da taxa de lucro destas. Assim, o recrudescimento do neoliberalismo representa em última instância, nesta segunda década do século XXI, um esforço quase desesperador por parte dos setores dominantes para a manutenção da ordem capitalista de dominação e não apenas o avanço de ideias conservadoras ou reacionárias.

30 reacionários. Distante de discorrer sobre os aspectos particulares à filosofia do pensamento conservador8, optamos neste estudo por usar o termo com o intuito de explicitar a manutenção dos preceitos fundamentais da sociedade capitalista e, do mesmo modo, não entendemos como dicotomia os conceitos de liberal e conservador, burguês e conservador ou capitalista e conservador.

Neste sentido, em sua aparência a burguesia apresenta para cada época uma nova face, moderna outrora, e pós-moderna9 ou fluída neste início do século XXI: preocupada com questões de sustentabilidade, causas humanitárias, diminuição das desigualdades sociais, superação do racismo, entre outras ideologias. Todavia, em essência, a burguesia desempenha (e sempre desempenhou desde que derrubou o Antigo Regime) um papel conservador e, muitas vezes até mesmo reacionário, haja vista, que nenhuma das bandeiras acima citadas encontra-se em vistas de serem solucionadas. Ao contrário, o que assistimos hoje em boa parte do mundo é o recrudescimento dessas questões.

Para o economista liberal francês, Thomas Piketty (2014), as desigualdades sociais se mantiveram relativamente no mesmo patamar que se encontravam após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), muito embora o autor admita que a concentração de riqueza tenha aumentado significativamente no mundo todo nas últimas décadas e, da mesma forma indique uma perspectiva de enfraquecimento global do crescimento econômico. "Para ser mais preciso, veremos que o crescimento, a não ser em períodos excepcionais ou durante processos de redução de atraso econômico, tem sido relativamente fraco e que tudo indica que enfraquecerá ainda mais no futuro [...]" (Ibid., p. 77). Segundo dados da Organização Não Governamental (ONG) britânica OXFAM (2017), apenas 1% da população mundial concentrou 82% de toda a riqueza produzida no mundo no ano de 201710. Um percentual muito acima do que nas décadas de 195011 no pós-guerra.

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Em Reflexões sobre a Revolução em França (2017), o filosofo Edmund Burke estabelece o que seriam as bases do pensamento conservador, para ele, o conservadorismo reside nas instituições que sobrevivem ao teste do tempo, tais como, a Religião e o conceito de núcleo familiar, ambas instituições que se mantiveram com a ascensão da burguesia frente à queda do Antigo Regime. Para Konder (2009, p. 27), o conservadorismo se expressa a partir de "[...] forças sociais empenhadas em conservar determinados privilégios, isto é, em conservar um determinado sistema socioeconômico que garanta o estatuto de propriedade de que tais forças são beneficiárias. Daí o conservadorismo intrínseco da direita".

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Procuramos entender o pós-modernismo a partir das análises de Chauí (2001) como manifestação da ideologia neoliberal, caracterizada entre outras coisas, pela fragmentação do conhecimento, o domínio da subjetividade na produção do conhecimento em detrimento das totalidades e pelo relativismo cultural.

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Segundo dados da OXFAM de 2017 no mundo todo, de toda a riqueza produzida 82% ficou nas mãos dos 1% mais ricos e cerca da metade da população mundial não ficou com nada. Para saber mais:

31 Outro importante dado remonta ao significativo aumento do número de migrantes12 e refugiados13 em todo o mundo nos últimos anos. Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), em 2017 houve novo recorde de deslocamento de refugiados em todo o mundo, atingindo a marca histórica (e lastimável) de 25,4 milhões de pessoas ou quase 0,4% da população mundial, isto em apenas um ano e sem contar os casos de migrantes não associados diretamente às guerras e/ou perseguições religiosas. Os casos de imensas populações de refugiados dialogam diretamente tanto com o impacto econômico das políticas neoliberais que têm promovido o aumento da concentração de riqueza, quanto com o avanço da extrema direita que desponta em seus programas com ideários de eliminação do outro. Muito embora os discursos oficiais dos meios de comunicação e governamentais responsabilizem processos de guerra civil em países com supostas "frágeis" democracias ou acenem para as questões que envolvam apenas o fundamentalismo religioso, em essência, compreendemos que tais guerras advêm, em muitos casos, de interesses econômicos com disputas entre atores hegemônicos em cada território ou em escala global.

Da mesma forma, contrariando o falso discurso da sustentabilidade, dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)14 estimam que a produção de lixo no mundo deva ter um aumento de 1,3 bilhão de toneladas para 2,2 bilhões até o ano de 2025. E ainda, segundo reportagem da BBC Brasil de novembro de 2013, mapas interativos desenvolvidos pelo professor Matthew Hansen e sua equipe de pesquisa na Universidade de Maryland (EUA)15 dão conta de que o desmatamento associado às florestas tropicais do

<https://www.oxfam.org.br/noticias/super-ricos-estao-ficando-com-quase-toda-riqueza-as-custas-de-bilhoes-de- pessoas> Acesso em 22 nov. 2018.

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Os dados completos se encontram em PIKETTY, Thomas. O capital no século XXI. Tradução de Monica Baumgarten de Bolle. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014.

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Entendemos por migrantes populações que, "escolhem se deslocar não por causa de uma ameaça direta de perseguição ou morte, mas, principalmente, para melhorar sua vida, buscando melhores oportunidades de trabalho e educação [...]" (ONU, 2015, n.p.). Muita embora, o texto da ONU possa empregar um aspecto de "definição oficial", podemos questionar o termo "escolher" e substituir por "falta de escolha".

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Entendemos por refugiados "pessoas que escaparam de conflitos armados ou perseguições. Com frequência, sua situação é tão perigosa e intolerável que devem cruzar fronteiras internacionais para buscar segurança nos países mais próximos, onde passam a ser consideradas um “refugiado”, reconhecido internacionalmente [...]" (Ibid.). Apesar do status de "refugiado" ser uma espécie de garantia para uma mudança de país sem todas as burocracias que envolveriam este processo em condições de normalidade há de se fazer duas considerações: primeiro, sobre o fato de muitos países estarem fechando suas fronteiras para refugiados; segundo, sobre o aspecto do recorte de classe, pois, ainda que em condição de refugiado, há que se dispor de generosas fortunas para procurar abrigo com condições dignas de vida em outro país ou se amontoar entre os milhares que, desprovidos dos recursos financeiros sobrevivem em acampamentos com condições deploráveis de vida.

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Disponível em: <https://nacoesunidas.org/agencia/onumeioambiente/>. Acesso em 04 jan. 2018. 15

Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/11/131115_mapa_desmatamento_dg>. Acesso em 02 jan. 2018.

32 mundo todo vem se intensificando vertiginosamente nas primeiras décadas do século XXI. Podemos considerar, entretanto que o grau de tecnologia alcançado e acumulado pelo ser humano até então pudesse corroborar com a conciliação entre desenvolvimento econômico e meio ambiente, porém, em meio à preservação, sustentabilidade e uso irracional dos recursos naturais existe uma disputa entre diferentes frações da burguesia, bem como disputas entre diferentes países com padrões de acumulação desiguais.

Portanto, embora Estados16 e empresas transnacionais acenem para a redução do desmatamento e diminuição da produção de resíduos sólidos com estratégias paliativas e discursos evasivos lançados nos meios de comunicação em massa cotidianamente, os dados de pesquisas científicas e organismos - que, embora comprometidos com o modo de produção capitalista e inclusive patrocinados por muitas destas empresas, fazem o alerta por conta de interesses próprios - denotam que no sistema do capital, entre o discurso aparente e as ações concretas há um abismo incomensurável. O que empresas e Estados não ousam assumir é que, na lógica deste sistema, o uso desmedido de todos os recursos oferecidos pelo meio-ambiente (incluindo os seres humanos) é inerente ao padrão de acumulação do capital. Para Marx e Engels (2007):

A "essência" do peixe de rio é a água de um rio. Mas essa última deixa de ser um meio de existência adequado ao peixe tão logo o rio seja usado para servir à indústria, tão logo seja poluído por corantes e outros detritos e seja navegado por navios a vapor, ou tão logo suas águas sejam desviadas para canais onde simples drenagens pode privar o peixe de seu meio de existência (Ibid., p. 46-47, nota a).

No entanto há de se considerar o quanto a questão ambiental tem se tornado um negócio lucrativo para o capital, tanto no desenvolvimento de tecnologias para suprimir os efeitos da industrialização, quando no desenvolvimento de mercadorias subsumidas ao fetiche, como, por exemplo, o mercado de emissões de carbono, segundo Harvey (2016, p. 232), "uma grande fonte de ganho especulativo [...]".

Também são falsas as afirmações que traduzem a globalização como um processo que corrobora a eliminação de fronteiras e preconceitos. Para o geógrafo Milton Santos (2008), no plano ideológico a globalização desponta como fábula, imputando a todos as tais fantasias de

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33 um mundo cada vez mais conectado, sem fronteiras ou desigualdades. Entretanto, ancorada na realidade, a globalização reflete em todos os seus níveis a perversidade do capital.

De fato, para a grande maior parte da humanidade a globalização está se impondo como uma fábrica de perversidades. O desemprego crescente torna- se crônico. A pobreza aumenta e as classes médias perdem em qualidade de vida. O salário médio tende a baixar. A fome e o desabrigo se generalizam em todos os continentes [...]. A mortalidade infantil permanece, a despeito dos progressos médicos e da informação. A educação de qualidade é cada vez mais inacessível (SANTOS, 2008, p. 20).

Escrito de meados para o final do século XX, a obra supracitada de Milton Santos ressalta questões que, em nosso argumento configuram parte da longa duração da crise estrutural do capital. Neste sentido, a globalização configura-se como uma ideologia do consumo das massas, da exacerbação máxima do fetiche da mercadoria e da incidência do valor de troca sobre o valor de uso para o final do século XX e início do século XXI, ou ainda como uma embalagem palatável para as políticas neoliberais. Como Milton Santos destaca: "A globalização atual é muito menos um produto das ideias atualmente possíveis e, muito mais, o resultado de uma ideologia restritiva adrede estabelecida" (Ibid., p. 159).

Do mesmo modo, Löwy (2015) destaca os efeitos da globalização em seu processo de pasteurização cultural relacionando-a ao aumento no percentual de votos em toda a Europa de partidos de extrema direita, fascistas, semifascistas, racistas e xenófobos que preconizam em suas pautas o autoritarismo, o nacionalismo-patriotismo e o fundamentalismo religioso, em suma, a eliminação do outro. O autor explica da seguinte forma o aumento de representatividade da extrema direita:

O primeiro elemento de explicação é o processo de globalização capitalista neoliberal - também um poderoso processo homogeneização cultural forçada - que produz e reproduz, em escala europeia e planetária, os identity panics [pânicos de identidade] [...] (LÖWY, 2015, p. 656).

Aqui, entende-se com esse autor o crescimento de uma extrema direita nacionalista como um fenômeno reativo quanto à substituição paulatina das culturas/identidades locais por uma cultura global, esta produzida pela cultura hegemônica e para a sua manutenção enquanto ancoradouro da ideologia capitalista.

Todas essas questões, além de outras, atentam para o fato de que longe de buscar a superação de problemas históricos da sociedade capitalista, a burguesia esforça-se

34 continuamente em conservar seu projeto hegemônico de dominação mesmo que, muitas vezes, ela tenha que se adaptar a certas circunstâncias históricas, como governos autoritários, fascistas e ditaduras, e, em suas margens haja divergências de projetos. Como descreve Marcuse (2011, p. 10) no prefácio de O 18 de Brumário de Luís Bonaparte, de Marx (2011):

A classe dominante se mobiliza para liquidar não só o movimento socialista, mas também as suas próprias instituições, que entraram em contradição com o interesse da propriedade e do negócio: os direitos civis, a liberdade de imprensa, a liberdade de reunião, o direito ao sufrágio universal foram sacrificados a esse interesse para que a burguesia pudesse, "sob a proteção de um governo forte e irrestrito, dedicar-se aos seus negócios privados" (MARCUSE, 2011, p. 10).

Por conseguinte, a contínua necessidade de expansão do capital, que culmina na contradição conservador e progressista, aponta para um limite estrutural e histórico como bem observou Mészáros (2011, p. 57): "O poder do capital, em suas várias formas de manifestação, embora longe de ter se esgotado, não consegue mais se expandir". Não obstante, a crise de 2007, denominada pela mídia empresarial como apenas uma "crise financeira" manifesta o esgotamento do sistema do capital em ampliar e reproduzir a produção de mais-valor e com esta as taxas de lucro. Manifesta também, as contradições subjacentes ao desenvolvimento do sistema do capital, neste caso são contradições inconciliáveis:

[...] capital e trabalho [...]; produção e controle; produção e consumo; produção e circulação; competição e monopólio [...]; produção e destruição [...]; expansão do emprego e desemprego [...] tendência globalizadora das empresas transnacionais e restrições necessárias exercidas pelos Estados nacionais contra seus rivais [...] (MÉSZÁROS, 2003, p. 19-20).

Tais contradições conduzem o sistema a um ciclo cada vez mais intenso de crises, como a que assistimos a partir de 2007 em quase todo mundo. Sobre a crise, adverte Mészáros (2011, p. 137): "A grave crise em curso de nossa época é estrutural no sentido preciso de não poder ser superada nem mesmo com os muitos trilhões das operações de resgate dos Estados capitalistas".

Não que, a crise estrutural do capital possa representar o falecimento da sociedade capitalista, como adverte Wood (2011, p. 243):

35 A prolongada crise nas economias capitalistas avançadas, que até os economistas alinhados ao sistema estão descrevendo como "estrutural", talvez não seja uma indicação de declínio terminal; mas talvez indique que essas economias já esgotaram, para um futuro previsível, sua capacidade de sobreviver sem deprimir ainda mais as condições de vida e de trabalho de suas populações [...].

Mas que, em última instância, à medida que a crise se acirra, a fim de manter as taxas de lucro e o privilégio de classe da burguesia, se deterioram ainda mais as condições de vida dos trabalhadores, no limite, ressaltamos a análise de Engels (2015, p. 187).

As forças produtivas engendradas pelo modo de produção capitalista moderno, assim como o sistema de repartição dos bens que ele criou, entraram em contradição flagrante com o modo de produção mesmo, e isso a tal grau que se torna necessária uma mudança do modo de produção e de repartição, se não quisermos ver toda a sociedade moderna perecer.

No plano imediato, entre as graves consequências desta específica crise que se descortina em 2007, despontam o vertiginoso aumento global das taxas de desemprego, - dados da Organização Internacional do Trabalho/OIT (2010) apresentam um aumento de trinta e quatro milhões de desempregados no mundo todo entre os anos de 2007 e 200817 -, endividamento das famílias e de Estados, diminuição no ritmo de crescimento econômico e na geração de Produto Interno Bruto (PIB) em várias partes do mundo18, inclusive em países de capitalismo central como, EUA, Alemanha, França, Inglaterra e Japão.

Como resposta à crise e com ela à diminuição das taxas de lucro acelerou-se um processo de austeridade e ajustes fiscais em que, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial - enquanto fração hegemônica do capital financeiro e industrial -, elaboraram uma série de condições para que países em crise negociassem suas dívidas. Na Grécia, em Portugal, na Irlanda e em outros países periféricos da Europa houve aumento significativo da pobreza19 e mesmo em países como França20 e Grã-Bretanha21 os programas de austeridade

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Disponível em: <http://www.oit.org.br/content/tend%C3%AAncias-mundiais-de-emprego-da-oit-2010>. Acesso em 28 dez. 2017.

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Os dados consultados para essas afirmações se encontram em matéria publicada no sítio eletrônico da Rede Brasil atual: Disponível em: <http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2015/02/restricoes-ao- crescimento-482.html>. Acesso em 28 dez. 2017.

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Sobre o aumento da pobreza na Europa consultamos os dados no relatório EAPN – Rede Europeia Anti- Pobreza/ Portugal, 2015. Disponível em: <https://www.eapn.pt/documento/468/indicadores-sobre-pobreza- dados-europeus-e-nacionais>. Acesso em 03 jan. 2018.

36 avançaram com demasiada força nos últimos anos. Se outrora, a conta da crise pesasse unicamente sobre a classe trabalhadora dos países da periferia do globo, as dificuldades de solucionar a recessão que se instaura a partir de 2007 impõem às nações de capitalismo central o duro fardo dos ajustes e das reformas. Mészáros (2011) adverte:

O capital quando alcança um ponto de saturação em seu próprio espaço e não consegue simultaneamente encontrar canais para nova expansão, na forma de imperialismo e neocolonialismo, não tem alternativa a não ser deixar que sua própria força de trabalho local sofra as graves consequências da deterioração da taxa de lucro (Ibid., p. 70).

Marx (2017) argumenta que:

Qualquer que seja a taxa de salários, alta ou baixa, a condição do trabalhador deve piorar à medida que se acumula capital. Trata-se de uma lei que estabelece uma correlação fatal entre a acumulação de capital e a acumulação da miséria, de modo que a acumulação de riqueza em um polo é igual à acumulação de pobreza, de sofrimento, de degradação moral, de escravidão no polo oposto, no lado da classe que produz o próprio capital (Ibid., p. 716).

De fato, se o fardo sobre os ombros dos trabalhadores europeus e/ou norte americanos, para usarmos como exemplo, tornam-se maiores com a conjuntura de crise, ao sul do globo as consequências são ainda mais perversas, haja vista que, em sua maioria são trabalhadores de países que sequer experimentaram o mínimo das benesses desfrutadas pelo período austero do estado de bem estar social e as parcas conquistas, como direitos trabalhistas mínimos, são postas abaixo com as reformas preconizadas pelos ajustes fiscais e políticas de austeridade.

No entanto, convém explicitar que tais políticas de austeridade e ajuste fiscal que tanto são indicadas por governos e instituições, fazem parte do ideário neoliberal em prática desde a década de 1970, mas que, neste início da segunda década do século XXI avançam com maior voracidade sobre o mundo. A respeito do neoliberalismo, enquanto fase atual do sistema do capital, Harvey (2014) destaca que em sua aparência:

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Na França, de acordo com reportagem assinada por Calos Yárnoz no site do El País em 2014, o governo do Presidente François Hollande promoveu medidas de ajustes fiscais e desregulamentação trabalhista, o que resultou em greves e protestos por todo o país. Disponível em:

<https://brasil.elpais.com/brasil/2014/10/09/economia/1412873987_020033.html>. Acesso em 04 jan. 2018.