6.1 Constituição do Império do Brazil31 de 1824:
Art. 2. O seu território é dividido em Províncias na forma em que actualmente se acha, as quaes poderão ser subdivididas, como pedir o bem do Estado.
Art. 101. O Imperador exerce o Poder Moderador:
III. Sancionando os decretos, e Resoluções da Assembléia Geral, para que tenham força de lei: Art. 62.
Art. 62. Se qualquer das duas Câmaras, concluída a discussão, adoptar inteiramente o Projecto, que a outra câmara lhe enviou, o reduzirá a Decreto, e depois de lido em Sessão, o dirigirá ao Imperador em dous autogrphos, assignados pelo Presidente, e os dous primeiros Secretários, Pedindo-lhe a sua Sancção pela fórmula seguinte: A Assembléia Geral dirige ao Imperador o Decreto incluso, que julga vantajoso, e útil ao Império, e pede a Sua Magestade Imperial, Se Digne da a sua Sanção.
Em julho de 1824, ainda não estava instalada a Assembléia Constituinte. Situação esta que, oportunamente, o Império se valeu da lacuna e puniu os pernambucanos – por se rebelarem contra a Constituição Imperial, desanexando a Comarca do rio São Francisco, colocando-a, provisoriamente, sob o domínio da Capitania de Minas Gerais; e, somente em 15 de outubro de 1827, já instalada a Assembléia Constituinte, e constatada a dificuldade da administração pelos mineiros, devido a distância, a Assembléia sanciona e o Poder Moderador transfere, também provisoriamente, a Comarca do rio São Francisco para o domínio da Capitania da Bahia, onde se encontra até o presente momento. O Império calou-se. O povo pernambucano não. Agora, querem transformar essa parte do território pernambucano num novo Estado. Pernambuco ressurgirá questionando o seu direito sobre este território:
Art. 164. A este Tribunal compete:
I. Conceder ou denegar Revistas nas Causas, e pela maneira, que a lei determinar.
II. (...)
III. Conhecer, e decidir sobre os conflitos de jurisdição, e competências das Relações Provinciaes.
Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Políticos dos Cidadãos Brazileiros, que tem por base a liberdade, a segurança individual, e a propriedade, é garantida pela Constituição do Império, pela maneira seguinte:
XXX. Todo o Cidadão poderá apresentar por escrito ao Poder Legislativo, e ao Executivo reclamações, queixas, ou petições, e até expor qualquer infracção da Constituição, requerendo perante a competente auctoridade a effectiva responsabilidade dos infractores.
O Protesto de Dr. Ulysses de Carvalho Soares Brandão em 1927, foi fundamentado art. 179, XXX, da Constituição Política do Império do Brazil, de 25 de março de 1824:
XXXV. Nos casos de rebelião, ou invasão de inimigos, pedindo a segurança do Estado, que se dispense por tempo determinado alguma das formalidades, que garantem a liberdade individual, poder-se-há fazer por acto especial do Poder
31BRAZIL. Constituição do Império do Brasil, 1824.
Legislativo. Não se achando porem a esse tempo reunida a Assembléia, e correndo a Pátria perigo iminente, poderá o Governo exercer esta mesma providência, como medida provisória, e indispensável, suspendendo-a immediatamente que cesse a necessidade urgente, que a motivou; devendo num, e outro caso remetter á Assembléia, logo que reunida for, uma relação motivada das prisões, e d’outras medidas de prevenção tomadas; e quaisquer Autoridades que tiverem mandado proceder a ellas, serão responsáveis pelos abusos, que tiverem praticado a esse respeito. Grifos.
O Decreto de desanexação da Comarca do Rio São Francisco, embasado no art. 179, XXXV, da Constituição Política do Império do Brazil, de 25 de março de 1824, e tem fundamentação constitucional. Porém, quando encerrou o “perigo iminente”, o território desanexado deveria retornar para o domínio da Capitania de Pernambuco; fato este que não aconteceu para a devolução e, aí, o início dos conflitos.
6.2 Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil32, de 24/02/1891:
Art. 2.º Cada uma das antigas províncias formará um Estado e o antigo Município neutro constituirá o Distrito Federal, continuando a ser a Capital da União, enquanto não se der execução ao disposto no artigo seguinte.
Art. 59. Ao Supremo Tribunal Federal compete:
I – Processar e julgar originária e privativamente:
a) As causas e conflitos entre a União e os Estados, ou entre estes uns com os outros.
6.3 Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 16/07/193433:
Art. 1.º A Nação brasileira, constituída pela união perpétua e indissolúvel dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios em Estados Unidos do Brasil, mantém como forma de governo, sob o regime representativo, a República federativa proclamada em 15 de novembro de 1889.
Art. 76. A Suprema Côrte compete:
I – Processar e julgar originariamente:
b) As causas e os conflitos entre à União e os Estados, ou entre estes;
6.4 Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 10 de novembro de 193734:
Art. 3.º O Brasil é um Estado federal, constituído pela união indissolúvel dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. É mantida a sua atual divisão política e territorial.
Art. 101 – Ao Supremo Tribunal Federal compete:
I – Processar e julgar originariamente:
32 BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, 1891.
33 BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, 1934.
34 BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, 1937.
c) As causas e os conflitos entre à União e os Estados, ou entre estes;
Art. 184. Os Estados continuarão na posse dos territórios em que atualmente exercem a sua jurisdição, vedadas entre eles quaisquer reivindicações territoriais.
6.5 Constituição dos Estados Unidos do Brasil35, de 18 de setembro de 1946:
Art. 1.º Os Estados Unidos do Brasil mantêm, sob o regime representativo, a Federação e a República.
Art. 101 – Ao Supremo Tribunal Federal compete:
I – Processar e julgar originariamente:
As causas e os conflitos entre à União e os Estados, ou entre estes;
Atos das Disposições Constitucionais Transitórias
Art. 6.º Os Estados deverão, no prazo de três anos, a contar da promulgação de Ato, promover, por acordo, a demarcação de suas linhas de fronteira, para isso, fazer alterações e compensações de áreas, que atendam aos acidentes naturais do terreno às conveniências administrativas e à comodidade das populações fronteiriças.
§ 1.º - Se o solicitarem os Estados Interessados, o Governo da União encarregará dos trabalhos demarcatórios o Serviço Geográfico do Exército;
§ 2.º - Se não cumprirem tais Estados, o disposto neste artigo, o Senado Federal deliberará a respeito, sem prejuízo da competência estabelecida no art. 101, n.º I, letra e, da Constituição;
6.6 Constituição da República Federativa do Brasil, de 196736:
Art. 1.º - O Brasil é uma República federativa, constituída sob o regime representativo, pela união indissolúvel dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.
Art. 4.º - Incluem-se entre os bens da União:
I – a porção de terras devolutas indispensáveis à defesa nacional ou essencial ao seu desenvolvimento econômico;
Art. 101 – Ao Supremo Tribunal Federal compete:
I – Processar e julgar originariamente:
As causas e os conflitos entre à União e os Estados, ou entre uns e outros;
6.7 Constituição da República Federativa do Brasil37, de 1988:
Art. 102 – Ao Supremo Tribunal Federal compete:
I – Processar e julgar originariamente:
As causas e os conflitos entre à União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta;
35 BRASIL. Constituição de República dos Estados Unidos do Brasil, 1946.
36 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, 1967.
37 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, 1988.
ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS
Art. 12. Será criada, dentro de noventa dias da promulgação da Constituição, Comissão de Estudos Territoriais, com dez membros indicados pelo Congresso Nacional e cinco pelo Poder Executivo, com a finalidade de apresentar estudos sobre o território nacional e anteprojetos relativos a novas unidades territoriais, notadamente na Amazônia Legal e em áreas pendentes de solução.
§ 1º - No prazo de um ano, a Comissão submeterá ao Congresso Nacional os resultados de seus estudos para, nos termos da Constituição, serem apreciados nos doze meses subsequentes, extinguindo-se logo após.
§ 2º - Os Estados e os Municípios deverão, no prazo de três anos, a contar da promulgação da Constituição, promover, mediante acordo ou arbitramento, a demarcação de suas linhas divisórias atualmente litigiosas, podendo para isso fazer alterações e compensações de área que atendam aos acidentes naturais, critérios históricos, conveniências administrativas e comodidade das populações limítrofes.
§ 3º - Havendo solicitação dos Estados e Municípios interessados, a União poderá encarregar-se dos trabalhos demarcatórios.
§ 4º - Se, decorrido o prazo de três anos, a contar da promulgação da Constituição, os trabalhos demarcatórios não tiverem sido concluídos, caberá à União determinar os limites das áreas litigiosas.
§ 5.º - Ficam reconhecidos e homologados os atuais limites do Estado do Acre com os Estados do Amazonas e de Rondônia, conforme levantamentos cartográficos e geodésicos realizados pela Comissão Tripartite integrada por representantes dos Estados e dos serviços técnico-especializados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O Brasil passou pelos sistemas administrativos de Colônia, Império e República e nunca alterou a forma, a composição do Território-Estado, inclusive a competência para julgar litígios fronteiriços entre a União, os Estados, dos Distritos e Municípios.
Diante de tanto descaso, nada mais justo que os conflitos territoriais sejam revistos em cada ponto de fronteira interestadual.
Para tanto, a Lei de Ratzel ou da evolução das fronteiras “A evolução das fronteiras entre os Estados se dá da zona para a faixa e desta para a linha, isto é, passa do real ao convencional”. Entretanto, a Lei de Maull ou de vivificação da fronteira: “Por efeito de vivificação a fronteira evolui, por efeitos de defesa e fiscalização, da linha para a faixa”. Estas duas leis, razoavelmente interpretadas, não se opõem, havendo a possibilidade de reuni-las numa só fórmula, como assim expressa:
A evolução das fronteiras se processa no sentido de simbolizá-las em uma linha toda vez que predominem, em sua fixação, motivos históricos, e, ao contrário, para passar da linha à faixa quando as potências, por convenções antecipadas, criam fronteiras em zona desconhecidas ou despovoadas e estas pouco a pouco ganham vivacidade. (BACKHEUSER, 1952, p. 143). Grifos.
Ao lado da convencionalidade38, é a instabilidade, outra das características das fronteiras modernas.
38 Backheuser, Everardo. A Geopolítica Geral e do Brasil. Ed. Biblioteca do Exército, vol. 178-179, p. 143