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D IETA A LIMENTAR DE Oreochromis niloticus

5. C ONCLUSÕES

4.1. R ELAÇÃO ENTRE A A TIVIDADE A LIMENTAR X R EPRODUTIVA DAS E SPÉCIES

4.2.8. D IETA A LIMENTAR DE Oreochromis niloticus

O tamanho dos espécimes de O. niloticus utilizados nas análises dos conteúdos estomacais variou de 1,25 cm a 9,4 cm, apresentando uma mediana de 6,4 cm, totalizando 19 indivíduos.

A dieta alimentar de O. niloticus, durante o período estudado, constou de um total de 77 itens, sendo 25,97% destes registrados na estação de estiagem de 2005, 92,20 na estação chuvosa de 2006 e 9,09% na estação de estiagem de 2006 (Quadro VII).

Estação Estiagem/05 Chuvosa/06 Estiagem/06

Nº de estômagos analisados 1 17 1

Itens Fo Fp IAi Fo Fp IAi Fo Fp IAi

Detritos 100 12,05 12,05 17,65 2,42 0,74 Escamas de peixes 35,29 1,92 1,17 Matéria orgânica 100 8,03 8,03 100,00 9,64 16,65 50 10,71 10,73 Ovos 100 4,02 4,02 35,29 0,85 0,52 Restos de peixes 100 4,02 4,02 Restos Vegetais 100 8,03 8,03 88,24 11,16 17,01 50 14,29 14,31 Sedimento 17,65 1,07 0,33 Sementes 100 7,60 7,60 29,41 2,17 1,10 FITOPLANCTON Bacylariophyceae Achnanthes sp. 23,53 0,36 0,15 Amphora sp. 23,53 0,99 0,40 Caloneis sp. 11,76 0,17 0,03 Cyclotella meneghiniana 70,59 2,70 3,29 Cymbella sp. 17,65 0,36 0,11 Diploneis sp. 5,88 0,28 0,03 Eudorina elegans Fragillaria sp. 5,88 0,43 0,04 Frustulia sp. 5,88 0,43 0,04 Gomphonema sp. 29,41 1,14 0,58 Gyrosigma sp. 11,76 0,21 0,04 Mastogloia smithii 64,71 2,20 2,46 Melosira granulata 100 4,02 4,02 76,47 2,49 21,11 50 3,57 3,58 Navicula sp1. 82,35 2,72 3,87 Neidium sp. 5,88 0,21 0,02 Nitzschia sp. 17,65 0,64 0,20 Pinnularia sp. 76,47 2,49 3,29 Rhopalodia sp. 17,65 0,28 0,09 Stauroneis sp. 23,53 0,85 0,35 Surirella sp. 23,53 0,50 0,20

Quadro VIII – Relação da freqüência de ocorrência (Fo), freqüência de pontos (Fp) e Índice de importância alimentar (IAi) dos itens alimentares de Oreochromis niloticus, registrados no açude Taperoá II, Taperoá – PB, durante o período estudado.

Cont. Quadro VIII Synedra sp1 41,18 1,92 1,37 Chlorophyceae Alga filamentosa 100 4,02 4,02 88,24 3,22 4,91 Ankistrodesmus falcatus 5,88 0,14 0,01 Botryoccocus braunii 5,88 0,11 0,01 Chrocooccus sp. 11,76 0,14 0,03 Chrooccocus turgidus 5,88 0,78 0,08 Chlorela vulgaris 100 4,02 4,02 76,47 2,30 3,04 Closterium sp. 5,88 0,14 0,01 Coelastrum sp. 11,76 0,57 0,12 Cosmarium sp. 17,65 0,85 0,26 Eudorina elegans 100 4,02 4,02 17,65 0,50 0,15 Oocystis sp. 100 4,02 4,02 Scenedesmus acuminatus 5,88 0,14 0,01 Scenedesmus quadricauda 35,29 1,21 0,74 Schroederia setigera 5,88 0,43 0,04 Selenastrum sp. 11,76 0,21 0,04 Spirulina sp. 29,41 1,53 0,78 Spyrogira sp. 47,06 1,56 1,27 Stephanodiscus sp. 5,88 0,05 0,01 Cianophyceae Anabaena sp. 29,41 0,92 0,47 Cylindrospermopsis raciborskii 5,88 0,28 0,03 Gloetrichia sp. 5,88 0,02 0,00 Lyngbia sp. 11,76 0,71 0,14 Merismopedia sp. 5,88 0,43 0,04 Mycrocistis aeruginosa 35,29 1,09 0,66 Nostoc sp. 5,88 0,07 0,01 Oscillatoria sp1. 100 4,02 4,02 64,71 2,74 3,06 Euglenophyceae Phacus sp. 11,76 0,28 0,06 Trachelomonas sp. 52,94 1,73 1,58 ZOOPLANCTON Rotifera Lecane sp. 100 4,02 4,02 11,76 0,09 0,02 Cladocera

Cladocera não identificado 100 8,04 8,04 17,65 0,38 0,12

Ceriodaphnia cornuta 100 4,02 4,02 5,88 0,21 0,02 Diaphanosoma spinulosum 100 4,02 4,02 23,53 1,35 0,55 Moina minuta 23,53 1,56 0,63 Copepoda Restos de Copepoda 100 4,02 4,02 ZOOBENTOS Conchostraca 41,18 2,49 1,77 Copepodito 11,76 0,43 0,09 Copepoda 29,41 1,99 1,01 Ephemeroptera 50 32 32,05 Gastropoda 11,76 0,28 0,06 Hydracarinae 100 4,02 4,02 23,53 1,35 0,55 50 7,14 7,15

Cont. Quadro VIII Larva de Chironomidae 17,65 0,44 0,13 50 21,43 21,46 Larva de Diptera 5,88 0,42 0,04 Náuplio de Copepoda 5,88 0,07 0,01 Nematoda 23,53 1,09 0,44 Ninfa de Naucoridae 5,88 0,36 0,04 Oligochaeta 17,65 0,71 0,22 Ostracoda 47,06 1,92 1,56 Restos de insetos 100 4,02 4,02 50 10,71 10,73 Total de itens 20 71 7

As amostras de O. niloticus obtidas no período de estiagem de 2005 e 2006 não foram representativas, de modo a não permitir análises mais acuradas, pois um baixo número de indivíduos foi coletado. Contudo, no período chuvoso de 2006, foi possível inferir acerca da maior importância dos itens, Melosira granulata (21,11%), restos vegetais (17,01%) e matéria orgânica (16,65%). Juntamente com estes materiais, foram encontrados itens como, outras microalgas, zooplâncton e zoobentos.

Estes dados corroboram com os registrados por Cardoso et al. (2004), que ao estudarem a estrutura trófica de dois açudes paraibanos, observaram que a referida espécie alimentou-se principalmente de macrófitas, diatomáceas e clorofíceas, e em menor proporção de detritos, insetos e microcrustáceos, determinando um regime alimentar onívoro com tendência a planctivoria.

A dieta registrada por Câmara & Chellappa (1996) para O. niloticus do estuário do rio Ceará-Mirim, foi composta exclusivamente por fitoplâncton e zooplâncton.

Espécies como O. niloticus, L. piau, A. fasciatus e A. bimaculatus apresentaram um regime alimentar onívoro, porém cada uma com as suas tendências. Segundo Santos (2005), esta flexibilidade na dieta de espécies sujeitas a variações ambientais cíclicas pode ser um indicador da sua resiliência potencial em condições de distúrbio.

4.2.9. DIETA ALIMENTAR DE Hypostomus SP., Cichlassoma orientale E Prochilodus brevis

Devido à baixa freqüência de captura foram analisados apenas 2 indivíduos de Hypostomus sp., 3 de Cichlassoma orientale e 1 de Prochilodus

brevis durante todo o período de estudo, portanto, não foi possível uma análise

mais detalhada da dieta alimentar dos mesmos, sendo apenas relatada aqui a relação dos itens que foram registrados.

A dieta alimentar de Hypostomus sp. constituiu-se, principalmente, de detritos e organismos planctônicos (Melosira granulata, M. italica, Navicula sp.

Surirella sp., algas filamentosas, Nitzschia sp., Chlorella vulgaris, Cyclotella meneghiniana, Scenedesmus quadricauda, Oocystis assimetrica, Trachelomonas sp., Anabaena sp., Closterium sp. e Phacus sp, o rotífero Keratella sp. e Cladocera), além de, restos vegetais e matéria orgânica.

Resultados diferentes foram observados por diversos autores, Mérona & Rankin-de-Mérona (2004), para uma espécie do mesmo gênero (Hypostomus

plecostomus) observaram uma dieta à base apenas de detritos; Silva (1993),

verificaram que os loricarídeos (que inclui o gênero Hypostomus), coletados no igarapé do Candiré, Amazonas, consumiram apenas algas filamentosas; Casatti et al. (2005), estudando o uso do habitat por duas espécies de

Hypostomus (H. ancistroides e Hypostomus sp.), observaram que cianofíceas,

clorofíceas, diatomáceas e materiais vegetais foram os itens principais da dieta; e Hahn et al. (2004), observaram que loricarídeos da Planície de Inundação do Alto Rio Paraná alimentaram-se principalmente de detritos.

Cichlassoma orientale apresentou uma dieta composta por: restos

vegetais, Gastropoda, sementes, matéria orgânica, restos de insetos, Hymenoptera, Melosira granulata e Euglena sp, enquanto que, a dieta alimentar de Prochilodus brevis, foi constituída principalmente pelo item detritos, associado a conchostraca, Biomphalaria sp., sementes, restos de insetos, matéria orgânica, restos vegetais, pupa de Chironomidae e Nematoda. Hahn et al. (2004), ao analisarem a dieta de Prochilodus lineatus da planície de inundação do Alto Rio Paraná também observaram uma dieta baseada principalmente em detritos. Mérona & Rankin-de-Mérona (2004), estudando a espécie P. nigricans de um lado de várzea da Amazônia Central, registraram

uma dieta a base principalmente, de detritos, frutos, flores e invertebrados aquáticos.

Em termos gerais, considerou-se que a maioria das espécies de peixes do açude Taperoá II são oportunistas, corroborando com o trabalho de Lowe- McConnell (1987), que relata que em ambientes de água doce que passam por grandes instabilidades este fato é comum. Semelhante foi citado por Dias et al. (2005) para o reservatório de Lajes, em que a maioria das espécies apresentou hábito alimentar onívoro (micrófago).

Em um ciclo anual, os eventos fisiológicos da alimentação seguem o ritmo imposto pelas características sazonais do ambiente, as quais mudam diariamente ao longo do ciclo, fazendo com que tais eventos acompanhem essas mudanças (RABELO & ARAÚJO-LIMA, 2002), além da influência dos fatores bióticos (MARGALEF, 1983). Segundo Hahn et al. (1997a), na seca, a proporção entre os recursos alimentares altera-se modificando as interações bióticas e levando os diferentes organismos, incluindo os peixes, a respostas distintas frente às novas condições.

Segundo Medeiros (1999), períodos alternados de precipitações e secas, que são característicos de regiões semi-áridas, podem provocar grandes flutuações de espaço, competição, concentrações de O2, uréia e consequentemente, a disponibilidade de alimento. Essas diferenças na abundância de alimento entre as estações seca e chuvosa afetam diretamente as comunidades tropicais. Como uma resposta a estas variações, espécies oportunistas mudam suas dietas de acordo com a disponibilidade alimentar (POMPEU, 1999).

Este fato foi bem visível no presente trabalho, no qual verificaram-se de uma forma geral, diferenças entre os períodos seco e chuvoso, mas a instabilidade ambiental não permitiu que mesmo em estações iguais (períodos de estiagem de 2005 e 2006) o regime alimentar fosse igual para a maioria das espécies.

Peret (2004) salientou a importância da plasticidade no comportamento alimentar favorecendo a sobrevivência da espécie, ao mesmo tempo em que pode se constituir no mecanismo de aceleração da incorporação de nutrientes alóctones do ambiente aquático.

Corroborando um estudo realizado por Gomes & Verani (2003), estes observaram uma grande importância dos itens autóctones na dieta das espécies de peixes, ao mesmo tempo em que a influência das variações sazonais na oferta de alimento se fez notar. Ressalta-se a interação entre o ambiente aquático e áreas marginais e o papel das mesmas nos fluxos de materiais, como locais de alimentação e abrigo para alevinos, peixes menores e invertebrados em geral. Os insetos apresentaram um papel destacado na dieta dos peixes, servindo como elo importante entre os ambientes aquáticos e terrestres, uma vez que os ciclos de vida de muitos deles envolvem fases distintas nesses dois ambientes.

4.3. SOBREPOSIÇÃO DE NICHOS ECOLÓGICOS

No Brasil, os estudos sobre alimentação de peixes de água doce se intensificaram nos últimos anos, contudo, os que se referem às inter-relações entre os membros da comunidade ainda são raros (AGOSTINHO et al., 1997).

Segundo Krebs (1989), medidas de sobreposição no uso de recursos alimentares são procedimentos importantes na compreensão da estrutura de comunidades.

No período de estiagem de 2005, através do MDS (STRESS = 0,02, excelente), observou-se que as espécies A. fasciatus, A. bimaculatus e L. piau apresentaram alta sobreposição de nichos, alimentando-se preferencialmente de restos vegetais, restos de insetos, alga filamentosa, matéria orgânica e ovo (Fig. 10). As espécies P. vivivipara e C. bimaculatum também apresentaram sobreposição de nichos alimentando-se preferencialmente de restos vegetais, ovos, algas filamentosas, larva de Chironomidade e algumas microalgas (clorofíceas e bacilariofíceas).

O. niloticus e S. notonota não apresentaram sobreposição de nicho,

provavelmente devido a uma maior variedade de itens consumidos por estas em relação às dietas das demais espécies, a exemplo da ingestão de indivíduos zooplanctônicos.

H. malabaricus também não apresentou sobreposição de nicho com

nenhuma das outras espécies, este fato se deveu a uma dieta preferencialmente piscívora.

No período chuvoso de 2006, o MDS (STRESS = 0,01; excelente) indicou que as espécies A. fasciatus, A. bimaculatus, L. piau, S. notonota, P.

vivipara e O. niloticus apresentaram alta sobreposição de nichos, alimentando-

se preferencialmente de restos vegetais, matéria orgânica, Chlorella vulgaris,

Mastogloia smithii, Conchostraca e sementes (Fig. 11). Enquanto que as

espécies C. bimaculatum e H. malabaricus não apresentaram sobreposição de nichos entre si, nem com as demais espécies; a primeira alimentou-se preferencialmente de larva de Chironomidae, enquanto que a segunda, de peixes como S. notonota e A. bimaculatus (dentre outros), e Melanoides

tuberculata.

Figura 10 – Mapa espacial referente às dietas alimentares das espécies analisadas no período de estiagem de 2005, açude Taperoá II, Taperoá – PB. (Tabela X - sobreposição de nichos ecológicos utilizando o índice simplificado de Morisita, em anexo).

No período de estiagem de 2006, MDS (STRESS = 0,04; excelente), indicou que as espécies A. fasciatus, A. bimaculatus e Poecilia vivipara apresentaram alta sobreposição de nichos, alimentando-se preferencialmente de algas filamentosas, restos vegetais, matéria orgânica, restos de insetos,

Chlorella vulgaris e ovos (Fig. 12). Neste mesmo período, as espécies C. bimaculatum, O. niloticus, S. notonota, H. malabaricus e L. piau, não

apresentaram sobreposição de nichos entre si, nem com as demais. C.

bimaculatum alimentou-se preferencialmente de larva de Chironomidade, O. niloticus de Ephemeroptera, S. notonota de detritos, H. malabaricus de restos

de insetos e L. piau de matéria orgânica.

Figura 11 - Mapa espacial referente às dietas alimentares das espécies analisadas no período chuvoso de 2006, açude Taperoá II, Taperoá – PB. (Tabela XI - sobreposição de nichos ecológicos utilizando o índice simplificado de Morisita, em Anexo).

Ressalta-se a sobreposição alimentar entre as espécies A. bimaculatus e A. fasciatus em todos os períodos analisados, já que ambas foram consideradas onívoras com tendência a herbivoria e observou-se a ingestão de itens alimentares semelhantes entre elas. Vilella et al. (2002), num estudo sobre a dieta de espécies do gênero Astyanax, também observaram dietas similares entre as duas espécies acima mencionadas.

Acredita-se que o maior número de espécies apresentando sobreposição de nichos no período chuvoso de 2006, ocorreu devido a maior diluição em que se encontravam os itens alimentares, ocasionada pelo maior volume de água do açude (menor densidade ecológica) o que acabou por dificultar as chances dos peixes de encontrarem suas presas.

Figura 12 - Mapa espacial referente às dietas alimentares das espécies analisadas no período de estiagem de 2006, açude Taperoá II, Taperoá – PB. (Tabela XII - sobreposição de nichos ecológicos utilizando o índice simplificado de Morisita, em Anexo).

4.4. TEIA ALIMENTAR

Teias alimentares não têm sido registradas nos trabalhos relacionados com ecologia trófica de ambientes do semiárido paraibano, até porque esses estudos abordam apenas uma espécie ou poucas (CARDOSO et al. 2003; CHAVES, 2004; COSTA, 2001; MARINHO et al. 2006; e MONTENEGRO et al. 2005).

A ictiofauna do açude Taperoá II foi representada pelas seguintes categorias tróficas: onívoro, L. piau; onívoro com tendência a herbivoria, A.

bimaculatus e A. fasciatus; onívoro com tendência a planctivoria, O. niloticus;

herbívoro, P. vivipara; insetívoro, C. bimaculatum; carnívoro, H. malabaricus; e detritívoro, S. notonota.

Lowe-McConnell (1987), afirma que, em termos de alimentação, os ambientes de água doce, devido à grande instabilidade intrínseca, influenciam em grande extensão o surgimento de dietas generalistas, em detrimento da especialização. Fato este observado no açude Taperoá II, no qual 51,98% das capturas foram de espécies pertencentes às categorias: onívora, onívora com tendência a herbivoria e a planctivoria (Quadro IX), demonstrando com isso a habilidade destas em mudar rapidamente de alimento frente às possíveis alterações promovidas pela dinâmica hidrológica do ambiente, em virtude do regime pluviométrico irregular da região, por estes motivos não poderiam ser grandes especialistas.

Segundo Gerking (1994), hábitos alimentares especialistas evidenciam- se quando a disponibilidade de alimentos é alta e hábitos alimentares generalistas quando a disponibilidade de alimentos é reduzida.

Quadro IX – Abundância da ictiofauna por categoria trófica no açude Taperoá II durante o período estudado.

Categoria trófica Espécies out/05 dez/05 mar/06 jun/06 ago/06 out/06 Total

Onívoro L. piau 5 6 4 28 46 89 Onívoro (tend. herbivoria) A. bimaculatus e A. fasciatus 89 16 20 25 127 66 343 Onívoro

(tend. planctivoria) O. niloticus 1 3 20 1 1 26

Herbívoro P. vivipara 7 36 10 15 45 10 123

Insetívoro C. bimaculatum 7 4 41 34 36 122

Piscívoro H. malabaricus 6 23 9 7 7 6 58

Detritívoro S. notonota 45 43 26 1 3 2 120

Através da análise das dietas com base em grandes grupos de itens alimentares consumidos pela ictiofauna, observou-se que a maioria das espécies foi generalistas (Fig. 13); certamente, o mecanismo de coexistência entre as mesmas, reside na capacidade de repartição dos itens alimentares a níveis mais específicos.

Figura 13 – Teia alimentar da ictiofauna do açude Taperoa II, Taperoá – PB durante o período estudado.

A categoria, onívoro com tendência a herbivoria foi a mais abundante nas capturas, sendo esta a única representada por mais de uma espécie, A.

bimaculatus e A. fasciatus, demonstrando com isso a importância da vegetação

marginal, macrófitas (Ceratophylum sp.) (Fig. 14), como fonte de alimento

essencial à manutenção destas espécies. Reforçando esta afirmativa, os peixes pertencentes à segunda e a terceira categorias de maior abundância nas capturas foi a herbívora (P. vivipara) e a insetívora (C. bimaculatum), respectivamente, sendo os insetos observados fortemente associados a esta vegetação. Com destaque para os chironomídeos, os quais segundo Abílio (2003) foram dominantes no açude Taperoá II.

Estes resultados corroboram o estudo realizado por Vilella et al. (2002), no qual a dieta de seis espécies do gênero Astyanax no rio Maquié (RS) foi considerada onívora, sendo os insetos e vegetais superiores os itens alimentares mais importantes. Estes autores ainda sugerem que as espécies possam estar atuando como dispersoras de sementes, principalmente de macrófitas, sendo A. bimaculatus a espécie com maior tendência a herbivoria.

Resultado semelhante foi registrado por Cunico et al. (2002) na planície de inundação do alto rio Paraná, no qual as lagoas marginais foram caracterizadas pela alta disponibilidade de abrigo suprindo as necessidades biológicas e ecológicas das populações como, por exemplo, reprodução alimentação e crescimento; por Hofling et al. (2000) no reservatório de Salto Grande – SP, no qual Poecilia vivipara foi registrada juntamente com outras

Figura 14 – Espécies de

peixes de pequeno porte (Characidium bimaculatum e

Poecilia vivipara, principal-

mente), capturadas em meio a macrófita Ceratophylum sp.

espécies de pequeno porte em áreas rasas próximas às margens; e por Agostinho et al. (2007), que afirmam que espécies de pequeno e médio porte são geralmente observadas em associação a algum tipo de substrato, como troncos, rochas, macrófitas aquáticas e até mesmo junto ao sedimento, encontrando nesses locais de proteção, a alimento e superfície adequada para a deposição dos ovos.

No período de estiagem de 2005, restos vegetais seguido de larva de Chironomidae, respectivamente, foram os itens mais consumidos pela ictiofauna do açude Taperoá II; no período chuvoso de 2006, os mais consumidos foram restos vegetais e matéria orgânica; enquanto que, no período de estiagem de 2006 matéria orgânica e restos de insetos foram os itens mais consumidos.

Lowe-MConnell (1999), afirma que as cadeias alimentares em águas tropicais são muito complexas, mas as fontes alimentares não são numerosas e os principais alimentos consumidos constituem-se de material vegetal alóctone, insetos aquáticos e terrestres, lodo e detritos.

Agostinho et al. (2007), demonstraram num estudo que a categoria onívora era a de maior ocorrência, presente na ictiofauna dominante de quase todos os 77 reservatórios brasileiros, foi representada principalmente por:

Astyanax, Geophagus e Pimelodus, seguida pelas categorias piscívora

(Serrasalmus, Plagioscion Oligossarcus e Cichla), detritívora/iliófaga (Apareiodon, Cyphocharax, Steindachnerina, Prochilodus) e herbívora (Astyanax, Myleus, Metynnis e Schizodon).

Contudo, as categorias tróficas aqui apresentadas não concebem classificações estáticas, visto que, as mesmas podem mudar em função da elevada adaptabilidade trófica demonstrada por boa parte das espécies em resposta às variações ambientais.

Segundo Agostinho et al. (2007), somente conhecendo os limites da variabilidade da dieta dos peixes e os principais fatores responsáveis por estas variações, é que se pode fazer inferências mais precisas acerca da ecologia trófica das espécies, podendo inclusive predizer impactos antropogênicos sobre a dieta e, por fim, predizer modificações na estrutura populacional das assembléias.

Os resultados aqui apresentados tiveram o intuito de ampliar os conhecimentos já desenvolvidos acerca da ecologia da ictiofauna do açude Taperoá II, de modo a contribuir para um melhor entendimento da dinâmica da mesma, bem como, do ambiente em questão e suas relações.

5. CONCLUSÕES

9 A maioria das espécies, A. fasciatus, A. bimaculatus, S. notonota, C.

bimaculatum e H. malabaricus, não interrompeu ou sequer diminuiu a

sua atividade alimentar durante o período reprodutivo, mas L. piau,

P. vivípara e O. niloticus apresentaram uma pequena diminuição na

atividade alimentar no pico de atividade reprodutiva.

9 Astyanax fasciatus e Leporinus piau apresentaram uma dieta mais ampla nos períodos de estiagem (2005 e 2006), fato associado ao menor volume de água do açude e conseqüentemente, concentração dos itens preferíveis por estas;

9 A. fasciatus e A. bimaculatus apresentaram um regime alimentar onívoro com tendência a herbivoria, sendo o mais freqüente nas capturas ao longo do estudo;

9 L. piau apresentou um regime alimentar onívoro e oportunista, e

Steindachnerina notonota detritívoro;

9 Characidium bimaculatum e Poecilia vivipara ampliaram as suas dietas durante o período chuvoso de 2006, principalmente por habitarem as regiões marginais do açude, e conseqüentemente, receberem a oferta alimentar carreada pela chuva;

9 C. bimaculatum teve um regime alimentar insetívoro e P. vivipara herbívoro;

9 Hoplias malabaricus apresentou hábito alimentar carnívoro, com variação ontogenética na dieta, na qual indivíduos juvenis foram insetívoros e indivíduos adultos piscívoros;

9 A espécie Oreochromis niloticus apresentou um regime alimentar onívoro com tendência a planctivoria;

9 Ao longo do período estudado, as dietas foram em sua maioria onívoras, certamente influenciadas pela dinâmica hidrológica, e conseqüentemente pela disponibilidade de itens presentes no ambiente;

9 No período de estiagem de 2005 observou-se sobreposição de nichos entre as espécies A. bimaculatus, A. fasciatus e L. piau; e

entre P. vivpara e C. bimaculatum; no período chuvoso de 2006 entre, A. bimaculatus, A. fasciatus, L. piau, S. notonota, P. vivipara e

O. niloticus; enquanto que, no período de estiagem de 2006

observou-se sobreposição entre as A. bimaculatus, A. fasciatus e P.

6. REFERÊNCIAS

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