Anny Giacomin, Dayane Freitas, Jackeline Gama e Roberta Soares
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onsiderando que as pessoas têm um certo preconceito com a imprensa de interior, alegando amadorismo e falta de independência, até que podemos dizer que nos surpreendemos com o que “descobrimos”. É claro que tudo o que é de praxe – carência de profissionais e equipamentos, dis-putas políticas – nós também encontramos.Acontece que, se não houvesse essas TVs, muita coisa in-teressante que ocorre nessas cidades passaria despercebida. A imprensa é o retrato de uma comunidade. O interior tem um bairrismo muito forte, nele há situações diferentes das que existem na capital. As mudanças que vêm acontecendo no jor-nalismo interiorano não são somente na forma, mas também no conteúdo. Isso graças a redações compostas por profissio-nais cada vez mais dedicados e competentes.
As TVs do interior do Espírito Santo têm uma característica peculiar: quase todos os profissionais que lá trabalham são de fora da cidade. É claro que isso se deve, se não principalmente, mas em grande parte, à falta de faculdades de Jornalismo e/ou Rádio e TV nesses locais.
Uma coisa interessante que notamos ao tentar ‘desbravar’ e
‘desvendar’ as TVs do interior foi que os profissionais dessas emissoras realmente gostam do que fazem. Muitos tiveram que ultrapassar várias barreiras, como a distância da família,
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e hoje dão show de profissionalismo. Pena que algumas vezes o trabalho correto é atrapalhado pela politicagem. A seguir, a
“viagem”pela aventura e pelo negócio da TV que existe para além dos limites da Grande Vitória e que tem dois grandes personagens: a Família Lindenberg e Rui Baromeu/fundações e família.
TV Calango
A primeira transmissão feita por uma emissora local no norte do Espírito Santo aconteceu em 30 de junho de 1995.
Neste dia entrou no ar, com sinal próprio, a TV São Mateus – canal 12, atual TV Litoral, de caráter educativo, pertencente ao empresário das telecomunicações Rui Carlos Baromeu.
Inicialmente com o sinal apenas para a cidade de São Ma-teus, a emissora pioneira do Norte era uma geradora mista, ou seja, parte da programação era feita com programas locais e o restante do tempo era ocupado por programas de emissoras de fora. Com cerca de 30 funcionários que desempenhavam diversas funções, a TV São Mateus chegou a ter 11 progra-mas locais ao vivo. “No início foi uma explosão muito baca-na. Ninguém acreditava em uma emissora que estava quase na divisa do estado. Foi coisa de paixão mesmo”, conta o antigo editor de imagens da emissora, Antônio Cosme da Silva.
Quando foi inaugurada, a TV era carente de equipamen-tos e infra-estrutura. Devido à falta do teleprompter, que só chegou quase dois meses após a inauguração, seus apresenta-dores eram obrigados a abaixar e levantar a cabeça para ler os roteiros que ficavam em cima da bancada. Isso fez com que a população local apelidasse a emissora de TV Calango.
Grande parte dos profissionais que começaram a traba-lhar no novo empreendimento era de pessoas da própria
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gião. Muitos deles foram resgatados do rádio, outros vieram de cursos realizados na Fundação Rui Baromeu • detentora da concessão da TV e pertencente ao grupo familiar de seu proprietário, Rui Baromeu. “A Fundação formou quase 200 profissionais nas áreas de cinegrafia, locução e apresentação.
Hoje, todos trabalham em grandes empresas. A TV São Ma-teus foi uma TV escola”, afirma Baromeu.
Novo nome
Quando a TV São Mateus iniciou as atividades, ela era uma geradora mista e seu sinal abrangia apenas a cidade de São Mateus. “Como ela foi transformada em uma geradora pura, por uma norma do Ministério das Comunicações e que o pre-sidente da República outorgou, a TV São Mateus, hoje, pode gerar imagens para o Brasil inteiro. Ela pode produzir 24 ho-ras de programação, como qualquer outra televisão”, esclarece Rui Baromeu.
A expansão de sua cobertura incentivou a mudança de nome da emissora, que no final de 2004 passou a se chamar TV Litoral. Agora ela também está inserida numa rede, a Rede Sim (Sistema Integrado Multimídia), sociedade pertencente à família Baromeu. É uma rede de 16 emissoras de rádio – AM e FM – e duas televisões – TV Litoral e TV Colatina.
A mudança de nome veio acompanhada de mudanças na grade de programação e na estrutura da emissora. A TV Lito-ral teve sua sede reformada e algumas áreas receberam equi-pamentos melhores. Com o slogan “TV Litoral – uma nova TV”, a emissora tenta recuperar parte da credibilidade perdida quando o seu controlador ingressou no campo político.
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“A política descredencia tudo”
Rui Baromeu trabalha há 25 anos com rádio, porque acha que o veículo ajuda no desenvolvimento do país. Mas também avançou para a área da TV e da política. Entre 1996 e 2000, Baromeu foi prefeito da cidade de São Mateus, fato que trouxe um enorme descrédito à sua emissora, segundo relatado pelo próprio:
Eu só me desfoquei do sistema de comunicação quando en-trei para a política. A área política atrapalhou o desenvolvi-mento da televisão porque se criou uma ciumaria, criou-se olho grande dos concorrentes. O homem que é de comuni-cação não pode mexer com política, não pode ter dois ca-minhos. Inclusive isso tira a credibilidade da emissora. As pessoas falam: ‘Ah, aquela emissora pertence a um político, é mentirosa’. Ou você escolhe entrar no meio de comuni-cação, se isolar e abrir o coração para mandar uma notícia correta, sem turbulência, ou você fica no meio da política.
Achavam que eu queria ter vôo político, mas não era. Eu queria deixar uma marca na minha região, simplesmente isso. Então eu me afastei da política. O meu foco é comuni-cação. Os meus filhos estão envolvidos nesse processo, a mi-nha família toda está envolvida; as pessoas que fazem parte desse contexto são pessoas da área de comunicação, são pes-soas focadas, que acreditam nesse projeto. [...] Eu saí desse esquema político porque eu não tenho compromisso com político nenhum, eu tenho compromisso é com a verdade, com a comunicação, com o crescimento dela. Aqui pode vir o comunista, o esquerdista, o direitista, o centrista. [...] O envolvimento com a política descredencia tudo.
TV Colatina: “Queremos crescer”
A TV Colatina (canal 7), retransmissora da TV Educativa (TVE), foi inaugurada em janeiro de 1998 com o objetivo de
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prestar serviços à população, contribuindo para o desenvolvi-mento da região e formando opiniões.
Segundo o jornal Norte Notícias, da 1ª quinzena de junho de 2001, à página 6,
por meio da distribuição das concessões de canais de televi-são, as TVs Educativas passaram a possuir receptoras mistas.
A idéia incentivou um grupo de Colatina na criação de um projeto para a instalação de uma TV local e, posteriormen-te, surgir a TV Colatina. [...] O que os Colatinenses não po-deriam imaginar é que a empresa duraria apenas seis meses.
A falta de apoio dos empresários e das indústrias contribuiu para aquele desfecho e o que foi conquistado com dificul-dade deixou de existir. Passado algum tempo sem ir ao ar, a TV Colatina voltou a funcionar. Uma equipe de Vitória, munida de equipamentos, resolveu salvar a emissora e tudo voltou a se normalizar, mas, mesmo assim, poucos deram credibilidade à TV. [...] Somente no primeiro semestre de 2001 a emissora pôde reerguer-se novamente. A programa-ção independente foi surgindo e a populaprograma-ção mais uma vez voltou a acreditar.
O relevo da Princesinha do Norte foi um outro obstácu-lo enfrentado pela equipe da TV Colatina. Mesmo com um transmissor novo, havia e ainda há dificuldade de abranger totalmente todos os pontos da cidade, por conta da topografia acidentada. Os morros fazem “sombra” nas áreas mais afas-tadas e o sinal não chega a todos os bairros. São exemplos os bairros Córrego do Ouro e Colúmbia. Para que eles tenham acesso às imagens, uma torre tem que ser colocada lá.
E como nas outras TVs do Interior, outro empecilho para o desenvolvimento da emissora foi a compra de equipamentos, que são bastante caros, assim como a falta de mão-de-obra qualificada.
No entanto, mesmo com todas as dificuldades, a TV Cola-tina está em fase de expansão. A emissora está investindo em
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novos equipamentos: um link, para fazer inserções ao vivo em seus programas, e um transmissor, para aumentar a potência.
Os investimentos estão orçados em R$ 45 mil.
Depois de uma reformulação em sua diretoria, a TV passa por um momento de equilíbrio. De acordo com o diretor geral da emissora, Marlon Dalcamin, a programação está sendo am-pliada e a mentalidade também está sendo modificada. “Foca-mos o profissionalismo e a qualidade do que va“Foca-mos transmi-tir aos nossos clientes. Quase toda nossa equipe participa de cursos para melhorar o relacionamento interno. Temos vários planos empresariais. Queremos crescer”, afirmou.
Dentro dos planos de expansão da TV Colatina, estão a transmissão ao vivo das sessões da Câmara Municipal e a ampliação da programação da emissora. Segundo Dalcamin, todo esse esforço visa a recuperar a imagem da TV para que alcance mais anunciantes e, conseqüentemente, possa colocar mais programas no ar. Além disso, possa oferecer bons pro-dutos para os telespectadores, ou seja, reforçar a programação local.
Fatos marcantes
Um momento especial na história da TV Colatina foi a co-bertura das eleições para prefeito em 2004. Desde os debates até a apuração dos votos, tudo foi acompanhado pela equipe.
Durante a apuração foram mais de sete horas de transmis-são – das 11 horas às 18h30, quando se deu o resultado final.
“Apesar do empenho, houve falhas, causadas pelas limitações dos equipamentos e pela falta de alguns deles. Mas estamos melhorando”, afirmou Dalcamin.
O telejornal colatinense está passando por mudanças. Ele