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terras localizadas na margem esquerda do rio São Francisco, evitando assim mais um descaso territorial brasileiro.

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Academic year: 2022

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INTRODUÇÃO

A posse das ilhas do rio São Francisco pelo Estado da Bahia é assunto já discutido em várias situações pelos políticos e estudiosos tanto do Estado de Alagoas quanto da Bahia e demais Estados, bem antes dos momentos iniciais da instalação do Acampamento da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco – CHESF; devido imaginarem que tais ilhas pertencem à Comarca do Rio São Francisco. Entretanto, o território em si tem uma história tão antiga capaz de conduzir o homem ao mais diverso dos entendimentos e interpretações devido vasta documentação que envolve o tema histórico, geográfico e jurídico, principalmente quanto se trata de um binômio com um só interesse que é o resgate de um território usurpado onde a riqueza hidráulica é o ápice das vontades de todos os governantes que nem sempre buscam atender aos anseios sociais. (MAIA, 1919).

O projeto “A POSSE CLANDESTINA DAS TERRAS DE PAULO AFONSO – BA, uma análise jurídica histórica” busca fazer a exposição de motivos que levaram o Estado da Bahia a usurpar o território que outrora pertencia à Capitania de Pernambuco, conforme declara a Carta de Doação de D. João III, em nome do donatário Duarte Coelho, expedida no dia 10 de março de 1534, em Évora – Portugal, expondo bem antes dos antecedentes do Tratado de Tordesilhas as manobras políticas e religiosas para a conquista das terras e dos mares pelos navegadores sob contratos de Portugal e Espanha. (MAIA, 1919).

Relevante é a discussão que envolve, hoje, os Estados de Alagoas e Bahia à respeito do conteúdo da Carta de Doação da Capitania de Pernambuco, sendo a margem direita do rio São Francisco, um dos fatores preponderantes e polêmicos com várias interpretações e entendimentos diversos expressos por profissionais que dedicaram seus trabalhos e seu amor à CHESF nesta mega operação para a contenção das águas do Velho Chico para a produção de energia elétrica, conforme a carta referendada.

O Direito das Coisas, a posse, conforme determina o Código Civil de 1916 e o Código Civil de 2002, e as Constituições (da Imperial até a Democrática), leva ao entendimento do equilíbrio das partes na linha do tempo com poucas variáveis e sempre colocando a paz nos seus conceitos e não poderia ser diferente no arcabouço jurídico brasileiro se houvesse desequilíbrio na legislação que trata doutrinariamente com segurança e zelo a aplicabilidade do direito, estando equidistante, como o fiel da balança, permitindo o bom andamento e a felicidade das partes.

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Em meados de abril de 1994, constatou-se a necessidade de levantamentos tributários do Município de Delmiro Gouveia e um dos assuntos abordados, a Compensação Financeira pela exploração dos recursos minerais – CFEM chamou a atenção do autor, quando o mesmo exercia a função de Diretor da Receita Municipal. De imediato, os contatos com a CHESF, oficialmente, foram iniciados e, favoráveis ao Município de Delmiro Gouveia quando valores oriundos da produção de energia elétrica foram identificados e creditados em nome dos delmirenses. A forma profissional como a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco tratou administrativamente este caso quando reconheceu o direito da Compensação Financeira pela geração de energia elétrica pela Usina Apolônio Sales, instalada nas imediações do Distrito Barragem Leste. Hoje, os recursos da CFEM alimentam os cofres públicos de Delmiro Gouveia – Estado de Alagoas.

Logo em seguida, por motivos de ordens superiores, os trabalhos sobre a CFEM foram paralisados pelo autor, na condição de agente público. Mesmo assim, particularmente as pesquisas avançaram através de buscas de livros, mapas, autores, documentos pertinentes, legislação, arquivos nacionais e internacionais, instituições específicas dentre as informações que surgiram através de discussões com pessoas conhecedoras da região e da cidade de Paulo Afonso e suas origens.

Um dos grandes detalhes deste trabalho estava centrado, de princípio, no ato ditatorial do Imperador D. Pedro I, quando o mesmo anexou o território da antiga Comarca do Rio São Francisco, pertencente à Província de Pernambuco, colocando-o sob o domínio da Província de Minas Gerais, em caráter provisório, quando já se encontrava outorgada a Constituição Imperial de 1824, simplesmente porque o povo pernambucano não aderira à sua Constituição Imperial; fato este que somente foi revisto à pedido da Assembléia Constituinte e o referido território foi anexado, também provisoriamente, à Província da Bahia, em 15 de outubro de 1827, como se encontra até o presente momento.

Tramita no Congresso Nacional Projeto de Lei com o objetivo de transformar o território da margem esquerda do Rio São Francisco em Estado do Rio São Francisco. Não se sabe ainda se o território permanecerá sob o domínio do Estado da Bahia; ou se o mesmo será reintegrado ao Estado de Pernambuco ou, se nascerá um novo ente federativo. Não se sabe se há, na seara do direito brasileiro quaisquer leis autorizativas que condicionem ao Congresso Nacional simplesmente criar um novo Estado nestas situações. Tais terras pertencem ao Estado de Pernambuco. E, somente ao povo pernambucano cabe requerer a devolução das

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terras localizadas na margem esquerda do rio São Francisco, evitando assim mais um descaso territorial brasileiro.

As ilhas do rio São Francisco estão distantes aproximadamente uns 540 quilômetros de onde inicia a zona de conflito entre os Estados da Bahia e Pernambuco. A cidade de Petrolina – PE, faz divisa com a cidade de Casa Nova – BA, onde se encontra instalada a Usina de Sobradinho. Porém, de Jatobá – PE, até a grande ilha de Paulo Afonso, há aproximadamente uns 6.500 metros.

O rio Moxotó faz a divisa entre os Estados de Pernambuco e Alagoas. Do eixo deste rio até a ilha da Barra tem uma distância aproximada de uns cinco quilômetros; desta até a barragem da Usina Apolônio Sales, aproximadamente 850 metros e daí até a ilha de Paulo Afonso, mais ou menos 700 metros. (APAC-PE).

O território anexado ao Estado da Bahia está demarcado. É a Comarca do rio São Francisco. A mesma tem como fronteiras as cidades de Petrolina–PE e Casa Nova - BA, e o rio Carinhanha fazendo a divisa com o Estado de Minas Gerais. Como se observa, não há relação territorial alguma da cidade de Jatobá - PE para com as ilhas da Barra, ilha do Bode, ilha da Tapera de Paulo Afonso, ilha de São Gonçalo, Ilha da Praia, ilha dos Félis, ilha da Forquilha, dentre outras, como mostra o Atlas e Relatório do Rio São Francisco (nas léguas 324.ª a 326.ª) - elaborado pelo engenheiro alemão Guilherme Henrique Fernando Halfeld, no período de 1852 a 1854, contratado pelo Imperador D. Pedro II para executar o levantamento topográfico do rio São Francisco. (BRANDÃO, 1927).

Conforme a Carta de Doação da Capitania de Pernambuco, de D. João III - Rei de Portugal, que cedeu ao donatário Duarte Coelho, em 1534, determina que todas as ilhas do rio São Francisco pertencem à Capitania de Pernambuco, como bem diz o provimento de 09 de fevereiro de 1758, do Conselho Ultramarino, quando a Província da Bahia tentou tomar posse da ilha do Paraúna (Penedo – AL); e, somente em 9 de junho de 1812, à pedido da Câmara da Villa Nova do Santo Antônio Real d’El Rei do Rio São Francisco, pela conveniência à administração da Justiça e ao bem comum dos moradores da Ilha de Paraúna do Brejo Grande, hoje Sergipe, a mesma foi transferida. Porém, o mesmo Decreto Imperial reconhece a quem realmente pertence tal ilha. Penedo – AL. (TORRE DO TOMBO-PT, 2011).

Mesmo assim, transferiu-a para a Bahia. Uma vontade imperial. Este é o único ato referente à transferência de território pertencente a um Estado para outro quando, hoje, no

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arcabouço jurídico brasileiro esse tipo gestão de conflito é de competência única e exclusivamente do Supremo Tribunal Federal. Apenas uma decisão imperial em favor da Bahia, que gozava de privilégios no Império, colocou a comarca do rio São Francisco sob o domínio da Capitania da Bahia.

D. João VI, em 16 de setembro de 1817, emancipou a Comarca das Alagoas, desmembrando-a da Capitania de Pernambuco, transformando-a em Província das Alagoas, com o mesmo status de Capitania. Está caracterizado que as ilhas outrora de Pernambuco desta data em diante passaram a pertencer ao território da Província das Alagoas, mais precisamente, hoje, ao Município de Delmiro Gouveia. Em nenhum momento o Estado Brasileiro se preocupou em organizar-se cartograficamente e seus conflitos de limites continuam. Agora é o momento do Estado de Alagoas questionar a reivindicação do arquipélago identificado por Halfeld.

O objetivo deste trabalho é resgatar não somente a verdade sobre a usurpação do território alagoano, o arquipélago que faz parte da suposta Sesmaria de Paulo de Viveiros Afonso, de 03 de outubro de 1725, pelo Estado da Bahia, como também buscar os recursos da Compensação Financeira pela geração de energia elétrica, os tributos constitucionais, o gentílico e os seus bens usurpados. Somente através de uma Ação Cível Originária junto ao Superior Tribunal Federal – STF poderá o Estado de Alagoas pleitear a reintegração territorial pelo Direito Real. O Município de Paulo Afonso - Estado da Bahia, tem a posse injusta, clandestina, precária; uma usurpação sem fundamentação legal que contraria tanto o Código Civil Brasileiro de 1916, quanto o Novo Código Civil de 2002.

A usurpação deste território pelo Estado da Bahia será conduzida no passo a passo do direito civil, de forma democrática, observando-se inclusive as teorias da posse, no contexto histórico e geográfico com amostragem de mapas, figuras, desenhos e documentos raros pertinentes aos assuntos tratados de forma isolada ou conjunta, sempre direcionados para mostrar a injustiça provocada pela omissão dos agentes públicos do Estado de Alagoas, em suas respectivas épocas e que a partir de agora não pode mais o Estado de Alagoas deixar esta gigante economia beneficiária para os alagoanos cair, mais uma vez, no anonimato e perder-se no tempo.

O Estado de Alagoas demonstrando o seu jus in re para resgatar parte do seu território usurpado estará garantindo, assim, ao Estado da Bahia o devido processo legal, a ampla defesa e o direito ao contraditório, que serão julgados pelo Superior Tribunal Federal – STF,

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através de futura Ação Cível Originária (reivindicação de posse) e, consequentemente, a transferência para o Estado de Alagoas da Compensação Financeira pela exploração dos recursos minerais – CFEM, e demais tributos, inclusive o gentílico deste povo, melhorando assim os seus índices financeiros e o bem estar da comunidade alagoana.

O binômio Territorialidade e Compensação Financeira está tão entranhado que não há sobrevivência de um na ausência do outro. Mas o território é predominante. Diante disso, se fez necessário para o desenvolvimento dessa monografia, dividi-la em oito capítulos. No primeiro capítulo se fez uma análise dos aspectos históricos e geográficos do território em litígio, narrando a saga dos portugueses e espanhóis para conquistarem e povoarem estas terras; e que para atingir e garantir cada conquista eles contavam com a Cúria de Roma que arbitrava estes conflitos editando as bulas papais que firmavam os acordos. A igreja Católica tinha também o interesse em propagar o cristianismo. Assim, a revisão da bula papal das cem léguas à Oeste de Cabo Verde, a qual deu origem ao Tratado de Tordesilhas foi o fator preponderante para deixar a exploração destas terras aos cuidados de Portugal; que, sob o comando de D. João III, em 1534, na cidade de Évora, expediu a Carta de Doação da Capitania de Pernambuco em favor de Duarte Coelho. (BRANDÃO, 1919).

No segundo capítulo a exploração cartográfica brasileira no Sertão de Alagoas foi outro fator que embasou o direcionamento desse trabalho abrilhantado pelo Atlas de Halfeld, uma prova cabal, que externa a verdade sobre as ilhas do arquipélago do rio São Francisco no território alagoano; com detalhes preciosos da Cachoeira de Paulo Afonso e outras ilhas do rio São Francisco, com seus respectivos nomes e posicionamentos. A margem direita do rio está identificada textualmente no penúltimo parágrafo da definição da 326.ª légua, por Halfeld, que assim diz:

[...] Do lugar da furna do morcego abaixo, recebe o rio pelo lado da margem direita sucessivamente os seus braços, que descem entre as anteriormente mencionadas ilhas de S. Gonçalo, do Félis e da Forquilha, e mais o riacho do nome da última, do Tapuio, da Gangorra e o da Lagôa do Junco, e nota-se a Cachoeira da Forquilha, do Tapuio e do Veado. (HALFELD. 1860, p. 30).

Grifos.

Sendo a margem direita do rio São Francisco conforme posicionada por Halfeld, isto põe à lona as teorias e entendimentos de cartógrafos, geógrafos e historiadores que defendem o “braço do Capuxú” como o braço baiano, divisor com o Estado de Alagoas. Não existe braço baiano, pois a divisa entre os Estados de Alagoas e Bahia é a margem direita do rio São Francisco. Margem esta que dá serventia aos seus vizinhos, como diz a carta.

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Na imagem do satélite Landsat/EMBRAPA (Fig. 12), observa-se outro ponto da discórdia: A ilha da prainha, que supostamente sofreu aterramentos para melhor atender a demanda da engenharia chesfiana, anexando assim esta área ao território do Município de Paulo Afonso. A imagem não expressa outra coisa senão a verdade. Verdade esta, corroborada pelo recorte e ampliação (Fig. 13) do Atlas e Relatório de Halfeld, onde o braço direito do rio está exposto de forma claríssima e um dos cursos ou braços de suas águas encontra-se com águas do riacho da Morena e estas águas rumam, sempre à direita, até a ilha da Forquilha, braço da margem direita, segundo Halfeld.

A ouvidoria da Bahia entende que o divisor dos Estados da Bahia e Alagoas é o talvegue do rio São Francisco; a Carta de Doação contraria tal entendimento. Assim, o que se observa é que devido a amputação territorial sofrida pela Capitania de Pernambuco de forma tirânica de D. Pedro I, em 1824 e 1827, o Estado da Bahia, devido sua boa relação imperial, entendia que tais ilhas lhe pertenciam. Ledo engano. As ilhas estão posicionadas a alguns quilômetros da zona de conflito: a confluência do rio Moxotó, como ilustra a figura 18. A Capitania da Bahia ainda tem a seu favor, provisoriamente, a Comarca do rio São Francisco que o Congresso Nacional quer transformá-la em “Estado do rio São Francisco” se assim o povo pernambucano permitir. Basta uma simples observação, pelos pernambucanos, confrontando as cartas imperiais de cada Capitania. (BAHIA – 2010).

No terceiro capítulo a idéia foi constitucionalizar o direito de posse nestas áreas alagoanas utilizando-se os entendimentos de Sílvio Rodrigues e as aplicações taxativas dos Direitos Reais e o art. 1.225, do Código Civil de 2002, dentre outros artigos voltados para a posse, sem deixar de lado o entendimento de Pontes de Miranda sobre a pretensão à tutela jurídica e a teoria do território objeto de Paulo Bonavides.

No quarto capítulo os Direitos Reais e as Teorias da Posse predominaram a discussão e deram sustentação de defesa da teoria objetiva de Ihering, nos entendimentos de Clóvis Bevilácqua e Sílvio Rodrigues que coadunam com o texto do art. 1.196, do Código Civil de 2002;

Nos Direitos Reais, Maria Helena Diniz que cita Lafayette Rodrigues Pereira e Washington de Barros Monteiro, Carlos Roberto Gonçalves e outros expondo seus conceitos, todos voltados para o entendimento que o direito real é uma obrigação passiva universal.

(DINIZ, 2012).

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No quinto capítulo a Constituição Republicana de 1988, e o Código Civil de 2002, são colocados na linha dos Direitos Reais (Posse), nas aulas de Maria Helena Diniz referente à Súmula 340 do STF e a impossibilidade da usucapião sobre os bens públicos.

No capítulo sexto a evolução histórica da competência constitucional de processar e julgar as ações possessórias foram sistematicamente observadas, uma a uma, em seus tempos e artigos e, a constatação de que o Estado brasileiro em nenhum momento tratou da sua organização judiciária desde o Brazil Colônia até o Brasil República, prevalecendo assim o estado em que se encontram as informações desde o Período colonial.

No sétimo capítulo o Direito Público Brasileiro, em relação a posse, é abordado com a lição do Dr. José Antônio Pimenta Bueno com o seu trabalho de direito público brasileiro e anályse da Constituição Brasileira, com comentário ao art. 119, e o domínio geral da nação e terras devolutas. Mais adiante, a Lei da Terra (Lei n.º 601/1850), é explorada no campo da posse e suas condições.

E, finalmente, foram observados os prejuízos sociais e econômicos provocados pela usurpação do território alagoano, a começar pelo gentílico. Todos os cidadãos que nasceram nestas ilhas são alagoanos e delmirenses, sim. Isto é herdado e não pode ser tirado à força como quer a Bahia. Além disso, os prejuízos até o presente momento são incontáveis, mas poderão ser, alguns, citados a partir da carga tributária gerada neste setor pelos entes União, Estado e Município; o acréscimo de índices econômicos e estatísticos, inclusive a distribuição de rendas e empregos.

Diante de tudo isso, no ato da perícia, se vier a acontecer, a única linha de fronteira que será preciso revisão e redemarcação será o braço do rio que se encontra com as águas do riacho da Morena, que foram aterrados para a construção do Aeroporto de Paulo Afonso e rumam suas águas no sentido da ilha da Forquilha, que hoje abastecem a Usina Paulo Afonso IV, pois a legislação histórica e cartográfica, diz que todo o rio São Francisco, neste trecho, é alagoano. O direito não protege a quem dorme. Alagoas acorda para um sonho esplêndido.

Sonho este assegurado pela Certidão de Escritura Pública do Município de Água Branca, sob o registro no 8.º Livro, fls. 22 verso a fls. 29, de 03 de outubro de 1928, do 2.º Tabelião Heráclito Soares de Mello, por venda feita por Ulisses Vieira de Araujo Luna, Luiza Vieira dos Passos e José Vieira de Figueiredo Torres à Companhia Agro Fabril Mercantil, a Fazenda Cachoeira Paulo Afonso, medindo + 2,5 milhões de metros quadrados e outras.

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1. ASPECTOS HISTÓRICOS E GEOGRAFICOS DO TERRITÓRIO NA REGIÃO DO SERTÃO ALAGOANO.

1.1 História cronológica da territorialidade.

Os portugueses e espanhóis, que foram os desbravadores dos oceanos e das terras desconhecidas, travaram grandes batalhas em busca do domínio dos territórios do globo e seus litígios sempre tiveram a arbitragem da Santa Sé. Inúmeras discussões proporcionaram a estes impérios grandes riquezas no decorrer dos séculos e, a partir das assinaturas dos tratados, sendo o primeiro convênio firmado entre estes dois povos, o Tratado de Tudellén no ano de 1151, nas cidades de Fitero e Navarra; somente 28 anos depois, na cidade de Navarra, no ano de 1179, foi firmado o segundo, Tratado de Cazorla; decorridos 65 anos na cidade de Almizra, em 1244, foi consolidado o terceiro acordo denominado Tratado de Almizra;

passaram-se 47 anos para que acontecesse o Tratado de Monteagudo/Sória em Aragão e Castela no ano de 1291.

Quando, finalmente, o último dos tratados antecedentes ao Tratado de Tordesilhas foi assinado na cidade de Granada, no ano de 1308 entre o Reino Mouro e Aragão, denominado Tratado de Alcalá de Henares. Conseguiram, na linha do tempo, os resultados que hoje se operam em nome Portugal e Espanha. Foram grandes guerreiros, como visto. A Cúria Romana, constituída de autoridade internacional, com a sua ascendência moral, somente a ela competia distribuir entre os príncipes católicos a missão da implantação do cristianismo, quer seja pacificamente ou pela violência em ilhas e terras dos infiéis. Esse legado reconhecia o poder sobre os territórios conquistados e a conquistar.

Já no século XIV, embasado nestes temos Portugal já visualizava a expansão dos seus domínios; quando D. Afonso IV questionou ao Papa Clemente VI o direito sobre as ilhas Canárias. Em seguida, com a conquista de Ceuta, D. João I recebeu, em 1418, do Papa Martinho V, a Bula Sane Charissimus. Logo, o Sumo Pontífice D. Eugênio IV, pela Bula Rex Regum, de 1436, delegou a D. Duarte e seus sucessores as terras conquistadas aos infiéis.

Projetando a expansão rumo às Índias, o Infante D. Henrique recebe do mesmo papa a Bula Etsi Suscepti no ano de 1942, competindo à Ordem de Cristo providenciar o povoamento e a exploração da ilha da Madeira, Porto Santo, Açores e Cabo Verde. O futuro modelo de colonização do Brasil pelo sistema de capitanias hereditárias.

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Adiante, somente na Bula papal Rex Regum, surge a primeira restrição nas concessões;

ressalvou-se os direitos alegados por D. João II – rei de Castela e Leão em relação às terras pertencentes aos seus antecessores e que ficariam pertencendo ao soberano e aos seus sucessores, este rei conseguiu vários privilégios aumentando assim os seus poderes quando obteve, pela Bula Romanus Pontifex, de 1454, do Papa Nicolau V a jurisdição espiritual desde o Cabo Nao até à Índia e, assim, pela Bula Intercoetera, de 1456, expedida pelo Papa Calisto III, que confirmou suas posses expressando as ilhas do Oceano, as zonas a partir do Cabo Bojador e Nao, por toda Guiné, e além.

Tudo corroborado pelo Tratado de Alcáçovas em 1479, após a desastrosa guerra que pôs termo ao reinado de D. Afonso V, ao reconhecer à nação vizinha a posse das Canárias sem danos para a continuidade dos trabalhos ultramarino português, aprovado em 1481, pelo Papa Sisto IV, conforme a Bula Aeterni Regis. Em 1486, o Papa Inocêncio VIII, elogiou e incitou D. João II a continuar os descobrimentos portugueses, ao redigir a Bula Orthodoxae Fidei. Em 1492, o Cardeal aragonês Rodrigo Bórgia é eleito papa/Alexandre VI. Neste período o navegador genovês Cristovão Colombo, sob contrato de Castela e Leão, descobrira como pensara Portugal e a própria Ordem de Cristo, um novo caminho para as Índias.

Retornando da grande viagem, março de 1493, resolve comunicar suas descobertas a Portugal e, é recebido por D. João II, que de imediato lhe fez ver pertencerem a Portugal tais terras. Os reis católicos preocupados com a legalidade dos direitos de Portugal promoveram, através do Papa Alexandre VI, em 3 de maio do mesmo ano a nova Bula Intercoetera pela qual lhe foram concedidas, como aos seus herdeiros e sucessores, “todas e cada uma das sobreditas terras e ilhas desconhecidas e até hoje por vossos emissários achadas e a serem achadas para o futuro, as quais não estejam constituídas sob o atual domínio temporal de nenhum dos Príncipes Cristãos”.

Esta linha imaginária geograficamente posicionada a 100 léguas a Oeste da ilha de Cabo Verde. Assim, em 3 de maio do mesmo ano, com expedição em julho, a Bula Eximiae Devolutions, concedeu aos Reis da Espanha os mesmos privilégios antes concedidos aos Reis de Portugal. Persistente e inconformado, o rei de Portugal consegue provar que na Bula Eximiae Devolutions houve omissão das concessões antes feitas à Ordem de Cristo e assim surge a Bula Dudum Siquidem, em 25 de maio de 1493. Diante da injustiça das Bulas de Alexandre VI, protestou D. João II junto à Cúria Romana e aos Reis seus vizinhos, por elas beneficiados. Sem sucesso. Assim, mandou organizar uma armada, que seria comandada por D. Francisco de Almeida, destinando-a a realizar a ocupação das terras descobertas por Colombo, ou a decidir a questão pela guerra, nos próprios locais cuja posse estava em

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discussão. E, para evitar mais uma guerra firmaram o compromisso de novos ajustes quanto à divisão dos domínios ultramarinos. (MAIA, 1919)

A redemarcação. Surge o Tratado de Tordesilhas, na cidade castelhana de Tordesilhas, em 7 de junho de 1494, do nome originário “Capitulação da partição do mar Oceano”, assinados por Rui de Sousa – Senhor de Sagres, seu filho João de Sousa e o licenciado Aires de Almada; e, como testemunha Duarte Pacheco Pereira, contínuo da Casa do Rei – por Portugal. Tal acordo estendeu-se das 100 léguas a 370 léguas à Oeste da ilha de Cabo Verde. Estava preservada para Portugal parte das terras do Brasil.

Em 1502, o mapa português denominado de Cantino adotou a mais oriental das linhas de partida, visando a beneficiar os portugueses nas ricas ilhas das especiarias, e não no quase desconhecido Brasil. Entretanto, no ano de 1506, D. Manoel I solicitou ao Papa Júlio II e o mesmo editou a bula Ea quae pro Bono pacis, a qual autorizou o Arcebispo de Braga e o Bispo de Viseu a ratificarem, pela Santa Sé, o convênio; sendo o mesmo renovado em 1514, pela bula Precelsoae devotions, de autoria do Papa Leão X. (ESTENSE – 2013).

Entretanto, diante de tanta discórdia, quem mais se aproximou da verdade sobre o Tratado de Tordesilhas e seu posicionamento foi Duarte Pacheco Pereira, no Esmeraldo de Situ Orbis, onde a linha imaginária passa pela Ilha de Marajó à Ilha de Santa Catarina.

Entretanto, o mapa de Lopo Homem, de 1519, demonstra a extensão da costa do Brasil quanto são numerosos os acidentes geográficos assinalados da foz do Amazonas à do Rio da Prata, dando um formato da figura do Brasil atual, um pouco além das quais, bandeiras de Portugal assinalavam as pretensões desse país, embora pela mesma época o geógrafo Enciso, fizesse passar a linha de Tordesilhas entre os Rios Turi-Açu e Gurupi, ainda no Maranhão. Assim, somente em 1537, Pedro Nunes, primeiro Cosmógrafo-Mor de Portugal, traçou como limite das 370 léguas a oeste de Cabo Verde, fixadas em Tordesilhas, uma linha que, cortaria o Brasil “além da ponta do Rio Amazonas, da parte do Oeste, no porto de Vicente Pinzón, a foz do Oiapoque, extremo costeiro atual,” e corre pelo sertão até além da Baía de São Matias, na Argentina.

Decorrido tanto tempo, até hoje são desconhecidas quaisquer outras tentativas de demarcação do meridiano do Tratado de Tordesilhas, embora fosse sabido que sua medição pendia mais ou menos sobre Belém do Pará, no Norte e Laguna - SC, no Sul. Passaram-se sessenta anos. Veio a paz entre Espanha e Portugal em 1668; não cogitaram os dois países dos limites de seus territórios ultramarinos.

Mas com a fundação da Colônia do Sacramento, no ano de 1680, a questão ressurge, até a celebração do Tratado de Madrid, em 1750, que anulou o Tratado de Tordesilhas,

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revigorado, porém, pelo Acordo de El Pardo, de 1761, e somente pelo tratado de Santo Idelfonso, de 1777, ficaria sem efeito, afinal, a “Capitulação da partição do mar Oceano”, de 1494. O Tratado de Tordesilhas cuidava apenas de um dos lados geométricos da figura das Capitanias. A Carta de Doação da Capitania de Pernambuco consolidou a posse das ilhas localizadas a partir da barra do rio de S. Francisco até a confluência do rio Moxotó, que faz a divisa dos Estados de Alagoas e Pernambuco, pela Província das Alagoas a partir da sua emancipação da Capitania de Pernambuco em 16 de setembro de 1817, pela provisão do rei D. João VI, do Brasil. (BRANDÃO, 1927).

O Rei de Portugal D. João III, em 1532, resolve dividir o Brasil em Capitanias, comunicando tal decisão por carta a Martin Afonso de Souza que já se encontrava em São Vicente, que contrariado, retornou para Portugal. Assim, em 10 de março de 1534, na cidade de Évora, foi editada a Carta de Doação da Capitania de Pernambuco a qual reconhece que todas as ilhas do rio São Francisco pertencem à Duarte Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco. Entendimento este, corroborado pelo Provimento do Conselho Ultramarino de 09 de fevereiro de 1758, o qual trata sobre a ilha Paraúna do Brejo Grande (Penedo – AL).

Todavia, para um melhor atendimento à população esta ilha teve seu domínio administrativo transferido para a Capitania da Bahia (Hoje, Sergipe) pelo Decreto de 1812, mas este ato não dilacerou a condição deste território pertencer a Penedo – AL, nem tampouco se estendeu às demais ilhas. (CARTA DE PORTUGAL - 1532).

D. Pedro II, então Imperador do Brasil, em 1852, contrata o engenheiro civil alemão Henrique Guilherme Fernando Halfeld para levantar os estudos topográficos e o potencial hídrico do Rio São Francisco a partir de Pirapora – MG até a foz em Piaçabuçú - AL. Em 1860, a Litographia Imperial publica o “Atlas e Relatório concernente a Exploração do Rio de S. Francisco desde a cachoeira da Pirapora até ao Oceano Atlântico”, que na página 30 narra as léguas 324.ª a 326.ª na visão do autor; e nos estudos cartográficos da mesma obra, na página 28, o autor detalha, cartograficamente as ilhas do Rio S. Francisco, inclusive identificando-as por seus verdadeiros nomes; não deixando de identificar a linha limítrofe dos Estados de Alagoas e Pernambuco pelo rio Moxotó, as ilhas, o riacho da Morena, a Tapera de Paulo Afonso, o riacho da Forquilha (riacho da Siriema), a Forquilha, o riacho da Gangorra, a cachoeira do Vai e Vem, a cachoeira do veado e ilha dos morcegos dentre outros preciosos detalhes. (HALFELD, 1860).

Como fonte de imagem intermediária a EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária demonstra na imagem do satélite Landsat além das ilhas já identificadas na cartografia de Halfeld, os espelhos d’águas que isolam as porções de terras.

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Neste caso, precisamente, a ilhota da prainha que, subindo à esquerda até o limite da metade da pista do Aeroporto de Paulo Afonso até atingir novamente um dos braços do rio São Francisco até encontrar-se com as águas da barragem da Usina Apolônio Sales e de lá até o suposto limite entre os Estados da Bahia e Alagoas; daí, até encontrar-se com a Usina PA IV, unindo-se ao ponto primário da popular Prainha. Neste perímetro encontram-se identificadas as ilhas que compõem o arquipélago visto por Halfeld. Sem desconsiderar as micro ilhas, sendo uma acima da barragem Usina Apolônio Sales e outras duas logo abaixo da Prainha, visivelmente identificadas na imagem dos arquivos da EMBRAPA.

1.1 .1 Mapa de Gasur: entre 3.800 anos a. C e 2.500 anos a.C.

O mapa de Gasur1 foi encontrado na região Nordeste do Iraque. O mesmo foi desenhado em placa de barro cozido ao sol pelos habitantes da antiga Mesopotâmia, com detalhes do rio Eufrates, montanhas e outros acidentes geográficos da região.

1.1.2 Mapa Babilônico: entre 700 anos a. C e 500 anos a. C.

O mapa Babilônico2 foi tem origem na cidade-Estado de Sippar, na Babilônia (atual Iraque) e utilizava círculos para indicar as cidades e países numa forma de disco cercado de água onde o centro localizava-se a Babilônia e o rio Eufrates, com

posicionamento do norte magnético.

O mesmo encontra-se no British Museum de Londres.

As características da confecção deste trabalho mostram o quanto o homem já dominava a escrita e a cartografia registrando para o futuro as coisas e as formas para um aproveitamento diversificado; indicando assim a necessidade dessa formatação, mesmo precária, rica em detalhes e atendia, nos limites, os interesses sociais da época.

1 Rf. Disponível em:<http:// www.geomundo.br>

2 Rf. Disponível em: <http://www.mdig.com.br>

Fig.1: Mapa de Gasur

Fig.2: Mapa Babilônico

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1.1.3 Mapa de Anaximandro: 530 anos a. C.

O mapa de Anaximandro3 é considerado por muitos historiadores como o primeiro mapa-mundi dotado de realismo e precisão como planeta dividido ao meio por uma linha que corta a cidade de Delfos – Grécia, que era considerada o centro do mundo; a parte norte era chamada de Europa e a parte sul conhecida com Ásia.

1.1.4 Mapa de Ptolomeu: 150 anos d. C.

O mapa de Ptolomeu4 já incluía latitudes e longitudes em milhares de localidades. O mesmo continha uma imagem das ilhas Shetland, no Norte até a nascente do rio Nilo, ao Sul, das ilhas Canárias, no Oeste à China, no Leste.

Com Cláudio Ptolomeu (por volta do ano 150 de nossa era) a cartografia grega e romana evoluíram

muito e seu “mapa mundi” ficou mundialmente conhecido e uma referência até a Renascença.

1.1.5 Mapa de Cantino: 1502.

O detalhe do Mapa de Cantino é o posicionamento da linha imaginária do Tratado de Tordesilhas. Tal linha corta aproximadamente a cidade de Belém – PA e, consequentemente, Laguna – Santa Catarina; o trecho da costa brasileira, descoberta em 1500. Alguns doutrinadores entendem que a linha do Tratado de Tordesilhas passa cortando a ilha de Marajó mas são condicionalmente entendimentos minoritários; mantendo-se, assim, com firmeza o primeiro entendimento dos pontos principais no território brasileiro, ou seja, a cidade de Belém – Pará e Laguna – Santa Catarina.

3Rf. Disponível em: <http://www.greciaantiga.org>

4Rf. Disponível em: <http://greciaantiga.org>

Fig. 3: Mapa deAnaximandro

Fig. 4: Mapa de Ptolomeu

(14)

O planisfério de Cantino5 é uma das cartas náuticas mais antigas referentes aos descobrimentos marítimos portugueses. Os relatos expressam que

Alberto Cantino obteve-o

clandestinamente em Portugal, no ano de

1502, que enviou-o ao seu patrão o Duque de Ferrara, na Itália. O original encontra-se na Biblioteca Estense, em Módena – Itália.

1.1.6 Mapa de Waldseemüller: 1507

Em 1507, o cartógrafo alemão Waldseemüller6 publicou o primeiro mapa que incorporou as novas descobertas do Novo Mundo batizadas de AMÉRICA, em homenagem ao navegador Américo Vespúcio; este trabalho também mostrava o Ocidente separado do Oriente e o Oceano

Pacífico independente. O formato do território da América do Sul já se definia, como se observa, com muita precisão.

1.1.7 Mapa de Miller: 1519

O Atlas de Miller7, ou Atlas de Lopo Homem-Reines é um mapa português do ano de 1519, que inclui dezenas de cartas náuticas desenvolvido pelos cartógrafos Lopo Homem, Pedro Reinel e Jorge Reinel, com ilustrações do miniaturista Antônio Holanda; o mesmo é composto pelas zonas geográficas do Oceano Atlantico Norte, Europa do Norte, Açores,

5 Rf. Disponível em: <http://www.novomilenio.inf.br>

6 Rf. Disponível em: <http://www.dightonrock.com>

7 Rf. Disponível em: <http://www.novomilenio.inf.br>

Fig. 5: Mapa de Cantino

Fig. 6: Mapa de Waldseemüller

(15)

Madagascar, Oceano Índico, Indonésia, Mar da China, Molucas, Brasil e o Mar Mediterrâneo.

No ano de 1897, a Biblioteca Nacional da França adquiriu-o do bibliotecário Bénigne Emmanuel Clement Miller, do qual recebeu o nome ATLAS DE MILLER.

Os cartógrafos da época se preocupavam com o detalhamento do perímetro das cartas. Os

detalhamentos das ilhas e continentes davam uma precisão inquestionável pelos poucos recursos disponíveis.

1.1.8 Mapa de Hondius: 1630

Este mapa, do cartógrafo holandês Hondius8, corrigiu as distorções outrora apresentadas em outros trabalhos, inclusive a inexistência de outro continente ao sul do planeta. Seus detalhes deram uma melhor interpretação do posicionamento das terras conquistadas.

A cartografia desenvolveu-se em níveis até questionáveis em relação a qualidade do material produzido diante dos escassos recursos materiais, diante de um sistema de navegação à base de guia estrelar; mas o que era mais interessante era a formação dos continentes, ilhas e outras descobertas, como observa-se a partir do primeiro mapa de Gasur até o mapa de Miller quando este atinge o modelo mais próximo do continente e, no trabalho de Hondius essas distorções são corrigidas dando uma melhor interpretação do posicionamento das terras.

Os cartógrafos, no processo de exploração marítima, procuraram aprimorar os traços e os formatos dos territórios conquistados quando não existia instrumentos sofisticados e, utilizavam as estrelas como guias e muitas vezes, uma simples luneta para avançarem em busca imprevisível de novas descobertas.

Hoje, o Google Earth dentre outros programas de imagens do planeta coloca à disposição do cidadão imagens em escalas seguras para o entendimento geográfico universal.

8 Rf. Disponível em: <http://www.geomundo.com.br>

Fig. 7: Mapa de Waldseemüller

Fig. 8: Mapa de Hondius

(16)

2 CARTOGRAFIA DO BRASIL IMPÉRIO NO SERTÃO ALAGOANO.

2.1 Planta da Cachoeira de Paulo Afonso

Fig. 9: Planta da Cachoeira de Paulo Afonso

Halfeld e sua equipe traçaram com tanta precisão o rio São Francisco, suas águas e suas preciosas ilhas decifrando-as textualmente de forma tal que leva ao leitor, em qualquer momento, a viagens no tempo como se lá estivesse e sentisse as gotículas viajantes se apossarem do seu corpo e seus olhos se embriagassem com o colorido do arco-íris formado pelo choque do sol com as suas águas; sendo o estrondo das cachoeiras a mais suave das músicas e, sentir em cada toque na ponta dos dedos na rocha o medo de se em suas pedras escorregar seria como um mergulho de aventura para sentir o sabor, o prazer de viver e acreditar no poder da natureza dominante na forma do seu Criador. A localidade encantou Castro Alves e todos que por lá passaram e hão de passar. A Cachoeira de Paulo Afonso ainda encanta. (HALFELD, 1860).

2.2 A Cartografia da localidade, por Halfeld:

Na fig. 10, abaixo, Halfeld expressa os detalhes da margem direita do rio São Francisco a partir do seu braço direito na ilha Forquilha.

(17)

O trabalho de Halfeld

confluência do rio Moxotó, logo abaixo estão identificadas as ilhas da Barra e do Bode e logo em seguida a ilha da Tapera de Paulo Afonso e, à direita, o riacho da Morena que deságua num dos braços do São Francisco; logo mais abaixo as ilhas São Gonçalo,

e da Forquilha e à direita os riachos da Forquilha (Siriema) e da lago da Usina Paulo Afonso IV.

Fig. 10: Cartografia de Halfeld, em Paulo Afon

Para uma melhor interpretação o desenho de Halfeld

diferentes as linhas demarcatórias dos territórios em litígios. À esquerda, amarelo, o Estado de Pernambuco e rio Moxotó divisor com o Estado de Alagoas; no centro, em

ilhas localizadas entre as léguas 324.ª a 326.ª identificadas por Halfeld 1854.

Quando Halfeld descreve a localidade, ao falar da ilha da Forquilha, o mesmo trata, também, da margem direita do rio neste ponto da referi

9 Rf. Atlas e Relatório concernente ao rio São Francisco de Pirapora a Piaçabuçu. 1860 Imperial.

10Rf. Atlas e Relatório concernente a exploração do rio de S. Francisco Oceano Atlântico. Litografia Imperial, p. 28. Rio de Janeiro, 1860.

trabalho de Halfeld9é rico em detalhes neste treco do rio São Francisco. A partir da confluência do rio Moxotó, logo abaixo estão identificadas as ilhas da Barra e do Bode e logo em seguida a ilha da Tapera de Paulo Afonso e, à direita, o riacho da Morena que deságua

braços do São Francisco; logo mais abaixo as ilhas São Gonçalo,

e à direita os riachos da Forquilha (Siriema) e da Gangorra que abastecem o lago da Usina Paulo Afonso IV.

Fig. 10: Cartografia de Halfeld, em Paulo Afonso.

Para uma melhor interpretação o desenho de Halfeld 10a figura abaixo mostra, em tons as linhas demarcatórias dos territórios em litígios. À esquerda, amarelo, o Estado de Pernambuco e rio Moxotó divisor com o Estado de Alagoas; no centro, em

ilhas localizadas entre as léguas 324.ª a 326.ª identificadas por Halfeld

Quando Halfeld descreve a localidade, ao falar da ilha da Forquilha, o mesmo trata, também, da margem direita do rio neste ponto da referida ilha. Sendo esta a margem direita,

f. Atlas e Relatório concernente ao rio São Francisco de Pirapora a Piaçabuçu. 1860

Rf. Atlas e Relatório concernente a exploração do rio de S. Francisco desde a cachoeira da Pirapora Oceano Atlântico. Litografia Imperial, p. 28. Rio de Janeiro, 1860.

é rico em detalhes neste treco do rio São Francisco. A partir da confluência do rio Moxotó, logo abaixo estão identificadas as ilhas da Barra e do Bode e logo em seguida a ilha da Tapera de Paulo Afonso e, à direita, o riacho da Morena que deságua braços do São Francisco; logo mais abaixo as ilhas São Gonçalo, da Praia, dos Félix, Gangorra que abastecem o

a figura abaixo mostra, em tons as linhas demarcatórias dos territórios em litígios. À esquerda, amarelo, o Estado de Pernambuco e rio Moxotó divisor com o Estado de Alagoas; no centro, em marrom, todas as ilhas localizadas entre as léguas 324.ª a 326.ª identificadas por Halfeld, nos anos de 1852 a

Quando Halfeld descreve a localidade, ao falar da ilha da Forquilha, o mesmo trata, da ilha. Sendo esta a margem direita,

f. Atlas e Relatório concernente ao rio São Francisco de Pirapora a Piaçabuçu. 1860, p. 28. Tipografia desde a cachoeira da Pirapora até ao

(18)

consequentemente o braço do rio que se encontra com o riacho da Morena (na metade da pista do Aeroporto de Paulo Afonso) também é a margem direita do rio São Francisco. Somente a CHESF poderá contestar o que se diz por ser a empresa responsável por todas as alterações ocorridas no local; não deixando de observar o rejuntamento de solo nas proximidades da Usina Paulo Afonso IV, visivelmente observado nas imagens da cidade no Google Earth.

O Engenheiro da CHESF, Luiz Fernando Motta Nascimento observou a existência do conflito envolvendo estas terras e o seu proprietário, quando fez uma referência a uma das vindas do diretor da empresa ao acampamento.

[...] Nos idos de 1950, o nosso diretor, Afrânio de Carvalho, ao regressar de uma viagem à Paulo Afonso, recorreu a este Atlas de Halfeld, para ratificar a sua idéia, de que a usina e o acampamento estavam sendo construídos em um arquipélago fluvial. Segundo Luiz Fernando Motta Nascimento (1998, p.

31).

Realmente, o Atlas de Halfeld, confirmou a suposição de Afrânio de Carvalho, o que lhe deu elementos para a defesa da Chesf contra a ação de reintegração de posse, movida pela Companhia Agro Fabril Mercantil, da cidade de Pedra (AL), de propriedade do coronel Vicente Lacerda de Menezes.

2.3 As ilhas do rio São Francisco, pelo autor.

Da ilhota que tem como referencial a popular “Prainha de Paulo Afonso” onde desaguava o riacho da Morena, no sentido à esquerda a aproximadamente 01 quilometro e daí por diante até encontrar-se e cortar na metade da pista do Aeroporto de Paulo Afonso e até encontrar-se novamente

com o curso principal do rio São Francisco, conforme cartografia imperial pertence estas terras também a Alagoas; contrariando assim o entendimento do Professor Galdino:

Na Barragem Delmiro Gouveia foram construídos quatro sistemas de comportas. Um deles, as comportas do braço do Capuxú, no único braço baiano do rio São Francisco e as comportas dos braços do Quebra, do

Fig. 11: As Ilhas do rio São Francisco, pelo autor.

(19)

Taquari e do braço Principal, todos do lado alagoano da Barragem Delmiro Gouveia. Desses braços do rio São Francisco saíam as águas que formavam a Cachoeira de Paulo Afonso, as grandes corredeiras e as quedas do Véu da Noiva e do Croatá. (GALDINO, 2011).

Não há braço baiano do rio São Francisco no trecho compreendido e paralelo ao território pernambucano, inclusive o trecho da Comarca do rio São Francisco (mesmo estando provisoriamente sob o domínio baiano) e alagoano. A Carta de Doação da Capitania de Pernambuco, assim descreve-o:

[...] “e assim entrará na dita terra e demarcação della todo o dito rio de S.

Francisco, e a metade do rio de Santa Cruz pela demarcação sobredita, pelos quaes rios elle dará serventia aos visinhos della, de uma parte e da outra e havendo na frontaria da dita demarcação algumas ilhas hei por bem que sejam do dito Duarte Coelho”. (D. JOÃO III - 1534). Grifos.

O engenheiro aposentado da CHESF Antonio Costa Granja, também coaduna com o entendimento do Professor Galdino. Todavia, após a observação de um painel no formato de 1,46m x 1,80 metros, conforme fig. 10 e figuras13 e 14, nota-se claramente o curso do braço do rio São Francisco, na margem direita seguindo pela ilha da Forquilha. A margem direita identificada por Halfeld na descrição da 326.ª légua do rio São Francisco. (GRANJA – 2013).

2.4 A Margem da Controvérsia

Diante destas duas possíveis situações de limites, ambas não coadunam com a descrição da Carta de Doação da Capitania de Pernambuco nem tampouco com a Cartografia de Halfeld na área que identifica as águas do riacho da Morena que se encontra com as águas do rio São Francisco num dos lados da figura geométrica irregular, onde localiza-se o Aeroporto de Paulo Afonso, nos limites da metade da sua pista de pouso é uma ilhota.

Posicionamento este, bem explícito na imagem da EMBRAPA, que bem separa água e terra.

De certe forma se aplica a lição do mestre e suas judiciosas considerações em relação ao domínio eminente ou soberania territorial, que se exerce pela administração política, e não pela competência judiciária, como se, por ventura, houvesse o Dr. Gonçalves Maia, sustentado opinião diferente, a provocar e merecer a corrigenda do Dr. Rui Barbosa.

(BRANDÃO, 1919).

(20)

2.5 A imagem do satélite Landsat/EMBRAPA11

O engenheiro Antonio Costa Granja, grande conhecedor do setor onde desenvolveu suas atividades como funcionário da CHESF, entende que a área do Capuxú, é o braço direito baiano, como pensa também o Professor Galdino. Foram os dois pensamentos contrários, na interpretação, à Cartografia de Halfeld. Mesmo que fosse o Capuxú, braço baiano do rio São Francisco, isto confirmaria que as Usinas Paulo Afonso I, II e III seriam, nas suas totalidades, inseridas em território alagoano. Em comunicação, por email, o engenheiro-cartógrafo A. C.

Granja, expressa e confirma:

“De acordo com minhas interpretações dos limites históricos entre as capitanias de Pernambuco e Bahia, depois transformadas nas províncias de Alagoas e Bahia, atualmente estados de Alagoas e Bahia, estão em território alagoano as seguintes instalações da CHESF” (GRANJA - 2008):

“Usina Angiquinho (adquirida em 1957 e tombada pelo Patrimônio Histórico de Alagoas) - Usina Piloto - Toda Barragem Delmiro Gouveia - Uns cinqüenta por cento da barragem das Salinas (no braço ocidental do canal do Capuxú) - Usina Paulo Afonso I - Usina Paulo Afonso II - Usina Paulo Afonso III - Usina Apolônio Sales (Moxotó) - Uns noventa e cinco por cento da barragem de Moxotó com todas as comportas conhecidas como Barragem Móvel e Todo vertedouro e uns setenta por cento da barragem da Usina de Xingó (excluídos os diques auxiliares do atual território sergipano)”.

(GRANJA - 2008).

A Usina Paulo Afonso IV - pela sua localização e instalação -, inclusive a área da prainha, também se encontram em território

alagoano.

Na interpretação da imagem da EMBRAPA, outro detalhe que não pode ser deixado para trás é o rejuntamento de solo da ilhota que serviu de base para a instalação da Usina Paulo Afonso IV. Tal solo foi rejuntado para dar suporte a instalação da usina.

Outro fator importante a ser definido é o perímetro do lago que abastece a Usina Paulo Afonso IV devido as duas ilhotas localizadas entre a ponte longa e a ilha Paulo Afonso, por pertencerem, também, ao Estado de Alagoas.

11 Rf: Landsat. São José dos Campos: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Imagem de Satélite.

Composição colorida. Sem Escala :EMBRAPA. Carta: SC-24-X-C-II-4-SO

Fig. 11: Imagem do satélite Landsat/EMBRAPA.

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2.6 A margem direita do rio São Francisco.

Em seu Atlas e Relatório12, Halfeld define cautelosamente a margem direita e os braços do rio São Francisco quando descreve a 326.ª légua no seu Atlas.

Se a ilha da Forquilha é referência para a margem direita do rio São Francisco, lógico que o braço do rio que cruza com a pista do Aeroporto de Paulo Afonso e que se encontra com as águas do riacho da Morena também é margem direita da qual a Carta de Doação da Capitania de Pernambuco diz que dará apenas serventia aos seus vizinhos.

[...] “Do lugar da Furna do Morcego abaixo, recebe o rio pelo lado da margem direita sucessivamente os seus braços, que descem entre as anteriormente mencionadas ilhas de S. Gonçalo, do Félix e da Forquilha, e mais o riacho do nome da última, do Tapuio, da Gangorra e o da Lagôa do Junco, e nota-se a Cachoeira da Forquilha, do Tapuio e do Veado”.

(HALFELD, 1860). Grifos

Os braços do rio São Francisco localizados entre as léguas 324.ª a 326.ª, são vários devido a quantidade de ilhas,

ilhotas e micro ilhas identificadas no Atlas de Halfeld e, quando o mesmo registra o braço da ilha da Forquilha como margem

direita, é óbvio há o reconhecimento do braço que se encontra com as águas do riacho da Morena destinam-se para o braço da ilha da Forquilha.

Há dois grandes motivos que garante o posicionamento da margem direita do rio São Francisco, definidos pela Carta de Doação da Capitania de Pernambuco:

a) Todas as ilhas pertencem à Capitania de Pernambuco;

b) A margem direita13 ser apenas serventia dos vizinhos.

A escritura, a cartografia e o relato dos homens registram os fatos, a história. Assim, a história e a geografia, embasada no direito, deverão ser corrigidas com os seus verdadeiros fatos, desconsiderando sua velocidade, seu espaço e seu tempo.

12 Rf. Atlas e Relatório concernente a exploração do rio de S. Francisco desde a cachoeira da Pirapora até ao Oceano Atlântico. Litografia Imperial, p. 28, Rio de Janeiro, 1860.

13 Rf. Atlas e Relatório concernente a exploração do rio de S. Francisco desde a cachoeira da Pirapora até ao Oceano Atlântico. Litografia Imperial, p. 30. Rio de Janeiro, 1860. Detalhe do autor.

Fig. 12: A margem direita do rio São Francisco e o riacho da Morena

(22)

Fig. 13: A margem direita do rio São Francisco, do paralelo do rio Moxotó até a Usina Paulo Afonso IV.

O braço direito da ilha da Forquilha, segundo Halfeld, é a margem direita do rio.

O nosso Código Civil trata sobre ilhas e a acessão dar-se pela formação de ilhas, por aluvião, avulsão, por abandono do álveo e pela construção de obras ou plantações.

Considerando esta área não ser parte navegável do rio São Francisco, conforme diz o Código Civil de 1916:

Art. 537 - As ilhas situadas nos rios não navegáveis pertencem aos proprietários ribeirinhos fronteiros, observadas as regras seguintes: grifos

I - As que se formarem no meio do rio consideram-se acréscimos sobrevindos aos terrenos ribeirinhos fronteiros de ambas as margens, na proporção de suas testadas, até a linha que dividir o álveo em duas partes iguais.

II - As que se formarem entre essa linha e uma das margens consideram-se acréscimos aos terrenos ribeirinhos fronteiros desse mesmo lado.

III - As que se formarem pelo desdobramento de um novo braço do rio continuam a pertencer aos proprietários dos terrenos à custa dos quais se constituíram.

Por este prisma, não sendo o rio São Francisco navegável, nem assim caberia ao Estado da Bahia a posse das ilhas, pois todas as alterações que ocorreram no solo não aconteceram de forma natural e sim pela ação do homem que tinha o intuito de domar as águas do velho Chico, represando-as para a geração de energia elétrica. (BRASIL – 2002).

Pois, a posse deve ser adquirida de modo lícito, ou seja, não violento, clandestino ou precário. Isto é, de modo justo sem vício que a obste. Deve revestir-se do elemento moral, a intenção de possuir o imóvel como próprio. O animus domini.

Uma vez provado o justo título, a boa fé se presuma. Nota-se que o justo título dessas terras é a Carta de Doação da Capitania de Pernambuco, seguida da Provisão de 16 de setembro de 1817, de D. João VI, que emancipou a Comarca das Alagoas.

(23)

2.7 Parecer da Ouvidoria Geral da Bahia.

Propositalmente, a Ouvidoria da Bahia14 foi provocada para dar Parecer sobre o posicionamento geográfico da cidade de Paulo Afonso – BA. Eis o Parecer da DIGEO/SEI:

[...] O limite entre Pernambuco, Alagoas e Bahia sempre foi o talvegue do rio São Francisco, desde os tempos das capitanias de Pernambuco e da Bahia. Grifos

O município baiano de Paulo Afonso e sua sede se localizam na margem direita do rio, em território do estado da Bahia. A cidade de Paulo Afonso se situa às margens do rio e, com a construção da barragem de Paulo Afonso em suas proximidades, houve alagamento no seu entorno, criando-se uma ilha artificial neste sítio. A cidade continua então em território baiano, desde que, apesar da criação da ilha, não houve alteração do curso do rio, que continua sendo a divisa entre os estados de Pernambuco, Alagoas e Bahia. Grifos

A reconstituição da cartografia histórica da região, anterior à construção da barragem, permite a visualização do curso do rio e a não existência da ilha onde está a cidade de Paulo Afonso. Além disso, o município de Paulo Afonso é reconhecidamente um município componente do estado da Bahia e não tem sentido a alegação de que sua sede se situaria em território de outro estado que não o estado da Bahia. 02/08/2012. (BAHIA, 2012).

A Ouvidoria do Estado da Bahia reconhece as cartas das capitanias mas equivocadamente afirma ser o talweg do rio São Francisco o divisor das capitanias, das províncias e agora dos Estados. Afirmando também que não houve alteração do curso do rio.

Lógico. Basta observar o Atlas e Relatório de Halfeld; nele encontra-se todas as respostas necessárias para dirimir quaisquer dúvidas a respeito da conexão da Carta de Doação da Capitania de Pernambuco, o Atlas e Relatório de Halfeld e a divisão dos Estados.

Não é necessário reconstituir a cartografia histórica da região. Halfeld explica. Há uma única via, um rumo a ser seguido. Esse caminho é a margem direita do rio São Francisco que engloba e abraça todas as ilhas deste setor em favor do Estado de Alagoas.

Os entendimentos sobre o Parecer da Ouvidoria da Bahia, são contrários aos da Carta de Doação da Capitania de Pernambuco a partir do momento em que reconhece que o limite entre Pernambuco, Alagoas e Bahia “desde os tempos das Capitanias de Pernambuco e da Bahia” é o talveg do rio São Francisco. A Carta de Doação da Capitania de Pernambuco é explícita quando o Rei de Portugal D. João III, descreve a margem direita como serventia aos vizinhos dele (o rio São Francisco), e Halfeld localiza a margem direita no braço direito da ilha da Forquilha; e, considerando este braço, também, a margem direita da ilhota da prainha.

14Rf: Ouvidoria do Estado da Bahia. Publicação eletrônica. Mensagem recebida por:

<[email protected]>em 02/08/2012.

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Fig. 15 - e-Mail resposta da Ouvidoria da Bahia.

O desenho abaixo, do autor, representa um talweg. Porém, o mesmo tem várias definições. Se prevalecer a maior profundidade, a linha divisória dos Estados da Bahia e Alagoas está errada. O que colocará em risco a credibilidade institucional dos órgãos responsáveis pelas demarcações no Brasil.

Fig. 16: Modelo de Talweg, desenho do autor.

A própria Ouvidoria da Bahia reconhece as Cartas de Doações das Capitanias.

Desde a Carta de Doação que o divisor interestadual é a margem direita do rio São Francisco. Como diz a Ouvidoria da Bahia, que a linha divisória do rio é o talvegue nada justifica a linha demarcatória está localizada na margem esquerda do rio, nas proximidades área das Usinas Paulo Afonso I, II e III. Mais um motivo para discordar destes

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posicionamentos geográficos.

redemarcações territoriais no País, o mesmo deverá De acordo com o diploma régio de doação da limite intercapitanias entre

não o talvegue do rio, como afirma a Ouvidoria da Bahia.

O Dicionário Brasileiro GLOBO água por todos os lados. (Do lat. Insula

2.8 Província de Pernambuco

Fig. 17: A Província de Pernambuco

A Cartografia Imperial

Este é o projeto originário da Capitania de Pernambuco

Comarca do Rio São Francisco, uma das suas divisões, colocada sob os domínios da Bahia, provisoriamente, e agora, alvo de interesses outros, querem transformar no Estado do Rio São

15 Rf: Atlas do Império do Brasil. Litografia do Instituto Philomathico : Rio de Janeiro, p. 50, 1860.

amentos geográficos. Se o IBGE é o órgão responsável pelas demarcações e redemarcações territoriais no País, o mesmo deverá rever tal questionamento.

De acordo com o diploma régio de doação da Capitania de Pernambuco em 1534, o Pernambuco e Bahia era a margem direita do rio São Fr

não o talvegue do rio, como afirma a Ouvidoria da Bahia.

Brasileiro GLOBO, assim define ILHA: s. f. Porção de terra cercada de água por todos os lados. (Do lat. Insula).

Província de Pernambuco15

A Cartografia Imperial, fonte segura das informações agora necessárias.

Este é o projeto originário da Capitania de Pernambuco, do Brasil Província Comarca do Rio São Francisco, uma das suas divisões, colocada sob os domínios da Bahia, provisoriamente, e agora, alvo de interesses outros, querem transformar no Estado do Rio São

Atlas do Império do Brasil. Litografia do Instituto Philomathico : Rio de Janeiro, p. 50, 1860.

Se o IBGE é o órgão responsável pelas demarcações e tal questionamento.

apitania de Pernambuco em 1534, o Pernambuco e Bahia era a margem direita do rio São Francisco e

: s. f. Porção de terra cercada de

s informações agora necessárias.

do Brasil Província. A Comarca do Rio São Francisco, uma das suas divisões, colocada sob os domínios da Bahia, provisoriamente, e agora, alvo de interesses outros, querem transformar no Estado do Rio São

Atlas do Império do Brasil. Litografia do Instituto Philomathico : Rio de Janeiro, p. 50, 1860.

(26)

Francisco. Porém, salvo melhor entendimento, este território deve ser devolvido ao povo pernambucano para que depois seja dado o rumo necessário e legal. Há hipóteses neste sentido: permanecer o território com o Estado da Bahia é assinar o descompromisso com a democracia; reanexar ao Estado de Pernambuco ou, criar um novo Estado. Com o consentimento do Estado de Pernambuco, que sempre reclamou o seu direito.

A Província de Pernambuco era muito extensa; seus limites iniciavam-se no Leste (litoral) e se entendia até a divisa com a Capitania de Minas Gerais, tendo como divisor o rio Carinhanha. Entretanto, por ato ditatorial do Imperador D. Pedro I, em 07 de julho de 1824, parte deste território foi transferido, provisoriamente, para os domínios da Capitania de Minas Gerais e, por provisão da Assembléia Constituinte, em 15 de outubro de 1827, esta área, a Comarca do Rio São Francisco foi transferida para os domínios da Capitania da Bahia, também provisoriamente, a quem está sob o domínio provisório até o presente momento.

Encontra-se na pauta do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados) Projeto de Lei que objetiva a transformação deste território pernambucano em uma nova unidade da federação. Pernambuco lutou durante tantos anos para retomar seu território e agora se espera que a mesma luta de outrora seja reiniciada com mais vigor e determinação dentro dos princípios democráticos; que o povo pernambucano mantenha-se, como sempre foi determinado diante dos seus objetivos. Que a vontade política de uns não seja o suficiente para calar uma comunidade guerreira.

2.9 A Província das Alagoas - MAPA XI

[...] A posição16 astronômica desta Província he a seguinte:

A latitude toda astral encerra o território alagoano17 entre 8° e 4’ e 10° e 32’.A longitude conforme o meridiano que adoptámos, eh oriental, dentro de 5° e 7’ e 7° e 58’.

A sua maior extensão de Norte a Sul He de 40 léguas escassas da margem direita do riacho Persinunga ao pontal do rio de S. Francisco, e 58 léguas de Leste a Oeste desde a Ponta Verde á margem esquerda do rio Moxotó, compreendidas todas as curvas, e do rio de S. Francisco até a foz do rio Moxotó 62,

sendo 56 á cachoeira de Paulo Afonso, e 6 á barra do Moxotó. (ALMEIDA, 1868).

16Rf. Atlas e Relatório concernente a exploração do rio de S. Francisco desde a cachoeira da Pirapora até ao Oceano Atlântico. Litografia Imperial, p. 14. Rio de Janeiro, 1860.

17 Rf:Atlas do Império do Brasil. Litograifia do Instituto Philomathico : Rio de Janeiro, p. 51, 1860.

Fig. 18: A Província das Alagôas

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2.10 Detalhe das Ilhas do Rio São Francisco em Paulo Afonso – Bahia.

Nesta imagem ampliada18, no círculo, observa-se a identificação das ilhas do rio São Francisco, inclusive os lugarejos Valha-me Deus (Hoje, São Sebastião), Cachoeira de Paulo Afonso, e o rio Moxotó – divisor dos Estados de Pernambuco e Alagoas, como também o rio São Francisco fazendo a divisa dos Estados da Bahia – Alagoas – Pernambuco. As melhores referências às ilhas estão gravadas no Atlas de Halfeld e servirão de orientações aos julgadores do Supremo Tribunal Federal no momento oportuno quando o Estado de Alagoas resolver lutar pela reintegração territorial destas ilhas que estão sob o domínio do Estado da Bahia, não provisoriamente como antes de pensava, mas precariamente. Pois, não existe até o presente momento documentos que comprovem a posse sobre estas ilhas. Se caso existirem, que o Estado da Bahia apresente-os para sanar as possíveis dúvidas. Uma usurpação.

O Dr. Thomaz do Bomfim Espínola na sua obra Geographica desta Província, diz o seguinte sobre a respectiva situação astronômica:

“A Província das Alagôas acha-se situada entre 8°55’31” de latitude austral, e 27°27’ e 28°58’ de longitude Oeste de Lisboa, segundo a Carta topographica de Carlos Mornay, levantada em Maceió aos 9 de junho de 1842, por ordem do Exm. Sr. Conselheiro Manoel Felizardo de Souza e Mello, etc.” (ESPÍNDOLA, 1868).

Nestas ilhas estão instaladas as usinas do Complexo Hidroelétrico de Paulo Afonso,

geradoras de Compensação Financeira que devido a posse injusta destas ilhas, o produto dessa compensação financeira é pago pela Secretaria do Tesouro Nacional ao Município de Paulo Afonso – Estado da Bahia. Consequentemente, se somente se, a decisão venha a favorecer ao

18Rf:Atlas do Império do Brasil. Litograifia do Instituto Philomathico : Rio de Janeiro, p. 51, 1860.

Fig. 19. Detalhe das ilhas do rio São Francisco na região do sertão alagoano.

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Estado de Alagoas, estes recursos serão redirecionados para o povo alagoano e para isto necessário se faz que tal pedido seja efetuado junto ao STF, sob forma de Ação Cível Originária, pelo Estado de Alagoas.

Pois, por ato imperial de 16 de setembro de 1817, D. João VI deu a autonomia de gestão para a Comarca das Alagoas, transformando-a em Província das Alagoas, mantendo o mesmo status de Capitania das Alagoas; autonomia irretocável. Hoje, Estado de Alagoas.

Neste painel, a partir da emancipação da Comarca das Alagoas da Capitania de Pernambuco, todas as ilhas localizadas a partir da barra do rio São Francisco até a confluência do rio Moxotó, passaram a pertencer, sistematicamente, à Província das Alagoas.

Geograficamente, não há o que se discutir.

Da confluência do rio Moxotó, descendo o rio, até atingir a grande ilha de Paulo Afonso, a distância é de alguns quilômetros. Tais ilhas nunca pertenceram ao Município de Glória – BA, do qual Paulo Afonso desmembrou-se em 1948, quando também nasceu a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco – CHESF, instituída pelo Governo Federal com o objetivo de implantar as usinas hidroelétricas para a geração de energia elétrica. Nasceu Paulo Afonso em terras alheias. Todos sabiam a quem pertencia tais ilhas. Inclusive a administração da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco.

No ano de 1950, o proprietário da Companhia Agro Fabril Mercantil, o empresário pernambucano Vicente de Menezes tentou uma reintegração de posse mas não se sabe o resultado e a discussão era sobre a situação dessas terras se eram terras públicas ou terras devolutas. A usucapião, a prescrição aquisitiva. A posse no Direito das Coisas, mostrará o rumo que os julgadores deverão seguir quando assim bem entender o Estado de Alagoas quando pleitear o seu direito sobre as ilhas do rio São Francisco, usurpadas pelo Estado da Bahia, que sempre teve ao seu desfavor a invasão de terras pernambucanas, conforme se observa o provimento do Conselho Ultramarino de 9 de fevereiro de 1758.

Hoje, a Fábrica da Pedra S/A (Grupo Carlos Lyra), detentora das escrituras dessas terras adquiridas pelo Coronel Ulisses Luna (do qual o Coronel Delmiro Gouveia foi o padrinho do seu filho, o médico delmirense Dr. Ulisses Luna) com os devidos registros no Cartório de Notas do Município de Água Branca – Alagoas, da qual Delmiro Gouveia era Distrito e, em 14 de fevereiro de 1954, emancipou-se. Cidade de Delmiro Gouveia – Alagoas.

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