2 REVISÃO DA LITERATURA
2.7 CONTABILIDADE PÚBLICA
2.7.6 Dívida fundada ou consolidada
Em relação à Dívida Fundada ou Consolidada, Piscitelli et al (1997, p.157) a descreve como sendo:
as exigibilidades de prazo superior a doze meses, contraídas mediante emissão de títulos ou celebração de contratos para atender a desequilíbrio orçamentário, ou a financiamento de obras e serviços públicos, e que dependem de autorização legislativa para amortização ou resgate.
A Dívida Fundada ou Consolidada compreende as exigibilidades de prazo superior a doze meses e depende de autorização legislativa para amortização ou resgate. É classificada no Passivo Permanente do Balanço Patrimonial, seja ela contraída no mercado interno ou externo.
Ela resulta de operações realizadas pela entidade, com prazo superior a doze meses, a fim de atender a financiamento de obras e serviços públicos. É contraída mediante contrato ou emissão de títulos da dívida pública.
No Balanço Patrimonial, constante do Anexo 14 da Lei n.º 4.320, de 17 de março de 1964, a dívida fundada ou consolidada é classificada em duas categorias: a) Dívida interna - aquela realizada dentro do País; b) Dívida externa - aquela realizada fora do País, mediante autorização do Senado Federal, conforme inciso V do art. 52 da Constituição do Brasil.
A dívida fundada está fundamentada no art. 98 da Lei n.º 4320, de 17 de março de 1964, o qual estabelece que:
Art. 98. A dívida fundada compreende os compromissos de exigibilidade superior a doze meses, contraídos para atender a desequilíbrio orçamentário ou a financiamento de obras e serviços públicos.
Parágrafo único. A dívida fundada será escriturada com individuação e especificações que permitam verificar, a qualquer momento, a posição dos empréstimos, bem como os respectivos serviços e amortização e juros.
A dívida fundada compreende as obrigações contraídas por prazo superior a doze meses, contabilizadas de forma individual, e são representadas através do Anexo 14 - Balanço Patrimonial.
A Lei Complementar n.º 101, de 04 de maio de 2000, no art. 29, em seus incisos de I a V, adota as seguintes definições:
I. dívida pública consolidada ou fundada: montante total, apurado sem duplicidade, das obrigações financeiras do ente da Federação, assumidas em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e da realização de operações de crédito, para amortização em prazo superior a doze meses;
II. dívida pública mobiliária: dívida pública representada por títulos emitidos pela União, inclusive os do Banco Central do Brasil, Estados e Municípios;
III. operações de créditos: compromisso financeiro assumido em razão de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens, recebimento antecipado de valores provenientes da venda a termo de bens e serviços, arrendamento mercantil e outra operações assemelhadas, inclusive com o uso de derivativos financeiros;
IV. concessão de garantia: compromisso de adimplência de obrigação financeira ou contratual assumida por ente da Federação ou entidade a ele vinculada;
V. refinanciamento da dívida mobiliária: emissão de títulos para pagamento do principal acrescido de atualização monetária.
Entende-se como compromissos de longo prazo, contraídos legalmente e amortizável de forma parcelada e por prazo superior a doze meses.
A Lei Complementar n.º 101, de 04 de maio de 2000, nos §§ 1º, 2º, 3º e 4º, estabelece:
§ 1º. Equipara-se a operação de crédito a assunção, o reconhecimento ou a
confissão de dívidas pelo ente da Federação, sem prejuízo do cumprimento das exigências dos art. 15 e 16;
§ 2º. Será incluída na dívida pública consolidada da União a relativa à
emissão de títulos de responsabilidade do Banco Central do Brasil.
§ 3º. Também integram a dívida pública consolidada as operações de
crédito de prazo inferior a doze meses cujas receitas tenham constado do orçamento;
§ 4º. O refinanciamento do principal da dívida mobiliária não excederá, ao
término de cada exercício financeiro, o montante do final do exercício anterior, somado ao das operações de crédito autorizadas no orçamento para este efeito e efetivamente realizadas, acrescido de atualização monetária.
Há que se observar que o endívidamento público obedecerá a certas regras impostas pela Lei Complementar nº. 101, de 04 de maio de 2000, referentes a limites prévios, recondução da dívida aos limites anteriores, às contratações e até às vedações, constantes dos artigos 30 a 36 e respectivos §§ e incisos, sem prejuízo do que lhe impõe a Resolução nº 78/98 do Senado da República.
Além do exposto, o art. 37 da Lei Complementar n.º 101, de 04 de maio de 2000, equipara a operações de crédito e proíbe:
I. captação de recursos a título de antecipação de receita de tributo ou contribuição cujo fato gerador ainda não tenha ocorrido, sem prejuízo do disposto no § 7º do art. 150 da Constituição;
II. recebimento antecipado de valores de empresa em que o Poder Público detenha, direta ou indiretamente, a maioria do capital social com direito a voto, salvo lucros e dividendos, na forma da legislação;
III. assunção direta de compromisso, confissão de dívida ou operação assemelhada, com fornecedor de bens, de mercadorias ou serviços, mediante a emissão, aceite ou aval de título de crédito, não se aplicando esta vedação a empresas estatais dependentes;
IV. assunção de obrigação, sem autorização orçamentária, com fornecedores para pagamento a posteriori de bens e serviços."
Desta forma, o exposto está implícito também no art. 167, III, da Constituição Federal, o qual estabelece que as operações de crédito, excluindo-se as por Antecipação da Receita Orçamentária e as vinculadas aos créditos adicionais, estão restritas ao montante das despesas de capital que se devam realizar.
Esta regra é relevante, pois tem a preocupação de evitar abusos na utilização do capital de terceiros.
No tocante aos serviços públicos industriais, o art. 99 da Lei 4320, de 17 de março de 1964, determina que:
os serviços públicos industriais, ainda que não organizados como empresa pública ou autárquica, manterão contabilidade especial para determinação dos custos, ingressos e resultados, sem prejuízo da escrituração patrimonial e financeira comum.
Fica evidenciado que a lei determina que os custos, ingressos e resultados dos serviços públicos industriais sejam demonstrados por contabilidade especial. Ainda em relação aos registros, Machado Jr. e Reis (2001, p. 205) enfatizam:
devemos esclarecer que a Lei 4.320 parece ter fixado dois tipos básicos de registros: os registros sintéticos, aos quais se aplica o método das partidas dobradas, e os registros analíticos, que podem ser feitos pelo método das partidas simples, em um controle periférico. Esta metodologia é das melhores, porque permite a utilização dos sistemas mais modernos de processamento de dados, sem ferir a lei, possibilitando informações rápidas e fidedignas para a Administração.
Entende-se, pois, que esses serviços devam ser prestados de forma descentralizada através de Sociedade de Economia Mista, Autarquias ou Empresa Pública, adotando daí a Contabilidade de Custos, cuja finalidade é o estudo dos custos incorridos na produção, com o objetivo de fixar uma política de preço. Desta
forma, a Administração tem condições de implantar um preço justo e necessário para seu desempenho com eficiência e qualidade.