2. CAPÍTULO – A EVOLUÇÃO DO GRUPO SIEMENS
2.1. Aspectos Históricos
2.1.4. Da década de 1990 ao início do século 21
De acordo com Thomke (2002), a Siemens em sua história continuamente expandiu seus mercados com base na competência tecnológica e nas relações próximas com grandes clientes, ao invés da utilização de um marketing agressivo. Seu conservadorismo se estendeu até o financiamento ao consumo. Essa abordagem manteve a empresa longe de diversas armadilhas, como as aquisições agressivas relacionadas à Internet que iludiram muitos de seus rivais.
Em 1990, com uma onda mundial de desregulamentação afetando diversas indústrias, a Siemens não pôde mais confiar fortemente em suas tradicionais relações com grandes clientes. Com as indústrias de informática e telecomunicações em rápida mudança, os ganhos de produtividade de até dez por cento em um ano podiam muitas vezes ser anulados pela forte queda de preços (THOMKE, 2002).
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Assim, no início de 1990, a estrutura de funcionamento e a forma de organização da Siemens passaram por novas mudanças. As sete grandes unidades de negócio foram divididas em 15 entidades menores, que seriam mais bem equipadas para operar de forma flexível e em proximidade com o mercado. Foram dadas às unidades operacionais mais responsabilidades, dentro da nova estrutura descentralizada, com o intuito de criar uma base para operar no mercado mundial na era da globalização (www.siemens.com).
A Siemens passou de uma empresa que trabalhava principalmente com clientes públicos, em mercados regulamentados, para participar de uma concorrência global cada vez mais acirrada e sob a pressão dos acionistas, seguindo os processos de globalização, financeirização e maximização de valor ao acionista que passaram a fazer parte do capitalismo nesta época (BRAGA, 1996). Para enfrentar estes novos desafios, a empresa introduziu diversos programas que representaram uma mudança importante na abordagem administrativa, baseada nos pilares estratégicos de produtividade, inovação e crescimento.
Nessa nova abordagem, a Ásia e outros países do Oceano Pacífico foram reconhecidos pela estratégia corporativa desde o início como mercados-chave. Em 1997, a empresa já era representada em toda a região com 45 mil funcionários, cerca de 70 joint-ventures e 60 plantas industriais. Com o objetivo de coordenar todas as atividades no mercado de crescimento da China, a Siemens estabeleceu Siemens Ltd. China, em 1994. A empresa, com sede em Pequim, foi a primeira Holding de uma empresa estrangeira na República Popular. Atualmente, a Siemens é um dos maiores empregadores estrangeiros no país, com mais de 69
joint-ventures, 64 plantas industriais e cerca de 30.000 funcionários.
Com o objetivo de construir uma posição mais forte nos EUA, o maior mercado do mundo para produtos elétricos e eletrônicos, as ações do Grupo, que eram transacionadas na Bolsa de Valores de Frankfurt desde 1899, foram listadas na Bolsa de Valores de Nova York, em 2001. Dessa forma, a Siemens foi capaz de acessar o maior mercado de capitais do mundo, pois a listagem nos Estados Unidos permitiu que os fundos de investimento norte-americanos transacionassem as ações da Siemens pela primeira vez (www.siemens.com).
Além disso, desde o final da década de 1990, a Siemens seguindo sua estratégia de diversificação coerente veio promovendo a otimização/redução de seu portfólio de negócios através de desinvestimentos, aquisições, formação de novas empresas e a formação de joint-
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ventures. Este processo corrobora com a afirmação de Lazonick e O´Sullivan (2000) de que
houve uma reorientação estratégica dos gestores das grandes empresas para além do lema “reter e reinvestir”, incorporando o mote “reduzir e distribuir”, que motivou uma ampliação nas estratégias de compra e venda nos portfólios de negócios dos grandes grupos, verificado também na atuação do Grupo Siemens nas últimas décadas.
Em relação às políticas internas, para promover a saúde e a motivação da força de trabalho, em 1993, a Siemens lançou um programa de condicionamento físico com o nome de TOP (Time Optimized Process).
O Gráfico 5 demonstra a evolução do número de funcionários desde 1848 (ano de fundação) até 2004 em valor total, somente na Alemanha e no Exterior:
Gráfico 5: Número de Funcionários Siemens AG. Fonte: Siemens Historical Institute. Tradução da Autora.
Em relação ao gráfico, pode-se verificar que o número de trabalhadores fora da Alemanha era relativamente baixo até a Segunda Guerra Mundial, chegou a quase zero após o fim do conflito e começou a se recuperar nos anos 50, conseguindo superar o número de funcionários dentro da Alemanha em 1998. O número total de funcionários atingiu seu ápice em 2001 com aproximadamente 484.000 pessoas e a partir deste ano vem sofrendo redução, com maior ênfase dentro da Alemanha.
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Após o alinhamento do portfólio das unidades de negócio com os temas de demografia, urbanização e proteção ambiental e climática, os negócios operacionais foram divididos, no início de 2008 em três setores: Industry, Energy e Healthcare (Indústria, Energia e Saúde). O conselho administrativo foi adaptado de acordo com a nova estrutura e ao mesmo tempo reduzido de 11 para 08 membros.
Os principais fatos ocorridos na Siemens a partir da década de 1990 foram:
1990 - Criação da Siemens Nixdorf Informationssystem AG (SNI), a maior empresa europeia da indústria de computadores na época;
1991 - Aquisição da Plessey Telecomunicações na Grã-Bretanha;
1992 - Aquisição da Rolm nos Estados Unidos, ambas para aumentar sua posição como líder no mercado mundial de produtos elétricos e eletrônicos;
1998 - Aquisição das atividades de usinas termoelétricas da Westinghouse nos Estados Unidos, com o objetivo de aumentar sua participação no país no setor de geração de energia;
1999 – Separação (Spin off) do setor de semicondutores e de empresas como a Epcos e a Infineon, que lançaram suas ações na bolsa de valores;
1999 – Criação da joint-venture Fujitsu & Siemens Computers, como resultado da fusão de Fujitsu Computadores (Europe) Ltd. e da Divisão de Sistemas de Computação do Grupo Siemens;
2000 - Primeiro Relatório de Cidadania Corporativa do Grupo Siemens AG, dando início de forma institucionalizada à divulgação de suas atividades de Responsabilidade Social; 2001 - Aquisição de participação majoritária na companhia alemã Atecs Mannesmann AG
(área de telecomunicações e automação industrial) e fusão de suas atividades em energia nuclear com a empresa francesa Framatome;
2005 - Aquisição da VA Technologie AG, o maior grupo de tecnologia da Áustria;
2007 - Criação da joint-venture Nokia Siemens Networks (NSN), para criar um provedor de infraestrutura de telecomunicações, com a combinação dos negócios de redes da Nokia e as operações relacionadas a redes fixas e móveis da Siemens;
2009 – Fim da joint-venture Fujitsu & Siemens Computers. Na última década, esta parceria estabeleceu uma posição de liderança no mercado de infraestrutura de TI na
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Europa, Oriente Médio e África. Com este passo, a Siemens manteve sua estratégia de focar nos setores de Indústria, Energia e Saúde;
2013 - Fim da joint-venture Nokia Siemens Networks (NSN). A parceria se concentrava em produtos, soluções e serviços para aplicações de banda larga móvel e implantou redes em mais de 150 países ao redor do mundo. Com esta mudança, o Grupo Siemens também deixou de participar do mercado de telefonia móvel.
Em 2011, o Grupo instituiu um novo setor chamado de Infrastructure&Cities (Infraestrutura e Cidades) para procurar respostas aos desafios de um mundo cada vez mais urbanizado e global. Com 87.000 funcionários em todo o mundo, este novo setor foi constituído para desenvolver soluções sustentáveis nas áreas de proteção ambiental, mobilidade e eficiência energética para as cidades, com o objetivo de torná-las mais organizadas e ambientalmente amigáveis (www.siemens.com).