3 DA SOCIEDADE ATUAL
macrorregionais, com vistas à construção de uma sociedade ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios da liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade, como objetivos fundamentais da educação ambiental.
Sem embargo, das doutrinas filosóficas e sociológicas, emergem denominações diversas sobre a sociedade atual, considerando o panorama das tecnologias da informação e comunicação, que nesta oportunidade, por razões sintéticas optou-se por mencionar somente as nomenclaturas: “Sociedade da Informação”, “Sociedade do Conhecimento”, “Sociedade em Rede” e “Sociedade Fluida”.
Em vista do que anteriormente já fora mencionado, acerca da Sociedade da Informação, na concepção de Sydow (2021, p. 33) a “Sociedade da Informação teve sua potência elevada com a popularização das máquinas e suas conexões, levando à boa parte da população o acesso a um cotidiano como características próprias, e que tem arquivos e dados intangíveis como mote de sua existência e sustentabilidade”. No entendimento de Pinheiro (2016, p. 51) a “sociedade da informação exige que, cada vez mais, seus participantes executem mais tarefas, acessem mais informações, rompendo os limites de fusos horários e distâncias físicas; ações que devem ser executadas num tempo paralelo, ou seja, digital”.
Guevara e Dib apontam que a Sociedade da Informação e da Comunicação seria uma etapa preambular para uma Sociedade do Conhecimento:
No atual processo de aceleração na transição de Eras, passamos rapidamente da Era da Informação e Comunicação para a Era do Conhecimento e observamos o surgimento de uma cultura e uma economia cada vez mais globalizadas e virtuais, levadas adiante pelo progresso acelerado na Ciência e Tecnologia de forma geral e pelo desenvolvimento dos computadores e da comunicação de modo particular, que, por conseguinte, são devastadoras da natureza e da teia social e planetária (GUEVARA; DIB. 2007, p. 05).
Sobre o debate acerca de nomenclatura da sociedade atual, tem-se o relevante pensamento de Castells, que não concorda que o termo “Sociedade do Conhecimento”, trazendo à baila a terminologia “Sociedade em Rede” para denominar a sociedade emergente:
Frequentemente, a sociedade emergente tem sido caracterizada como sociedade de informação ou sociedade do conhecimento. Eu não concordo com esta terminologia.
Não porque conhecimento e informação não sejam centrais na nossa sociedade. Mas porque eles sempre o foram, em todas as sociedades historicamente conhecidas. O que é novo é o facto de serem de base microeletrônica, através de redes tecnológicas que fornecem novas capacidades a uma velha forma de organização social: as redes (CASTELLS, 2006, p. 17).
O conceito de Sociedade em Rede na doutrina de Manuel Castells (2006, p. 20) aponta para uma “estrutura social baseada em redes operadas por tecnologias de comunicação e informação fundamentadas na microeletrônica e em redes digitais de computadores que geram, processam e distribuem informação a partir de conhecimento acumulado nos nós dessas redes”.
No cenário da sociedade narrada por Castells, a informação é a matéria-prima para toda sua atuação, possuindo efeitos de alta penetrabilidade, com predomínio do uso de lógica em rede, contatos fluídos e flexibilidade em seus processos:
A primeira caraterística do novo paradigma é que a informação é sua matéria-prima:
são tecnologias para agir sobre a informação, não apenas informação para agir sobre a tecnologia, como foi o caso das revoluções tecnológicas anteriores. O segundo aspecto refere-se à penetrabilidade dos efeitos das novas tecnologias. Como a informação é uma parte integral de toda atividade humana, todos os processos de nossa existência individual e coletiva são diretamente moldados (embora, com certeza, não determinados) pelo novo meio tecnológico. A terceira característica refere-se à lógica de redes em qualquer sistema ou conjunto de relações, usando essas novas tecnologias da informação. (...) E essa lógica de redes, contudo, é necessária para estruturar o estruturado, porém preservando a flexibilidade, pois o não-estruturado é a força motriz da inovação na atividade humana (CASTELLS, 1999, p.
108).
Assim, segundo o autor, a materialidade do paradigma da tecnologia da informação é forte e imponente, mas é adaptável e aberto em seu desenvolvimento histórico, sendo suas principais características a complexidade, a abrangência e a distribuição em rede.
Nesta nova sociabilidade mediada pela tecnologia, o modo de produção capitalista sofreu uma série de mutações decorrentes do avanço da techne34. Nesse âmbito, Castells discorre acerca de inteligência artificial e sociedade:
A Inteligência Artificial, portanto, terá seus efeitos analisados para além de seus aspectos tecnológicos, no contexto das “substantivas mudanças tecnológicas concentradas nas tecnologias da informação que remodelaram a base material da sociedade, formatando novas formas de relação entre a economia, o Estado e a sociedade (Castells, 1999, p. 22).
Em contrapartida, no contexto da hipercomplexidade contemporânea, Bauman traz o diagnóstico de uma modernidade líquida, onde o processo de socialização tende a se liquefazer, sendo marcado pela descartabilidade das relações interpessoais:
Ouve-se algumas vezes a opinião de que a sociedade contemporânea (que aparece sob o nome de última sociedade moderna ou pós-moderna, que a sociedade da “segunda modernidade” de Ulrich Beck ou, como prefiro chamá-la, a “sociedade da modernidade fluida”) é inóspita para a crítica (BAUMAN, 2021, p. 34).
Com efeito, Santos (2021, p. 99) colabora para a noção de Sociedade Fluida, que segundo o autor “trata-se de uma fluidez virtual, possível pela presença dos novos sistemas técnicos, sobretudo os sistemas da informação, e de uma fluidez efetiva, realizada quando essa fluidez potencial é utilizada no exercício da ação, pelas empresas e intuições hegemônicas”.
34 No “Protágoras”, estende Platão ainda mais o conceito para abranger a arte política – isto é, um saber dirigido aos fins práticos de governo, baseado nas virtudes cívicas para as quais não só o aprendizado como também o exercício requereria uma techne. A palavra grega techne tem uma extensão maior que a latina ars, pois que pressupõe uma conduta certa numa atividade específica, subordinada a uma série de conhecimentos adquiridos através de educação. Não há necessidade alguma de que esse saber seja teórico – embora possar vir a se apoiar numa teoria – mas é essencial que seja baseado na observação direta dos fatos. (VARGAS, 1992, p. 100).
Pelo exposto sobre a nomenclatura da sociedade presente, este estudo empregará o termo
“Sociedade da Informação” como correlato ao corpo social atual, para fins de meramente didáticos, visto que denominador comum dos entendimentos trazidos nesta dissertação, é que sociedade atual é baseada em trocas de informação em grande volume, velocidade e variedade, por meio da tecnologia.
Considerando os impactos da tecnologia da informação e da comunicação nos valores éticos e morais do ser humano, para Santos (2021, p. 76) a “globalização mata a noção de solidariedade, devolve o homem à condição primitiva do cada um por si, como se voltássemos a ser animais da selva, reduz as noções de moralidade pública e particular a um quase nada”.
Dito isto, pode-se entender que na Sociedade da Informação, vigora a premissa de circulação em massa de informações, independentemente da veracidade e do conteúdo destas.
Assim, considerando as transformações da sociedade no decorrer do final do Século XX e as constantes referências as obras de “Dialética do Esclarecimento35” e “Modernidade Líquida36”, este capítulo prosseguirá seu desenvolvimento em duas seções distintas, a fim de estabelecer diálogos entre a Sociedade da Informação e a “Indústria Cultural”, em Adorno e