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do investimento no primeiro semestre do ano refletindo

No documento Boletim Económico. Outubro Lisboa, 2016 (páginas 71-73)

em larga medida a diminuição

da FBCF em construção

No primeiro semestre de 2016, o investimento registou uma queda em volume de 2,3 por cento

face ao período homólogo de 2015, e de 1,5 por cento face ao segundo semestre de 2015. O principal contributo para a evolução do inves- timento na primeira metade de 2016 adveio da FBCF em construção, que diminuiu 3,6 por cen- to em termos homólogos (Gráfico 6.7). Assim, depois das quedas consecutivas observadas des- de 2002, a que se seguiu uma recuperação sig- nificativa em 2015, esta componente do inves- timento, cujo peso na FBCF total é de cerca de 50 por cento, voltou a registar uma diminuição acentuada. Esta evolução poderá estar a refle- tir parcialmente o impacto da conclusão de algu- mas infraestruturas de grande dimensão no final de 2015, assim como as condições meteorológi- cas adversas registadas no início do ano. A que- da da FBCF em construção na primeira metade de 2016 é consistente com a evolução das ven- das de cimento para o mercado nacional, bem como com outros indicadores habitualmente usados para aferir o desempenho do setor da construção, que sugerem igualmente uma que- da desta componente da FBCF no período mais recente, ainda que menos acentuada.

Gráfico 6.5 • Contributos para a variação real

do consumo privado | Taxa de variação homóloga, em percentagem, e contributos, em pontos percentuais; valores trimestrais

Gráfico 6.6 • Vendas de veículos ligeiros

de passageiros | Número de veículos; valores anuais, em milhares -8 -6 -4 -2 0 2 4 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Duradouros (não automóvel) Duradouros (automóvel) Não duradouros

Consumo privado (variação em percentagem)

jul. 2016 50 100 150 200 250 300 20 01 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Vendas de automóveis ligeiros de passageiros (valor acumulado nos últimos 12 meses) Média 2001-2016 (jul.)

Para a queda em termos homólogos da FBCF no primeiro semestre do ano contribuiu igualmen- te a redução da FBCF em máquinas e equipa- mentos (-5,2 por cento). Neste contexto, impor- ta referir que, face ao segundo semestre de 2015, esta componente do investimento regis- tou uma queda menos pronunciada (-0,6 por cento, o que compara com -4,6 por cento no último semestre de 2015). Por outro lado, a FBCF em material de transporte apresentou um cres- cimento de 10,3 por cento no primeiro semes- tre. O crescimento desta componente foi parti- cularmente significativo nos primeiros meses de 2016, o que poderá estar associado a um efeito de antecipação de compras, à semelhança do observado no caso dos veículos automóveis de passageiros.

Num quadro de elevado endividamento das empresas e de uma utilização da capacidade produtiva ainda abaixo dos níveis anteriores à recessão (Gráfico 6.8), o aumento de incerte- za, quer interna, quer externa, que caraterizou o final de 2015 e o início de 2016 poderá ter contribuído para condicionar as decisões de investimento ao longo dos últimos trimestres. Adicionalmente, o caráter irreversível de uma

grande parte das aquisições de capital físico poderá igualmente ter condicionado as decisões de compra deste tipo de ativos pelas empresas no quadro de incerteza que caraterizou a pri- meira metade do ano. A queda do investimento verificou-se tanto no setor privado (empresarial e habitação), como no setor público.

Depois da queda acentuada observada durante a crise económica e financeira, a FBCF em Por- tugal tem registado uma recuperação bastante moderada. Este facto é igualmente observável em outras economias, nomeadamente da área do euro, em que o nível de investimento ainda se situa abaixo do observado em 2008 (Gráfico 6.9). Neste contexto, refira-se que, enquanto o PIB na área do euro já se encontra acima do nível obser- vado antes da crise, a FBCF no segundo trimestre de 2016 situava-se cerca de 12 por cento abaixo do valor observado no início de 2008 (Secção 2). Embora não exista consenso sobre as razões que podem estar subjacentes a esta evolução, ela afigura-se como particularmente negativa para Portugal, não só porque a queda do inves- timento durante o período da crise foi relativa- mente mais acentuada, mas também porque o capital por trabalhador na economia portuguesa

Gráfico 6.7 • Evolução da FBCF por tipo

de investimento | Índice 2008 T1=100 Gráfico 6.8 • Taxa de utilização da capacidade produtiva | Valores trimestrais corrigidos de variações sazonais; em percentagem 20 40 60 80 100 120 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 FBCF total FBCF – construção FBCF – material de transporte FBCF – máquinas e equipamentos 72 74 76 78 80 82 84 86 88 Em p er cen ta gem

se mantém em níveis relativamente baixos quan- do comparado com a média da área do euro. Importa, contudo, referir que, apesar da evolu- ção menos favorável da FBCF no período mais recente, tem sido observada uma redução da percentagem de empresas que afirmam ter limitações ao investimento. Tendo por base a informação para o ano corrente do Inquérito ao Investimento divulgado em julho de cada ano, esta percentagem situava-se em 61,6 por cento, em 2013, tendo diminuído gradualmen- te para 50,2 por cento em 2016. Muito embora a deterioração das perspetivas de venda per- maneça como o principal fator limitativo ao investimento apontado pelas empresas, o res- petivo peso relativo tem diminuído por contra- partida do aumento de outros fatores como a rentabilidade dos investimentos ou a capa- cidade de autofinanciamento (Gráfico 6.10). Não obstante, importa referir que a evidência microeconómica sugere que o investimento passado e a posição financeira das empresas, incluindo o seu grau de endividamento, têm um maior poder explicativo da evolução do investimento que as respostas qualitativas ao inquérito (Caixa “Evidência microeconómica das decisões de investimento das empresas”).

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