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1 ESTUDOS DE AVÓS E NETOS

1.2 DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS DO ENVELHECIMENTO

POPULACIONAL NA ATUALIDADE

Vários autores têm destacado o aumento do número de avós em virtude

da maior longevidade da população brasileira, além das mudanças com relação ao

papel do idoso na sociedade e na família contemporânea (SILVA; SALOMÃO, 2003;

NERI; PARK, 2005;ARAÚJO; DIAS, 2010;LOPES; OLIVEIRA; VIANNA;

CÁRDENAS, 2010CARDOSO, 2011).

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento

Econômico (OCDE) um país é considerado velho quando tem uma percentagem

superior a 7% de idosos na sua população geral. O Brasil, apesar de ser visto como

um país de jovens, não somente pela sua história mais recente, mas também pela

sua população jovem, apresenta índice social e demográfico de envelhecimento de

12,1%, o que é bastante superior ao estabelecido pela OCDE, em 2009 (MELCA,

2013).

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O índice de envelhecimento das pessoas no país é medido por meio da

razão entre o número de pessoas de 60 anos ou mais para cada 100 pessoas com

menos de 15 anos de idade. Em dez anos, a taxa passou de 31,7 para 51,8. Isto

significa que, atualmente, há aproximadamente um idoso para cada duas pessoas

de menos de 15 anos. O índice brasileiro é bem parecido com a média mundial, que

é de 48,2 (SÍNTESE DE INDICADORES SOCIAIS - SIS, 2010).

Dados de 2010, processados por Rabinovich, Azambuja e Moreira (2014),

apontam que o crescimento do número de idosos no Brasil é de cerca de

20.622,19,segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010). A

esperança de vida tem aumentado o que, aliado à queda dos índices de natalidade,

tem provocado o envelhecimento das sociedades. Em termos demográficos, este

fato tem implicações importantes na tessitura da família e nos papéis dos seus

membros.

A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI),

autarquia da Secretaria do Planejamento (SEPLAN), divulgou, no dia 6 de outubro

de 2013, o estudo “Projeções Demográficas para a Bahia 2010-2030”, elaborado

pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais

(CEDEPLAR), órgão especializado em projeções demográficas e analisado pela

Coordenação de Pesquisas Sociopopulacionais da SEI. A pesquisa aponta, entre

outras questões, o aumento da expectativa de vida dos homens, de 71 anos (entre

2005-2010) para 76 (entre 2025-2039), e das mulheres, de 77 (entre 2005-2010)

para 81 (entre 2025-2039). Além disto, o estudo também indica a redução do

incremento populacional entre 2010 e 2030, o que refletirá em uma diminuição do

ritmo do crescimento populacional na Bahia. Até 2030, as projeções apontam que o

envelhecimento populacional contribuirá para a tendência de declínio do crescimento

da população (SUPERINTENDÊNCIA DE ESTUDOS ECONÔMICOS E SOCIAIS DA

BAHIA, 2013).

Segundo a pesquisa, décadas atrás, o crescimento natural da população

brasileira era bastante elevado e relativamente constante e a Bahia não era

exceção. Na Bahia, por exemplo, as alterações no perfil demográfico, como a

redução da mortalidade e a maior expectativa de vida, ocorreram de forma bastante

acentuada a partir da década de 80. Em anos mais recentes, o acelerado declínio da

fecundidade, o avanço na queda da mortalidade e as mudanças na distribuição

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espacial da população alteraram a dinâmica populacional e reforçaram a

necessidade de projeções demográficas para os municípios e suas localidades.

Ainda em relação ao envelhecimento e longevidade, o estudo aponta que

o declínio da fecundidade influenciará bastante no perfil da população baiana nos

próximos anos, porque diminuirá a influência da população dos grupos etários mais

jovens (menos de 15 anos) na estrutura etária e aumentará o peso relativo da

população idosa (mais de 65 anos). No entanto, é a população de idades

intermediárias que permanecerá com o maior peso relativo na estrutura etária e este

peso será incrementado durante o período. De acordo com a pesquisa, em 2010, o

grupo acima de 60 anos de idade era composto por cerca de 1,4 milhões ou 10,3%

do total da população. Já em 2030, estes valores serão, respectivamente, 16,7% e

40,7%, refletindo a redução na base da pirâmide e o alargamento no topo da

pirâmide etária.

A Superintendência de Estudos Econômicos (SEI)revela os resultados da

pesquisa

O envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida dos homens e mulheres baianos demandará, segundo o estudo, uma forte demanda de serviços ao idoso o que pode mudar o foco das políticas de seguridade social, saúde e educação. Deste modo, iniciativas voltadas à população idosa (acima de 60 anos) serão cada vez mais importantes no âmbito das políticas públicas, enquanto ocorrerá menor pressão para as demandas relacionadas à infância e à adolescência (SEI, 2013).

De acordo com estudos efetuados, entre 2000 e 2050, a percentagem de

pessoas com mais de 65 anos irá duplicar. Este envelhecimento se deve a vários

fatores, dentre os quais a diminuição da taxa de natalidade, a melhoria das

condições de vida, a melhor cobertura das necessidades sociais e de saúde, a

diminuição das taxas de mortalidade, o aumento da esperança média de vida e o

resultado do desenvolvimento das sociedades, que superaram as adversidades e os

percalços da natureza (MARTINS, 2007; FLORES, 2008).

Nesse sentido, há um aumento de número de gerações que convivem

(HARPER, 2006) com membros de famílias de três ou quatro gerações, com,

principalmente, as mulheres se tornando longevas.

As mulheres atuais, mais longevas, ao longo do curso da vida frequentemente viúvas, vão tecendo outra centralidade: trabalhadoras, emancipadas ou pensionistas, crescentemente tornando-se chefes de família, entre a maturidade e a velhice mantendo as chefias ou com chefias reais até silenciosamente contestadas, quando bastante velhas (MOTTA, 2004, p. 54).

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Há uma linha matriarcal e matrilinear imperante em vários núcleos

familiares e encontrada ainda atualmente, por exemplo, em Salvador, Bahia (REIS;

RABINOVICH, 2006; RABINOVICH,DINIZ; BASTOS, 2009)

O poder das avós se encontra reforçado atualmente por muitas delas

(18,3%) deterem o poder econômico através de suas aposentadorias (CAMARANO,

2003; PNAD, 2013), mas este poder pode estar assentado também em sua

“autoridade” como líder matriarcal. Além disto, com o aumento dos divórcios e a

custódia dos filhos até recentemente dada à mãe, os vínculos matrilineares ficavam

fortalecidos e os homens tendiam a ficar marginalizados das famílias (EULER;

MICHALSKI, 2007).

A população brasileira está com 195,2 milhões de habitantes em 2011

(PNAD, 2009), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE,

2012). No Censo Brasileiro realizado em 2000, o número de idosos era de 14,5

milhões (8% da população total). Hoje, o Brasil tem 26,1 milhões acima dos 60 anos

de idade eaumentou a população dos que têm mais de 40 anos: esta faixa registrou

na pesquisa 75,7 milhões de pessoas contra as 62,3 milhões de crianças e

adolescentes (faixa de 0 a 19 anos) (PNAD, 2013).

A expectativa de vida no país tem aumentado consideravelmente nas

últimas décadas. No início do século XX, o brasileiro vivia, em média, 33 anos. Em

1990, a média era de 66,9 anos e, no Censo 2010, a expectativa de vida dos

brasileiros passou para 74,01: gênero masculino, 70,6 anos e o feminino, 77,7 anos.

As mulheres idosas são maioria assim como a população feminina em

geral. Percebe-se que há uma feminilização da população em âmbito nacional. A

população feminina e a masculina envelhecem de maneiras diferentes. A principal

explicação para a diferença de gênero, segundo o IBGE (2010), é que as mortes

violentas em acidentes automobilísticos, homicídios e o abuso de bebidas alcoólicas

atingem com mais intensidade a população masculina. Geralmente, os homens

adotam menos cuidados com a saúde pessoal, negligenciando exames médicos

preventivos periódicos bem como o tratamento adequado de doenças crônicas.

Estes podem ser também fatores que justifiquem a pior qualidade da saúde

masculina quando comparada à saúde das mulheres em faixas mais avançadas. A

maior longevidade feminina é confirmada, ainda, pelos dados dos últimos censos

demográficos realizados no país (2013). De uma população de 195,2 milhões de

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habitantes, 100,5 milhões ou 51,5% é de mulheres e 94,7 milhões de homens –

48,5% do total. A síntese dos dados demográficos da população brasileira pode ser

observada na Tabela 1.

Tabela 1 – Proporção de pessoas de 60 anos ou mais de idade, por grupos de idade,

segundo as Grandes Regiões – Brasil, 2013

GRANDES

REGIÕES

PROPORÇÃO DE PESSOAS DE 60 ANOS OU MAIS DE IDADE (%)

Total Grupos de Idade

60-64 65-69 70-74 75-79 80 ou mais

Brasil 13,0 4,2 3,1 2,3 1,6 1,8

Norte 8,8 3.0 2,2 1,5 1,0 1,1

Nordeste 12,4 3,8 3,0 2,3 1,6 1,8

Sudeste 14,2 4,5 3,4 2,5 1,0 2,0

Sul 14,5 4,8 3,5 2,7 1,8 1,8

Centro-Oeste 11,1 3,6 2,7 2,1 1,4 1,3

Fonte: IBGE, PNAD, 2013

Na composição da população de idosos brasileiros, a Região Sul, em

2013, apresentou a maior proporção de pessoas de 60 a 74 anos, seguido do

Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte. A Região Sul também liderou a

quantidade de idosos entre 75 e 79, seguido do Nordeste, Centro Oeste, Sudeste e

Norte. A Região Sudeste apresentou o maior número de idosos entre 80 anos ou

mais, em seguida, o Sul e o Nordeste apareceram com o mesmo percentual; com

menor proporção, a Centro-Oeste e o Norte.

As mudanças observadas na população brasileira e na organização do

grupo sociofamiliar variam por regiões, devido aos impactos temporais distintos do

processo de modernização sobre o Território Nacional. Segundo a Pesquisa

Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD, 2013), as mudanças na composição e

características dos arranjos familiares ocorreram, inicialmente, nas regiões cujo

maior dinamismo socioeconômico levou à incorporação de novos hábitos e valores

ao processo de reprodução social das famílias brasileiras – regiões Sul e Sudeste

(IBGE, 2014, p. 69).

O envelhecimento da população e o aumento da participação da mulher

no mercado de trabalho estão provocando uma revolução nas famílias brasileiras. O

aumento da proporção de mulheres e idosos  homens e mulheres  chefes de

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Aplicada (IPEA), a partir de dados da última Pesquisa Nacional por Amostra

Domiciliar (PNAD, 2013).Segundo essa mesma pesquisa, 13,8 milhões de idosos

brasileiros chefiavam famílias, sendo maior o percentual de pessoas do sexo

feminino. Entre aqueles que tinham 60 anos ou mais, 56% eram mulheres e 44%,

homens. Dos 23,8% de idosos que estavam na condição de cônjuges, 81,4% eram

mulheres. Em cerca de 6,2 milhões de lares onde o idoso era chefe ou cônjuge,

havia filhos adultos residindo.

Destaca-se,ainda,que, segundo o PNAD (2013), em 2,3 milhões de

famílias, havia netos. Na última década, aumentou para 1 milhão e 700 mil o número

de netos e bisnetos criados por avós e bisavós. De fato, o papel dos avós como

provedores tem sido apontado por vários autores. Desemprego, divórcio, viuvez,

filhos que não saem nunca de casa seriam as razões porque, no Brasil, as gerações

mais velhas coabitam cada vez mais com jovens, principalmente nas famílias das

camadas populares (ARAÚJO; DIAS, 2002; LINS DE BARROS, 1987; PEIXOTO,

2004).

Tabela 2 – Dados demográficos e expectativa de vida da população brasileira – Brasil,

2012

POPULAÇÃO BRASILEIRA

(N°em milhões)

EXPECTATIVA DE VIDA

(em anos)

Total Idosos Mulheres Homens Média Mulheres Homens

N° % N° %

195,2 23,5 100,5 51,5 94,7 48,5 74,08 77,7 70,6

Fonte: IBGE, 2012

Outro aspecto relevante é que as oportunidades de maior interação entre

gerações têm aumentado devido ao crescente número de avós vivos e ao período

de velhice saudável e, por isso, é mais provável que os avós construam com os

netos uma relação que se prolongue. Por exemplo, o papel de avô/avó surge, em

média, aos 50 e 60 anos de idade, o que possibilita que avós e netos possam

esperar viver, em comum, duas a três décadas, sendo que a terceira década

ocorrerá já com os netos adultos e com os bisnetos (SOUSA, 2006).

Esse maior tempo de convivência pode ocorrer em um contexto de

dependência ou independência dos avós; daí que não se pode desejar apenas que

os avós cuidem dos netos: cada vez mais poderá se esperar que também os netos

cuidem dos avós. “Assim, emerge uma relação de cuidados recíproca: os avós

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cuidam (ou ajudam a cuidar) dos netos enquanto estes são pequenos e os netos

poderão cuidar dos avós quando estes chegarem a uma fase da vida de maior

debilidade” (HARPER, 2006, p.40).