Independente do tipo, os acidentes de trabalho, causam impactos sobre a produtividade e a economia, e sofrimento para a sociedade, isto porque além das perdas materiais, em muitos casos acarretam perdas que jamais serão ressarcidas como a vida de um ser humano.
Colocando isto em números, segundo REHDER (2012) apud Pastore (2012) os custos de acidente de trabalho para as empresas somam num total de R$
41 bilhões. Os gastos da Previdência Social com o pagamento de benefícios acidentários e aposentadorias especiais são calculados em cerca de R$ 14 bilhões.
Os acidentes e doenças do trabalho causam ainda vários tipos de custos e danos aos trabalhadores e às respectivas famílias, e que são estimados em R$ 16 bilhões.
Segundo a Associação Educacional Dom Bosco - AEDB (2012) considerando o ponto de vista prevencionista não ha necessidade de efeito lesivo ao trabalhador em virtude da ocorrência, a simples perda de tempo para normalizar a situação já representa custo. O custo de acidentes envolve vários fatores de produção:
a) Pessoal: Envolve todos os funcionários assalariados isto porque qualquer acidente determinará despesas médicas, hospitalares, farmacêuticas, além de gastos com indenizações por incapacidade, ao órgão segurador.
b) Maquinas e equipamentos: Incluem ferramentas, carros de transporte diretamente ligados à produção, máquinas, que podem ser danificados em caso de acidente, exigindo reparos, substituição de peças e serviço extra das equipes de manutenção.
c) Matéria – prima: Compreendem os três estágios, entrada, processamento e saída como produto acabado. Material perecível, por exemplo, pode ser perdido em caso de parada repentina do processo em virtude de um acidente.
d) Tempo: Invariavelmente, qualquer acidente acarreta, com perda de tempo, tanto na produção como na mão-de-obra.
e) Instalações Gerais: Compreendem danos as instalações elétricas, aos prédios, às canalizações.
Um exemplo básico refere-se a queda de um fardo de algodão mau armazenado, em primeiro momento traria como consequências:
a) O empregado encarregado da reamarzenagem gastará esforço para o trabalho, sendo desnecessário se a armazenagem inicial estivesse sido realizada corretamente, além de propiciar risco novamente inerente a atividade;
b) O empregador pagara duplamente pelo serviço de armazenagem;
c) A perda de produção, devido a repetição da execução do serviço, representa um custo para a Nação, mais sentida em caso de produtos de exportação.
Em segundo momento, em caso de lesão corporal no trabalhador:
a) o operário ficará prejudicado em sua saúde;
b) o empregador arcará com as despesas de salário do acidentado, do dia do acidente e dos seguintes quinze dias,
c) Instituto Nacional do Seguro Social – INSS pagará as despesas de atendimento medico e os salários a partir do 15º dia até o retorno do acidentado ao trabalho normal.
Em caso de morte os custos serão os gastos com funeral, pagamento de pensão, no entanto o custo social decorrente do acidente não poderá ser determinado. A família do acidentado poderá sofrer graves consequências, não só financeiras como também sociais.
2.1 CUSTOS DIRETOS
O custo direto é a taxa de seguro de acidentes do trabalho paga pela empresa ao INSS, conforme determina o artigo 26 do decreto 2.173, de 05 de março
de 1997, também chamado de custo segurado, representa a saída de caixa imediata para o empregador.
A contribuição é calculada a partir do enquadramento da empresa em três níveis de risco de acidente do trabalho, sendo estas:
a) 1% para a empresa de risco de acidente considerado leve.
b) 2% para a empresa de risco médio.
c) 3% para empresa de risco grave.
Cada porcentagem é calculada em relação à folha de salário de contribuição e é recolhida com as demais contribuições arrecadadas pelo INSS.
2.2 CUSTOS INDIRETOS
A Associação Educacional Dom Bosco - AEDB (2012) afirma que os custos indiretos são inerentes à própria atividade da empresa, que embora acarrete prejuízo a produção inclusive a diminuam, não há novos gastos necessariamente, tendo como influência em seu aumento alguns fatores:
a) salário pago ao acidentado no dia do acidente, mesmo tratando-se de acidente de trajeto.
b) salários pagos aos colegas do acidentado, que deixam de produzir para socorrer a vítima, avisar seus superiores e, se necessário, auxiliar na remoção do acidentado;
c) despesas decorrentes da substituição de peça danificada ou manutenção e reparos de máquinas e equipamentos envolvidos no acidente, quando for o caso;
d) prejuízos decorrentes de danos causados ao produto em processo;
e) gastos para a contratação de um substituto em caso de afastamento;
f) pagamento do salário do acidentado nos primeiros quinze dias de afastamento;
g) pagamento de horas extras aos empregados para cobrir prejuízo causado à produção pela paralisação decorrente do acidente;
h) gastos extras de energia elétrica devido as horas extras trabalhadas;
i) pagamento das horas de trabalho despendidas por supervisores e outras pessoas:
i.1) na investigação das causas do acidente
i.2) na assistência médica para os socorros de urgência;
i.3) no transporte do acidentado;
i.4) em providências necessárias para regularizar o local do acidente;
i.5) na assistência jurídica.
2.3. CÁLCULO DO CUSTO DE ACIDENTE
O custo do acidente é o somatório dos custos diretos e indiretos envolvidos, de acordo com Jairo Brasil (2007), o mesmo é expresso na fórmula - 1.
(1)
CTA= Custo Total de Acidente CD= Custo direto
CI= Custo indireto
2.3.1. APLICAÇÃO DA FÓRMULA DE CUSTO TOTAL DE ACIDENTE
Considerando hipoteticamente um acidente de trabalho na construção civil, com afastamento de 30 dias, sendo o acidentado um pedreiro que após o cumprimento de 5 horas de trabalho, sofreu um acidente decorrente ao tropeço em uma ferragem em lugar inadequado, tendo como consequência uma fratura no braço direito. Observam-se os seguintes custos:
a) Custo direto: 3% do salário do colaborador sendo este de R$ 1244,00 (2 salários mínimos), considerando também os 5 meses de trabalho.
b) Custo Indireto:
Pagamento do salário do acidentado nos primeiros quinze dias de afastamento: R$ 622,00;
Gastos para a contratação de um substituto: R$ 1244,00 (2 salários mínimos);
Dinheiro pago aos colegas do acidentado, que deixam de produzir para socorrer a vítima: R$ 15,56;
Gasto com as 3 horas pagas ao acidentado mesmo sem este ter trabalhado:
R$ 23,34;
Gastos com transportes: R$ 20,00;
Assistência investigativa e jurídica: R$ 1000,00;
Gastos médicos: R$ 300,00.
Aplicando estes custo à fórmula – 1,obtém-se: