EMPREEDEDORISMO EM TEMPOS DE PANDEMIA
DA RENÚNCIA DE RECEITA
De acordo com Silva (2014), nos termos do art. 14, §1º da Lei de Responsabilidade Fiscal , a renúncia de receita compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado, sendo cada um deles assim definidos:
a) Anistia: nessa modalidade de renúncia, ocorre o perdão pela Administração Pública a determinadas pessoas, de acordo com a lei
concedente desse benefício. Importante destacar, que na anistia ocorre o perdão em relação às infrações cometidas, desde que não haja má fé do beneficiário, nos termos dos incisos I e II do artigo 180 da Lei 5.172/66 que “dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios” (Código Tributário Nacional).
b) Remissão: nesse caso, a Administração Pública perdoa parte ou o total da dívida do contribuinte perante a municipalidade. Faz-se
necessário observar se a Administração fez constar na lei orçamentária em vigor a previsão de receitas em virtude da cobrança da dívida ativa. A remissão de parte ou total dessa dívida certamente diminuirá o potencial de arrecadação do Município.
c) Subsídio: nesse caso, o Município assume uma parte das despesas realizadas pela iniciativa privada, por considerar as atividades relevantes para o interesse da coletividade como um todo.
23Art. 11 (...)
Parágrafo único. É vedada a realização de transferências voluntárias para o ente que não observe o disposto no caput, no que se refere aos impostos.
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d) Crédito presumido: trata-se de um incentivo oferecido pelo ente público a setores escolhidos, com a finalidade de fomentar a economia. Através desse instituto, o setor beneficiado acaba arcando muito menos em relação àqueles tributos relacionados com o crédito concedido pelo Governo.
e) Concessão de isenção em caráter não geral: isenção é a dispensa legal do pagamento de certo(s) tributo(s). Vale destacar, que a restrição imposta pela LRF abarca somente as isenções concedidas em caráter não geral, ou seja, quando não são todos os contribuintes alcançados pelo benefício, todavia a lei concessora deve definir qual segmento será beneficiado, bem como os requisitos que deverão ser observados por esses.
f) Alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições: aqui basta haver alteração de alíquota ou alteração da base de cálculo de qualquer tributo associada com a diminuição na arrecadação.
g) Outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado: qualquer que seja o benefício tributário concedido que diminua a
capacidade de arrecadação do ente deve coadunar com as disposições do artigo 14 da LRF.
Como observado, a renúncia de receitas ganhou grande destaque na citada Lei Fiscal e é objeto de rigorosa fiscalização por parte dos órgãos de controle, pois tais renúncias são responsáveis por causar grande parte no desequilíbrio das contas públicas. Inclusive, existe previsão constitucional expressa que determina aos órgão de controle a competência de fiscalizar as renúncias de receitas, tal previsão encontra-se no caput do artigo 70. (REZENDE, 2001).
De acordo com Silva (2014), muitos gestores utilizam a redução tributária como argumento político, todavia a LRF impõe severas regras para utilização deste instituto, conforme preceitua seu art. 14.
Nesse sentido, conforme Junior (2007), qualquer benefício fiscal que reduzam a receita do município deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias (LDO) e ainda atender a um dos requisitos elencados nos incisos I e II do artigo 1424 da Lei de Responsabilidade Fiscal.
24Art. 14 (...)
I - demonstração pelo proponente de que a renúncia foi considerada na estimativa de receita da lei orçamentária, na forma do art. 12, e de que não afetará as metas de resultados fiscais previstas no anexo próprio da lei de diretrizes orçamentárias;
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De acordo com Alexandre (2015), as únicas exceções às citadas regras são as alterações das alíquotas dos impostos da União sobre importação de produtos estrangeiros (II), exportação (IE), produtos industrializados (IPI) e operações de crédito (IOF), os quais possuem caráter extrafiscal, ou seja, são utilizados para intervenção na economia do país, por isso tais restrições não se aplicam às suas alíquotas, além disso, estão dispensados aqueles débitos de pequeno vulto, cuja cobrança excede os benefícios de sua arrecadação.
Dessa forma, fica evidente que quando se tratar de renúncia de receita, é imprescindível que o município observe o disposto no artigo 14 da Lei de Resposnsabiliade Fiscal.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Dado o exposto, a Lei Complementar 101/00 trouxe diversas regras para a Administração Pública em geral, destacando, no seu art. 11, a importância da instituição, previsão e arrecadação de todos os tributos da competência constitucional do ente da federação.
A Constituição Federal conferiu aos municípios, a competência para instituir diversos tributos, todavia, dentre eles, os mais relevante são os impostos, os quais ganharam destaque especial no parágrafo único do art. 11 da LRF, que determinou a obrigatoriedade da instituição, previsão e arrecadação, sob pena de o município não receber tranferências voluntárias, causando, dessa forma, grande prejuízo a estes entes, pois, as sobreditas transferências na grande maioria dos municípios, são responsáveis pelos seus principais investimentos.
Cabe destacar, que apesar de haver certa discricionariedade por parte do gestor, quanto a concessão de benefícios fiscais, é patente que deve-se levar em consideração com rigor as diversas restrições impostas no art. 14 da LRF.
Dessa forma, fica evidente que, a renúncia de receitas, em especial a dos impostos municipais, por se tratar de fator determinante para o desequilíbrio das contas públicas, ganhou grande destaque na LRF, a qual impôs diversas regras nesse sentido, não havendo que se falar em concessão de benefícios fiscais por decisão eminentemente política.
Conclui-se do exposto, que só haverá o equilíbrio das contas públicas quando se gastar a quantia que foi planejada em função da arrecadação de receitas, o que pressupõe ação planejada e transparente dos atos praticados pelo administrador público responsável, que deve coadunar estritamente com as disposições da Lei de Responsabilidade Fiscal e, apesar, de não estar proibido, qualquer beneficio fiscal que importe na renúncia de receita deve ser concedido com a cautela exigida pela lei fiscal, sob pena do gestor público ser responsabilizado.
II - estar acompanhada de medidas de compensação, no período mencionado no caput, por meio do aumento de receita, proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição.
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