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das exportações de bens e serviços observado desde

No documento Boletim Económico. Outubro Lisboa, 2016 (páginas 73-76)

meados de 2015, refletindo

em particular a queda

das exportações de bens

energéticos e dos serviços

não ligados ao turismo

As exportações de bens e serviços registaram um crescimento de 2,5 por cento no primeiro semestre de 2016 (6,1 por cento no conjun- to de 2015), mantendo o perfil de desacelera- ção observado desde meados do ano anterior. Esta evolução reflete o comportamento tanto da componente de bens como da componente de serviços (Gráfico 6.11). Refira-se em particu- lar a queda das exportações de bens energéti- cos na primeira metade do ano, assim como das exportações de serviços não ligados ao turismo. No primeiro semestre de 2016, as exportações de bens apresentaram um crescimento em volume de 2,7 por cento, em termos homólogos (6,3 por cento no conjunto de 2015). O menor dinamis- mo das exportações de bens foi determinado

Gráfico 6.9 • Evolução da FBCF em alguns países

da área do euro | Índice 2008 T1=100 Gráfico 6.10 • Principal fator limitativo ao investimento | Em percentagem das empresas que afirmam ter limitações ao investimento 60 70 80 90 100 110 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Área do euro Alemanha França Itália Espanha Portugal

0 20 40 60 80 Deterioração das perspetivas de venda Rentabilidade dos investimentos Capacidade de autofinanciamento Dificuldade em obter crédito bancário Nível da taxa de juro

Outros

Percentagem de empresas

2016 2015 2014 2013 Fontes: Eurostat e INE. Fonte: INE.

pela redução das exportações de bens energéti- cos. No primeiro semestre de 2016, as exporta- ções de bens energéticos registaram uma queda em termos reais de 6,8 por cento, após um cres- cimento de 40,3 por cento no conjunto de 2015. Excluindo os bens energéticos, as exportações de bens registaram um crescimento de 3,8 por cento (3,3 por cento no conjunto de 2015). A manutenção de um crescimento robusto das exportações portuguesas no futuro continuará a depender fortemente da dinâmica exportadora das empresas com menor antiguidade, cujo con- tributo foi relativamente menos acentuado nos últimos anos em que existe evidência disponí- vel (ver o Tema em Destaque apresentado nes- te Boletim “Empresas portuguesas participantes no comércio internacional: alguns factos sobre idade, preços e mercados”).

Tal como nos últimos anos, o deflator das ex- portações de bens registou uma queda no pri- meiro semestre de 2016 (-4,5 por cento em ter- mos homólogos), sendo menos pronunciada

excluindo as exportações de combustíveis (-2,6 por cento). Neste contexto, refira-se que, quan- do avaliadas em termos nominais, as exporta- ções de bens na primeira metade de 2016 re- gistaram uma queda em termos homólogos de 1,8 por cento, refletindo em grande medida a manutenção da trajetória de redução das expor- tações para mercados extracomunitários, com destaque para Angola e China (Gráfico 6.12)50.

O contributo das exportações para Angola e China para o crescimento das exportações no- minais de bens no primeiro semestre de 2016 situou-se em -1,9 p.p. e -0,7 p.p., respetivamen- te, correspondente a quedas em termos homó- logos de 44,5 e 36,4 por cento. Por produtos, para além da forte redução das vendas de com- bustíveis, destaca-se a queda em termos homó- logos das exportações de automóveis de passa- geiros, em particular para a Alemanha. Esta evo- lução reflete em larga medida o encerramento, com um carácter não permanente, de unidades de produção destes bens no primeiro semes- tre de 2016. Em sentido contrário, sublinhe-se a

Gráfico 6.11 • Contributos para a variação real

das exportações de bens e serviços | Taxa de variação homóloga, em percentagem, e contributos, em pontos percentuais; valores trimestrais

Gráfico 6.12 • Contributos dos principais mercados

para a variação das exportações nominais de bens excluindo combustíveis | Taxa de variação homóloga, em percentagem, e contributos, em pontos percentuais; valores trimestrais -4 -2 0 2 4 6 8 10 2012 2013 2014 2015 2016 Outros serviços Turismo

Exportações bens energéticos

Exportações de bens (exc. bens energéticos) Exportações de bens e serviços

(taxa de variação homóloga, em percentagem)

-6 -3 0 3 6 9 12 2012 2012 2013 2013 2014 2014 2015 2015 2016 China Angola

Extracomunitárias exc. Angola e China Intracomunitárias

Exportações nominais de bens excluindo combustíveis (variação em percentagem) Fonte: INE (Comércio Internacional). Fontes: INE (Comércio Internacional) e cálculos do Banco de Portugal.

manutenção do dinamismo das exportações de vestuário e calçado.

As exportações de serviços registaram um cres- cimento em volume de 2,1 por cento no primeiro semestre face ao semestre homólogo de 2015 (5,7 por cento no conjunto de 2015). A perda de dinamismo das exportações de serviços refle- te a evolução das exportações de serviços não ligados ao turismo. Na primeira metade do ano, esta componente registou uma queda em volu- me de 2,7 por cento face ao primeiro semestre de 2015, para o que contribuiu em larga medida a redução das exportações de serviços de trans- porte aéreo de passageiros e de outros serviços prestados pelas empresas.

Em sentido contrário, é de destacar a manuten- ção do dinamismo elevado das exportações de serviços de turismo, com um crescimento em volume de 8,3 por cento no primeiro semestre de 2016 face ao semestre homólogo de 2015. A evolução das exportações de turismo é consis- tente com o crescimento das receitas nominais

de turismo, que registaram um aumento de 9,2 por cento no primeiro semestre de 2016, em termos homólogos, e com o elevado dinamismo do número de dormidas de não residentes em estabelecimentos hoteleiros nacionais. No pri- meiro semestre de 2016, este último indicador apresentou um crescimento de 12,4 por cento (7,1 por cento no conjunto de 2015).

O crescimento em volume das exportações de bens e serviços no primeiro semestre de 2016 foi inferior ao crescimento do indicador de procura externa habitualmente utilizado pelo Banco de Portugal, calculado com base na informação uti- lizada no âmbito do Eurosistema (Gráfico 6.13). Sublinhe-se que este indicador não reflete a importância relativa do comércio externo com Angola no caso da economia portuguesa. Uma estimativa da procura externa tendo em conta o peso efetivo de Angola e a evolução das suas importações revela um menor crescimento da procura externa dirigida a Portugal no período mais recente, implicando um ligeiro ganho de quota no primeiro semestre de 2016.

Gráfico 6.13 • Exportações de bens e serviços

e procura externa | Valores semestrais; taxa de variação homóloga, em percentagem

Gráfico 6.14 • Contributos para a variação real das

importações de bens e serviços | Taxa de variação homóloga, em percentagem, e contributos, em pontos percentuais; valores trimestrais

-20 -15 -10 -5 0 5 10 15 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 Procura externa Exportações portuguesas Procura externa incluindo Angola

Fontes: INE, FMI, Banco Central Europeu e cálculos do Banco de Portugal. Nota: O indicador de procura externa corrigido pela importância do comér- cio externo com Angola corresponde à média ponderada (pelo peso das exportações) entre o indicador de procura externa calculado pelo BCE e as importações em volume de bens e serviços da economia angolana. São uti- lizadas as projeções do FMI (Word Economic Outlook) para o crescimento das importações em volume de Angola em 2016.

-12 -8 -4 0 4 8 12 16 2012 2013 2014 2015 2016 Outros serviços Turismo

Importações bens energéticos

Importações de bens (exc. bens energéticos) Importações de bens e serviços

(taxa de variação homóloga, em percentagem) Fontes: INE e cálculos do Banco de Portugal.

Desaceleração das importações

No documento Boletim Económico. Outubro Lisboa, 2016 (páginas 73-76)