• Nenhum resultado encontrado

D EFINIÇÃO DE E VENTO E RESPETIVAS T IPOLOGIAS

No documento Team coaching, arte e turismo (páginas 55-58)

CAPÍTULO III – LAZER, COACHING E ARTE: DA TEORIA À PRÁTICA

3.1.2. D EFINIÇÃO DE E VENTO E RESPETIVAS T IPOLOGIAS

«Para o espetador, o evento pode representar a emoção de uma vida; para o participante, sua maior oportunidade até então, mesmo que para o organizador seja mais um de uma longa série» (Watt, 2004, p. 17).

A nossa história está repleta de acontecimentos efémeros que permanecem na memória, dos mais variados géneros, religiosos, sociais, culturais, entre outros. Ou seja, todos nós já estivemos envolvidos em acontecimentos únicos, que dadas as circunstâncias são irrepetíveis. A estes acontecimentos heterogéneos, diferenciados entre si, pela sua natureza, dimensão ou conteúdo, intitulamos de eventos. Os autores (Bowdin et al., 2006) definem evento como tudo o que acontece. Podemos, assim, considerar qualquer acontecimento planeado num determinado espaço e tempo, que abrange um grupo ou comunidade, com intuito de sensibilizar, interagir e difundir-se na sociedade que o envolve.

A ideia de um acontecimento único, num determinado espaço de tempo, como uma experiência que resulta de um processo, é uma conceção comum a muitos autores. No entanto, para alguns, os acontecimentos que não integram um contexto comum, que não se enquadram nas experiências habituais e que por si só são irrepetíveis, são eventos especiais. Shone & Parry definem um evento especial como sendo um «phenomenon arising from those non-routine occasions which have leisure, cultural, personal or organizational objectives set apart from the normal activity of daily life, whose purpose

42

is to enlighten, celebrate, entertain or challenge the experience of a group of people» (Shone e Parry, 2004, p. 3).

Os eventos podem ter características muito diversificadas entre si, no entanto existem alguns elementos em comum que os definem na sua categoria. Podemos, portanto, afirmar que são acontecimentos efémeros, com uma duração limitada. Segundo a OMT, são apenas considerados eventos, «os acontecimentos que tenham pelo menos 10 participantes e uma duração mínima de 4 horas» (Vieira, 2015, p. 31). Os eventos com duração inferior a 4 horas podem ser classificados como eventos, simplesmente não entram nas estatísticas da OMT. A complexidade deste formato é uma marca comum a todos eles, pois geralmente engloba vários conteúdos, ainda que seja em torno de algo central. Como já foi referido anteriormente são irrepetíveis e intangíveis, sendo complicado experimentar com antecedência todo o evento, é possível preparar, testar materiais e situações, ensaiar detalhes, mas não é exequível experimentar na sua totalidade.

A questão do tempo é um dos pontos base dos eventos, pois estes não acontecem e terminam simplesmente. Eles começam antes de acontecer e prolongam-se no tempo, seja por causa dos media, seja pelo “boca-a-boca”. Além disso, os eventos despertam emoção nas pessoas, proporcionam experiências únicas, que ficam guardadas para sempre na lembrança do público.

Todos os eventos são importantes para quem os promove, para quem os planeia e organiza, para quem os apoia e, sobretudo, para os que neles participam quer o façam voluntariamente, como na maior parte dos eventos sociais, associativos, desportivos e religiosos, quer por obrigação, como acontece na maioria dos eventos empresarias e institucionais (Vieira, 2015, p. 25).

Conseguimos destacar a importância que os eventos têm na sociedade, pelo facto de serem geradores económicos, não só para as empresas como para a região em que se inserem. Os eventos devem ser concebidos de acordo com o mercado, este deve estar baseado no planeamento estratégico do local ou da empresa e responder às necessidades do seu público-alvo. Este acontecimento efémero tem a capacidade de provocar emoções,

43

de oferecer experiências e de consolidar relações. «Events have the power to challenge the imagination and to explore possibilities» (Bowdin et al., 2006, p. 37)

Para uma melhor interpretação deste campo de estudo, podemos agrupar os eventos em pequenos grupos, de acordo com a sua natureza, conteúdo e objetivo, motivação dos participantes (o fator que leva determinado público a ir a um evento, pode ser um dos critérios na sua classificação, pois por vezes existem motivos muito fortes), duração (curta, média e longa), dimensão (local, regional, nacional e internacional), periocidade e frequência da realização (únicos, esporádicos, periódicos) (Vieira, 2015).

De acordo com Shone & Parry (2004, p.4) os eventos especiais podem ser divididos em quatro categorias:

 Os eventos de lazer, que se dedicam à ocupação de tempo livre, como os eventos desportivos que, «atualmente são muito frequentes, pois permitem maior envolvênvia com o público» (Isidoro et al., 2013, p. 19), e os festivais de música que atraem muito público e que se tornaram em muitos casos numa fonte de rendimento para os artistas. Em ambos os casos, podemos mencionar a sua importância para motivar e envolver as pessoas das equipas, no primeiro caso, e das marcas, no segundo exemplo.

 Os eventos culturais, que são na sua grande maioria de caráter performativo, podendo ser realizado em qualquer local, «ao ar livre ou em infraestruturas especialmente preparadas para os acolher como o Centro Cultural de Belém em Lisboa» (Vieira, 2015, p. 35). São caraterizados muitas vezes pela sua capacidade de interação e personalização ao público que se pretende alcançar. Nesta categoria podemos integrar «as tipologias de património cultural, sagrado, comemorações, arte e folclore» (Cunha e Abrantes, 2013, p. 278).

 Os eventos organizacionais, que englobam os comerciais, que «são realizados para lançar um produto novo, para promover as vendas de um produto já existente, para promover a visita a destinos turísticos como é o caso da BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa ou para apresentar as últimas novidades tecnológicas» (Vieira, 2015, p. 34), os de caridade e os políticos, organizados muitas vezes por partidos ou entidades internacionais como a União Europeia e que se tornam marcantes.

44

 Os eventos pessoais dizem respeito às festas de aniversário, casamentos, batizados, entre outros.

Numa tentativa de categorizar os eventos, também Getz os agrupou em quatro grupos (ver Anexo II), considerando que o seu destaque são os eventos planeados, «que são fenómenos caracterizados por um espaço-tempo e que os torna únicos, porque obedecendo a um conceito e programa estabelecidos, prosseguem um determinado propósito» (Cunha e Abrantes, 2013, p. 279). O primeiro grupo é constituído essencialmente por eventos sociais, que podem ter vários objetivos, como premiar pessoas que de alguma forma deixaram a sua marca na história, partilhar com o público um marco importante para ou país ou para o mundo, culturais, entre outros. No que diz respeito ao segundo grupo, é composto fundamentalmente por eventos organizacionais, que permitem o estreitamento de relações com os clientes, patrocinadores e parceiros e podem ser um ótimo ambiente para sedimentar os ideais da empresa perante a sua equipa. Os eventos desportivos ou recreativos que compõem o terceiro grupo são importantes no sentido em que podem incentivar os seus adeptos e, consequentemente, as suas equipas. A última categoria é destinada aos eventos sociais privados de origem familiar e amigos. Os eventos estão, deste modo, presentes nas mais variadas dimensões do homem e da comunidade em que este se insere. «Events do not take place in a vacum – they touch almost every aspect of our lives, whether the social, cultural, economic, environmental or political aspects. The benefits arising from such positive connections are a large part of the reason for the popularity and support of events» (Bowdin et al., 2006, p. 36).

No documento Team coaching, arte e turismo (páginas 55-58)