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de Moçambique: Princípios, Objectivos e Mecanismos de Implementação

Emílio J. Zeca Mestre em Resolução de Conflitos e Mediação Investigador de Paz, Conflito e Segurança Email: [email protected]

A génese da diplomacia e política externa moçambicana encontra-se nas acções realizadas pela Frente de Libertação de Moçambique – FRELIMO, quando estabeleceu várias parcerias de cooperação com diferentes Estados e organizações, com o intuito de obter apoios para a luta armada de libertação nacional. Ainda antes da proclamação da independência nacional, a Frente de Libertação de Moçambique tinha tratamento igual ao de embaixadas nalguns Estados com quem cooperava, por exemplo na Argélia e Tanzânia. Depois da independência nacional, os princípios da política externa e diplomacia de Moçambique foram formulados com base na análise feita das relações de poder e as contradições que ocorreram como o sistema colonial, regi- me do Apartheid e as novas situações do período pós Guerra Fria e globalização.

A

Política Externa e Diploma-

cia de Moçambique estive- ram sempre assente no prin- cípio de “fazer mais amigos, evitar inimigos e promover parcerias”. A prossecução da política externa e diplomacia da Frente de Libertação de Moçambique teve como objecti- vos principais a angariação de apoios à causa da luta de libertação nacional, iniciada em 1964, por um lado, e a denúncia e o isolamento do sistema colonia português, através de vários fora internacionais, como foram os casos das Nações Unidas e Organização da Unidade Africa. Como resultado, houve a assistência de Estados africanos, Estados socialis-

tas, os nórdicos e das Caraíbas. Para além da assistência dos Estados, hou- ve apoio e assistência de vários Comités de Solidariedade na Europa, Ásia e América (Governo de Moçam- bique, Resolução N.° 32/2010 de 30 de Agosto).

Imediatamente a seguir a pro- clamação da sua independência, Moçambique tinha dois opositores à sua luta pela independência econó- mica e política, o sistema capitalista Ocidental e o regime minoritário branco, respectivamente. Os gover- nantes nacionais, rapidamente, viram na cooperação regional e na liberta- ção dos Estados vizinhos, a condição prévia para desenvolvimento econó-

mico e o futuro de Moçambique (Abrahamsson e Nilson, 1992:100-101). Portanto, a política externa de Moçambique formulada na altura da independência nacional era anti imperialista e anti-racista que rapida- mente se expandiu para os esforços africanos comuns para a conquista e consolidação das suas independên- cias. De acordo com Abrahamsson e Nilson (1992:40), depois do IIIº Con- gresso da Frelimo, a política externa de Moçambique passou a dar impor- tância ao não alinhamento, com uma nítida inclinação para uma posi- ção anti-imperialista e a necessidade da diminuição da dependência em relação á África do Sul.

No período pós independên- cia, tendo em conta o contexto regional e global, a política externa de Moçambique assentou-se no for- talecimento da identidade moçam- bicana e na unidade nacional, defe- sa da integridade territorial e a edifi- cação de bases económicas e sociais. Desta feita, foram estabeleci- das relações diplomáticas com vários Estados e Moçambique passou a ter um activismo notório nas organiza- ções internacionais de que era mem- bro. Por exemplo, no plano regional, Moçambique participou activamente na Linha da Frente, e depois na SADCC e SADC. Moçambique empe- nhou-se e empenha-se na promoção dos ideais da unidade africana, atra- vés do reforço da integração regio- nal e a nível das Nações Unidades, sempre colaborou para a materializa- ção da agenda daquela organiza- ção (Governo de Moçambique, Resolução N.° 32/2010 de 30 de Agos-

to)

O encerramento da fronteira com a Rodésia do Sul, como cumpri- mento das sansões das Nações Uni- das aos regime minoritário de Ian Smith precipitou a ameaça estratégi- ca militar e represália que Moçambi- que sofreu do referido regime, enten- dido como apoio a ZANU, movimento de libertação na Rodésia do Sul. O papel activo de Moçambique para a formação da SADCC, a sua respon- sabilidade pelas acções necessárias de transporte e comunicações para que o regime do Apartheid da África do Sul pudesse ser isolado fez que Moçambique fosse punido pelo Presi- dente Botha que utilizou a sua estra- tégia total e deu início à desestabili-

zação económica e militar

(Abrahamsson e Nilson,1992:101-102). Devido às consequências dos efeitos económicos do processo de desestabilização levado a cabo pelo

Apartheid sul-africano e a seca que

assolou a África Austral nos anos 1980, Moçambique teve a necessidade de recorrer à ajuda internacional para resolver os problemas nacionais. E, como a URSS, em 1982, tinha recusa- do dar apoio a Moçambique, foi necessário criar novas alianças políti- cas. Assim, Moçambique dirigiu-se aos EUA, onde para aderir ao FMI e ao Banco Mundial, foi obrigado a assinar acordos de não-agressão com a África do Sul do Apartheid (Abrahamsson e Nilson, 1992:104).

Durante o período de desen- volvimento e consolidação dos princí- pios da política externa e diplomacia de Moçambique, o respeito pela

soberania, integridade territorial, a não ingerência nos assuntos internos dos Estados, a igualdade e reciproci- dade de benefícios e a resolução pacífica de conflitos sempre foram defendidos. Desta feita, Moçambique solidarizou-se com a luta de liberta- ção do povo zimbabwiano contra o regime minoritário de Ian Smith, encerrando a fronteira nos anos 1980; também a solidariedade e apoio estendeu-se ao ANC, contra o regime racista do Apartheid na África do Sul, através do esforço e empenho, no processo de cooperação para o desenvolvimento da África Austral (FRELIMO, 1983:161-165). Neste con- texto e período, a política externa de Moçambique era marcada por uma

orientação baseada na auto-

abnegação, porque esta solidarieda- de trouxe muitos prejuízos e represá- lias para o Estado.

A política externa e a diploma- cia de Moçambique solidarizaram-se com a luta anti colonial na Namíbia ocupada pela África do Sul e as ten- tativas de manobra tendentes a dis- torcer a Resolução 435 das Nações Unidas levadas a cabo por este Esta- do, até o início dos anos 1990. Moçambique se solidarizou, igual- mente, com situações de tensão em várias regiões de África, Médio Orien- te e a ascensão de ditaduras na América latina. Na região do Médio Oriente, Moçambique manifestou repulsa pela invasão israelita ao Líba- no, em 1982, e apoiou incondicional- mente a “justa luta” do povo palesti- niano e a OLP, defendendo o direito dos povos conduzirem a sua autode- terminação. Na América Latina, nos

anos 1980, Moçambique condenou a ascensão de regimes revolucionários que culminavam em ditaduras e defendeu que o povo tem o direito a escolher o seu destino (FRELIMO, 1984:160174).

O fim do conflito Este/Oeste nos finais da década de 1980 do Século XX trouxe um novo ambiente no sistema político internacional que contribuiu para a resolução de alguns conflitos internos e regionais em várias partes do mundo, bem como despo- letou novos paradigmas na arena internacional, incluindo na África Aus- tral. As profundas transformações operadas no Sistema Internacional trouxeram novos desafios na relação de Moçambique com o mundo que caracterizam-se pela crescente inter- dependência entre Estados, pela glo- balização, integração regional e pelo surgimento de novas tendências eco- nómicas. Neste período, assistiu-se ao surgimento de novos tipos de conflitos e fenómenos internacionais tais como o terrorismo, crime transnacional, mudanças climáticas, doenças endé- micas (Governo de Moçambique, Resolução N.° 32/2010 de 30 de Agos- to). Todos esses fenómenos e a nova conjuntura internacional do período pós Guerra Fria implicaram uma nova adequação e adptação da política externa de Moçambique, para fazer face aos mesmos.

Pode-se constatar que a políti- ca externa e a diplomacia de Moçambique formaram-se ao longo do tempo, tendo em conta o proces- so da luta de libertação nacional, a guerra dos dezasseis anos, os acordos

Gerais de Paz, assinados em 1992 e as diversas transformações ocorridas no sistema internacional ao longo do tempo em que Moçambique se edi- ficou e consolidou como Estado e se inseriu no concerto das nações.

Actualmente, a política exter- na de Moçambique tem como visão e missão a defesa do interesse nacional, fazer mais amigos e diversi- ficar parcerias no mundo, contribuir para a paz e o progresso da humani- dade, projectando sempre o bom nome e a boa imagem de Moçam- bique na arena internacional; e a implementação de uma acção diplomática proactiva com vista a contribuir para a consolidação da paz e estabilidade, a erradicação da pobreza, a promoção da demo- cracia e dos direitos humanos e o desenvolvimento sustentável em Moçambique, na África e no Mundo.

Princípios e Linhas de Orientação da Política Externa de Moçambique

A Política Externa de Moçambi- que guia-se pelos princípios funda- mentais consagrados nos Artigos 17 a 22 da Constituição da República (2004) e na Resolução nº 32/2010, do Conselho de Ministros de Moçambi- que de 27 de Julho, que aprova a Política Externa de Moçambique. Tendo em conta estes dispositivos, a política externa do Estado Moçambi- cano pauta-se pelos seguintes princí- pios:

1. Estabelecimento de relações de amizade e cooperação com outros

Estados, na base dos princípios de respeito mútuo pela soberania e integridade territorial, igualdade, não interferência nos assuntos inter- nos e reciprocidade de benefícios; observância e aplicação dos prin- cípios da Carta da Organização das Nações Unidas e da Carta da União Africana;

2. Solidariedade para com a luta dos povos e Estados africanos, pela unidade, liberdade, dignidade e direito ao progresso económico e social; busca e o reforço das rela- ções com Estados empenhados na consolidação da independência nacional, da democracia e na recuperação do uso e controlo das riquezas naturais a favor dos res- pectivos povos; luta pela instaura- ção de uma ordem económica jus- ta e equitativa nas relações inter- nacionais; apoio e solidariedade com a luta dos povos pela liberta- ção nacional e pela democracia; concessão de asilo aos estrangeiros perseguidos em razão da sua luta pela libertação nacional, pela democracia, pela paz e pela defe- sa dos direitos humanos; manuten- ção de laços especiais de amizade e cooperação com os países da região, com os países de língua ofi- cial portuguesa e com os países de acolhimento de emigrantes moçambicanos;

3. Prosseguimento de uma política de paz, em que só recorre-se à for- ça em caso de legítima defesa; defesa e primazia da solução

negociada dos conflitos; defesa do princípio do desarmamento geral e universal de todos os Esta- dos; e contribuição para a transfor- mação do Oceano Índico em zona desnuclearizada e de paz.

Tendo em consideração o actual contexto nacional e internacio- nal, a política externa da República de Moçambique guia-se pelas seguintes linhas de acçãó estratégicas: defini- ção das prioridades e interesses de Moçambique em relação a cada país, região geográfica e organização inter- nacional; maximização e capitaliza- ção das relações especiais com os países da região; aprofundamento das relações de amizade e cooperação com os diferentes países; realização de uma diplomacia económica forte e pró activa com vista à identificação e aproveitamento de oportunidades de cooperação e parcerias multiformes existentes nas diferentes regiões do mundo; promoção da imagem positi- va de Moçambique, nomeadamente através da divulgação das potenciali- dades económicas e sócio culturais do país no exterior; interacção permanen- te e regular com organizações não-- governamentais, instituições académi- cas, órgãos de comunicação social, sector privado e outros actores da sociedade civil (Ibidem, Boletim da República de Moçambique, 2010:25).

A política externa e a diplo- macia de Moçambique compreen- de o âmbito bilateral, regional, multi- lateral e a componente das comuni- dades moçambicanas no estrangei- ro. No âmbito bilateral, Moçambi- que estabelece e desenvolve rela-

ções de amizade e cooperação com outros Estados, privilegiando a cooperação Sul/Sul. No âmbito mul- tilateral, a participação activa nas actividades das Organizações Inter- nacionais constitui uma das priorida- des do Estado. No âmbito regional, Moçambique desenvolve e consoli- da relações de amizade, boa vizi- nhança e cooperação com os Esta- dos d África Austral e do continente africano, no âmbito do fortaleci- mento da SADC e da União Africa- na. Por último, no que tange às comunidades moçambicanas no exterior, a política externa de moçambique está orientada para a protecção dos seus cidadãos nacio- nais e dos seus interesses no exterior, a valorização da sua cidadania, bem como o seu encorajamento para a sua permanente participa- ção no desenvolvimento colectivo de Moçambique (Governo de Moçambique, Resolução n.° 32/2010 de 30 de Agosto).

Em consonância com estes princípios e linhas de orientação, Moçambique prossegue com a materialização dos seus objectivos para a vertente externa cuja linha de orientação é a luta contra a pobreza e a promoção do desen- volvimento económico. Neste con- texto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação apresen- ta-se como a instituição que assegu- ra a implementação da política externa do Estado, sob a liderança do Chefe de Estado.

Objectivos da Política Externa de Moçambique

Na base do princípio da defesa do interesse nacional, os objectivos da política externa de Moçambique, de acordo com a Resolução Nº.32/2010 do Conselho de Ministros que aprova a Política Externa de Moçambique, são:

1. Garantir a estabilidade, segu- rança e integridade territorial, o desenvolvimento económico e social do país; reforçar as rela- ções de amizade e de coopera- ção com todos os membros da

Comunidade Internacional;

divulgar as potencialidades de Moçambique, com vista a atrair mais parcerias para o desenvol- vimento e elevar cada vez mais o prestígio de Moçambique, no concerto das nações; contribuir para o reforço da paz e segu- rança internacionais, bem como para o progresso harmónico e bem-estar da humanidade; 2. Promover o desenvolvimento sustentável, no âmbito da mate- rialização dos objectivos do desenvolvimento do milénio; mobilizar recursos destinados à implementação dos programas do Governo e à atracção de investimentos, visando acelerar a erradicação da pobreza e a edificação do desenvolvimento sustentável; promover parcerias para o desenvolvimento empre- sarial;

3. Consolidar a cooperação polí- tica e acelerar a integração económica d região da África Austral; participar nos esforços dos Estados da região e de Áfri- ca visando uma maior integra- ção económica mundial; contri- buir para a solução pacífica e negociada de conflitos; e assistir e proteger as comunidades moçambicanas no exterior. Todos esses objectivos perfazem os conjuntos de princípios, objecti- vos, ideias, ideais e valores que Moçambique procura promover e defender nas suas relações com os outros Estados, na política interna- cional e concerto das nações, que no âmbito bi ou multilateral.

Mecanismos de Implementação da Polí- tica Externa

O Artigo 162 da Constituição da República de Moçambique (2004) preconiza que o Presidente da Repú- blica orienta e dirige a política exter- na e que compete à Assembleia da República legislar sobre as questões básicas da política externa do país. Ao Governo cabe a realização da política externa através do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Coope- ração que a coordena e executa.

Nesse sentido, impõe-se uma coordenação institucional cada vez mais eficaz, na qual o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação

assume um papel de liderança de forma a garantir a observância dos princípios e a materialização dos objectivos da política externa de Moçambique. A execução da políti- ca externa deve garantir a imple- mentação dos compromissos interna- cionais assumidos, consubstanciados em acordos, memorandos, decisões, resoluções e recomendações ema- nadas dos entendimentos bilaterais e multilaterais.

O Ministério dos Negócios Estran- geiros e Cooperação é o fiel deposi- tário de todos os instrumentos jurídi- cos de natureza político-diplomática e de cooperação internacional de que Moçambique é parte. A imple- mentação da política externa deve ser feita através da acção diplomáti- ca, pautando-se pelo bilateralismo assente na troca de visitas a todos os níveis, consultas bilaterais, comissões mistas, comissões técnicas de coope- ração, negociações, entre outras; multilateralismo, através da participa- ção activa nas actividades das orga- nizações internacionais de que Moçambique é membro, privilegian-

do a concertação político-

diplomática e o diálogo e a integra- ção regional que priorize uma forte acção político-diplomática com vista à implementação das políticas de integração regional da SADC.

Política de Cooperação Internacional de Moçambique

A Política de Cooperação Inter- nacional e sua Estratégia de Imple- mentação foi aprovada pela Resolu-

ção Nº.34/2010 do Conselho de Minis- tros da República de Moçambique e prevê que na estratégia de desenvol- vimento dá República de Moçambi- que, a cooperação internacional tem desempenhado um papel fun- damental, uma vez que é um instru- mento vital para a materialização do programa do Governo. A coopera- ção internacional esteve sempre associada, a promoção, estabeleci- mento e fortalecimento de relações de amizade com povos, Estados e Organizações Internacionais e na mobilização de recursos essenciais para a implementação dos principais objectivos da agenda de desenvolvi- mento do Estado moçambicano.

O objectivo de tornar a coopera- ção internacional consentânea com a agenda nacional ganhou maior dimensão com o alinhamento desta com a estratégia de redução da pobreza e desenvolvimento nacional. A vulnerabilidade do Estado às cala- midades naturais tem sido um dos constrangimentos que afecta a implementação da agenda nacional de desenvolvimento. Neste contexto, a assistência humanitária e de emer- gência tem complementado os esfor- ços do Governo nas acções de pre- venção, mitigação e gestão- de calamidades.

A complexidade da conjuntura internacional, a crescente interde- pendência entre os- estados, a glo- balização, a multiplicidade de desa- fios existentes no processo de desen- volvimento e a diversidade de acto- res envolvidos tornam imperiosa a adopção de um instrumento que

defina com clareza a política de coo- peração internacional de Moçambi- que. Esta política inclui os princípios e objectivos fundamentais, as áreas prioritárias de intervenção, o âmbito, os mecanismos de relacionamento, o diálogo e as consultas com os parcei- ros de cooperação para o desenvol- vimento. Ela enquadra e orienta os mecanismos de coordenação e ges- tão da cooperação ao nível de todo o país, por forma a garantir a imple- mentação dos principais objectivos da agenda do desenvolvimento nacional.

A Política de Cooperação Inter- nacional da República de Moçambi- que, como parte integrante da políti- ca externa, assenta no princípio de vantagens mútuas, complementari- dade e equidade nas relações inter- nacionais. Neste contexto, a Política de Cooperação Internacional guia-se pelos seguintes princípios fundamen- tais: a observância da Constituição da República de Moçambique; a conformidade com a outra legisla- ção nacional relevante em matéria de cooperação internacional; a pro- moção de relações de amizade e de cooperação com todos os Estados, baseadas no respeito mútuo, no res- peito pela soberania e integridade territorial, na igualdade, na não inter- ferência nos assuntos internos e na reciprocidade de benefícios; o respei- to, observância e aplicação das nor- mas do Direito Internacional incluindo os princípios da Carta da Organiza- ção das Nações Unidas, do Acto Constitutivo da União Africana e do Tratado da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral; a

instauração de uma ordem económi- ca mais justa e equitativa nas rela- ções internacionais; liderança, políti- ca e a apropriação do processo de desenvolvimento pelo Governo; o ali- nhamento da assistência externa com as prioridades do Governo; a garantia da sustentabilidade e eficá- cia das actividades financiadas pela assistência externa; harmonização das actividades dos parceiros de cooperação internacional; a utiliza- ção dos instrumentos e procedimen- tos do Governo; a incorporação de fundos disponibilizados no Orçamen- to do Estado; a mútua responsabiliza- ção do Governo e dos parceiros de cooperação internacional; a gestão orientada para-resultados; a promo-

ção de parcerias com o sector priva- do, a sociedade civil e outros (Governo de Moçambique, Resolu- ção N.º 34/2010 de 30 de Agosto).

O objectivo fundamental da Políti- ca de Cooperação Internacional de Moçambique é garantir a realização das prioridades do Governo, consubs- tanciadas na redução dos níveis de pobreza, através da promoção do desenvolvimento social, económico rápido, sustentável e abrangente. Assim, no quadro da promoção e defesa dos interesses nacionais, a Política de Cooperação Internacional da República de Moçambique pros- segue os seguintes objectivos funda- mentais: reduzir a pobreza; garantir a eficácia da utilização dos recursos externos, através da apropriação nacional, previsibilidade, alinhamen- to, harmonização, responsabilização mútua e gestão orientada para resul- tados; promover, de forma harmonio-

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