A sentença judicial acompanhada da memória de cálculo e dos documentos que a embasa pode ser protestada, haja vista que não há vedação legal, ao contrário, o crédito é líquido, certo e exigível. Nesse passo, cumpre frisar, tratando-se de sentença ilíquida aplicam-se o art. 475 da alínea A até H do Código de Processo Civil, vez que tais tratam da liquidação de sentença.135
Quando a sentença judicial não determinar o valor devido, procede-se a sua liquidação que poderá ser realizada por cálculo aritmético, liquidação por arbitramento e/ou liquidação por artigos. Desse modo, torna-se uma sentença ilíquida em sentença líquida, a mesma estará pronta para apontamento e protesto.136
Considera-se, assim, que a sentença judicial não cumprida pelo devedor dá ensejo ao protesto, não sendo necessária sua execução para tanto. Nesse caso, entendem os doutrinadores abaixo citados que o protesto de sentença não mais
134
RORAIMA. Tribunal de Justiça de Roraima. Apelação cível 100.005.2005.009277-0. Apelante: Joana D‟Arc da Silva. Apelado: Skima – Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda. Rel. Volnei Roosevelt Queiroz Costa. Data da decisão: 20/06/2007. Disponível em:
<http://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/6404060/apelacao-civel-ac-10000520050092770-ro- 1000052005009277-0-tjro>. Acesso em: 29 maio 2011.
135
BRASIL.Lei nº. 11.232, de 22 de dezembro de 2005. Altera a Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, para estabelecer a fase de cumprimento das sentenças no processo de conhecimento e revogar dispositivos relativos à execução fundada em título judicial, e dá outras providências.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/_Ato2004- 2006/2005/Lei/L11232.htm>. Acesso em: 06 jun. 2011.
136
atua subsidiariamente ao processo de execução, em verdade, reforça a idéia de autonomia tanto do processo de execução quanto do protesto de sentença judicial.
Mesmo antes às últimas modificações do processo de execução Martins já lecionava o que segue: “percebe-se, pois, que a autonomia do processo de execução não é absoluta, sendo incorreta a imposição de se instaurar um processo de execução de sentença, por se mostrar realmente desnecessário [...]”.137
Silva considera que a Lei Federal nº. 9.492/97138, que define a competência, regulamenta os serviços concernentes ao protesto de títulos e outros documentos de dívida, no seu art. 1º, autoriza o protesto de qualquer documento representativo de débito.139
Com efeito, a respeito desse assunto, considera-se que o art. 1º da Lei nº. 9.492/97 é bastante esclarecedor, in verbis: “protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida”.140
Como visto, deixou o legislador de especificar quais os documentos que podem ser protestados. No entanto, a par dos títulos, a lei abriu a possibilidade de serem também protestados “outros documentos de dívida”.141
Não se vê, então, motivo para se vedar o protesto de sentenças judiciais, uma vez que não se pode restringir o alcance do mencionado dispositivo legal.142
Nesse norte, não sobeja lembrar, ao interpretar uma norma jurídica, não pode o intérprete restringir o alcance dessa norma, se expressamente o legislador alargou o seu alcance.
Na lição do Desembargador Décio Antônio Erpen do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, não se pode restringir o alcance do art. 1º da Lei nº. 9.492/97143, segundo o qual o protesto é ato formal destinado a comprovar o
137
MARTINS, Sandro Gilberto. A defesa do executado por meio de ações autônomas. São Paulo: RT, 2002, p. 42.
138
BRASIL, loc. cit.
139
SILVA, Franciny Beatriz Abreu de Figueiredo e. Coletânea de legislação notarial e registral. Florianópolis: Conceito Editorial, 2009.
140
BRASIL, loc. cit.
141
BRASIL, loc. cit.
142
PARIZATTO, João Roberto. Execução de títulos extrajudiciais. Ouro Fino: Juruá, 1999, p. 115.
143
descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida.144
Na mesma senda, analisando a possibilidade de protesto de título judicial, Almeida argumenta:
Ao protesto especial estão sujeitas, inclusive, a sentença trabalhista (desde que líquida e transitada em julgado) ou ainda as contas judicialmente tornadas líquidas, títulos esses que também podem fundamentar pedido de falência. [...]
[...] Vale dizer - julgada procedente a ação, sendo líquida a sentença transitada em julgado – o exeqüente desiste expressamente da execução, extrai certidão de sentença e, após o seu protesto, requer a falência do devedor, em processo autônomo. Ou, iniciada a execução, não havendo o pagamento do débito nem oferecimento de bens a penhora, munido o credor das respectivas certidões e, após desistência do prosseguimento da
execução, ingressa com ação própria, não sem antes protestar [...].145
Já Coelho, por seu turno, considera que pela inteligência do art. 23,
caput, da Lei nº. 9.492/97146, todos os protestos devem ser lavrados num único
livro, inclusive os destinados a fins especiais. Comenta esse autor, ainda, que o parágrafo único desse dispositivo estabelece que apenas os títulos e documentos de dívida de responsabilidade de pessoas sujeitas à falência podem ser protestados.147
Há que se ter noção que os protestos lavrados em conformidade com o art. 23, caput, da Lei nº. 9.492/97148 são aqueles que possuem finalidade específica, entendendo-se, desse modo, como protesto para fim falimentar.
Em termos procedimentais, a especialidade do protesto para fim falimentar reside no exame que o cartório deve fazer da sujeição, em tese, do devedor à falência. Não se trata de exame fácil, até mesmo porque ao cartório de protesto são apresentados apenas dados genéricos de identificação do devedor.149
144
RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Apelação cível 598165728. Apelante: Letícia Imóveis e Transportes Ltda. Apelados: Ana Maria Varaschin Gehm, José Pedro Santiago, Evilasio Maciel da Paz, Pedro Borges da Silva, Antônio Carlos Rosa da Silva. Rel. Décio Antônio Herpen. Julgado em 25/11/1998. Disponível em:
<http://www1.tjrs.jus.br/busca/?q=598165728&tb=jurisnova&pesq=ementario&partialfields=%28Tipo Decisao%3Aac%25C3%25B3rd%25C3%25A3o%7CTipoDecisao%3Amonocr%25C3%25A1tica%29 &requiredfields=&as_q=>. Acesso em: 29 maio 2011.
145
ALMEIDA, Amador Paes de. Curso de falência e concordata. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2001, p. 27-31.
146
BRASIL, loc. cit.
147
COELHO, Fábio Ulhoa. Comentários à nova lei de falências e de recuperação judicial. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 261-262.
148
BRASIL, loc. cit.
149
A específica finalidade falimentar, em regra, é de difícil demonstração, especialmente porque, em campo de matéria civil, é objeto de interpretação variada e divergente. Igual dificuldade encontra a desconsideração da personalidade jurídica, elencada no art. 50 do Código Civil, vez que é complexa a comprovação quanto ao abuso dessa personalidade, em tese, caracterizado pelo desvio de
finalidade ou pela confusão patrimonial.150
Em vista dessa dificuldade e também levando em conta a distinção prevista na Lei nº. 9.492/97,151 entre protesto em geral e protesto para fim falimentar, qualquer protesto deve ser admitido na instrução do pedido de falência fundado na impontualidade injustificada.
Porquanto, a impontualidade injustificada do devedor para a satisfação do crédito é objeto de apontamento e protesto. Destarte, houve um alargamento da impontualidade injustificada, eis que essa passou a abranger também os inadimplementos de quaisquer créditos decorrentes de sentenças judiciais.
Algumas das Câmaras do Tribunal do Rio Grande do Sul, já assentou entendimento sobre o cabimento do protesto de sentença judicial, ipsis literis:
PROTESTO DE TÍTULO. A SENTENÇA JUDICIAL ADVINDA DA JUSTIÇA DO TRABALHO, AINDA QUE EM EXECUÇÃO, PODE SER ALVO DE PROTESTO. O ATO NOTARIAL DE PROTESTO NÃO SE RESTRINGE AOS TÍTULOS CAMBIAIS, ALUDINDO A LEI A „OUTROS DOCUMENTOS‟. OS EFEITOS DO ATO DE PROTESTO SÃO, ENTRE OUTROS, O DE PUBLICIDADE, O QUE A EXECUÇÃO JUDICIAL NÃO GERA, CUIDANDO- SE DE EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO DO CREDOR. VOTO
VENCIDO. DESPROVIMENTO DO RECURSO, POR MAIORIA.152
Conforme se depreende da decisão retrocolacionada, na qual o Desembargador Décio Antônio Erpen lecionou que o protesto judicial é um exercício regular de direito do credor. Lecionou, ainda, que um dos efeitos que o ato do protesto gera é a publicidade, o que a execução judicial, na prática não gera.
150
REQUIÃO, 1998, v. 1, p. 100.
151
BRASIL. Lei nº. 9.492, de 10 de setembro de 1997. Define competência, regulamenta os serviços concernentes ao protesto de títulos e outros documentos de dívida e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9492.htm>. Acesso em: 04 jun. 2011.
152
RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Apelação cível 598165728. Apelante: Letícia Imóveis e Transportes Ltda. Apelados: Ana Maria Varaschin Gehm, José Pedro Santiago, Evilasio Maciel da Paz, Pedro Borges da Silva, Antônio Carlos Rosa da Silva. Rel. Décio Antônio Herpen. Data da decisão: 25/11/1998. Disponível em:
<http://www1.tjrs.jus.br/busca/?q=598165728&tb=jurisnova&pesq=ementario&partialfields=%28Tipo Decisao%3Aac%25C3%25B3rd%25C3%25A3o%7CTipoDecisao%3Amonocr%25C3%25A1tica%29 &requiredfields=&as_q=>. Acesso em: 29 maio 2011.
Também contribui para o estudo a decisão de lavra do Desembargador Mário José Gomes Pereira do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, cujos termos são os seguintes:
ORDINÁRIA. SUSTAÇÃO DE PROTESTO. PRELIMINARES. CESSÃO DE CRÉDITO. CEF. LEGITIMIDADE. PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROTESTO DE SENTENÇA JUDICIAL. A CESSÃO DE CRÉDITOS À CAIXA ECONÔMICA FEDERAL NÃO ALTERA A RELAÇÃO PROCESSUAL ENTRE AS PARTES LITIGANTES, PORQUE NÃO PROVADA A CONCORDÂNCIA DO DEVEDOR COM A SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL. ART. 42, § 1º, DO CPC. LEGITIMIDADE DO BANCO MERIDIONAL PARA FIGURAR COMO PARTE NA AÇÃO. DEPENDENDO A FIXAÇÃO DO DÉBITO DE MERO CÁLCULO ARTIMÉTICO, NÃO SE MOSTRA
NECESSÁRIA A PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO
CONFIGURADO. PRELIMINARES AFASTADAS. POSSÍVEL O PROTESTO DE SENTENÇA JUDICIAL, POIS A HIPÓTESE ESTÁ PREVISTA NA LEGISLAÇÃO ATINENTE (LEI 9492/97). REPELIRAM AS PRELIMINARES
E NEGARAM PROVIMENTO.153
Pela decisão acima, tem-se que o julgador atenta para o fato de a legislação pátria traz hipóteses que prevêem o protesto de sentença judicial. Conquanto, diante do caso concreto, justifica o seu posicionamento asseverando que não há que se falar em cerceamento de defesa pelo réu com a alegação de que não houve contraditório. Este já estava consolidado no processo de conhecimento e, desse modo, não há necessidade de contraditório no protesto, especialmente porque a dívida já foi reconhecida em sentença judicial.
Para corroborar o entendimento que vem se afirmando, outro julgado que se traz à colação, vem do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, qual seja:
AÇÃO CAUTELAR DE SUSTAÇÃO DE PROTESTO. AÇÃO ANULATÓRIA.
TÍTULO JUDICIAL. MOSTRA-SE POSSÍVEL O PROTESTO DE
SENTENÇA, TÍTULO JUDICIAL, EIS QUE A HIPÓTESE ESTÁ PREVISTA NA LEGISLAÇÃO ATINENTE. É IMPROCEDENTE AÇÃO QUE VISA A ANULAÇÃO DA SENTENÇA JUDICIAL TRÂNSITA EM JULGADO.
SENTENÇA MANTIDA. APELO IMPROVIDO.154
153
RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Apelação cível 70011623337. Apelante: Banco Meridional S.A. Apelado: Ziane da Costa. Rel. Des. Mário José Gomes Pereira. Data da decisão: 13/09/2005. Disponível
em:<http://www1.tjrs.jus.br/site_php/consulta/verificador.php>. Acesso em: 29 maio 2011.
154
Id. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Apelação cível 70001135185. Apelante: Banco Meridional S.A. Apelado: Eduardo da Cunha Szechir. Rel. Des. Ana Beatriz Iser. Data da decisão: 09 maio 2001. Disponível em:
http://www1.tjrs.jus.br/busca/?q=70001135185&tb=jurisnova&pesq=ementario&partialfields=%28Tip oDecisao%3Aac%25C3%25B3rd%25C3%25A3o%7CTipoDecisao%3Amonocr%25C3%25A1tica%2 9&requiredfields=&as_q=>. Acesso em: 29 maio 2011.
Diante do exposto na decisão acima, percebe-se que a magistrada entende serem improcedentes as ações com anulação de sentença judicial via sustação de protesto em medida liminar. Nesse caso, o convencimento reside na impossibilidade da anulação, notadamente porque a sentença judicial é título executivo e deve assim ser tratado como, logo cabe protesto.
No âmbito do Superior Tribunal de Justiça, extraem-se os seguintes precedentes, que, permitem o apontamento de protesto de título judicial, in verbis:
FALÊNCIA. PROTESTO ESPECIAL. SENTENÇA. PARCELA
CORRESPONDENTE AOS HONORÁRIOS DE ADVOGADO.
OFERECIMENTO DE CERTIDÃO, ACOMPANHADA DA PLANILHA DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE. LEGITIMIDADE PARA O APONTAMENTO. - É SUFICIENTE PARA O APONTAMENTO DO PROTESTO A CERTIDÃO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA, ASSIM COMO DO MONTANTE DO CRÉDITO, ACOMPANHADO DA CORRESPONDENTE MEMÓRIA DE CÁLCULO. - ACÓRDÃO QUE ASSENTA, QUANTO À LEGITIMIDADE PARA O APONTAMENTO, EM DOIS FUNDAMENTOS SUFICIENTES, PERMANECENDO UM DELES INATACADO PELA RECORRENTE. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO CONTIDO NA SÚMULA Nº 83-STF.
RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.155
O magistrado entende que no caso de falência haverá protesto especial, uma modalidade de protesto. No caso de falência, os créditos resultantes de sentença condenatória tanto da parte do credor quanto dos honorários advocatícios poderão ser protestados em conjunto.
Por último, acrescenta-se ao rol de julgados trazidos à colação decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça, na qual o Pretório Excelso assume o seguinte posicionamento:
DISCUTE-SE A NECESSIDADE OU NÃO DE PROTESTO DE TÍTULO JUDICIAL PARA POSTULAR PEDIDO DE FALÊNCIA. O TÍTULO JUDICIAL ORIGINOU-SE DE UM ACORDO CELEBRADO EM UMA MEDIDA CAUTELAR DE SUSTAÇÃO DE PROTESTO DE OUTRO TÍTULO. DE
POSSE DO TÍTULO JUDICIAL INADIMPLIDO, PRETENDEU O
RECORRENTE CREDOR O SEU PROTESTO PARA EMBASAR PEDIDO DE QUEBRA DA DEVEDORA RECORRIDA, QUE A LEVOU AO AJUIZAMENTO DE UMA AÇÃO ORDINÁRIA DE CANCELAMENTO DE PROTESTO, COM O DEFERIMENTO DA TUTELA ANTECIPADA, DO QUAL DECORRE O AGRAVO E O PRESENTE RECURSO. PRETENDIA O RECORRENTE PROTESTAR O TÍTULO JUDICIAL APENAS PARA FIRMAR O DESCUMPRIMENTO DO ACORDO, JÁ QUE INEXISTIA EXECUÇÃO ANTERIOR, SITUAÇÃO EM QUE ATÉ SE DISPENSARIA O PROTESTO, E FORTE NA LETRA DO ART. 10 DA LF, QUE NÃO EXCEPCIONA DO PROTESTO TÍTULO ALGUM E ABARCA TAMBÉM
155
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso especial 153.026 - RS (1997/0076318-8).
Recorrente: Incomex S/A Calçados. Recorrido: Jorge Raul Ruschel. Rel. Ministro Barros Monteiro. Data da decisão: 26/11/2002. Disponível em:
<https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=593589&sReg=19 9700763188&sData=20030310&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 29 maio 2011.
OS JUDICIAIS. NO STF, PREVALECEU, POR MAIORIA, O
ENTENDIMENTO QUE ADMITE O PROTESTO DE SENTENÇA TRABALHISTA PARA A INSTRUÇÃO DO PEDIDO DE QUEBRA (RE 81.202-RS, 1ª TURMA). A TURMA CONHECEU EM PARTE DO RECURSO E DEU-LHE PROVIMENTO PARA AUTORIZAR O PROTESTO DO
TÍTULO.156
No recurso especial acima, julgado pelo Ministro Aldir Passarinho Júnior, discute-se a necessidade ou não quanto ao protesto de título judicial para postular o pedido de falência. Entende o ministro que é admissível o protesto de sentença trabalhista para instrução do pedido de falência empresarial.
Em resumo, permitindo o legislador que outros documentos comprobatórios de obrigações e débitos em aberto sejam protestados, busca-se através do ato jurídico do protesto o aperfeiçoamento do princípio pacta sunt
servanda.157
Cabe consignar, caso não se observe o que preceitua a Lei do Protesto158 ou, noutros termos, o apontamento de protesto de título judicial se estará negando vigência à lei federal e abrindo precedente para interposição de recurso especial perante o Superior Tribunal de Justiça, nos moldes do art. 102, III, „a‟, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.159