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TÓPICO 1: PLANEJAMENTO E CONTROLE DE ESTOQUES

2.5 CUSTOS DE ESTOQUE

A valorização adequada dos estoques é uma questão importante para a contabilidade, assim como para o controle de custos, desse modo a metodologia aplicada para a aferição dos valores tem um papel importante, cuja definição deve representar a política da organização e do cenário em que está inserida (SÁ, 1985).

São cinco os métodos de valorização dos estoques disponíveis (DIAS, 2005;

MARTINS, 1990):

Método do custo específico – este método pressupõe a atribuição do custo específico de aquisição do material. Este método é utilizado em casos de aquisição específica, seja para uma ordem de produção ou encomenda.

Método do custo médio ponderado móvel – é o método mais frequente e utiliza o preço de todas as entradas, ponderando com a quantidade das entradas para cálculo do custo médio. Este método age como um estabilizador, pois equilibra as flutuações de preço. É caracterizado por atualizar o custo médio dos materiais após cada aquisição.

Método do custo médio ponderado fixo – similar ao custo da média ponderada móvel, este método se diferencia por atualizar os custos médios após o encerramento do período, geralmente mensalmente, ou quando decide apropriar os custos a todos os produtos elaborados.

PEPS ou FIFO – primeiro a entrar, primeiro a sair ou first in, first out. A avaliação do custo do material é feita pela ordem cronológica das entradas. Neste método há uma tendência do produto ser avaliado pelos preços antigos, o que numa situação de preços crescentes tende a aumentar o resultado contábil para o exercício em que o produto é vendido. Esta metodologia pode ser aplicada quando o giro dos estoques ocorre de maneira rápida e quando as oscilações normais de preço podem ser absorvidas no preço do produto ou quando o material é mantido por um longo tempo.

UEPS ou LIFO – último a entrar, primeiro a sair ou last in, first out. Este método considera que os últimos materiais que deram entrada devem ser os primeiros a sair, o que faz com que o custo seja avaliado pelo preço das últimas entradas.

É considerado o método mais adequado para períodos inflacionários, pois uniformiza o preço dos produtos pelo preço de reposição.

A valorização correta dos estoques deve incluir o rateio dos custos incorridos ao material até sua disponibilização para venda ou uso e incluir custos

diminuídos de seu valor eventuais descontos comerciais negociados por ocasião da aquisição (MARTINS, 1990). A prática demonstra um enfoque puramente fiscal, com a apropriação destes custos como despesas, valorizando os estoques apenas pelo seu custo de aquisição.

Três classes gerais de custos são importantes para a definição da política de estoques que estão em permanente conflito ou em compensação em si (BALLOU, 2006):

Custo de aquisição – são os custos relacionados à aquisição de mercadorias para reposição do estoque, cuja quantidade de reposição sofre forte influência da força econômica. O custo de aquisição compreende o preço do produto, mais todos os demais custos incorridos até sua disponibilização para uso, como, por exemplo, custos de transporte, custos de produção por pedidos mínimos, custos de compras (administrativos) etc.

Custos de manutenção – são resultantes do armazenamento e disponibilização de mercadorias, que incluem:

- custo de espaço em função do volume, necessário principalmente em casos de aluguel de espaço ou custos de depreciação e manutenção do armazém;

- custos de capital investido no estoque que está indisponível para uso em outro fim a curto prazo;

- custos de estocagem, que incluem seguros, impostos e demais serviços;

- custos de risco do estoque relacionados à deterioração, roubo, danos ou obsolescência.

Custo de falta de estoque – são todos os custos que incorrem com a falta do estoque. Os mais conhecidos são o custo da venda perdida e o custo dos pedidos atrasados, que podem gerar custos adicionais, como multas e custos adicionais de transporte relacionados com a troca da modalidade de envio.

O custo da venda perdida pode ser mais amplo do que simplesmente o resultado do preço do produto pela quantidade que se deixou de vender. Pode significar a perda definitiva de um cliente e, portanto, alcançar somas muito maiores.

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2.5.1 Giro de estoque

Estudos demonstram que os estoques representam uma parcela financeira que a organização disponibiliza para evitar prejuízos maiores. De acordo com Arnold (1999), o estoque é um ativo que representa um valor monetário preso e que não pode ser utilizado para outro fim.

Considerando o estoque sob a ótica do custo do capital, compreendido pelo custo de estoque, custo de armazenamento e risco de perdas, há uma permanente pressão, especialmente da área financeira das organizações, para que este seja o menor estoque possível. Neste contexto, uma forma de mensurar se o estoque está sendo utilizado de maneira eficiente é controlar o giro de estoque (CÉSARO, 2007).

Assim, o giro do estoque identifica quantas vezes o produto girou em determinado período de tempo, ou seja, é a relação entre o valor do consumo ou venda e do estoque:

GE = CM EM

Onde:

GE = giro de estoque

CM = custo da mercadoria vendida ou consumida EM = estoque médio em valores monetários

Embora algumas organizações optem por identificar o giro em unidades, é muito comum aplicar ao indicador outras derivações, como a classificação ABC, identificando de forma mais acurada o desempenho econômico da gestão de estoques (BERTAGLIA, 2009).

Quanto maior o giro de estoque, maior o risco de falta de produtos, sendo este um dos principais trade-offs da gestão de estoques.

2.5.2 Estoque consignado

NOTA

Assim, muitas organizações, para fugirem desta antecipação de custos, consignam os estoques com seus fornecedores. Assim, o produto estará disponível quando for identificada a demanda, e somente após seu consumo ou venda será pago ao fornecedor.

Isso implica diretamente a redução dos níveis de estoque contábil e da antecipação de capital. Todavia, é muito comum que os riscos pela gestão deste estoque sejam de responsabilidade da organização que mantém o estoque consignado. Assim, riscos de perdas ou roubos passam a ser da empresa que mantém o estoque físico, assim como o caso de obsolescência caso não seja notificado dentro de um período preestabelecido entre as partes. Por exemplo, consignações de produtos perecíveis podem implicar um aviso antecipado ao vencimento, e quando isso não ocorre os custos destes produtos passam a ser da organização que mantém o estoque físico.

Desta forma, é importante esclarecer e formalizar por contrato as regras da consignação, inclusive os custos em casos de perdas por eventos de força maior, como enchentes e outros eventos climáticos.

2.5.3 Política de estoque

A política de estoque deve prever os níveis de estoque máximo, mínimo e os pontos ou critérios de reposição, alinhados com a política de nível de serviço ou atendimento ao cliente (NA), conforme veremos no Tópico 2 desta unidade. Muitas organizações elaboram a política de estoque unicamente com base na Curva ABC e os prazos de reposição dos fornecedores. Todavia, para que a política atenda adequadamente aos objetivos da organização, deve contemplar também o nível de serviço ao cliente. No quadro a seguir apresentamos um exemplo de política de estoque.

QUADRO 16 – EXEMPLO DE POLÍTICA DE ESTOQUE Classificação

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Curva X Y Z

Nível de Atendimento

(NA) desejado 97% 98% 100%

FONTE: Adaptado de Barbieri e Machline (2006)

As organizações, especialmente as voltadas para bens de consumo, devem ter uma preocupação especial com o volume dos seus estoques, as quantidades a serem obtidas e os recursos para administrá-los.

FONTE: Adaptado de: <http://pt.scribd.com/doc/51600762/administracao-de-estoques-2>.

Acesso em: 3 set. 2012.