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3 A LOCALIZAÇÃO DOS EDIFICIOS DE ESCRITORIOS NA CIDADE DE SÃO

3.2 LOCALIZAÇÃO

3.4.4 A década de 1970

Na década de 70 a região da Paulista ainda se apresenta como um centro importante e desejado para novos empreendimentos, porém alguns fatores, como a valorização dos terrenos, a limitação do coeficiente de aproveitamento, com a implantação em 1972 da nova lei de zoneamento da cidade, acrescido da escassez de terrenos, contribuíram par a migração dos edifícios de escritórios para outras regiões.

Conforme Nadia Somekh, em sua dissertação de mestrado (1987):

“A Lei de zoneamento promulgada em 1972 pontua a periodização do crescimento vertical em São Paulo, constituindo-se uma nova limitação à possibilidade de multiplicar o solo urbano, dessa vez de maneira mais restrita e diferenciada. Essa nova limitação provoca uma expansão acentuada da nova área de verticalização, esta se dirige para áreas de preços fundiários menores.”

O Edifício Capitânia (1973), ilustrado na figura 41, localizado na esquina das Avenidas Faria Lima e Cidade Jardim, de autoria dos arquitetos Pedro Paulo Saraiva, Sergio Fischer e Henrique Cambiaghi Filho, juntamente com o Edifício ACAL (1974), visto na figura 42, na esquina das Ruas Araçari e Arthur Ramos, projeto dos mesmos arquitetos do Capitânia, representam o inicio da expansão rumo à região da Avenida Faria Lima.

Apresentando 12 pavimentos tipo, o Edifício Capitânia se destacou na paisagem predominantemente horizontal da região na época, ele apresenta um projeto constituído de torre com core de serviços, circulação vertical central envolvido por áreas de trabalho, o edifício pousa em uma plataforma ajardinada do terraço que cobre dois pavimentos de garagens delimitadas por placas pré-moldadas de concreto.

Com partido semelhante ao Capitânia, do outro lado da Avenida Faria Lima, o Edifício ACAL, também apresenta core de serviços e planta livre ao redor do mesmo. As quatro fachadas são idênticas, compostas de treliças afastadas cerca de 0,60m da caixilharia continua, assumindo a função de quebra-sóis.

Figura 41: Edifício Capitânia

Fonte: http://www.arcoweb.com.br/artigos/haifa-yazigi-sabbag-a-estrutura-15-05-2003.html

Figura 42: Edifício ACAL

Não obstante ao crescimento e consolidação da região da Avenida Faria Lima, na década de 70, novas áreas também apresentavam um deslocamento gradual em direção à região sudoeste, com o lançamento de edifícios de escritórios de relevante presença e importância.

O Edifício Nações Unidas (1974), localizado no cruzamento da Avenida Nações Unidas com Eusébio Matoso, projeto de Salvador Cândia, já aparece como indicio, da vocação da região da Marginal Pinheiros, assim como o Edifico Concorde (1975), na esquina das Ruas Funchal e Helena, para a Vila Olímpia. Nesta época, também houveram outros empreendimentos mais pontuais e de menor significado em locais como, Chácara Santo Antonio, Barra Funda, Berrini, Campo Belo, Moema, Brooklin, liberdade e Mooca.

Apesar desta distribuição dispersa, dos empreendimentos na região sudoeste, a Avenida Paulista ainda representava um marco importante e cobiçado para os novos empreendimentos, mostrando uma hierarquia qualitativa nos edifícios lançados.

A analise nas demais áreas da cidade, na década de 70, evidencia o alto nível de qualidade dos empreendimentos, mas era na Avenida Paulista, que ainda se concentravam os mais importantes lançamentos, especialmente os que contavam com tecnologia e linguagem coorporativa, como o Edifício Asahi (1973), na esquina da Avenida Paulista com a Rua Pamplona, autoria dos arquitetos Paulo Casé, Luis Aciolle e L.A. Rangel. Ilustrado na figura 43, o edifico foi construído para abrigar a sede do Banco de Tokyo no Brasil, possui 21 pavimentos tipo de escritórios, um subsolo utilizado para garagem e no térreo foi projetado para ser ocupado por uma agencia bancária. E o Edifício Rizkallah (1973), mostrado na figura 44, na Avenida Paulista, de autoria dos arquitetos Sami Bussab e Satoru Nagai, possui 11 pavimentos tipo, térreo comercial e conta com uma obra de arte criada pela artista plástica Maria Bonomi, um painel que proporciona um térreo sombreado, que serve como extensão da calçada.

Figura 43: Edifício Asahi Fonte: http://paulocase.com.br/#/projetos/10

Figura 44: Edifício Rizkallah

Os edifícios paradigmáticos de escritórios de alto e médio padrão na década de 70, ilustrados neste capítulo, eram caracterizados, segundo Chicca, pelo o aumento de área privativa nos andares, geralmente maiores do que 500m², onde a maioria deles com sistema de ar condicionado central e com uma media de uma vaga para cada 67m² de área privativa, alguns dos quais já apresentavam até piso elevado.

O alto desenvolvimento deste período, principalmente na primeira metade da década, se explica pelo forte crescimento econômico conduzido pelo “milagre brasileiro”, e a vinda de empresas estrangeiras ao país, que estabeleciam seus escritórios na cidade de São Paulo.

O novo padrão de usuários exige dos novos empreendimentos uma melhora de grau de qualidade dos edifícios, respondidos por sistemas de ar condicionado mais eficiente, boa oferta de vagas por m² privativos, elevadores mais confiáveis e eficientes e sistema de geradores de energia automático.

Há uma clara dispersão locacional dos edifícios de escritórios na cidade de São Paulo, impulsionado pelo forte crescimento econômico, investimentos estrangeiros em empresas privadas e estatais, a vinda de empresas multinacional para o país e a nova lei de zoneamento, que provocou uma expansão acentuada para uma nova área onde os preços dos terrenos eram menores.

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