Subseção I Definições e Limites
DAS TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS
Neste sucinto capítulo, são estabelecidas as condições para a realização das transfe-rências voluntárias de recursos entre os entes da Federação, que no ano de 2017 correspondeu a mais ou menos R$ 10 bilhões, principalmente para ações nas áreas de educação (alimen-tação escolar), assistência social (bolsa criança-cidadã, atendimento de criança em creche) e trabalho (qualificação profissional do trabalhador).
Transferências voluntárias são aquelas condicionadas à decisão pela autoridade competente dentro do chamado juízo de conveniência e oportunidade (discricionariedade).
As transferências voluntárias subdividem-se em:
➢ Transferências por Convênio: são aquelas realizadas por meio de procedimento prévio que resulta em acordo formal denominado convênio, normalmente celebrado entre a entidade repassadora e a entidade receptora;
➢ Transferências por Contrato de Repasse: diferem da transferência por convênio apenas pelo fato de a transferência ao destinatário final ser feita por intermédio de instituição financeira considerada mais apta a lidar com a gestão do recurso e acompanhar sua devida aplicação no âmbito daquele programa; e
➢ Termo de Parceria: repasse de recursos da União para entidades privadas, previsto na Lei Federal n. 9.790, de 23 de março de 1999, apto a promover a transferência de recursos federais às instituições classificadas como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs). Não é aplicável entre entidades da Administração Pública.
Atualmente, as transferências voluntárias são registradas, executadas e controladas pelo Sistema de Convênios – SICONV.
Art. 25. Para efeito desta Lei Complementar, entende-se por transferência
vo-luntária a entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de determinação cons-titucional, legal ou os destinados ao Sistema Único de Saúde.
A LRF, por meio do seu art. 25 define transferência voluntária como a entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de transferência obrigatória (determinação constitu-cional, legal ou destinada ao SUS).
§ 1o São exigências para a realização de transferência voluntária, além das esta-belecidas na lei de diretrizes orçamentárias:
A LDO 2011 define em seu art. 39 que a realização de transferências voluntárias dependerá da comprovação, por parte do convenente, de que existe previsão de contrapartida na lei orçamentária do Estado, Distrito Federal ou Município.
As exigências desta Lei Complementar são:
I - existência de dotação específica;
Sem dotação não existe despesa, é regra básica das finanças públicas.
II - (VETADO)
Vetado por contrariar o interesse público.
III - observância do disposto no inciso X do art. 167 da Constituição;
Que veda a transferência voluntária de recursos pelos Governos Federal e Estadu-ais e suas instituições financeiras, para pagamento de despesas com pessoal ativo, inativo e pensionista, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
IV - comprovação, por parte do beneficiário, de:
a) que se acha em dia quanto ao pagamento de tributos, empréstimos e financia-mentos devidos ao ente transferidor, bem como quanto à prestação de contas de recursos anteriormente dele recebidos;
Temos aqui algumas comprovações a serem feitas pelo beneficiário, sem as quais não há transferência voluntária.
A comprovação exigida busca garantir que não sejam destinados recursos públicos aos “maus pagadores”, bem como, aos maus gestores que porventura não tenham prestado contas de recursos anteriormente recebidos.
b) cumprimento dos limites constitucionais relativos à educação e à saúde;
Deve o beneficiário comprovar que cumpre os limites constitucionais, valores mí-nimos para a manutenção e continuidade dos serviços, relativos à educação e à saúde.
c) observância dos limites das dívidas consolidada e mobiliária, de operações de crédito, inclusive por antecipação de receita, de inscrição em Restos a Pagar e de despesa total com pessoal;
O beneficiário deverá comprovar, ainda, que não transgride os limites das dívidas consolidada e mobiliária, de operações de crédito, de restos a pagar e despesa total com pes-soal.
d) previsão orçamentária de contrapartida.
Previsão orçamentária de contrapartida definida na LDO, conforme segue:
Art. 39, “§ 1o A contrapartida, exclusivamente financeira, será estabelecida em termos percentuais do valor previsto no instrumento de transferência voluntária, considerando-se a capacidade financeira da respectiva unidade beneficiada e seu Índice de Desenvolvimento Humano, tendo como limite mínimo e máximo:
I - no caso dos Municípios:
a) um décimo por cento e quatro por cento, para Municípios com até cinquenta mil habitantes;
b) dois décimos por cento e oito por cento, para Municípios com mais de cinquenta mil habitantes localizados nas áreas prioritárias definidas no âmbito da Política Nacional de Desenvolvimento Regional - PNDR, nas áreas da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - Sudene, da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia - Sudam e da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste - Sudeco;
c) um por cento e vinte por cento, para os demais Municípios; e
d) um décimo por cento e cinco por cento, para Municípios com até duzentos mil habitantes, situados em áreas vulneráveis a eventos extremos, tais como secas, deslizamentos e inundações, incluídas na lista classificatória de vulnerabilidade e recorrência de mortes por de-sastres naturais fornecida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações;
II - no caso dos Estados e do Distrito Federal:
a) um décimo por cento e dez por cento, se localizados nas áreas prioritárias definidas no âmbito da PNDR, nas áreas da Sudene, da Sudam e da Sudeco; e
b) dois por cento e vinte por cento, para os demais Estados;
III - no caso de consórcios públicos constituídos por Estados, Distrito Federal e Municípios, um décimo por cento e quatro por cento. ”
§ 2o É vedada a utilização de recursos transferidos em finalidade diversa da pactuada.
Em conformidade com o que disciplina o Princípio do Escopo, há de ser utilizado o montante para o fim proposto e acordado.
§ 3o Para fins da aplicação das sanções de suspensão de transferências voluntárias constantes desta Lei Complementar, excetuam-se aquelas relativas a ações de educação, saúde e assistência social.
As exceções devem-se ao fato de que as áreas elencadas no parágrafo são bastante carentes de recursos e de fundamental importância para o país, portanto, não serão suspensas as transferências voluntárias para as áreas de educação, saúde e assistência social, ainda que o ente receba como sanção a suspensão de tais transferências.
Para conhecimento, cabe ressaltar que as transferências voluntárias constantes do § 3º, correspondem a dois terços do total de transferências voluntárias repassadas anualmente (cerca de R$ 10 bilhões).
CAPÍTULO VI
DA DESTINAÇÃO DE RECURSOS PÚBLICOS PARA O SETOR PRIVADO