UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA MARCOS RENATO CESAR DO NASCIMENTO
ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DO PROCESSO DE EXECUÇÃO FRENTE
AO PROTESTO CARTORIAL DE TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL
Tubarão, 2011
MARCOS RENATO CESAR DO NASCIMENTO
ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DO PROCESSO DE EXECUÇÃO FRENTE
AO PROTESTO CARTORIAL DE TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL
Monografia apresentada à disciplina de Metodologia da Pesquisa Jurídica, do Curso de Direito, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito.
Linha de pesquisa: Justiça e sociedade
Orientador Professor Erivelton Alexandre de Mendonça Fileti, Esp.
Tubarão, 2011
MARCOS RENATO CESAR DO NASCIMENTO
ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DO PROCESSO DE EXECUÇÃO FRENTE AO PROTESTO CARTORIAL DE SENTENÇA JUDICIAL
FOLHA DE APROVAÇÃO
Esta monografia foi julgada adequada à obtenção do título de Bacharel em Direito e aprovada em sua forma final pelo Curso de Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina.
Tubarão, 22 de junho de 2011.
______________________________________________________ Prof. e orientador Erivelton Alexandre de Mendonça Fileti, Esp.
Universidade do Sul de Santa Catarina
______________________________________________________ Professor Aldo Abrahão Massih Junior, Esp.
Universidade do Sul de Santa Catarina
______________________________________________________ Conceição Aparecida dos Santos Fogaça, Esp.
Dedico este trabalho a minha esposa, Carla Regina da Silva Moraes e aos meus pais Francisco Augusto Cesar do Nascimento e Ester Sevegnani Cesar do Nascimento.
AGRADECIMENTOS
Ao Deus Eterno, por ter-me guiado nos momentos mais difíceis em minha caminhada.
A minha esposa, Carla Regina da Silva Moraes, por ter-me acreditado e apoiado na decisão de mudança e seu amor.
A minha mãe, Ester Sevegnani Cesar do Nascimento, por seu amor incondicional.
Ao meu pai, Francisco Augusto Cesar do Nascimento, meu exemplo de vida e por ser o homem que é.
A minha irmã Elke Renate Cesar do Nascimento, que dentro de nossas diferenças prevalece o fato de sermos o mesmo sangue.
Ao meu orientador, Professor Erivelton Alexandre Mendonça Fileti, que assumiu a responsabilidade de orientar-me e por prestigiar-me com a sua participação neste trabalho.
Aos meus amigos, formandos da turma de 2006B, que dentro das dificuldades e diferenças nos mantemos unidos ao longo desses cinco anos.
Ao meu amigo Roberto Tancredo, que conheci somente no último ano de faculdade e me ensinou muito a respeito da vida, além de seu conhecimento intelectual que muito me auxiliou.
“Há homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há aqueles que lutam muitos anos e são muito bons. Porém, há os que lutam toda a vida, esses são osimprescindíveis”. (Bertold Brecht)
RESUMO
O protesto cartorial de título executivo judicial é alternativa viável para forçar cobrança de dívida judicial, pois, mesmo em face da sentença declaratória há o mister da demanda executória, cuja condição à propositura é a posse do título referente. Contudo, o título executivo não pode limitar a capacidade comercial do devedor e, ainda, há a morosidade na efetivação da prestação jurisdicional quer por óbices levantados pelo devedor, quer pela dificuldade de o Poder Judiciário dizer o direito a tempo de se fazer justiça. O protesto cartorial é capaz de dar celeridade à cobrança, pois faz negativar o inadimplente perante os principais órgãos de registro de dívidas ativas, como o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e a SERASA, cujo resultado é a obstaculização de transações que dependam de consultas a esses órgãos. O estudo investiga as vantagens e desvantagens do protesto cartorial de título executivo judicial relativamente à execução judicial segundo a Lei nº. 9.492/1997. Tem como objetivo contrastar a efetividade do processo de execução judicial com o protesto cartorial de títulos executivos judiciais e apontar vantagens e desvantagens de ambas as sistemáticas. De caráter revisional, o estudo adota o método de abordagem dedutivo amparado por técnicas de pesquisa bibliográfica. Traz como resultados a percepção de que nas potencialidades dos modelos examinados, o processo de execução apresenta algumas formas de satisfação do crédito inadimplido, enquanto o protesto cartorial apresenta a publicidade como forma de coação. Esses modelos devem ser aplicados subsidiariamente em detrimento da forma autônoma. As conclusões alcançadas seguem no sentido de que esses modelos apresentam pontos vulneráveis e potencialidades. Os pontos vulneráveis do processo de execução são compostos de possibilidades que o devedor possui de se insurgir contra a execução e a morosidade do procedimento na prestação jurisdicional. No que tange ao procedimento cartorial o credor não possui possibilidade de adotar um procedimento específico, visto que o protesto não tem o condão de constrição de bens suficientes para satisfação do crédito.
Palavras-chave: Execução judicial. Protesto cartorial. Título executivo. Celeridade processual. Entrega jurisdicional.
ABSTRACT
The notary protest of a judicial enforcement is a viable alternative to force judicial debt collection, since even in the face of a declaratory ruling is the craft of demand enforceable, whose condition is the possession of bringing the title on. However, enforcement can not limit the trading capacity of the debtor, and also there is the delay in the execution of the jurisdiction or by obstacles raised by the debtor, either by the difficulty of the Judiciary to tell the right time to do justice. The protest notary is able to expedite the recovery, resulting in negative because it makes the defaulter before the main organs of record in outstanding debt, such as Credit Protection Service (CPS) and the credit bureau, whose result is the impediments in transactions that rely on consultations those bodies. The study investigates the advantages and disadvantages of the notarial protest enforcement of court for judicial enforcement according to Law no. 9.492/1997. Aims to contrast the effectiveness of the process of judicial execution of the notarial protest and enforceable legal point advantages and disadvantages of both systematic. Revisional in nature, the study adopts the method of deductive approach supported by technical literature. Brings about the perception that results in the potential of the models examined, the process of implementation has some form of satisfaction of defaulted credit, while the notary protest presents advertising as a form of coercion. These alternative models should be applied instead of autonomously. The following conclusions reached in the sense that these models present and potential vulnerabilities. The vulnerable points of the implementation process are composed of possibilities that the debtor has to revolt against the execution and lengthy procedure in the adjudication. Regarding the procedure cartorial the creditor has no possibility of adopting a specific procedure, since the protest has the power to constriction of sufficient assets to satisfy the claim.
Keywords: judicial execution. Notarial protest. Enforceable. Speedy trial. Delivery
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 11
1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA ... 11
1.2 JUSTIFICATIVA ... 13 1.3 Objetivos ... 13 1.3.1 Objetivo geral ... 13 1.3.2 Objetivos específicos ... 14 1.4 CONCEITOS OPERACIONAIS ... 13 1.5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 14
1.6 DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO: ESTRUTURAÇÃO DOS CAPÍTULOS 14 2 EXECUÇÃO DE TÍTULO EXECUTIVO... 16
2.1 NOTAS INTRODUTÓRIAS AO TEMA ... 17
2.2 PRINCIOLOGIA DO PROCESSO EXECUTIVO ... 22
2.2.1 Princípio da autonomia ... 23
2.2.2 Princípio da responsabilidade patrimonial ... 24
2.2.3 Princípio do menor sacrifício do executado ... 25
2.2.4 Princípio do exato adimplemento ... 27
2.3 REQUISITOS DA AÇÃO DE EXECUÇÃO ... 27
2.3.1 Inadimplento ... 29
2.4 TÍTULOS EXECUTIVOS ... 30
2.4.1 Título executivo judicial ... 31
2.4.2 Defesa no processo de execução ... 32
2.5 EMBARGOS À EXECUÇÃO ... 32
2.5.1 Impugnação ao cumprimento da sentença ... 34
2.6 EFEITOS DECORRENCIAIS DA EXECUÇÃO DE TÍTULO EXECUTIVO ... 35
3 PROTESTO CARTORIAL DE TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL ... 46
3.1 NOÇÕES INTRODUTÓRIAS ... 46
3.2 DA POSSIBILIDADE DE PROTESTO DE SENTENÇA JUDICIAL ... 50
3.3 PROTESTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS ... 56
3.5 DA IMPOSSIBILIDADE DE SUSTAÇÃO DE PROTESTO DE TÍTULO
JUDICIAL ... 59 3.6 PROCEDIMENTO CARTORIAL ... 61 3.7 DA EFICÁCIA DO PROTESTO DE TÍTULO JUDICIAL ... 64
4 ANÁLISE DOS ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DO PROCESSO DE EXECUÇÃO JUDICIAL E DO PROTESTO CARTORIAL DO TÍTULO
EXECUTIVO... 66
4.1 ASPECTOS POSITIVOS DA EXECUÇÃO JUDICIAL DE TÍTULO
EXECUTIVO... 66 4.2 ASPECTOS POSITIVOS DO PROTESTO CARTORIAL DE TÍTULO
EXECUTIVO... 68 4.3 ASPECTOS NEGATIVOS DA EXECUÇÃO JUDICIAL DE TÍTULO
EXECUTIVO... 69 4.4 ASPECTOS NEGATIVOS DO PROTESTO CARTORIAL DE TÍTULO
EXECUTIVO... 70 4.5 QUADRO SINÓPTICO ANALÍTICO DOS ASPECTOS POSITIVOS E
NEGATIVOS DOS INSTITUTOS ESTUDADOS ... 70
5 CONCLUSÕES ... 72 REFERÊNCIAS ... 75
1 Introdução
O estudo em apresentação trata a respeito do tema título executivo judicial, sendo que sua abordagem se limita a destacar os aspectos positivos e negativos da execução judicial em relação ao protesto cartorial desses títulos. Afeto ao Direito Civil, o assunto se inscreve no campo do Direito Processual, do Direito Constitucional e do Direito Notarial, junto aos quais encontra ressonância no conteúdo principiológico e regramento referentes.
1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
O estudo promove discussão a respeito dos aspectos positivos e negativos da execução judicial frente ao protesto cartorial de título executivo judicial. Afeto ás Ciências Sociais, junto às Ciências Jurídicas o assunto mantém vínculo com o Direito Constitucional, de onde extrai o conteúdo principiológico, e encontra aplicabilidade operacional junto ao Direito Civil, Processual Civil e Notarial. Não obstante, junto a outras Ciências, a matéria encontra ressonância nas Ciências Econômicas e Contábeis, por exemplo.
Nessa trilha, insta dizer, incluem-se as matizes regentes que emergem ao crivo do exegeta. Por vezes, solicitam exame porque aparentemente antinômicas ou simplesmente reclamam por esclarecimento, dada à ausência de material talhado de modo a clarificar o tema. Bom exemplo disso são as questões práticas que surgem a partir de quando se pretende traçar estratégia, à defesa de direitos envolvendo os institutos da processualística na execução judicial e, igual modo, questões procedimentais encampandas pelo protesto cartorial de título executivo.
Perseguindo essa diretriz, tem-se que o pagamento da dívida é, a princípio, o ato básico para o cumprimento do compromisso judicialmente reconhecido. Nesse ponto, o operador do Direito esbarra em algumas variáveis passíveis de incidir sobre a realidade fática, dentre as quais se destacam:
a) o estado de insuficiência do Poder Público ante a morosidade para solver a quaestio, tradicionalmente justificada pelo Judiciário pela
avalanche de processos produzidos por cidadãos que enfrentam a necessidade de buscar a entrega jurisdicional;
b) o aprazamento na efetivação da prestação jurisdicional, comum a processos executórios quer pelos óbices levantados pelo devedor, pelos embargos interpostos, quer pela dificuldade de o Poder Judiciário dizer o direito a tempo de fazer justiça;
c) mesmo em face da sentença declaratória exarada em juízo competente há o mister de demanda executória, cuja condição à propositura é a posse do título referente que, por sua vez, não possui o condão de limitar a capacidade comercial do devedor.
Por outro eixo, o protesto cartorial se mostra, de plano, como sistemática capaz de dar celeridade ao processo de cobrança. Notadamente, porque faz negativar o inadimplente perante os principais órgãos de registro de dívida ativa, como o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e a SERASA. Destarte, após negativado, o resultado é a obstaculização de transações que dependam de consultas a referidos órgãos. Eis que o protesto cartorial provoca a limitação da capacidade comercial do devedor pelo cadastrado de inadimplentes nos citados órgãos.
Surgem, neste articulado, algumas questões difíceis de silenciar. Conquanto, em termos gerais, busca-se saber quais os aspectos positivos e
negativos do processo de execução judicial frente ao protesto cartorial de título executivo judicial? Não obstante, pela natureza do assunto, indagações de
natureza específica também instigam à curiosidade como, por exemplo: Quais as
características do processo execução de título executivo? Quais as características do protesto cartorial de título executivo judicial? Quais os aspectos positivos e negativos que ambas as sistemáticas apresentam? De que forma as questões procedimentais do protesto cartorial pode dar celeridade à cobrança de título executivo judicial?
1.2 JUSTIFICATIVA
o tema ser objeto de debates por conta da busca de alternativas à morosidade que enfrentam os processos de execução. Assim, o interesse em estudar o assunto se deve à curiosidade despertada em observação a questões referentes, particularmente no que diz respeito do processo de execução frente ao protesto cartorial, este último amparado pela Lei nº. 9.492/1997.
Por tais razões, a matéria assume destaque junto a operadores do Direito, como também junto a outras esferas da sociedade, dentre as quais se inscreve a comunidade acadêmica e demais membros da sociedade civil, junto à qual, decerto, há cidadãos dependentes de alternativa eficiente para ver satisfeito crédito judicialmente reconhecido.
Nesse sentido, pretende-se entrar em sintonia com os novos conceitos que se mostram presentes no campo do estudo, particularmente porque, para o pesquisador, estudar o tema representa uma possibilidade de se familiarizar com o assunto problematizado ao mesmo tempo em que significa o estreitamento de laços com os ramos do ordenamento jurídico nos quais pretende atuar.
1.3 Objetivos
1.3.1 Objetivo geral
Identificar aspectos positivos e negativos do processo de execução frente ao protesto cartorial de títulos judiciais executivos.
1.3.2 Objetivos específicos
Relacionar as características do processo execução de título executivo judicial.
Apontar as características do protesto cartorial de título executivo judicial.
jurisdicional em processo de execução e o protesto cartorial de título executivo judicial.
1.4 CONCEITOS OPERACIONAIS
Processo de execução judicial: “O [...] é a ferramenta do Poder Judiciário de fazer valer o direito de um titular (credor) contra quem deve, mas não cumpre voluntariamente a obrigação ou a satisfação daquele direito.”1
Protesto cartorial: “Protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida.”2
Título executivo judicial:
É [...] cada um dos atos jurídicos que a lei reconhece como necessários e suficientes para legitimar a realização da execução, sem qualquer nova ou prévia indagação acerca da existência do crédito, em outros termos, sem qualquer nova ou prévia cognição quanto à legitimidade da sanção cuja determinação está vinculada no título.3
Cobrança de título executivo judicial: Meio utilizado pelo credor para satisfação de seu crédito, por via autônoma, como no processo de execução e protesto cartorial.
Prestação jurisdicional: “A [...] é a confecção das leis, a produção do direito, é o monopólio do próprio Estado, e que este considera como sua função essencial à administração da justiça, e somente ele tem o poder de aplicar a lei ao caso concreto.”4
1
ASSIS, Araken de. Manual da execução. 13. ed. São Paulo: RT, 2004, p. 132.
2
BRASIL. Lei nº. 9.492, de 10 de setembro de 1997. Define competência, regulamenta os serviços concernentes ao protesto de títulos e outros documentos de dívida e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9492.htm>. Acesso em: 04 jun. 2011.
3
WAMBIER, Luiz Rodrigues (Coord.). Curso avançado de processo civil. 7. ed. rev. e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005, p. 61.
4
1.5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Vale observar que o plano metodológico do estudo envolveu regramentos estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e critérios inerentes ao Curso de Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina. De caráter dialético e amparado por procedimentos típicos de pesquisa bibliográfica a fontes primárias e secundárias, na parte revisional foram feitas consultas à doutrina, à legislação e à jurisprudência.
Nesse ponto, não sobeja lembrar, do acervo consultado para auxiliar no diálogo com o campo do estudo e das informações coletadas para sustentar a discussão sobre o assunto apenas os autores efetivamente citados constam das referências.
1.6 DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO: ESTRUTURAÇÃO DOS CAPÍTULOS
Definidas as linhas básicas retroapontadas, observa-se que o relatório da pesquisa segue construído em três capítulos centrais, cada qual atendendo função metodológica, teórica e prática distinta, conforme demonstra a estrutura abaixo sumarizada.
Processo de execução de título executivo. O capítulo retoma a
abordagem usada na introdução e diz como o Estado pacifica questões de Direito surgidas no processo social e aponta o surgimento do fenômeno processual vinculado à ideia de Justiça. Aduz sobre o material manejado, cujo suporte informacional envolveu a disciplina constitucional e infraconstitucional pertinente, bem como o entendimento de doutrinadores que tem se dedicado ao assunto. Porquanto, examina aspectos destacados da processualística como parte essencial à compreensão do processo de execução de título executivo contra devedor inadimplente. Dessa forma, preenche o primeiro objetivo específico acima pautado.
Protesto cartorial de título executivo judicial. Esse capítulo tem como finalidade discorrer a respeito da possibilidade de protesto de sentença judicial e,
nesse norte, aborda, de modo exemplificativo, a respeito do protesto de honorários advocatícios. Feitas as considerações referentes, volta-se a discussão para a finalidade do protesto e, por extensão, também discute a respeito da impossibilidade de sustação de protesto de título judicial e do procedimento cartorial. Finalmente, encerra o assunto expondo sobre a eficácia do protesto de título judicial.
Análise dos aspectos positivos e negativos do processo de execução frente ao protesto cartorial do título executivo. O objetivo deste capítulo é destacar os aspetos positivos tanto da execução judicial de título executivo judicial quanto do protesto cartorial de cártula da mesma espécie. Nesse sentido, também objetiva destacar questões inerentes aos aspectos negativos do protesto cartorial de título executivo e da execução judicial de título referente. Por fim, apresenta um quadro sinóptico analítico dos aspectos positivos e negativos dos institutos estudados na intenção de sumarizar o que foi exposto durante o capítulo.
Em arremate, é lícito dizer, a investigação apresenta limitações particulares ao ambiente do tema articulado, tanto relacionadas à natureza do assunto quanto associadas à operacionalização da pesquisa. Destarte, na qualidade de investigação científica, o exame reclama por tratamento de base interdisciplinar, contudo, foi conduzido de modo a reduzir a realidade ao ponto de vista do pesquisador e, assim, assume caráter subjetivo, o que se reflete nas conclusões.
Também é de se ter em conta que o plano metodológico previu fundamentação exclusiva em fontes primárias e secundárias que, embora favoreçam a construção de argumentos por progressão ou oposição restringem o exame das demais vertentes informacionais. Outras restrições que se apresentam são comuns às pesquisas em geral como, por exemplo, o fator tempo e os recursos disponíveis para realização do estudo.
Ultima ratio, em vista do exposto e do quadro de referências disponível
para ordenar a discussão sobre a problemática levantada, pretende-se com este exercício teórico minimizar, tanto quanto possível, as limitações apontadas e formular encaminhamentos aplicáveis a casos concretos.
2 PROCESSO DE EXECUÇÃO
Perseguindo a linha de abordagem da parte introital, pode-se dizer que é dos conflitos nascidos no convívio social que nasce o mister de o Estado estabelecer normas para pacificar questões de Direito. Porquanto, o Estado chamou para si o direito de punir e à sociedade civil reservou o direito de provocar o Estado-juiz para obter na administração da justiça aplicação do direito objetivo. Conquanto, é desses conflitos que vinculativamente se forma a relação jurídica entre sujeito ativo, sujeito passivo e Estado-juiz.5
Por conta do monopólio estatal na administração da justiça, uma vez que o Estado chamou para si o direito de punir, é constitucionalmente garantido a todo cidadão, brasileiro ou residente no país, o direito de deduzir pretensão em juízo.6 Igual garantia tem a parte oponente quanto à ampla defesa e à liberdade de reclamar por provas ou produzi-las.7
Destarte, preocupado com a pacificação social, o legislador criou mecanismos para garantir ao credor o recebimento de crédito não satisfeito. Nesse norte, o processo de execução, necessário para deslindar problema referente, solicita exame, prima facie, ao fenômeno processual, o que segue abaixo manejado com base na legislação pertinente e no entendimento de doutrinadores que tem se dedicado ao assunto.
Decerto, adequado exame a aspectos destacados da processualística é, com efeito, requisito essencial à compreensão do processo de execução contra devedor inadimplente. Nesse eixo a abordagem está direcionada à disciplina constitucional e à infraconstitucional, bem como a ensinamentos doutrinários afetos
5
TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Processo penal. 26. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, v. 1, p. 287.
6 Cf. Constituição Federal de 1988: “Art. 5º [...] LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor
ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência”. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm>. Acesso em: 21 maio 2011.
7 Cf. Constituição Federal de 1988: “LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. BRASIL, loc. cit.
à matéria.
Sem pretender esgotar a cognição a respeito do tema, vale dizer, este capítulo preenche o primeiro objetivo específico, haja vista identificar as características do processo de execução de título executivo.
2.1 NOTAS INTRODUTÓRIAS AO TEMA
A noção a respeito do processo de execução passa, necessariamente, pela compreensão, no sentido de Kelsen8 e Bobbio,9 acerca da supremacia que princípios e normas constitucionais apresentam frente a outros princípios e normas do edifício jurídico.
Consoante o ensinamento de Grinover:
O importante é ler as normas processuais à luz dos princípios e das regras constitucionais. É verificar a adequação das leis à letra e ao espírito da Constituição. É vivificar os textos legais à luz da ordem constitucional. É [...] proceder à interpretação da norma em conformidade com a Constituição. E não
só em conformidade com sua letra, mas também com seu espírito.10
É, portanto, mister que essa noção leve em conta a consagração de alguns princípios característicos do Estado Democrático de Direito e regramentos afetos. Isso autoriza o pensamento de o ordenamento jurídico abrigar, hierárquica e harmonicamente, a esfera constitucional e a infraconstitucional, especialmente considerando a tendência de constitucionalização que o ordenamento jurídico brasileiro vem assumindo no Direito Processual Civil, cujo exemplo é dado por Cambi em “Direito Constitucional à Prova no Processo Civil”.11
Perseguindo esse entendimento, cumpre, preliminarmente, breve exame à principiologia insculpida no Texto Ápice. Não se pretende fazer leitura exaustiva acerca do assunto. Pretende-se, apenas evidenciar a importância dos princípios e destacar alguns deles, sobre os quais, vale dizer, sem os mesmos o conteúdo do
8
KELSEN, Hans. Teoria pura do direito. 6. ed. Coimbra (Portugal): A. Amado, 1984, passim.
9
BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Campus, 1992, passim.
10
GRINOVER, Ada Pellegrini. As garantias constitucionais do processo, novas tendências do direito processual de acordo com a constituição de 1988. São Paulo: Forense, 1990, p. 15.
estudo ficaria em débito com o leitor.
Da principiologia constitucional, extrai-se o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional ou princípio do direito subjetivo público de ação. Esse princípio assegura a todos os cidadãos o direito de provocar o Estado-juiz para obter a tutela jurisdicional sempre que um direito for ameaçado ou lesado.12
Importa que a Carta concedeu o status de princípio ao acesso à Justiça, traduzido esse em forte instrumento que viabiliza a efetividade do direito material, o pleno exercício de ação e de defesa, e a plenitude da atividade jurisdicional.
A Carta também acolheu como princípio o devido processo legal13 cujos
corolários são o contraditório e a ampla defesa que, no dizer de Moraes: “[...] deverão ser assegurados aos litigantes, em processo judicial criminal ou civil ou em procedimento administrativo [...] e aos acusados em geral, conforme
o texto constitucional expresso”.14
No regime jurídico das liberdades públicas, a plena fruição dos direitos dos cidadãos de uma sociedade política é, particularmente, evidenciada pela proteção e garantia de inviolabilidade dos direitos individuais. Por conseguinte, os contornos e os limites do devido processo legal processual dão a exata definição do entendimento que se vem arquitetando.
Nery Junior e Nery corroboram:
Todos os aspectos de direito processual dos cinco bens jurídicos tutelados pela clásula due process – vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade: CF 5º
caput – estão protegidos pelo princípio em seu aspecto processual. São
manifestações do princípio do devido processo legal processual no processo [civil]: a igualdade processual, o contraditório e a ampla defesa, o direito à prova, o duplo grau de jurisdição, o acusador e o juiz [...], a proibição da prova obtida ilicitamente, a publicidade dos atos processuais, a motivação das decisões processuais [civis] etc.15 Tornando às palavras de Moraes:
Por ampla defesa entende-se o asseguramento que é dado ao réu de condições que lhe possibilitem trazer para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade ou mesmo de calar-se, se entender
11
CAMBI, Eduardo. Direito constitucional à prova no processo civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, passim.
12 O direito de ação está previsto no art. 5, inc. XXXV da Constituição Federal, que dispõe: “[...] a lei
não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. BRASIL, loc. cit.
13 Art. 5º, inc. LV. “Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. BRASIL, 2006, p. 9.
14
MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil interpretada e legislação constitucional. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p. 368.
15
NERY JUNIOR, Nelson; NERY Rosa Maria de Andrade. Código de processo civil comentado e legislação extravagante. 10. ed. rev. e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 1371.
necessário, enquanto o contraditório é a própria exteriorização da ampla defesa, impondo a condução dialética do processo (par conditio), pois a todo ato produzido caberá igual direito da outra parte de opor-se ou de dar-lhe a versão que lhe convenha, ou, ainda, de fornecer uma interpretação jurídica diversa daquela feita pelo autor.16
Outro princípio que se destaca é a igualdade de direitos no campo processual. Esse princípio resulta de possibilidades virtuais e reconhece que todos, indistintamente, têm o direito de tratamento isonômico perante a lei, conforme os critérios abrigados no ordenamento jurídico.17
Nesse sentido, também de acordo com o magistério de Moraes:
O princípio da igualdade consagrado pela Constituição opera em dois planos distintos. De uma parte, diante do legislador ou do próprio executivo, na edição, respectivamente de leis, atos normativos e medidas provisórias, impedindo que eles possam criar tratamentos abusivamente diferenciados a pessoas que se encontram em situações idênticas. Em outro plano, na obrigatoriedade ao intérprete, basicamente, a autoridade pública, de aplicar a lei e os atos normativos de maneira igualitária, sem estabelecimento de diferenciações em razão de sexo, religião, convicções filosóficas, ou políticas, raça, classe social.18
De caráter genérico, o princípio da igualdade diz que todos são iguais perante a lei e isso leva ao entendimento de que todo cidadão possui grau de igualdade, em todas as esferas da vida humana, em relação a seus semelhantes. Assim sendo, o acervo legislativo trata de proporcionar e manter a essência primordial desse princípio, que é a garantia de igualdade entre todos os homens perante a lei.
Nessa vereda, Acquaviva articula:
Princípio da igualdade de todos perante a lei. Igualmente jurídica, portanto, porque, naturalmente, os homens são desiguais. Assim, o princípio da isonomia ou da igualdade não afirma que todos os homens são iguais no intelecto, na capacidade, de trabalho, ou na condição econômica. O que ele quer, realmente expressar é a igualdade de tratamento perante a lei, devendo o aplicador desta levar em consideração o pensamento de Aristóteles, de que méritos iguais deverão ser
tratados igualmente, mas situações desiguais deverão ser tratadas
desigualmente.19 16 MORAES, 2006, p. 369. 17 Ibid., 2006, p. 180. 18 Ibid., 2006, p. 181. 19
ACQUAVIVA, Marcus Cláudio. Dicionário jurídico brasileiro acquaviva. 6. ed. São Paulo: Jurídica Brasileira, 1994, p. 819.
A Constituição Federal estabelece que não existirá distinção de qualquer tipo e assegura a inviolabilidade dos direitos básicos do homem.20 Refere-se a mesma à igualdade dos homens perante a lei. Note-se, segundo Acqaviva, Cathrein diz que a esse princípio se atrela o princípio da equidade:
A equidade é princípio do direito natural e a ela se refere magistralmente Victor Cathrein [...] A lei natural está acima da lei positiva que serve, às vezes, para corrigir as lacunas desta. Como a lei positiva tem um conteúdo geral e não abrange os casos excepcionais, pode ocorrer que, se for aplicada rigidamente, segundo um texto geral, em certos casos, conduzirá a injustiças que não se acham na intenção do legislador.
Em tais casos, é necessário interpretar ou emendar racionalmente a lei positiva conforme a intenção do legislador e as exigências da justiça natural, e esta correção do direito positivo pelo natural constitui a equidade ou direito equitativo.21
Outro princípio interessante de se examinar é o princípio da isonomia, a respeito do qual se traz à colação o entendimento de Mello:
A Lei não deve ser fonte de privilégios ou perseguições, mas instrumento regulador da vida social que necessita tratar equitativamente todos os cidadãos. Este é o conteúdo político-ideológico absorvido pelo princípio da isonomia e juricizado pelos textos constitucionais em geral, ou de todo modo assimilado pelos sistemas normativos vigentes.
[...] dúvidas não padece que, ao se cumprir uma lei, todos os abrangidos por ela hão de receber tratamento parificado, sendo certo, ainda, que o próprio ditame é interdito deferir disciplinas diversas para situações equivalentes.22
Os comentários à principiologia retro e também as citações trazidas à pauta não esgotam o conteúdo, tampouco a cognição acerca do assunto. Portanto, não sobeja observar, embora a principiologia constitucional esteja voltada para o campo processualístico há, ainda, os princípios gerais que norteiam o sistema processual em sede civil, oportunamente, apresentados no item 2.2.
Neste ponto, importa observar, estando a principiologia e a sistemática normativa constitucional e infraconstitucional conformes, destarte, não se pode olvidar do ensinamento de Miguel Reale a respeito de sua visão (teoria) tridi-mensional do direito, que se refere ao trinômio fato social, formulação axiológica e norma.23 Essa teoria auxilia no desdobramento lógico e necessário, posto que os
20 Art. 5º, caput, Constituição Federal. “[...] Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade [...].” BRASIL, 2006, p. 8.
21
ACQAVIVA, 1994, p. 533.
22
MELLO, Celso Antônio Bandeira. Conteúdo jurídico do princípio da igualdade. 3. ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 10.
23
MARTINS, Ives Grandra da Silva. Teoria da imposição tributária. 2. ed. rev. e atual. São Paulo: LTr, 1998, p. 48.
casos práticos reclamam do operador do Direito a extração dos fatos junto à realidade empírica, a formulação axiológica e a subsunção desses fatos à norma.
Segundo referido teórico, é o conhecimento profundo da realidade social, da fenomenologia civil, da convivência, das soluções de combate aos males pró-prios do fluir das relações sociais que permite ao legislador e ao intérprete dos três direitos, a adoção da norma adequada, capaz de, sensibilizada às diferenças individuais, expor o encaminhar pertinente à relação jurídica identificada.24
Nesse passo, vale dizer, refere-se o processo a um conjunto de atos processuais utilizados pelo Estado para efetivar a entrega da tutela jurisdicional. Noutros termos, é a relação que se desenvolve visando solucionar uma lide da qual são partes o sujeito ativo (autor), o sujeito passivo (réu) e o Estado-juiz, entendo-se por lide qualquer pretensão juridicamente resistida.
Na lição de Theodoro Júnior: “[...] processo é o meio pelo qual se vale o Estado para compor os litígios ou conflitos de interesses gerados por pretensões resistidas”.25
É mister observar nestas considerações, o Direito Processual Civil brasileiro apresenta três eixos que caracterizam o fim a que se destina cada processo. Paralelamente, a nomenclatura de cada qual corresponde à tutela jurisdicional pretendida.
Destarte, no intento de elucidar o conteúdo referente e efeitos decorrenciais, próprios do setor de interesse deste capítulo, a exposição abaixo segue direcionada apenas ao processo de execução que, junto ao processo de conhecimento e ao processo cautelar, forma o conjunto dos ritos do sistema processual civil brasileiro.
O processo de execução parte da certeza do direito do credor atestado pelo título executivo. Não há, portanto, decisão de mérito e sujeita-se aos pressupostos da existência do título executivo, que atesta a certeza e liquidez da dívida e do inadimplemento da obrigação, que comprova a exigibilidade da dívida.26
24
MARTINS, 1998, p. 49.
25
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Processo de execução. 23. ed. rev. e atual. São Paulo: Universitária de Direito, 2005, v. 3, p. 26.
26
Assis ensina que o inadimplemento e o título são os dois requisitos necessários para a realização de uma execução e representam condições da ação executiva junto à pretensão de executar.27
Acerca do inadimplemento, dispõe o art. 580 do Código de Processo Civil que inadimplente é o devedor que não satisfaz espontaneamente o direito reconhecido pela sentença ou a obrigação a que a lei atribui eficácia de título executivo.28
O inadimplemento é, portanto, fato gerador da demanda executória. Assim, inadimplindo o devedor, poderá o credor ingressar com ação executória, desde que detenha posse de título executivo que, conforme visto anteriormente, é condição necessária à propositura da ação.
Encerram-se estas notas introdutórias e passa-se à apresentação do catálogo principiológico processual civil, do qual foram extraídos os princípios gerais que informam o processo de execução.
2.2 PRINCIOLOGIA DO PROCESSO EXECUTIVO
Os princípios, por linhas gerais, se traduzem em instituições capazes de comunicar a concepção de mundo e informar a ideologia política, técnica e científica de um ordenamento jurídico. De outro lado, também se revestem do caráter de prerrogativas consolidadas por esse mesmo ordenamento na forma de garantias à pacificação de questões de direito surgidas no processo social.29 Assim sendo, podem, ainda, ser tomados por diretrizes de um dado sistema, nascidas do consenso que exprimem valores historicamente preponderantes ou por linhas mestras de um ordenamento jurídico fundamentais à interpretação da norma.30
Nesse sentido corre lição de Santos, com a qual esse autor brinda o estudo: Cada povo tem o seu processo. Cada tempo o seu. E também cada regime político. Mas, as condições peculiares ao povo, ao tempo e ao regime político, conferem características próprias ao respectivo sistema processual, que o distinguem de outros sistemas, de outros povos, de outros tempos, de outros regimes, não desnaturam o processo naquilo que tem de comum na
27
ASSIS, Araken de. Manual da execução. 9. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005, p. 132.
28
BRASIL, loc. cit.
29
SILVA, 2002, p. 153.
30
Roma dos pretores e no Brasil contemporâneo, na Itália de ontem e de hoje,
na Suíça democrática.31
No caso do processo executivo, é de se considerar que a execução deum devedor forçosamente incide sobre o patrimônio do inadimplente, haja vista a legislação (art. 591, CPC)32 determinar que responda com seus bens para o cumprimento de suas obrigações.
Também é de se considerar que referido processo objetiva tão-somente satisfazer o direito do exequente e, assim sendo, não é lícito alcançar o patrimônio do executado em monta superior à necessária para satisfazer o direito do credor (art. 659, CPC)33.
Não obstante, ao satisfazer o direito do credor, pretende o resultado máximo com a entrega da tutela jurisdicional (art. 612, CPC)34 e, ao satisfazer o direito do credor, ser o menos prejudicial para o executado (art. 620, CPC)35, cuidando para que o mesmo e sua família não fiquem em situação indigna (art. 649, CPC),36 conquanto o processo de execução recepciona o princípio da dignidade da pessoa humana e também o direito social à moradia.
No processo executivo vigoram princípios que servem para balizar o entendimento do magistrado relativamente às questões que envolvem valores inadimplidos, posto que, se de um lado o credor há de ter o seu direito satisfeito, de outro, há que se proteger o executado quanto à hipossuficiência e à insubsistência. E, assim sendo, deve o processo, na exata medida, satisfazer o direito do credor, sem ultrapassá-la ou parcialmente satisfazê-la, conforme pode ser observado na principiologia abaixo elencada.
2.2.1 Princípio da autonomia
31
SANTOS, Moacir Amaral. Primeiras linhas de direito processual civil. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 1995, p. 72.
32
BRASIL, loc. cit.
33
BRASIL, loc. cit.
34
BRASIL, loc. cit.
35
BRASIL, loc. cit.
36
A tutela jurisdicional cognitiva ocorre consoante processo de conhecimento, no qual o juiz exara a sentença a partir da subsunção dos fatos conhecidos e à norma e reconhece um direito. Enquanto que a tutela executória é o desdobramento de um processo de execução ou a fase executiva desse e está voltada à satisfação do direito reconhecido.
Theodoro Júnior refere que a execução, “[...] qualquer que seja o título do credor, é considerada na sistemática do Direito latino como processo distinto e autônomo frente ao de conhecimento”.37
Assim, o reconhecimento do direito e a satisfação desse são levados a termo em processos separados ou, noutros termos, em processos autônomos. E essa autonomia é evidenciada na execução de títulos extrajudiciais que não apresentam algum vínculo com o processo de conhecimento.
Sobre o princípio da autonomia, as considerações de Assis são no sentido de que “[...] a independência da função executiva que avulta nos domínios da estrutura designada processo de execução, implica admitir a sua respectiva autonomia, quer dizer, o aparecimento de uma outra relação processual, totalmente diversa daquela pretérita, existente no processo de cognição”.38
As mudanças trazidas pela Lei nº. 11.232/200539 na execução por títulos judiciais afetou a autonomia do processo de execução, fazendo com que o mesmo se tornasse apenas uma fase do processo de cognição, conforme entende Botelho, pois, segundo esse doutrinador o processo de execução de título executivo judicial “[...] é uma fase posterior à sentença, uma fase de satisfação do comando representado na sentença”.40
Como resultado, o vigor da lei encurtou a distância entre o reconhecimento de um direito e a efetiva satisfação desse direito.
2.2.2 Princípio da responsabilidade patrimonial
37 THEODORO JÚNIOR, 2000, p. 34. 38 ASSIS, 2005, p. 99. 39
BRASIL, loc. cit.
40
BOTELHO, Marcos César. Comentários às alterações da Lei n. 11.232/2005. Jus Navegandi, Teresina, ano 10, n. 923, 12 jan. 2006. Disponível em:
Também denominado princípio da realidade da execução, esse princípio é peculiar do processo executivo, notadamente porque objetiva atingir o patrimônio do executado.
Na perspectiva de Wambier, “[...] entre os princípios que a doutrina normalmente destaca como fundamentais na execução, apenas um poderia ser exclusivo do processo executivo: o princípio da realidade da execução”.41
Insculpido no art. 591 do CPC, o princípio em tela remete a execução exclusivamente para os bens do executado. Depreende-se daí que a pessoa do executado não é o objeto da execução, mas sim o valor jurídico suficiente que será transferido do patrimônio desse para o do credor, em suma.
Esse entendimento é ilustrado pelo referido artigo, cujo teor determina que “[...] o devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei”.42
A respeito do assunto, Silva esclarece:
[...] em toda obrigação há o dever de prestar (débito), ou seja, o compromisso que o devedor assume de satisfazer ao credor, cumprindo a obrigação; e há do ponto de vista objetivo, a vinculação do patrimônio do obrigado, ou de parte dele, a fim de que o credor obtenha a satisfação de seu direito de crédito nos bens do devedor, quando este espontaneamente
não cumpre a obrigação.43
Parafraseando Theodoro Júnior, é lícito dizer que exclusivamente em hipótese de dívida de alimentos a lei subverte a ordem e permite seja a pessoa do devedor constrita, sujeitando-o à prisão civil.44
A respeito desse assunto, não sobeja lembrar, no caso de depositário infiel, após o Decreto nº 678, de 6 de novembro de 1992, ter promulgado a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), de 22 de novembro de 1969, não há mais prisão civil por dívida, exceto aquela pertinente a alimentos.45
41
WAMBIER, Luiz Rodrigues (Coord.). Curso avançado de processo civil. 7. ed. rev. e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005, v. 2, p. 127.
42
BRASIL, loc. cit.
43
SILVA, Ovídio Araújo Baptista da. Curso de processo civil. 4. ed. rev. e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000, v. 2, p. 69.
44
2.2.3 Princípio do menor sacrifício do executado
A idéia basilar da processualística civil contemporânea rechaça qualquer punição à pessoa do devedor e, assim sendo, o processo executivo busca satisfazer o direito do credor em detrimento de punir o devedor.
Não obstante, essa idéia também remete à cognição apresentada por Wambier, segundo o qual “[...] sempre que houver a necessidade de sacrifício de um direito em prol de outro, esta oneração há de cingir-se aos limites do estritamente necessário”.46
Insculpido no art. 620 do CPC, in verbis: “[...] quando por vários meios o credor puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o devedor”,47
por esse princípio o resultado material da execução há de ser o que menos onerar ao devedor
Se contrário fosse, o conteúdo dos arts. 652, 656, 668 e 692 (todos do CPC) seria letra morta,48 senão, note-se, respectivamente referidos artigos prevêem o direito de o devedor: nomear bens à penhora; justificadamente impugnar a nomeação de bens; substituir o bem penhorado; ser depositário.
Por complemento, tem-se os arts. 649 e 650, o primeiro não permite arrematação por preço vil, enquanto o segundo restringe a impenhorabilidade de certos bens, justamente pelos motivos inicialmente argumentados.
A preocupação do legislador é claramente demonstrada por Wambier: “[...] ao lado da preocupação com a efetividade da execução em prol do credor, deve-se buscar sempre o caminho menos oneroso para o devedor”.49
Do discurso que se encerra traz-se como exemplo de execução menos gravosa o Recurso Especial n. 1998/0087203-5, haja vista argumentar da flexibilidade quanto à ordem apontada no art. 656 do CPC50 da nomeação de bens
45
BRASIL. Decreto nº 678, de 6 de novembro de 1992. Promulga a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), de 22 de novembro de 1969. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D0678.htm>. Acesso em: 28 mar. 2011.
46
WAMBIER, 2005, p. 129.
47
BRASIL, loc. cit.
48
BRASIL, loc. cit.
49
WAMBIER, op. cit., p. 128.
50
penhoráveis, singularmente porque há de tão-somente satisfazer o direito do credor de modo que o devedor seja onerado da menor forma possível. 51
No item imediatamente abaixo, busca-se resgatar a noção jurídica de título executivo. Nessa vereda, a abordagem principia pela base conceitual
referente, cuja importância se justifica pela discussão que se estende ao longo do estudo.
2.2.4 Princípio do exato adimplemento
A execução faz-se no interesse do credor e deve garantir-lhe o mesmo resultado que seria obtido caso o devedor cumprisse espontaneamente a obrigação (execução específica), ressalvada excepcionalmente a conversão em pecúnia.52
Daí porque a execução não atingirá o patrimônio do devedor, senão naquilo que for necessário para a satisfação do credor. Serão penhorados tantos bens quantos bastem para o pagamento do principal, juros, custas e honorários advocatícios.
E, quando a penhora atingir vários bens, a arrematação será suspensa, logo que o produto da alienação for bastante para o pagamento do credor. Como a execução é realizada no interesse do credor, tem ele a plena disponibilidade do processo, podendo desistir de toda a execução ou de apenas algumas medidas executivas, a qualquer tempo.53
A desistência dependerá da anuência do devedor somente quando ele tiver oposto embargos à execução, e esses embargos não versarem apenas questões processuais. Sempre que o credor desistir da execução embargada, e a desistência for homologada, ele deve suportar às custas, despesas processuais e honorários advocatícios.54
51
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial n. 196058/PR (1998/0087203-5). Relator: Min. João Otávio de Noronha. Brasília, (DF), 21 de março de 2005. Disponível em:
<http://cramer.stj.gov.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=(('RESP'.clap.+ou+'RESP'.clas.)+e+@nu m='196058')+ou+('RESP'+adj+'196058'.suce.)>. Acesso em: 14 maio 2011.
52 WAMBIER, 2005, p. 151. 53 Ibid., 2005, p. 152. 54 Ibid., 2005, p. 153.
2.3 REQUISITOS DA AÇÃO DE EXECUÇÃO
No processo de execução não há discussão acerca da efetiva existência do direito, não se ouvem os argumentos do réu no que tange ao mérito, senão pela propositura de ação incidental de embargos. O mesmo ocorre na fase de cumprimento da sentença: as poucas defesas relativas ao mérito que o executado pode suscitar precisam ser apresentadas mediante incidente de impugnação ao cumprimento da sentença.55
Para concretizar a sanção, o Estado intromete-se no patrimônio do devedor, independentemente de sua concordância, ou impõe-lhe meios coercitivos, de pressão psicológica. Em suma, a execução é bastante rigorosa para quem nela figura como executado. Bem por isso foi que o legislador impôs requisitos especiais a esse instituto.
No caso de título executivo esses requisitos importam a cada um dos atos jurídicos que a lei reconhece como necessários e suficientes para legitimar a realização da execução, sem qualquer nova ou prévia indagação acerca da existência do crédito, em outros termos, sem qualquer nova ou prévia cognição quanto à legitimidade da sanção cuja determinação está veiculada no título.56
Só será título executivo – só autorizará a ocorrência de execução – aquele ato jurídico que a lei qualificar como tal. Há enumeração exaustiva dos títulos executivos no ordenamento. Eles são, nesse sentido, numerus clausus. Isso porque, como é obvio, autorizar-se execução sem cognição sobre a razão das partes é algo drástico, que só deve ocorrer em hipóteses precisas e expressamente estabelecidas.57
Frequentemente se diz que, quando há título executivo, presume-se a existência do direito do exequente. Não se trata exatamente de presunção. Presunção é uma dedução a ser empregado pelo juiz na hora de decidir sobre um fato. No processo de execução o juiz não vai fazer algum julgamento nesse sentido.
55 WAMBIER, 2005, p. 61. 56 Ibid., 2005, p. 61. 57 Ibid., 2005, p. 62.
Não ocorre exame acerca da existência efetiva do direito representado no título, o exame se refere apenas e tão-somente à liquidez, certeza e exigibilidade.
Não basta a presença de título executivo: nos termos do art. 586, é indispensável o título de obrigação certa, líquida e exigível.58 A certeza da obrigação se refere unicamente à exata definição de seus elementos. Notadamente porque o título executivo é documento único ou, excepcionalmente, uma série de documentos a que a lei atribui tal qualidade, que retratará obrigação certa quando nele estiverem estampadas a natureza da prestação, seu objeto e seus sujeitos. O título terá de deixar claro quem é o credor e o devedor; se a obrigação é de fazer, não fazer ou dar; fazer o quê, não fazer o quê, dar o quê, e assim por diante.59
O requisito da exigibilidade estará satisfeito se houver a precisa indicação de que a obrigação já deve ser cumprida, seja porque ela não se submete a nenhuma condição ou termo, seja porque estes inequivocamente já ocorreram ou estão demonstrados.60
Há liquidez, autorizadora da execução, quando o título permite, independentemente da prova de outros fatos, a exata definição da quantidade de bens devidos, quer porque traga diretamente indicada, quer porque o número final possa ser aritmeticamente apurado mediante critérios constantes do próprio título ou de fontes oficiais, pública e objetivamente conhecidas. Em outros termos, liquidez consiste na determinação direta ou por mero cálculo da quantidade de bens objeto da prestação e consequentemente da execução.61
2.3.1 Inadimplemento
Como regra geral em nosso sistema, para que possa ocorrer execução, é preciso que já tenha havido a violação da norma acarretadora da sanção. É o que preveem os arts. 580 e 581, segunda parte, ao condicionar o início e prosseguimento da execução do inadimplemento.62.
58 Ibid., 2005, p. 78. 59 WAMBIER, 2005, p. 79. 60 Ibid., 2005, p. 79. 61 Ibid., 2005, p. 79. 62 Ibid., 2005, p. 82.
Do art. 580 extrai-se a definição de inadimplemento juridicamente relevante ao âmbito executivo, destarte, trata-se da ausência de satisfação pelo devedor quanto à obrigação certa, líquida e exigível, consubstanciada em título executivo. No art. 581, segunda parte, está posto que o cumprimento inadequado ou imperfeito é equiparado ao inadimplemento, como autorizador da execução.63
O art. 582 contém regra que, embora inserida na seção destinada ao inadimplemento, concerne igualmente ao requisito da exigibilidade. Não obstante, disciplina a hipótese de as partes terem obrigações recíprocas, e o cumprimento de uma não pode ser exigido enquanto não implementada a da outra. A título exemplificativo, pode-se dizer que contrato no qual a previsão de pagamento seja mediante a tradição ou, noutros termos, que o pagamento ocorra no momento da entrega da coisa vendida, não se procederá à execução, se o devedor se propõe satisfazer a prestação com meios idôneos, mediante a execução da contraprestação pelo credor e este, sem justo motivo, recusar a oferta.64
2.4 TÍTULOS EXECUTIVOS
A noção relativa a títulos executivos judiciais e extrajudiciais passa, necessariamente, pelo entendimento de que o direito de ingressar com ação executiva nasce com a posse de um desses títulos. Ocorre que esse mister advém do aspecto material, ou seja, decorrem de o título identificar as partes, a obrigação a ser satisfeita e o bem atingível (conteúdo e limites), conquanto, definem o objetivo da execução, qual seja, a efetivação do seu cumprimento.65
Nesse norte, Assis assevera: “[...] o título executivo constitui a prova pré-constituída da causa de pedir da ação executória. Esta consiste na alegação, realizada pelo credor na inicial, de que o devedor não cumpriu espontaneamente o direito reconhecido na sentença ou a obrigação”.66
Firmado o entendimento preliminar, observa-se que o gênero título executivo é qualificação atribuída a todo título em que se lança crédito ou soma pecuniária
63 Ibid., 2005, p. 82. 64 WAMBIER, 2005, p. 82. 65 THEODORO JÚNIOR, 2000, p. 32. 66 ASSIS, 2005, p. 138.
exigível que, por força de lei, tem capacidade executória.67 Note-se, esse gênero comporta as espécies judicial e extrajudicial, na primeira detalham-se as suas particularidades, enquanto que a segunda não diz respeito ao tema em comento.
Nessa perspectiva, é de se ter em vista que a Lei n. 11.23268 alterou o Código de Processo Civil brasileiro e introduziu a fase de cumprimento de sentenças no processo de conhecimento. Revogou, portanto, a execução fundada em título judicial. Notadamente isso ocorreu porque tais são provimentos jurisdicionais ou equivalentes,69 obtidos preliminarmente em fase de conhecimento.
Esse entendimento remete à ideia de não se trata de novo processo, mas mero processo incidente. Senão, note-se, o § 1º do art. 475-B, do CPC, determina que a parte contrária deva ser intimada acerca do requerimento de liquidação.70
Reitera esse posicionamento a cognição do art. 475-J, segundo o qual execução não implica autos apartados ou outra inicial, devendo o executado cumpri-la em 15 dias acrescidos 10℅ de multa. Permanecendo a inadimplência, pode o credor requerer seja expedido mandado de penhora e avaliação, bem como indicar bens à penhora.71
Ocorre que, mesmo tendo reconhecido o direito de ver crédito satisfeito e na permanência do inadimplemento o devedor poderá interpor embargos à execução quer como forma de, por sua vez, assegurar direitos quanto à eminente ameaça ou lesão, quer como uso secundário da técnica processual para postergar pagamento e reduzir a eficácia do título. Destarte, abaixo enfocam-se os embargos que ficam sujeitos o credor que detém título executivo judicial.
67
SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. 25. ed. rev. atual. Rio de Janeiro: Forense, 2004, p. 1405.
68
BRASIL. Lei n. 11.232, de 22 de dezembro de 2005. Disponível em: <www.planalto.gov.br>. Acesso em: 12 maio 2011.
69
O art. 475-N do CPC lista os seguintes títulos: a) a sentença proferida no processo civil que reconheça a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia; b) a sentença penal condenatória transitada em julgado; c) a sentença homologatória de conciliação ou de transação, ainda que inclua matéria não posta em juízo; d) a sentença arbitral; e) o acordo extrajudicial, de qualquer natureza, homologado judicialmente; f) a sentença estrangeira, homologada pelo Superior Tribunal de Justiça; g) o título formal e a certidão de partilha,
exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal. BRASIL, loc. cit.
70
BRASIL, loc. cit.
71
MEZZOMO, Marcelo Colombelli. A execução civil e a Lei n. 11.232/05. Jus Navegandi, Teresina, ano 10, n. 959, 17 fev. 2006. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7981>. Acesso em: 14 maio 2011.
2.4.1 Título executivo judicial
Títulos executivos judiciais consistem em provimentos jurisdicionais, ou equivalentes, que contêm determinação a uma das partes de prestar algo à outra. O ordenamento confere a esses provimentos a eficácia de, inexistindo prestação espontânea, autorizar o emprego dos atos executórios. 72
2.4.2 Defesa no processo de execução
São quatro os meios básicos de reação contra a execução já instaurada ou consumada, e cuja justiça pretenda controverter: a oposição, prevista no art. 736, que constitui remédio processual autônomo; a impugnação do art. 475-L, deduzida incidentalmente; a exceção de pré-executividade, formulada na própria execução; e as ações autônomas, ajuizadas prévia, incidental ou ulteriormente ao processo executivo, principalmente para anular atos executivos.73
À guisa da classificação desses mecanismos de reação, pretendeu-se chama-los, respectivamente, de defesa incidental (embargos), endoprocessual (exceção de pré-executividade) e heterotrópica (ações autônomas). Significativa parcela de ações autônomas exibe caráter prejudicial à execução, incluindo-se nessa categoria os próprios embargos.
No entanto, a ação anulatória da execução perde a natureza prejudicial, uma vez proposta após a extinção do processo executivo. E lei 11.232/2005 acresceu remédio próprio para controlar os atos executivos, a impugnação no artigo 475-L.74
2.5 EMBARGOS À EXECUÇÃO
No processo executivo, o devedor é citado para pagar à dívida representada pelo título executivo judicial e não para defender-se, discutir ou fixar o direito das
72
WAMBIER, 2005, p. 64.
73
ASSIS, Araken de. Manual da execução. São Paulo: RT, 2004, p. 1.221.
74
partes. Entretanto, para que a execução não provoque lesões ao devedor ou a terceiros, em face de nulidades ou direitos materiais, utilizam-se os embargos, eis que dotados do caráter de remédio processual.
Referentemente ao tema, Theodoro Júnior anota:
[...] denominam-se embargos os incidentes em que o devedor ou terceiro procuram defender-se dos efeitos da execução forçada, não só para evitar a deformação dos atos executivos e o descumprimento de regras processuais, como resguardar direitos materiais supervenientes ao titulo executivo capazes de neutralizá-lo ou de reduzir-lhe a eficácia, como pagamento,
novação, compensação, remissão etc.75
É objetivo da ação de embargos à execução declarar a inexistência da ação de direito material ou da executiva e, desse modo, não deixar prosperar a realização de atos referentes. Noutros termos, é a garantia da execução consoante depósito à ordem judicial de bem apto a satisfazer-lhe, caso seja afastada a defesa do executado.76 Porquanto, somente é permitido ao devedor apresentar defesa de mérito ou de caráter meramente processual após ter o mesmo segurado o juízo pela penhora.
Nessa vereda, importa frisar, nos embargos à execução, para deduzir sua oposição, o devedor deverá estabelecer nova relação processual incidente e fora do processo executivo, na qual será parte autora e o credor parte ré.77
Dentre os vários tipos de embargos à execução segue, abaixo, revisão àqueles que apresentam afinidade com o setor de interesse do estudo. Dessa forma, conveniente em primeira instância observar que uma das alterações introduzidas no CPC pela Lei n. 11.232/2005 é a que extingue a figura dos embargos à execução na execução por quantia certa de título de executivo judicial.78
Decerto, muito embora os embargos do devedor se reportem à títulos executivos judiciais e extrajudiciais, as oposições fundadas em tais títulos carecem particular atenção, visto que o CPC autoriza o devedor a opor-se à execução através de embargos. Por conseguinte, é de se observar que a abordagem abaixo exclui os embargos fundados em execução de títulos extrajudiciais e se detém somente àqueles afetos ao exame proposto pelo estudo, conforme segue anotado. 75 THEODORO JÚNIOR, 2005, p. 323. 76 Ibid., 2000, p. 47. 77 Ibid., p. 438. 78
2.5.1 Impugnação ao cumprimento da sentença
O cumprimento da sentença foi inserido no CPC, junto às alterações trazidas pela Lei n. 11.232/2005, com o objetivo de criar a figura da impugnação, conforme reza a segunda parte do § 1º do art. 475-J, segundo o qual o credor poderá requerer mandado de penhora e avaliação, podendo o exequente desde logo indicar os bens a serem penhorados.
Na primeira parte, referido artigo determina a intimação do executado à penhora e à avaliação, estabelece alternativas à representação do executado, o meio pelo qual ocorrerá essa intimação e o prazo para que interponha impugnação.
Mezzomo afirma que não se refere a embargos que serão interpostos em feito autônomo. Trata-se de incidente processual que terá cabimento nos próprios autos, cuja matéria é passível de alegação nos termos do art. 475-L79 do CPC.80
Acatada tal alegação, poderá o juiz atribuir efeito suspensivo à impugnação motivada na relevância dos fundamentos alegados, desde que haja a possibilidade de o executado sofrer grave dano de difícil ou incerta reparação.81 Não obstante, poderá, ainda, dar prosseguimento à execução.
A inteligência do § 1º do art. 475-M, do CPC, diz ser regra a ausência do efeito suspensivo e a exceção se atribuído à impugnação, caso em que pode o exequente requerer o prosseguimento da execução, desde que o executado ofereça e preste (nos próprios autos) caução suficiente e idônea, arbitrada em juízo.
Oliveira corrobora o posicionamento retro com esta lição: “[...] a impugnação não suspende o processo executivo, embora o juiz possa, diante de critérios de conveniência e oportunidade, deferir tal efeito. Mesmo com efeito suspensivo, a execução pode seguir, desde que prestada caução”.82
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a) falta ou nulidade da citação, se o processo correu à revelia; b) inexigibilidade do título; c) penhora incorreta ou avaliação errônea; d) ilegitimidade das partes; e) excesso de execução; f) qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que superveniente à sentença. BRASIL, loc. cit.
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MEZZOMO, loc. cit.
81 Art. 475-M: “A impugnação não terá efeito suspensivo, podendo o juiz atribuir-lhe tal efeito desde
que relevantes seus fundamentos e o prosseguimento da execução seja manifestamente suscetível de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação”. BRASIL, loc. cit.
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OLIVEIRA, Helder Braulino Paulo de. Nova execução civil. Revista Consultor Jurídico, São Paulo, 26 dez. 2005. Disponível em: <http://conjur.estadao.com.br/static/text/40521,1>. Acesso em: 14 maio 2011.