a materialização: uma introdução
1.3. Da norma a forma: conceituando a materialização
Como vimos, não existe consenso em relação a defi nição do Urbanismo como disciplina, encon-trando-se assim defi nições e campos de atuação fl uidos, adaptados às necessidades e tecnologias de cada tempo e de cada contexto. Argumenta-se que o Urbanismo, como disciplina de base cientifi ca, nasceu no Sec. XIX, mas se apropriou desde então de estratégias projetuais mais antigas da chamada “arte urbana” (CALABI, 2012: IX) e das formas ar-quetípicas dos séculos anteriores das experiências e realizações - mesmo que parciais - renascentistas e barrocas. O Urbanismo na Europa pode ter sido de-senvolvido no século XIX, mas existiu um urbanis-mo colonial nas américas e territórios conquistados, cuja observação, estudo e descrição se assemelha com a defi nição do urbanismo realizada pelos ‘pro-tomodernistas’ (CALABI, 2012). De certa forma, a organização sistemática das cidades coloniais espa-nholas e portuguesas precede ou antecipa o desen-volvimento da disciplina, como destaca Reis (1968). Na América Latina, o Urbanismo em suas ma-nifestações pós-coloniais, foi muitas vezes o campo através do qual se pretendeu demonstrar sobera-nia, independência e modernidade, sem, entretan-to, induzir ou apoiar-se em transformações sociais (CAMPOS, 2002b; MEDRANO, 2009). A partir da segunda guerra mundial e se intensifi cando com a guerra fria, o campo foi se aproximando cada vez mais de técnicas burocráticas, legais e administra-tivas e se afastando do desenho urbano e do projeto no âmbito da atuação pública (Almandoz, 2009).
Esse foi um caminho inverso ao percorrido pelo Urbanismo Europeu, que apoiou seu programa de reconstrução em grandes projetos de habitacionais, projetos de renovação e reconstrução dos núcleos urbanos destruídos, baseando essas estratégias em desenho e projeto, coordenados pela iniciativa pú-blica, experiências das quais a teoria e prática con-temporâneas se apropriam, de modo a revisitar e reformular a fi gura do Projeto Urbano, tida como elemento metodológico da disciplina do Urbanismo desde sua “criação”(BUSQUETS, 2006; SECCHI, 2006; SOLÀ-MORALES, 2008).
O destaque à continuidade da fi gura do Projeto Urbano no contexto europeu, partindo dos projetos modernos, sua crítica e, posteriormente, chegando à revisão dos conceitos na contemporaneidade – in-troduzindo as noções de fl exibilidade, participação,
character, yet Urban Projects were not the trigger element of Brazilian ci es´ Materializa on, quite the opposite. Ma-terializa on of Brazilian ci es was given in a Spontaneous, Improvised way, on one side by means of an abstract and generic regulatory base and, from the opposite
ve, despite the regulatory framework, in a way constantly denominated “informal” (13).
A decisive factor on Urban Projects is property struc-ture that is the primary material in Urbanism. In the Euro-pean modern experiences, the lot vanishes, decreasing the importance of private property. The post war experiences allowed what Secchi (2006) denominates the expansion of open spaces, decreasing “lot coverage rela ons”(14), which, through the current Urban Projects and specifi c in-struments, can overcome land property structure as a con-straint for Urban Design, in some cases and experiences.
Once these modern urbanism concepts were trans-ported to Brazil, this libera on from land structure never occurred, except in Brasília, which was conceived as a wide Urban project since the beginning. In the Brazilian context, there was a libera on from the constraints of private land structure on Urban Design. Quite the opposite, individual private property is the main element of space produc on in the city, a fact acknowledged even were the main mod-ernist typology – the high-rise building – was disseminat-ed. High Rise Buildings, in this context, are a formal result of regula on applied to the geometry of the plot, accord-ing to real estate tendencies (ANTONUCCI, 2006). In the case of the contemporary typologies, in the form of wide scale ver cal gated communi es, the formal constrains of the plot size vanishes, given its wide scale plots and the various forms of private organiza on of collec ve internal services (REIS, 2006).
When revisi ng European and La n American History, Theory, Prac ces and, mainly, Cri ques on Urbanism, this dis nct experiences should be taken into considera on. Our own interpreta on of concepts and no ons presented by Northern, especially European, urbanists many mes disregard the dis nct and crucial diff erence in property structure and material condi ons in the two contexts.
Some consensus appears when it comes to concepts on Contemporary Urbanism. First the etymologic rup-ture and the descrip ve impulse that dominated the dis-cipline over the past twenty years, in which descrip ons subs tuted ac ons and reality took the lead on theory as argued Vicen ni (2001). Secondly, there is the crisis – or a succession of crisis since the 1970´s – and uncertainty which permeates contemporaneity, causing problems consenso, etc – é importante para entender seus
aportes conceituais, seus objetivos e métodos, bem como trabalhá-los no contexto local. As experiên-cias de Projetos Urbanos modernistas na América Latina foram de caráter excepcional, não tendo sido o Projeto Urbano o elemento defl agrador da mate-rialização das nossas cidades, ao contrário do que se deu no contexto europeu (ALMANDOZ, 2009). A materialização das cidades Latino Americanas pelo contrário, deu-se de forma Espontânea, por um lado mediante quadro regulatório abstrato e genérico, e por outro excluída desse quadro, modo constante-mente denominado como “informal”.
Fator de destaque é a questão da terra, matéria prima básica do Urbanismo. Nessas experiências europeias muitas vezes desaparece a fi gura do lote e se dilui a importância da propriedade privada, como enfatiza Secchi (2006). As experiências do pós-guerra permitiram o que Secchi (2006) chama de expansão do espaço aberto, diminuindo as
“re-lações de cobertura”, que possibilita a liberação da
subdivisão da propriedade como fator condicionan-te do desenho urbano em decondicionan-terminados fragmentos e experiências.
No caso da transposição dos conceitos moder-nistas para o Brasil isso não ocorre pois, à exceção de Brasília que já nasce concebida como um grande projeto urbano, não fomos liberados da subdivisão da propriedade como fator condicionante do dese-nho urbano. Pelo contrário, a propriedade é aqui o principal elemento da produção do espaço da ci-dade, fato visível mesmo onde a principal tipologia modernista – o edifício vertical – disseminou-se, como aponta Reis (2006). Aqui os edifícios verticais são o resultado formal da aplicação dos coefi cien-tes e taxas – a linguagem cifrada do Urbanismo – à área e geometria do lote e as tendências do merca-do imobiliário (ANTONUCCI, 2006). No caso das tipologias contemporâneas, na forma de grandes empreendimentos imobiliários, essa certa determi-nação formal se dilui, dada as amplitudes dos lotes e a multiplicação das formas de organização privada dos serviços coletivos (REIS, 2006).
Ao se levantar a História, a Teoria, a Prática e, principalmente, a Crítica europeia e latino-ameri-canas acerca do urbanismo, essas distintas expe-riências devem ser levadas em conta. Nossa inter-pretação dos conceitos e noções apresentados pelos
106 I - Materialização: mediações conceituais/ Materialization : conceptual mediations in methods, language and scope in the alleged scien fi c fi elds (ASCHER, 2010; BOURDIN, 2010; SANTOS, 2010), a process from which Urbanism could not escape. Consider-ing these issues, the revised theory points to a variety of approaches tackling the future of the discipline as a fi eld ac ng pragma cally towards the materializa on of ci es.
The current thesis departs from a series of premises. First, it acknowledges that Urbanism is a fi eld dis nct from the fi elds of Urban Planning, Urbanis c Law, Urban Sociology and Geography, yet it widely relies on the fi elds commonly known as Urban Studies. Secondly, it acknowl-edges that the construc on and development of Brazilian Ci es were mostly given despite Urbanism and urbanis c concerns and not due to Urbanism as a fi eld of ac on.
Thus, we further explain that the current research is based on the assump on that Urbanism is a pragma c dis-cipline that proposes change, altering a current situa on to a future situa on through a project that is being used as a methodological tool, in an interplay of diff erent stake-holders, between society – represented by the state – and civil society – represen ng contras ng frac ons of classes.
The act of designing, in several scales, levels, and de-tails, is what determines the discipline´s ac ons and con-tribu on to the materializa on of ci es, but also the ele-ments that mediate and intertwine diff erent visions. This defi ni on is essen al when considering its opera ve de-vices and evalua on methods, explored as follows.
In this defi ni on, Design appears as the proposi onal and experimental Method in the fi eld of Urbanism. In The following sec on, we will explore the conceptual basis of Design as a method.
Given the revision on Contemporary urbanism and its methods and understanding the framework of the pro-duc on of ci es in the Brazilian context, and specifi cally in Sao Paulo, we resume the discussion on materializa on, as a no on which explains the concre za on of the built urban space from individual ac ons of several confl ic ng frac ons of classes (GOTTDIENER, 1985) and their inter-preta on of regula ons (ANTONUCCI, 2006), under a giv-en urbanis c order (FERNANDES, 2013).
The urbanis c order, as framed by Fernandes, is the set of regula ons defi ned by power and interest rela ons and social forces correla ons, translated into laws, acts and bills. It ar culates criteria for the material produc on of the urban life to objec ve and subjec ve social prac c-es, such as social rights, produc on prac cc-es, socializa on of wealth and all sorts of cultural, poli cal, environmental, economic premises. It enunciates a form of urbanism to each combina on of law, power and social stra fi ca on that materializes in space, by “concentra ng, superpos-ing – ver calizsuperpos-ing” in one hand, or “deconcentra ng – sprawling”in the other (FERNANDES, 2013: 88) (15). urbanistas europeus muitas vezes desconsidera a
importância da questão fundiária nos dois contex-tos, diferença crucial.
Sobre o Urbanismo contemporâneo, apresen-tam-se alguns consensos. Primeiro a questão da ruptura epistemológica contemporânea e seu decor-rente impulso descritivo, em realidade que toma a dianteira da teoria, como ressalta Vicentini (2001). Segundo têm-se a crise – ou a sucessão de crises desde fi nais da década de 1970 – e incerteza que per-meia a contemporaneidade, acarretando problemas de métodos, linguagem e escopo para as disciplinas ditas científi cas (ASCHER, 2010; BOURDIN, 2010; SANTOS, 2010), processo do qual o Urbanismo não escapa. Mediante essas questões, os teóricos revisa-dos apontam diversas abordagens para o futuro da disciplina como campo de atuação na materializa-ção das cidades.
O presente trabalho parte do pressuposto de que urbanismo é um campo diferente do planejamento urbano, do direito urbanístico, da sociologia e ge-ografi a urbanas, entretanto nesses campos ampla-mente se apoia. Parte também do pressuposto de que a construção e o desenvolvimento das cidades no contexto brasileiro se deram apesar dos precei-tos Urbanísticos e não a partir do Urbanismo como campo de atuação.
Assim, aqui se esclarece que a presente pesquisa parte do pressuposto de que o Urbanismo é discipli-na pragmática, que pressupõe mudança, alteração de uma situação atual indesejada para uma situa-ção futura, através de um projeto como instrumento metodológico. O componente do desenho e do ato projetual, em variadas escalas e diferentes níveis e detalhamento, é o que determina a atuação proposi-tiva da disciplina e sua contribuição para a materia-lização das cidades. Essa defi nição é essencial ao se tratar do seu instrumental, a ser explorado a seguir, bem como seu método de avaliação.
Nessa defi nição o projeto aparece como método de proposição e também investigação para o cam-po do Urbanismo. É sobre as bases conceituais do projeto como método que passamos a nos debruçar.
Feita a revisão sobre Urbanismo contemporâneo e seus métodos entendendo o quadro da produção das cidades no contexto brasileiro, e especifi camen-te em São Paulo, retomamos a discussão da Macamen-te- Mate-rialização, como a noção que explica a concretiza-ção do espaço urbano a partir da somatória de aconcretiza-ção individual das várias frações de classe (GOTTDIE-NER, 1985) e de sua interpretação da regulação (ANTONUCCI, 2006), sob uma determinada ordem urbanística vigente (FERNANDES, 2013: 88).
Following the defi ni on above, the materializa on of ci es can tackle processes of deconcentra on and urban expansion, in cases of strong demographic pressure and specula ve movements, or processes of concentra on with urban redevelopments and urban renewals, triggered by produc ve restructuring and profound changes in ur-ban dynamics, in areas defi ned by Portas (2006) as Internal Peripheries, as the object discussed in the current thesis (Chapters II and III).
Materializa on of such consolidated areas is given by processes of typological subs tu ons, transforma ons that can be determined or induced by certain Urbanis c Instruments, Redevelopment Programs and Urban Proj-ects.
In this research, which theme allies the materializa on of internal peripheries and Contemporary Urbanism – un-derstood as a pragma c discipline – the theore cal and in-strumental support that enables an approach from mate-rializa on is given by the fi elds of Urban Morphology and Landscape, supported by the no ons of Urban Form and Urban Landscape respec vely. These no ons will serve as A ordem urbanística, como defi ne Fernandes,
é um conjunto de regulações defi nidas pelo poder, relações de interesse e correlação de forças sociais, traduzida em leis, atos e regulações. Ela articula cri-térios para a produção material da vida urbana às práticas sociais objetivas e subjetivas, como direitos sociais, práticas de produção, socialização das rique-zas e todo tipo de premissas culturais, políticas, am-bientais e econômicas. A ordem urbanística enuncia uma forma de urbanismo para cada combinação de leis, poder, e estratifi cação social que se materiali-za no espaço, por um lado através de processos de “concentração, sobreposição – verticalização” ou de processos de “desconcentração – dispersão” de outro (FERNANDES, 2013: 88).
De acordo com a defi nição acima, a materializa-ção das cidades pode lidar com processos de des-concentração e expansão urbana, em casos de forte pressão demográfi ca e movimentos especulativos, ou processos de concentração com reestruturação e renovação urbana, desencadeados por
108 I - Materialização: mediações conceituais/ Materialization : conceptual mediations
turações produtivas ou mudanças profundas nas dinâmicas urbanas, em áreas defi nidas por Portas (2003) como periferias internas, como o objeto dis-cutido nessa tese, através dos capítulos seguintes.
A materialização de áreas consolidadas da ci-dade se dá por processos de substituição tipológi-ca, transformações que podem ser determinadas, induzidas ou simplesmente permitidas por instru-mentos urbanísticos, programas de reestruturação e projetos urbanos.
Nessa tese, cujo tema alia a materialização de periferias internas e o urbanismo contemporâneo – entendido como uma disciplina pragmática – os suportes teóricos e instrumental que possibilitam uma abordagem da materialização são dadas pe-los campos da morfologia e da paisagem, apoiados pelas noções de forma urbana e paisagem urbana, respectivamente. Essas noções serão as bases inter-pretativas das ações recíprocas entre as variáveis, que materializa o resultado formal do processo de produção do espaço, como mostra o esquema
(Fi-1.3_Conceptual Matrix - theme and variables. Source: Personally devised by the author, 2013
a base for interpre ng the reciprocal ac ons between the variables that materialize the formal result of the space produc on, as shown in the scheme (fi gure 1.4).
In these interplay of variables that directly aff ect the materializa on of Internal Peripheries, we have building types (fi gure), Infrastructure and Open Spaces (ground) that are physical elements, or Urban Materials, present in Urban Spaces.
These Urban Materials are manipulated by diff erent stakeholders, directly – through the construc on of urban materials – or indirectly – by means of the establishment of urbanis c instruments, altering func ons and physi-cal characteris cs of building types, the rules for its uses, which also aff ects form. These variables depend on of social, cultural, poli cal, economic and demographic con-texts, referencing to a specifi c material condi on, place, city or country (fi gure 1.3).
gura 1.4).
Nesse conjunto de ações recíprocas entre variá-veis que afetam a materialização das periferias in-ternas, temos as Tipologias (Figura), a Infraestrutu-ra e os Espaços Abertos (Fundo), que são elementos físicos, ou materiais urbanos, presentes no espaço urbano.
Os materiais urbanos, por sua vez, são manipu-lados por diferentes atores, de forma direta – atra-vés da própria construção dos materiais em questão – ou indireta, através de instrumentos urbanísticos, alterando as funções, as características físicas dos tipos e as próprias regras de sua utilização, fatores que também afetam a forma.
Essas variáveis por sua vez são dependentes dos contextos sociais, culturais, econômicos, políticos e demográfi cos – referentes a certa condição mate-rial, cidade ou país (fi gura 1.3).
Assim, entende-se que para além das variáveis físicas – componentes da forma ou materiais urba-nos – infl uenciam a materialização das cidades vari-áveis instrumentais (legislação, normas), varivari-áveis sujeito (atores operando direta ou indiretamente) e variáveis contextuais, mais estritamente depen-dentes do território (contexto) e da temporalidade (período) com a qual se trabalha.
A análise da materialização das cidades, ao fo-car-se nas variáveis físicas, lida indiretamente com as outras variáveis em cada período (temporalida-de) e território (contexto), por se tratar de variáveis dependentes. Para possibilitar sua análise é ne-cessário trabalhar com recorte histórico-temporal preciso, isolando as variáveis interdependentes no tempo.
A partir da construção da matriz das variáveis descrita acima (fi gura 1.3), constatou-se que ao se utilizar a fi gura do Projeto Urbano, muitas dessas variáveis são manipuladas (SOMEKH, 2008). Des-sa forma partiu-se para o desenvolvimento de novos esquemas, relacionando as fi guras do Projeto-For-ma e Processo – Paisagem para a noção de Projeto-For- materia-lização (Figura 1.5)
O esquema inicialmente relaciona formas a pro-jetos e paisagem a processos, entendendo o projeto urbano como uma defi nição do processo urbano.
Quando a forma é relacionada à adjetivos como concisa, fi xa e infl exível, é colocada em oposição à noção de paisagem, fl uida, em constante mudança, transformativa. Projetos manipulam formas e pro-cessos geram paisagens, cada um atuando de modos diferentes, de acordo com lógicas específi cas e ações
variables – components of form or urban materials -other variables also infl uence the materializa on of urban areas, such as instrumental variables (norms and regula ons), subject variables (stakeholders opera ng directly or indi-rectly) and contextual variables, dependent of the terri-tory and temporality.
The analysis of materializa on processes, while focus-ing on the physical variable, deals indirectly with other variables in each given period (temporality) and Territory (context), since they are interdependent. To enable its analysis one has to work with a precise historic me frame, isola ng the interdependent variable in me.
When building such conceptual matrix one realizes that in an Urban Project many of these variables are ma-nipulated (SOMEKH, 2008) and predetermined. Thus, this research proposes the development of new conceptual schemes, rela ng conceptual fi gures such as Project-Form and Process Landscape to the no on of Materializa on (fi gure 1.5).
The scheme ini ally relates forms to projects and land-scape to processes, understanding the Urban Project as a Defi ni on of Urban Processes.
When Form is related to adjec ves such as concise,