3. CAPÍTULO – O MEIO AMBIENTE NAS ESTRATÉGIAS
3.1. Como Surgiu o Tema Ambiental dentro do Grupo Siemens
Segundo os relatórios de sustentabilidade da Empresa, a proteção ambiental já vinha sendo tratada de forma diferenciada na Siemens há algumas décadas, pois com a abertura oficial do departamento de proteção ambiental na empresa há 40 anos, a Siemens já reconhecia o tema ambiental como uma questão importante para o futuro.
Questionado pelo jornal - Süddeutsche Zeitung, em dezembro de 1970, sobre o evento mais importante do ano nas áreas de ciência e tecnologia, Ernst von Siemens respondeu:
Na minha opinião, o evento mais importante (...) não é uma nova invenção ou uma descoberta, mas sim o fato de que a consciência pública sobre a necessidade de proteger o meio ambiente tornou-se tão forte. Pode parecer estranho que uma empresa tão intimamente associada com as ciências diga isto, uma vez que os "engenheiros" e a indústria que eles construíram tem a reputação de estar destruindo e poluindo o meio ambiente (DITTLER, 2010 - tradução da autora).
Neto do fundador da empresa e presidente do Conselho Fiscal, Ernst von Siemens se dedicou a garantir que os produtos da Siemens não fossem apenas inovadores e rentáveis, mas também compatíveis com o meio-ambiente (DITTLER, 2010).
Refletindo esse compromisso, o Grupo se envolveu relativamente cedo com o tema da proteção ambiental. Em 1959, a empresa estabeleceu um grupo de trabalho de "abastecimento de água e ar limpo" que tinha uma voz no planejamento das novas instalações de produção e emitia recomendações internas para o processamento de água, manutenção do ar limpo e eliminação de resíduos. Em 1971, a administração da empresa decidiu consolidar todas as
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atividades de proteção ambiental associadas com operações em um departamento específico: o
Corporate Environmental Protection Office (Departamento de Proteção Ambiental Corporativa),
este tinha primordialmente uma função consultiva e de coordenação. Além disso, ele representava os interesses ambientais em órgãos técnicos e políticos para a companhia. Organizacionalmente, o departamento era parte do Departamento de Tecnologia Central. Pouco tempo depois, três grupos de trabalho foram formados: "Recursos Hídricos, Ar Puro e Eliminação de Resíduos", "Redução de Ruído" e "Proteção de Radiação", e seus membros foram recrutados das unidades operacionais e corporativas. Estes grupos de trabalho de atuação transversal realizavam recomendações para as fábricas e operações da empresa nos projetos de produtos ambientalmente compatíveis, estimulavam o desenvolvimento de processos de produção ambientalmente amigáveis, e promoviam o intercâmbio de know-how relevante dentro da empresa.
Nas décadas seguintes, sob a influência de novas descobertas científicas e técnicas, das condições econômicas e novas regulamentações legais, a organização de proteção ambiental da empresa foi continuamente ampliada e adaptada para enfrentar os novos desafios. Em 1993, por exemplo, a administração da empresa atribuiu a responsabilidade do tratamento do tema ambiental em toda a companhia para cinco departamentos: “Proteção Ambiental na Operação", "Segurança Química", "Proteção contra Incêndios”, “Proteção Civil" e "Reciclagem de Produtos" (SIEMENS COMPANY HISTORY, 2008).
Em 2008, o Grupo unificou seus produtos, serviços e soluções ambientais no Portfólio Ambiental Siemens16 e começou a medir e incentivar a ampliação da oferta de soluções ambientais e de sua lucratividade de forma mais consistente.
No mesmo ano, a Siemens AG foi reconhecida pela primeira vez nos índices de sustentabilidade da Bolsa de Valores de Nova York. De acordo com o Dow Jones Sustainability
Index (DJSI) – o índice mundial de sustentabilidade estabelecido pela Dow Jones – a Siemens
conquistou o primeiro lugar na categoria “Industrial Diversificado” e vem mantendo esta posição de liderança desde então. George e Heaton (2000) afirmam que, o retorno positivo atingido no mercado acionário pelas companhias incluídas no DJSI sugere que os investidores também estão
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reconhecendo que a nova abordagem administrativa contribui para uma maior prudência administrativa e responsabilidade social (GEORGE e HEATON, 2000).
Em agosto de 2009, as diretrizes de toda a empresa, cobrindo a proteção ambiental, gestão de saúde e segurança, foram englobadas na unidade de “Proteção ao Meio Ambiente, Gestão de Saúde e Segurança (EHS)”. Ao mesmo tempo, a responsabilidade sobre o tema, no Conselho de Administração, mudou de mãos: foi transferido de Tecnologia Corporativa para os Recursos Humanos Corporativos. Nos últimos anos, o escritório de Munique, apoiado por processos de produção e gestão ambiental, garante a observância dos padrões ambientais em toda a empresa e também é responsável pelo programa de proteção ambiental do Grupo, sendo que o programa de sustentabilidade começou a ser implementado regionalmente em 2010 (SIEMENS ANNUAL REPORT, 2010).
Também em 2010, O Grupo apresentou a nova diretriz estratégica corporativa: “One
Siemens”, uma nova estrutura empresarial para o desenvolvimento sustentável e para o
crescimento da eficiência de capital. Dentro dessa estratégia, a expansão do Portfólio Ambiental está entre as nove áreas de foco estratégico:
Ser pioneira em mercados impulsionados pela tecnologia; Fortalecer nosso Portfólio;
Oferecer o melhor e mais amplo Portfólio Ambiental; Crescer nos mercados emergentes;
Expandir nossos negócios de serviços; Aumentar foco no cliente;
Incentivar o desenvolvimento e aprendizado contínuo;
Conceder autonomia ao nosso time diversificado e engajado em todo mundo; Defender a integridade (SIEMENS ANNUAL REPORT, 2010).
No mesmo ano, foi estabelecida a meta de crescimento da receita anual do Portfólio Ambiental para acima de 40 bilhões de euros até o final do ano fiscal de 2014, utilizando produtos inovadores e obtendo importante crescimento em áreas como energia renovável. Segundo a responsável pela unidade de sustentabilidade do Grupo Mundial até o final de 2013, Barbara Kux:
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Nós nos concentramos em mercados de crescimento orientados para a inovação com potencial de crescimento de longo prazo, onde esperamos capturar posições de liderança ou estender nossa liderança (...) Um papel central aqui é desempenhado pelos produtos e soluções em nosso Portfólio Ambiental. Eles nos permitem fazer uma grande contribuição para a proteção ambiental e climática e ao mesmo tempo fortalecer nossa posição nestes mercados em crescimento. Nossa meta para o futuro é de gerar 40 bilhões de euros até o final do ano fiscal de 2014 e vamos continuar a lutar por este objetivo, mesmo ele sendo mais difícil de alcançar devido à nossa oferta pública inicial planejada da OSRAM AG. Não somente porque achamos que é possível, mas também porque estamos perseguindo ao mesmo tempo um objetivo ecológico com o nosso Portfólio Ambiental: reduzir as emissões de CO2 dos nossos clientes (SIEMENS
SUSTAINABILITY REPORT, 2011, tradução da autora).
Em 2011, a empresa foi eleita uma das três empresas mais “verdes” do mundo na pesquisa anual realizada pela Interbrands, consultoria internacional de gerenciamento de marcas. O ranking é resultado de uma pesquisa que combinou a percepção pública sobre a sustentabilidade nas corporações com o resultado efetivo desse conceito.
Em 2012, o Grupo Siemens AG foi reconhecido novamente nos índices de sustentabilidade da Bolsa de Valores de Nova York. De acordo com o Dow Jones Sustainability
Index (DJSI), a companhia conquistou o primeiro lugar, pela primeira vez, no supersetor - “Bens
Industriais e Serviços” (S&P DOW JONES MEDIA RELEASE, 2012).
A empresa vem também participando de diversas organizações ambientais mundiais com destaque para World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), uma importante associação internacional de negócios com foco em economia e desenvolvimento sustentável. Segundo George e Heaton (2000), o WBCSD vê a contribuição do setor privado para o desenvolvimento sustentável através do desenvolvimento e utilização de tecnologias ambientalmente melhores para produtos, serviços e processos de produção. A inovação tecnológica é a essência dessa função. Porém, um novo processo de inovação deve ser empregado, aquele que representa uma mudança radical no desempenho ambiental, muito além de simplesmente fazer melhor o que já está sendo feito, e suprindo a necessidade de um maior grau de integração entre as empresas e seu contexto social (GERGE e HEATON, 2000).
A Siemens participa também do World Economic Forum (WEF), uma organização internacional independente que contribui para a solução dos problemas globais através de encontros regulares e parcerias estratégicas; o World Resources Institute (WRI), grupo de reflexão ambiental que trabalha com parceiros dos setores governamentais, empresariais e da sociedade civil para confrontar as mudanças ambientais mais urgentes da atualidade; e a United Nations
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Global Compact LEAD, iniciativa das Nações Unidas que proporciona o diálogo entre países,
companhias e sociedade em geral para promover um código mundial de valores e regras de conduta (SIEMENS ANNUAL REPORT, 2013).