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DA OUTORGA ONEROSA DO DIREITO DE CONSTRUIR

Seção VIII Das Especificidades

DA OUTORGA ONEROSA DO DIREITO DE CONSTRUIR

Art. 524. A outorga onerosa do direito de construir é a concessão emitida pelo Município para o proprietário de um imóvel edificar acima dos índices urbanísticos básicos estabelecidos nesta lei, mediante contrapartida financeira, propiciando maior adensamento em áreas dotadas de infraestrutura e captando recursos financeiros que serão aplicados no ordenamento e direcionamento da ocupação urbana, nas seguintes finalidades:

I - execução de programas e projetos habitacionais de interesse social e regularização fundiária;

II - promoção, proteção e preservação do patrimônio ambiental natural e cultural; III - criação de espaços de uso público de lazer e áreas verdes;

IV - implantação de equipamentos públicos urbanos e comunitários; V - estruturação de sistema viário e de transporte público coletivo.

Art. 525. Com o objetivo de monitorar e buscar o equilíbrio na aplicação deste instrumento será instituído um Grupo Gestor, coordenado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba - IPPUC, com a participação de Secretarias e demais órgãos afins, regulamentado em legislação específica.

Art. 526. Para obter a permissão de edificar nos termos desta lei, o interessado deve comprovar a transferência de recursos em dinheiro, no montante calculado, ao Fundo Municipal de Outorga Onerosa do Direito de Construir, a ser regulamentado em legislação específica.

Art. 527. O recurso arrecadado deverá ser distribuído na proporção mínima de:

I - 40% (quarenta por cento) ao Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social - FMHIS;

II - 5% (cinco por cento) ao Fundo Municipal do Meio Ambiente - FMMA;

III - 5% (cinco por cento) ao Fundo Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural – FUNPAC;

IV - 10% (dez por cento) ao Município, para implantação de equipamentos públicos urbanos e comunitários, estruturação de sistema viário e de transporte público coletivo;

V - 40% (quarenta por cento) a ser destinado, a critério do Chefe do Poder Executivo Municipal, dentre as destinações previstas nos incisos I a IV.

Parágrafo único. O Chefe do Poder Executivo Municipal definirá anualmente, por proposta do Grupo Gestor, a distribuição do percentual fixado no inciso V.

Art. 528. Os Quadros I a LXVIII do Anexo I estabelecerão os acréscimos aos índices urbanísticos básicos e as zonas e setores passíveis de aplicação da outorga onerosa do direito de construir para os seguintes parâmetros urbanísticos:

I - coeficiente de aproveitamento máximo; II - altura máxima;

III - densidade máxima.

Parágrafo único. Além do disposto nos Quadros I a LXVIII do Anexo I, os lotes em que se opera a outorga onerosa do direito de construir devem atender aos demais parâmetros da legislação de Zoneamento, Uso e Ocupação do Solo.

Art. 529. A outorga onerosa do direito de construir proporcionará o acréscimo aos parâmetros urbanísticos básicos para os usos habitacionais previstos nesta lei.

Art. 530. Não será concedida a isenção de cobrança da outorga onerosa do direito de construir para novas edificações, exceto habitações de interesse social.

Art. 531. Formalizado o pagamento, a permissão para construir nos termos desta lei será incorporada ao lote.

Parágrafo único. No caso de o requerente não usufruir da permissão concedida, não haverá devolução da importância paga.

Art. 532. Os cálculos para a cobrança da outorga onerosa do direito de construir nas aplicações relacionadas no artigo 527, incisos I a V, devem considerar o valor de mercado do metro quadrado do lote onde se opera a outorga.

Parágrafo único. O valor de mercado do metro quadrado do lote em que se opera a outorga onerosa do direito de construir será avaliado pela Secretaria Municipal de Finanças, obedecendo às Normas Brasileiras editadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, que regem os procedimentos na área de Engenharia de Avaliações.

Art. 533. No cálculo da cobrança para o aumento de coeficiente de aproveitamento em edificações destinadas ao uso habitacional, adota-se a seguinte fórmula:

onde:

Vp: valor a pagar

Ca: coeficiente de aproveitamento básico da zona ou setor em que se opera a outorga

Vm : valor de mercado do metro quadrado do lote em que se opera a outorga R: redutor equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor de mercado da

fração ideal de solo acrescida

Parágrafo único. Entende-se por fração ideal de solo a relação entre a área acrescida (A) e o coeficiente de aproveitamento básico (Ca) da zona ou setor onde se opera a outorga onerosa do direito de construir.

Art. 534. No cálculo da cobrança para o aumento de pavimentos em edificações destinadas ao uso habitacional, sem acréscimo de coeficiente de aproveitamento, adota-se a seguinte fórmula:

onde:

Vp: valor a pagar

A: área construída nos pavimentos acrescidos à altura básica permitida por esta lei

Ca: coeficiente de aproveitamento básico da zona ou setor em que se opera a outorga

Vm: valor de mercado do metro quadrado do lote em que se opera a outorga R: redutor equivalente a 15% (quinze por cento) do valor de mercado da fração

ideal de solo acrescida

Parágrafo único. Entende-se por fração ideal de solo a relação entre a área acrescida (A) e o coeficiente de aproveitamento básico (Ca) da zona ou setor onde se opera a outorga onerosa do direito de construir.

Art. 535. Quando incidirem ambas as condições previstas nos artigos 533 e 534, coeficiente ou altura máxima, deverá prevalecera que resultar maior valor em prol do Município.

Art. 536. No cálculo da cobrança para o aumento exclusivo de densidade em edificações destinadas ao uso habitacional, adota-se a seguinte fórmula:

. Ud

onde:

Vp: valor a pagar L: área do lote

Ca: coeficiente de aproveitamento básico da zona ou setor em que se opera a outorga

Vm: valor de mercado do metro quadrado do lote em que se opera a outorga Ud: número de unidades habitacionais acrescidas

R: redutor equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor de mercado da fração ideal de solo acrescida

Parágrafo único. Entende-se por fração ideal de solo a relação entre a área do lote (L) e o coeficiente de aproveitamento básico (Ca) da zona ou setor onde se opera a outorga onerosa do direito de construir.

§ 1º Para as zonas ou setores onde está estabelecida uma densidade máxima, aplica-se a fórmula prevista no caput para as unidades habitacionais que ultrapassem essa densidade.

§ 2º Para as zonas ou setores onde está estabelecida uma densidade mínima a ser atingida, aplica-se a fórmula prevista no caput para as unidades habitacionais não edificadas. § 3º A aquisição de coeficiente de aproveitamento dará direito ao aumento de densidade na proporção de 10 (dez) unidades habitacionais para cada 0,1 (zero vírgula um) de coeficiente acrescido, atendido o máximo definido para a zona ou setor.

§ 4º A aquisição de pavimento não dará direito a acrescimento de densidade.

§ 5º O acréscimo de 50 (cinquenta) unidades habitacionais por meio de outorga onerosa do direito de construir possibilitará o acréscimo de 1 (um) pavimento, atendida a altura máxima definida para a zona ou setor.

Art. 537. A construção de ático se dará mediante aquisição de potencial construtivo referente a 100% (cem por cento) de sua área construída, aplicando-se a fórmula de cálculo prevista no artigo 533.

Art. 538. A construção de área de estacionamento privativo habitacional acima do mínimo exigido pela legislação específica se dará mediante aquisição de potencial construtivo, aplicando-se a área excedente na fórmula de cálculo prevista no artigo 533.

CAPÍTULO III