• Nenhum resultado encontrado

Revista Científica do ISCTAC, Volume 2, Número 5, 2015

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2020

Share "Revista Científica do ISCTAC, Volume 2, Número 5, 2015"

Copied!
55
0
0

Texto

(1)

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA ALBERTO CHIPANDE

Rua Correia de Brito n˚ 952, Tel. +25823320794

REVISTA CIENTÍFICA DO ISCTAC

Propriedade do ISCTAC

Vol. 02, Ano II, Edição Nº 05, Julho - Setembro de 2015 Registo: Nº 82/GABINFO-DEC/2014

www.isctac.org Email: [email protected]

DESTAQUES:

Relação Entre Educação, Mercado de Emprego, Escolas e Comunidade: Uma Estratégia Para Melhorar a Qualidade de Ensino

Perícia na Investigação de Acidentes de Trânsito

Problematização de Casos Relacionados à Organização Judiciária em Relação ao Tribunal Supremo

O Cerne da Diplomacia: Caso Moçambicano

Política Externa e Diplomacia de Moçambique

Ensaio Sobre Evolução Histórica e Política das Relações Entre China e o Mundo em Desenvolvimento

Reflexões Sobre Educação e Empregabilidade

RESENHA: Governação e Manutenção dos Governos em África: Uma Reflexão Sobre Moçambique e Angola

Nº 05

(2)

Director da Revista Msc. Júlio Taimira Chibemo

[email protected] Editor da Revista Msc. Emílio J. Zeca [email protected] Registo Nº 82/GABINFO-DEC/2014 Propriedade:

Instituto Superior de Ciências e Tecnologia Alberto Chipande Rua Correia de Brito, Nº 952

Cidade da Beira - Moçambique revistacientí[email protected]

www.isctac.org

REVISTA CIENTÍFICA DO ISCTAC

Volume 2 Número 05 Julho - Setembro de 2015

(3)

Ficha Técnica: Propriedade: ISCTAC

Director: Msc. Júlio Taimira Chibemo Editor: Msc. Emílio J. Zeca

Redacção: Prof. Dr. Rizuane Mubarak,

Msc. José Caetano, Msc. Rosa Men-des, Msc. Ivan Abibo, Dr. Gilberto Manhique e Msc. Emílio J. Zeca, Prof. Dra Anna Carletti.

Distribuição: ISCTAC Beira, Junho de 2015

REVISTA CIENTÍFICA DO ISCTAC

Vol. 02, Ano II, Edição Nº 04

(4)

NOTA EDITORIAL

A

presente edição da Revista Científica do ISCTAC centra-se em assuntos fundamentais dos Estados, na sua rela-ção com os outros, no Sistema Internacional, a diploma-cia e a política externa, dando um enfoque espediploma-cial para Moçambique, visto que neste ano, o Estado Moçambicano celebra os 40 anos do estabelecimento de suas relações diplomá-ticas com os outros Estados, na arena internacional.

A política externa pode ser concebida como o conjunto de decisões que definem o relacionamento dos Estados, uns com os outros, no sistema internacional. Essas decisões têm como objectivo principal afectar ou influenciar o comportamento de outros actores do Sistema Internacional, como forma de maximizar os benefícios e minimizar as perdas, controlar o ambiente externo e promover situações vantajosas e favoráveis ao Estado. Ela tam-bém pode ser definida como sendo o conjunto de acções, medi-das, ideias, ideais, princípios, objectivos, decisões, valores, doutri-nas, correntes que um determinado estado projecta e defende no Sistema Internacional. A política externa é desenhada por um Esta-do para outros EstaEsta-dos ou para Organizações Internacionais e é uma prerrogativa específica do Estado, enquanto unidade políti-ca, no Sistema Internacional. A diplomacia constitui um dos instru-mentos da política externa utilizado para o estabelecimento e desenvolvimento de contactos plurilaterais de carácter pacífico entre governos de diferentes Estados e outras entidades, através do emprego de intermediários mutuamente reconhecidos entre as partes.

Para além dos artigos que versam sobre a diplomacia e política externa, a presente edição apresenta uma reflexão sobre a educação e a empregabilidade, em Moçambique, a perícia na investigação de acidentes de trânsito e a problematização de casos relacionados à organização judiciária em relação ao tribu-nal supremo, bem como a resenha do livro que retrata a situação da governação e manutenção dos governos em África, tendo em conta as realidades de Moçambique e Angola.

Por último, importa referir que continuamos a aguardar dos prezados leitores a vossa estimada colaboração com críticas, sugestões e contribuições positivas e oportunas para a renovação da Revista Científica do ISCTAC.

O Editor Msc. Emílio J. Zeca

(5)

Educação e Empregabilidade

Autor: José Caetano Universidade Piaget de Moçambique Email: [email protected]

O presente estudo, baseado nas teorias e paradigmas construtivistas, aborda a problemática da relação entre a educação e a empregabilidade na República de Moçambique. Defende que a educação deve formar cida-dãos integrais, jovens e adultos, dotados tanto de instrumentos essenciais para a vida como a leitura e a escri-ta, a expressão oral, o cálculo, a solução de problemas, quanto de competências sociais e profissionais necessá-rias para que os seres humanos possam conviver, sobreviver, desenvolver plenamente suas potencialidades, viver e trabalhar com dignidade, participar plenamente do desenvolvimento, tomar decisões fundamentadas e continuar aprendendo ao longo da vida. Defende ainda que a formação de cidadãos integrais só será possível na escola unitária e politécnica onde existe uma educação inclusiva que possibilite a apropriação pelos edu-candos dos conhecimentos construídos pela humanidade, o acesso à cultura e às mediações necessárias para trabalhar e produzir a existência e a riqueza social e que propicie a realização de escolhas e a construção do caminho para a produção da vida por meio do trabalho como realização e produção humana e como praxis económica. O estudo propõe a reconstrução do currículo do ensino técnico profissional, tornando-o concomi-tante com a escola politécnica unitária, que possa consubstanciar um ensino médio técnico profissional inte-grado. Para o efeito, o estudo recomenda que, respeitadas as normas do sistema de ensino, as instituições acrescentem ao mínimo exigido para o ensino médio, uma carga horária destinada à formação específica para o exercício de profissões técnicas ou para a iniciação científica, ou para ampliação da formação cultu-ral de forma integrada e harmonizada.

Introdução

O

direito à educação é

uma conquista histórica vinculada à evolução dos ideais da modernidade, cuja robustez se tornou particular-mente evidente a partir dos meados do século XX, altura em que come-çou a fazer parte do conjunto dos direitos sociais do homem e a constar dos tratados internacionais e das constituições de vários países.

O artigo 88 da Constituição da República de Moçambique (2004, p. 35) estabelece que “na República de

Moçambique a educação constitui direito e dever de cada cidadão e que o Estado promove a extensão da educação à formação profissional contínua e à igualdade de acesso de todos os cidadãos ao gozo deste direito”.

O presente texto tem como objectivo, contribuir para o enriqueci-mento do debate em torno da pro-blemática da educação e da empregabilidade.

Metodologia

(6)

inquéri-to por questionário constituíram a principal base metodológica. O pro-cessamento de dados foi feito com base no softwareSPSS(Pacote Esta-tístico para Ciências Sociais) e Excel.

Referencial Teórico

Educação

A educação pode ser definida como sendo acção intencional ou voluntária de um adulto (educador) sobre uma criança (educando), usando métodos mais ou menos autoritários ou dialogantes, tradicio-nais ou modernos em ordem a levar a criança ou ajudá-la a desenvolver todas as suas potencialidades a fim de que possa atingir o fim (último) do ser humano. De certo modo e na perspectiva teórica espiritualista de Maslow (1970, 1976), Harman (1972, 1974, 1988) e Yves Bertrand (2001), a educação consiste em ajudar o aluno a descobrir a sua identidade o que significa encontrar a sua vocação, a ouvir as suas “vozes interiores”, a descobrir o sen-tido da vida.

De acordo com Vaz Freixo (2002, p. 148), desde o ponto de vis-ta sociológico, Emile Durkheim salienta que a educação é:

“A acção exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que ainda não se encontram amadurecidas para a vida social. Ela tem por objectivo suscitar e desenvolver na criança um certo número de condições

físicas, intelectuais e morais que dela reclamam, seja a sociedade política no seu conjunto, seja o meio espe-cial a que ela se destina particularmente”.

Da definição dada por Dur-kheim depreende-se que a educa-ção é uma aceduca-ção social e não uma acção individual e consiste numa socialização metódica da nova geração. Dessa socialização resulta a educação recíproca entre as gerações adultas e jovens. Essa educação tem lugar no mundo de

vida, como a fig. 1 documenta.

Fig. 1: Unidade e harmonia da edu-cação no mundo da vida.

Assim, a sociedade no seu con-junto e cada meio social em parti-cular, é que determinam o ideal a ser realizado pela educação e esse ideal constitui o conteúdo essencial e universal da educação (Vaz Frei-xo, 2002). No contexto do paradig-ma sociocultural, Yves Bertrand e Paul Valois (1994, p. 23) referem que as “relações entre a sociedade e a

organização educativa têm um duplo sentido de tal forma que esta

Sociedade

Sociedade

Educação

Educação

Geração Adulta

Geração Adulta Geração JovemGeração Jovem MUNDO DA VIDA

MUNDO DA VIDA

Feedback Feedback

(7)

última pode também contribuir para modificar as orientações da socieda-de”.

Empregabilidade

Gazier(1990) define a empregabi-lidade como sendo a “aptidão de um indivíduo ao trabalho, avaliada pelo resultado sintético de testes fun-cionais”; ou “atractividade de um indivíduo para a empresa, avaliada por testes de atitudes e de comporta-mentos” ou ainda, a “designação de desempenhos prováveis de um grupo ou de uma pessoa no mercado de trabalho, avaliada por indicadores probabilísticos como tempo de per-manência no emprego, duração média diária ou semanal do trabalho e valor de salário”. Ela representa, de acordo com Liberal e Pupo (s/d), o conjunto de conhecimentos, habili-dades e comportamentos que tor-nam um executivo ou um profissional importante para a sua organização.

Lemos et al (2011, p. 588), sublinha que cabe ao trabalhador mostrar-se atraente aos olhos do empregador e

comprometido permanentemente

com a melhoria da sua qualificação profissional ao longo de toda a sua vida, durante a qual, irá trabalhar e migrar de um emprego para o outro, como um verdadeiro empreendedor. Trabalhador empreendedor é aquele que “vai fazer da sua vida uma

aven-tura, projectar-se no futuro e procurar dar forma a si mesmo a fim de se tor-nar o que deseja ser. (…) É calculista e trabalha em si mesmo para se melhorar”.É autónomo e possui a

capacidade de desenvolver e gerir

os próprios talentos e habilidades e, portanto, “não precisa mais da tutela

da empresa para tirar partido das suas competências”.

Nas circunstâncias actuais, a

empregabilidade refere-se à aposta

na educação básica e na qualifica-ção profissional como saídas para a crise de desemprego que afecta boa parte das economias capitalistas na actualidade, o que pressupõe a reali-zação de investimentos na educa-ção e formaeduca-ção profissional que “desenvolvam habilidades básicas no

plano do conhecimento, das atitudes e dos valores, produzindo competên-cias para gestão da qualidade e, consequentemente, para a empre-gabilidade” (Frigotto, 2001, p. 45;

Balassiano, 2005).

Factores de Empregabilidade

Liberal e Pupo (s/d) definem os factores de empregabilidade como sendo o conjunto de competências e habilidades necessárias para garantir colocação e permanência dum pro-fissional dentro das organizações, num cenário em que predomina a competitividade.

Dentre os múltiplos factores de empregabilidade apresentados por vários autores destacam-se compe-tência, conhecimento tecnológico, domínio de informática e possuir habilidades de trabalho em equipa, de liderança e de relações interpes-soais.

Apresentação de Dados

(8)

amostra-gem não probabilística intencional, foi colhida uma amostra de 36 sujeitos, representando 12 empresas médias e grandes, três das quais, multinacionais que operam na região centro de Moçambique. Esses sujeitos responde-ram a um inquérito sobre os factores de empregabilidade. Dos resultados desse inquérito, foi gerado o seguinte gráfico:

O gráfico mostra que, em ordem decrescente, a capacidade de ouvir e tomar decisão, o possuir a mentali-dade voltada à inovação, conjunto de conhecimentos, habilidades e ati-tudes (competências), boas relações interpessoais, a liderança, a capaci-dade de trabalhar em equipa, boa formação geral, boa qualificação profissional e criatividade e capaci-dade de fazer trabalho autónomo, são os principais factores de emgabilidade que, no contexto do pre-sente estudo, foram indicados pelos 36 técnicos e gestores do sector

pro-dutivo que foram inquiridos. Esses fac-tores são associados a outros tais como capacidade de antecipar o futuro e correr risco moderado, a for-mação multifacetada e ser empreen-dedor. Praticar marketing pessoal, a capacidade de trabalhar sob super-visão e administrar a sua própria car-reira, são os factores de empregabili-dade menos preferidos pelos inquiri-dos.

Conclusão

Os resultados do presente estudo apontam para a necessidade de os formandos das escolas técnicas, apoiados pelos seus docentes e pelo sector produtivo, construírem compe-tências que vão ao encontro dos nove factores de empregabilidade que foram preferidos pelos represen-tantes do sector produtivo, sem des-curarem de serem detentores de outros factores de empregabilidade tais como a capacidade de anteci-par o futuro e correr risco moderado, a formação multidimensional e ser empreendedor.

(9)

Recomendações

Para que a construção, no seio de jovens e adultos, de competên-cias profissionais que vão ao encon-tro da demanda do sector produtivo seja uma realidade, propõe-se que a educação profissional esteja vincula-da a uma perspectiva de desenvolvi-mento que, na expectativa social mais ampla, possa avançar na afir-mação da educação média unitária e, portanto, não dualista e que conte com a participação activa do sector produtivo, pais e encarregados de educação e de outros actores do sis-tema educativo.

Essa educação deve articular cul-tura, conhecimento, tecnologia e tra-balho de forma integrada e harmoni-zada como direito de todos e condi-ção da cidadania e democracia efectivas.

Para o efeito, a reconstrução do

currículo do ensino técnico

profissio-nal, tornando-o concomitante com a escola politécnica unitária, que possa consubstanciar um ensino médio téc-nico profissional integrado torna-se indispensável.

Referências Bibliográfica

Assembleia da República. Constituição da República de Moçambique. Maputo: Impren-sa Nacional, 2008.

BALASSIANO, Moisés; SEABRA, Alexandre Alves e LEMOS, Ana Heloisa. «Escolaridade, Salários e Empregabilidade: Tem Razão a Teoria do Capital Humano?». In: Revista de

Administração Contemporânea, 2005,

vol.9 nº 4 Curitiba: Oct./Dez.

BERTRAND, Yves. Teorias Contemporâneas da Educação. Lisboa: Instituto Piaget, 2001.

FRIGOTTO, Gaudêncio. «Educação, Crise do Trabalho Assalariado e do Desenvolvimento: Teorias em Conflito». In: FRIGOTTO, G. (Org.). Educação e Crise do Trabalho: Perspectivas de Final de Século. 5.ª ed. Petrópolis: Vozes, 2001.

GAZIER, Bernard.«L’employabilité: Brève Ra-diographie d’un Concept en Mutation». In: Sociologie du Travail, n.º 4. Paris: Editions du Seuil, 1990, p. 575-584.

LEMOS, Ana Heloísa da Costa et al. «Empregabilidade e Sociedade Disciplinar: Uma Análise do Discurso do Trabalho Con-temporâneo à Luz de Categorias Foucaultia-nas». In: O & S - Salvador, 2011, v.18 – n.º 59, pp. 587-604 - Outubro/Dezembro. Disponível no www.revistaoes.ufba.br – consultado em 15 de Junho de 2013.

LIBERAL, Márcia Melo Costa De e PUPO, Maria Bernadete. «Factores de Empregabili-dade paraProfissionais Acima dos 40 Anos de Idade». Rio Branco: UNIFIEO – Revista da Pós Graduação, s/d.

VAZ FREIXO, Manuel João. A Televisão e a Instituição Escolar – Os Efeitos Cognitivos das Mensagens Televisivas e a sua Importância na Aprendizagem. Lisboa: Instituto Piaget, 2002.

(10)

Relação Entre Educação, Mercado de Emprego, Escolas e

Comunidade: Uma Estratégia Para Melhorar a

Qualida-de Qualida-de Ensino

Autor: Prof. Dr. Rizuane Mubarak, Reitor do ISCTAC, Docente Investigador Email: [email protected]

O presente artigo procura reflectir sobre a relação entre educação, mercado de emprego, escolas e comunidade, enquanto uma estratégia para melhorar a qualidade de ensino, visto que as discussões sobre a questão da qualidade da educação em Moçambique são uma questão muito controver-sa onde emergem duas correntes: uma céptica e pessimista e outra moderada e optimista. Para os cépticos e pessimistas, a qualidade de educação é baixa e má, porque as instituições de ensino estão mal apetrechadas, os docentes mal remunerados e motivados, as políticas educativas são difusas, houve uma expansão da rede de ensino sem se prestar em conta as componentes de qualidade educa-tiva. Por seu turno, os moderados e optimistas defende que a qualidade de educação, em Moçambi-que é boa, porMoçambi-que a maioria dos estudantes moçambicanos Moçambi-que foram estudar para o estrangeiro tiveram bons resultados e se destacam nas instituições onde se formaram. Tendo em conta que se vive na era da globalização onde as tecnologias de comunicação e informação tendem a dominar, em Moçambique ainda há muitas dificuldades de integrá-las no processo educativo. Todavia essas ferramentas são necessárias, mas não são suficientes para determinar a qualidade da educação. A qualidade da educação é um desafio de todos, porque os intervenientes são chamados à responsa-bilidade para que os graduados possam satisfazer as demandas, problemas e necessidades da socieda-de moçambicana contemporânea. A melhoria da qualidasocieda-de da educação implica agir sobre os “inputs” necessários para o êxito do processo de ensino-aprendizagem, as condições em que se realiza esse processo e avaliar o desempenho dos produtos do ensino, em função dos objectivos previamente estabelecidos. Neste sentido, a acção do Governo vai concentrar-se sobre a construção, reabilitação e manutenção dos edifícios escolares, o aprovisionamento em mobiliário escolar, a reforma curricular, a formação inicial e em serviço de docentes, a busca de incentivos para uma maior motivação dos professores, a produção e distribuição dos livros escolares para alunos e professores e outros meios de ensino, bem como a adopção de mecanismos mais eficazes de gestão das escolas e consentâneos com o momento actual.

(11)

Relação entre o Mercado de Emprego e a Escola

A

relação entre o mercado

de emprego e a escola constitui no caso particular de Moçambique temas de grande reflexão crítica. Esta crítica resulta de uma aparente ou real incongruência entre as exigências actuais do mercado sob o ponto de vista de empregabilidade, e a capacidade ou incapacidade da escola responder esta exigência. “Na essência este debate não é par-ticular da sociedade moçambicana” e o mesmo assenta-se segundo Cas-tiano (2005, p. 79) na qualidade de ensino.

No caso específico de Moçambi-que, quando buscamos compreen-der ou avaliar a qualidade da edu-cação os indicadores como o nível de estudantes a transitarem por ano, o número de alunos por turma e por professor, a disponibilidade no mate-rial escolar, apresentam-se como os mais importantes na avaliação da educação. Com isso, muitas vezes, associa-se a falta destes indicadores como a má qualidade da educação e a sua presença cada vez mais acentuada como boa qualidade. No nosso entender, estes indicadores constituem elementos importantes, mas não determinantes. Aliás, a ausência de um desses elementos pode não determinar a qualidade da educação. Assim, ao olharmos a relação entre o mercado de empre-go e a educação (Escola) devemos buscar compreender a qualidade da

educação sob o ponto de vista de conteúdos leccionados. Neste pen-samento, para dar-se uma efectiva resposta ao mercado de emprego é preciso que a escola reavalie cons-tantemente os conteúdos lecciona-dos e as necessidades do mercado.

Ou seja, desde cedo se verificou que a escola que assegura a sociali-zação das novas gerações, é igual-mente um factor de divisão, ao ava-liar os indivíduos sem ter em conta as suas diferenças, e de selecção social com base na escolarização que enquadra socialmente o indivíduo. Mas, segundo a ideologia do dom, a sociedade proporciona todas as condições para que a socialização através da escola abarque todos os cidadãos salientando “... a importân-cia da educação escolar na expan-são da cidadania social, como um direito que permite a expansão do ser humano nas suas potencialida-des, como um pré-requisito da liber-dade civil, como uma forma de inte-gração mais próxima, por fornecer mais oportunidades e mais igualitária

no contexto do

estado-nação” (Araújo, 2005, p. 3).

Na realidade moçambicana, a relação entre o mercado de empre-go e a escola é inversa, pois a evolu-ção social, política e económica ocorreu de forma muito acelerada deixando a educação e a própria escola estáticas no tempo. No entan-to, os esforços e debates actuais sobre o impulsionamento do ensino técnico e a qualidade de ensino no geral em Moçambique visa eliminar este gap de diferença que existe

(12)

entre o mercado de emprego e a Educação (Escola). Percebeu-se que a escola não responde as necessida-des de empregabilidade, pois esta mesma escola contínua sob ponto de vista de conteúdo a transmitir ferramentas inapropriadas para a realidade sociais e políticas actuais.

Diante deste cenário, analisando-se a evolução histórica da educação em Moçambique, as iniciativas governamentais no campo educa-cional foram tão intensas quanto nas últimas décadas. Elaboram-se planos e reformas em que a educação é destacada como factor estratégico do desenvolvimento e como instru-mento de cidadania; redefinem-se as leis para os níveis de ensino; reformu-lam-se os currículos e instrumentos de avaliação dos educandos e o próprio conceito de educação é revisto e reinterpretado sob os enfo-ques políticos e sócio-económico (Barbosa, 2010).

Assim, a importância que os órgãos governamentais vêm atribuin-do recentemente à educação como estratégia do desenvolvi-mento merece especial atenção, já que, durante longos períodos, a edu-cação foi total ou parcialmente negligenciada.

No nosso entender, a escola deve estar na dianteira das necessi-dades de empregabilidade, isto é, o mercado e a escola devem ter uma relação directa. Com isso, a escola deve exercer a sua função de vigi-lante das mudanças económicas e sociais, e os seus conteúdos de ensi-no devem resultar destas mudanças.

De contrário, o nosso ensino, será ino-portuno, irrelevante e desnecessário, sendo apenas o ensino que visa ensi-nar a ler e a escrever.

Nesta ordem de ideia podemos concluir que a política de emprego deve discriminar de forma positiva a inserção da mulher em todas as vagas de trabalho. Esta política vai motivar as famílias a priorizar a rapari-ga na educação. Ao menos em cada 5 vagas 3 devem ser para a rapariga. A política pública deve pro-mover a formação e o emprego da mulher, sem no entanto, retirar na totalidade a empregabilidade do homem.

Relação entre Escola e Comunidade

A relação entre a escola e a comunidade é um debate que se circunscreve na relação entre o mer-cado de trabalho e a escola se alas-trando até para questões da perma-nência da mulher na escola. E na verdade uma miscelânea de rela-ções onde a Escola e a Comunidade pode constituir pequeno capítulo.

A educação, tal como a conhe-cemos hoje nas sociedades indus-triais e pós- modernas é, à luz da his-tória, um fenómeno recente resultan-te da expansão industrial que “serviu para aumentar a procura de instru-ção especializada, por forma, a pro-duzir uma força de trabalho qualifi-cada e capaz. A progressiva diferen-ciação das ocupações e a sua cres-cente localização fora de casa já não permitia que os conhecimentos relativos ao trabalho fossem

(13)

transmi-tidos directamente de pais para filhos” (Giddens, 2001, p. 495).

“A escola, enquanto subsistema do sistema de ensino, substituiu outras instituições que dominavam o pro-cesso educativo e, numa sociedade

em constante mudança, onde

segundo Moscovici (1984) as repre-sentações são geradas e adquiridas, foi assumindo diferentes papéis sociais dentro de um sistema de valo-res, ideias e práticas dinâmicas e que se transforma com relativa facilida-de” (Silva, 2007, p. 28).

Se na maioria das sociedades pré -industriais era a família o único veí-culo da educação, da transmissão de valores e da cultura, baseado na oralidade e na memória colectiva, com o advento das sociedades industriais deu-se uma transforma-ção radical neste processo passando este papel tutorial a caber ao Esta-do. O declínio das instituições tradi-cionais, como a família e a religião, originaram uma reformulação da educação e estão na origem da criação do sistema de ensino, ou seja, da educação formal que assu-me uma função socializante, impres-cindível para a formação do ser social, inculcando-lhe categorias de pensamento e um sistema de ideias, crenças, tradições, valores morais e profissionais ou de classe (Ibidem).

Neste contexto, para analisarmos a relação entre a comunidade e a escola é necessário compreender como a escola contribui para o desenvolvimento comunitário. Nesta vertente, o interesse dessa comunida-de em relação a escola comunida-depencomunida-derá

em muitos casos dessa mesma com-preensão. No caso de Moçambique, a uma forte pressão colectiva na comunidade de que a e s c o l a n ã o r e s p o n d e a s s u a s necessidades ou melhor, nos casos extremos a comunidade vem a esco-la um meio perca de tempo e de lazer.

Esta compreensão mostra que a relação entre a escola e a comuni-dade é uma relação conflituante e duas razões justificam este conflito. A primeira razão, é que a escola ou os currículos de ensino não são consti-tuídos por conhecimentos que possa ajudar os estudantes da comunidade a resolver questões imediatas e do dia-a-dia.

Sendo assim, maior parte dos encarregados de educação na comunidade acham desnecessário colocar os seus filhos na escola uma vez que os seus conhecimentos não contribuem na resolução de proble-mas sociais pontuais. Outros aspectos que podemos associar a este é que a não permanência da rapariga na escola resulta desta compreensão comunicariam colectiva. Nesta com-preensão, a mulher é mais produtiva no casamento ou nas actividades de campo. A salvo, a permanência do homem na escola não esta ligada a natureza do ensino, mas pelo fac-to de este não ser o contribuinte directo das actividades domésticas diárias.

A segunda razão que está ligada a relação conflituosa entre a escola e a comunidade está ligada aos conteúdos leccionados. Como já

(14)

vimos antes estes conteúdos não reflectem as exigências diárias da comunidade, perseguidas com ques-tões tão localizadas tais como: Como aumentar a produção, como gerir os cereais, quem foram os primeiros resi-dentes da região, quais os valores locais. Longe disso, a comunidade é ensinada na escola a apreender rea-lidades distantes a sua tais como usar o computador, dentre outras. Isto tor-na a relação entre a comunidade e a escola uma relação frágil, pois a escola mostra-se incapaz de trazer respostas aos problemas da comuni-dade transformando essa relação de ganhos recíprocos. Em suma a comu-nidade não vê ganhos em estar na escola.

A resolução deste problema é a adaptação local sistemática dos sis-temas de educação. Na Europa a descentralização dos sistemas de educação e a sua administração mais localizada visava responder o problema da irrelevância da escola perante a comunidade. Nesta ver-tente, a passagem de um ensino mais localizado que responde as difi-culdades pontuais na comunidade local torna a escola relevante peran-te a comunidade.

Nesta perspectiva pode-se con-cluir que a política pública e estraté-gia nacional deve promover investi-mentos e orçamento direcionados às bolsas comunitárias as famílias com menos rendimentos. Porém, as famí-lias prioritárias devem ser aquelas que têm mais agregado familiar (número de filhos e educandos) e, com maior peso nas famílias de com filhos de

sexo feminino. Esta política vai reduzir a pobreza extrema e facilita o reco-nhecimento do valor da educação da rapariga. Esta situação facilita no processo da censura de alguns com-portamentos como: prostituição da rapariga e do casamento prematuro. Pois, o casamento prematuro é um mal menor que prostituição. A prosti-tuição da rapariga é o um mal menor que a falta da educação da rapari-ga. Os custos do analfabetismo da rapariga para o Estado são maior que, cumulativamente, os custos da prostituição e casamento prematuro da rapariga. Pois, o custo do analfa-betismo da rapariga afecta direta-mente a família, comunidade, a região e o país. Uma mãe mal-educada educa mal os seus filhos e extende a pobreza e o sentimento da exclusão sócio-económica. Sendo assim, é necessário formar a rapariga para desenvolver a nação.

Relação entre os Objectivos do Estado e a Globalização

Stiglitz na sua obra a Globaliza-ção classificou a mesma como uma grande desilusão. A Globalização fez emergir a ideia da sociedade global onde os vários actores interagem sem restrição. No entanto, este ganho é acompanhado de desvan-tagens enormes, o que permite a reavaliação actual por parte de mui-tos teóricos sobre a globalização.

A interacção que a globalização trouxe entre os Estados do Norte e do Sul constitui uma das grandes des-vantagens actualmente apontadas

(15)

da globalização. Nesta dimensão, os Estados do Norte, maioritariamente ricos e altamente industrializados e com um forte teor cultural conse-guem superar os Estados do Sul, maioritariamente pobres sem poder de influenciar decisivamente os acontecimentos internacionais. Com isso podemos observar que a globali-zação beneficia um certo grupo de Estados (ricos) em detrimento dos outros (pobres) uma vez que estes últimos devem avaliar todos os pon-tos no desenvolvimento e alcance dos seus objectivos nacionais.

Se olharmos a integração regio-nal como um processo de concreti-zação da globaliconcreti-zação como

funda-menta Stiglitz (2002, p. 15)

“ notaremos de forma específica problemas a eles relacionados e os objectivos do Estado não podem ser alcançados sem ter-se em conta as dinâmicas internacionais”.

Com isso, os esforços do Estado, para o caso de Moçambique, em tornar o ensino profissionalizante não pode ser feito fora das demandas internas em termo de empregabilida-de mas também não poempregabilida-de ser fora da integração regional e a irreversí-vel integração regional.

Com isso, se termos em conta que a globalização colocará pes-soas de diferentes Estados a compe-tirem de forma equitativa, as deci-sões do Estado na formação (e ou de) técnicos profissionais deve ser ao nível regional, isto é, os técnicos moçambicanos devem concorrer de forma equitativa com os outros cida-dãos da região.

Assim, a globalização materializa-da com a integração regional condi-cionada os objectivos do Estado ou influência dos mesmos. Com isso, o sucesso dos Estados no alcance dos seus objectivos deve resultar de uma avaliação globalizada bem detalha-da.

Relação entre os Objectivos do Estado e os do Encarregado de

Educa-ção

A educação constitui uma das componentes fundamentais do pro-cesso de socialização de qualquer indivíduo, tendo em vista a integra-ção plena no seu ambiente. A escola não deveria viver sem a família nem a família deveria viver sem a escola. “Uma depende da outra, na tentati-va de alcançar um maior objectivo, qualquer um que seja, porque um melhor futuro para os alunos é, auto-maticamente, para toda a socieda-de” (Diogo, 1998, p. 16).

Outrossim, o Estado é o organi-zador da vida económica social e política de uma sociedade. No entanto nem sempre os objectivos e ambições do Estado constituem o interesse ou objectivo de toda a população no geral. Esta constata-ção mostra de forma clara que no contexto da educação os objectivos do Estado e dos encarregados de educação não são unitários.

Para o caso dos Estados em Desenvolvimento como é o caso de Moçambique essa divergência entre os objectivos do Estado e dos

(16)

encar-regados de educação é ainda expressiva. Esta expressividade deve-se ao facto dos objectivos do Estado no campo da educação ser um resultado em parte de um conjunto de ideias que os grandes financiado-res internacionais pensam que deve ser a educação em Moçambique. Como não devia diferir esta concep-ção muitas vezes é errónea. Com isso, não é de duvidar que o Estado por vezes vive numa encruzilhada entre as exigências dos doadores externos e as exigências dos encarre-gados de educação quanto a edu-cação em Moçambique.

Essa relação latente entre o Esta-do os encarregaEsta-dos de educação em Moçambique constitui e está também ligada ao facto da qualida-de qualida-de ensino, visto não em termos externos como a disponibilidade dos livros de distribuição gratuita, mas em termos internos ligados a metodolo-gia e perfil dos formadores.

Diante desta realidade o Estado como o grande regulador e respon-sável central da educação em Moçambique, muitas vezes é o ven-cedor das revindicações dos encar-regados de educação. Com isso, muito destes deixam os seus educan-dos à sorte do próprio Estado, outros quando muito optou pelo ensino pri-vado. Com estes elementos torna-se difícil poder identificar uma relação clara entre os objectivos do Estado e dos alunos.

Dito isso acima, não podemos descurar a ideia de que a interven-ção dos pais na educainterven-ção dos filhos é indiscutivelmente essencial. Dar

apoio e cuidados adequados ao filho é uma responsabilidade bastan-te exigenbastan-te. Muitas vezes, os pais estão preocupados/envolvidos com os outros problemas (profissionais, pessoais, económicos, financeiros) que se esquecem de dar atenção aos seus filhos, o que leva muitas vezes a um afastamento entre pais e filhos, e é precisamente isso que não se quer. Consideramos fundamental nos dias de hoje, e com a constante evolução da sociedade que as esco-las devam acima de tudo ser promo-toras de políticas/estratégias que pro-movam uma maior aproximação dos pais à escola. “Portando, é de extrema importância que se come-ce a dar mais atenção a esta par-ceria entre a escola e a família, porque é a partir dela que estão uns alicerces seguros para que os educandos e consequentemente alunos consigam desempenhar o seu papel de uma forma mais segura e motivada, tendo em vista o seu bom percurso e progresso na vida escolar e familiar” (Diogo, 1998, p. 20).

Estudos recentes mostram que em vários países, nas últimas déca-das, que se os pais se envolverem na educação dos filhos, eles por ora, obtêm melhor aproveitamento esco-lar. De muitas variáveis que se estu-daram, o envolvimento dos pais no processo educativo foi a que obteve maior impacto, estando este impac-to presente em impac-todos os grupos sociais e culturais (…) “A comunica-ção entre professor e pais do aluno aparece como o primeiro, constituin-do a forma mais vulgar de colabora-ção” (Marques, 2001, p. 9).

(17)

Ainda segundo o autor, o Estado-educador tem vindo a substituir-se à família, às restantes comunidades naturais e à sociedade civil no desempenho das funções de apoio ao desenvolvimento integral do edu-cando. “À medida que a família foi recuando nas suas funções educa-tivas, o Estado foi ocupando o espaço e, nas últimas décadas, essa intervenção estatal transformou-se num perigoso monopólio que urge quebrar, sob a pena de a escola pública de massas se tornar num mecanismo de propaganda ideoló-gica e de controlo político dos cida-dãos” (Marques,2001, p. 14).

Portanto, é muito importante que família e escola se unam na criação de uma “aliança” com vista a guirem ajudar educandos e conse-quentemente alunos, para que os consigam tornar cidadãos activos e capazes de agir na sociedade dos nossos dias.

Por outras palavras, é possível concluir que a relação entre o Governo e os encarregados de edu-cação, enquanto pais ou família dos alunos é dever preponderante. O Governo através das escolas procura definir o melhor para o aluno porém, existem enormes vantagens no envol-vimento dos pais no apoio educativo realizado em casa. Essas vantagens são evidentes tanto para os alunos como par os próprios pais. Os alunos ficam motivados para dedicarem mais tempo ao estudo e os pais ficam a compreender e a apreciar melhor todo o trabalho dos professo-res ao mesmo tempo que melhoram

a sua função educativa.

Assim, e continuando na mesma linha de pensamento de Marques (2001, p. 108), “os pais podem ter um papel determinante na fixação de expectativas realistas e de normas de conduta correctas, no desenvolvi-mento da curiosidade intelectual e no aumento do gosto pela aprendi-zagem”.

Relação entre os Objectivos do Aluno e as Oportunidades Nacionais

A escola desempenha um papel importante no crescimento da socie-dade moçambicana por isso os meninos especialmente as raparigas precisam ter muitas oportunidades de poderem estudar.

Nestes termos, há que concordar que as dinâmicas sociais e as oportu-nidades de empregabilidade que surge podem escapar dos objectivos do Estado em formar para preencher de forma específica estas mesmas oportunidades. Na essência, toda a formação de alunos por vontade próprio ou não, tem como maior expectativa a exploração das opor-tunidades nacionais. Todavia, estas oportunidades muitas vezes não são correspondidas pela formação ade-quada dos alunos. Ou de outra maneira, existe uma total frustração dos objectivos dos alunos quando os mesmos buscam explorar as oportuni-dades e aqui torna-se objectivo mui-tos problemas subjectivos como a má

qualidade da educação em

(18)

Com isso, embora exista no aluno o interesse em explorar as oportuni-dades internas a má qualidade de educação faz com que o mesmo tenha grandes problemas de inser-ção ainda que o mesmo tenha feito um curso técnico. Estas dificuldades agudizam-se com o processo de glo-balização onde cidadãos dos outros Estados têm a possibilidade de ocu-par funções que os nacionais mos-trem-se incapazes. Nesta ordem, a solução que deve ser dada a ques-tão da empregabilidade nas oportu-nidades nacionais é uma questão que antecede a melhoria da quali-dade de ensino em Moçambique e o seu ajuste aos sistemas de educação regionais.

Considerações Finais

A melhoria da qualidade da educação implica agir sobre os

“inputs” necessários para o êxito do

processo de ensino-aprendizagem, as condições em que se realiza esse processo e avaliar o desempenho dos produtos do ensino, em função dos objectivos previamente estabele-cidos. Neste sentido, a acção do Governo vai concentrar-se sobre a construção, reabilitação e manuten-ção dos edifícios escolares, o aprovi-sionamento em mobiliário escolar, a reforma curricular, a formação inicial e em serviço de docentes, a busca de incentivos para uma maior moti-vação dos professores, a produção e distribuição dos livros escolares para alunos e professores e outros meios de ensino, bem como a adopção de

mecanismos mais eficazes de gestão das escolas e consentâneos com o momento actual.

A inovação curricular, baseada na adequação dos curricula de for-mação à realidade é a base para o sucesso nas políticas educativas dos Estados em desenvolvimento, como é o caso de Moçambique. Inovar implica a introdução intencional de ideias, processos, produtos ou proce-dimentos novos para a unidade, rele-vante de adopção, que visa gerar benefícios para o indivíduo, grupo, organização ou sociedade maior. Assim, segundo escritos, as primeiras demandas de inovação relaciona-das à educação surgem principal-mente nos Estados Unidos da Améri-ca, e a partir daí, o ensino de ciên-cias ganha maior relevância e é alvo de reformas e mudanças.

Existem três possibilidades de ino-vação no c a m p o d a educação: aquelas relacionadas à utilização de novos materiais, currículos e tecnolo-gias, o uso das novas abordagens de ensino, estratégias e actividades e a possibilidade de mudança nas cren-ças e pressupostos, que são subja-centes às práticas pedagógicas”. Em Moçambique, ocorreram várias refor-mas curriculares para os diferentes níveis de ensino e aprendizagem, cul-minando com a integração de determinadas disciplinas. As reformas devem contribuir para a transforma-ção e melhoria dos processos e práti-cas de ensino-aprendizagem. Assim, as dinâmicas de inovação dos

curri-cula em Moçambique estão

intrinse-camente ligadas ao sistema de edu-cação como sistema coordenado.

(19)

Por sua vez, sob o ponto de vista da sua leitura, o sistema de educação está associado a uma abordagem do sistema funcional que por si só sus-cita desafios de vária ordem, nomea-damente: (i) falta de professores qua-lificados, (ii) deficientes infra-estruturas de ensino, (iii) fraco apetre-chamento laboratorial, (iv) dificulda-des de tratamento de assuntos do género, (v) doenças endémicas e (vi) existência de diferentes subsistemas e dos ciclos dentro de cada subsiste-ma.

Referências Bibliográficas

Araújo, Helena Costa (2005) - Cidadania

na sua polifonia - debates nos estudos feministas de educação. In FPCE-UP

(Ed.). Porto.

Castiano, José P. (2005) - Educar para

Quê? As Transformações no Sistema de Educação em Moçambique, INDE, Maputo.

Martins, Lúcia Araújo Ramos, Pires,

Gláucia Nascimento da Luz, Melo, Fran-cisco Ricardo Lins Vieira de. (Org.) -

Inclusão: compartilhando Saberes. 2ª

Edi-ção, Editora Vozes, Rio de Janeiro, 2006.

Silva, Tomas Tadeu da (2000) - Teoria

do Currículo: Uma introdução crítica,

Porto Editora, Porto.

Silva, Tomaz Tadeu da (2003) -

Docu-mentos de identidade: uma introdu-ção às teorias de Currículo, Autentica,

Belo Horizonte.

Stiglitz, Joseph (2002) - Globalização:

(20)

PERÍCIA NA INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES

DE TRÂNSITO: O Caso de Lâmpadas de

Via-turas Como Factor contribuinte dos

aciden-tes de Trânsito

Mestre Rosa Luísa Mendes Mestre em Ciências Jurídicas e Criminais Docente e Investigadora do ISCTAC

Este trabalho objectiva fornecer uma exposição geral sobre a Perícia Na Investigação De Acidentes De Trân-sito‒Caso em estudo: Lâmpadas de Viaturas Como Factor contribuinte dos acidentes de Trânsito. Mostra-se aqui a perícia sob o enfoque de seus requisitos, metodologia, técnicas, vantagens e seus ferramentais. O traba-lho pericial é importante não só por ser destacado sob o aspecto da sua caracterização como prova essencial à instrução processual (cível ou criminal), mas também quanto a sua extrema valia no sentido de que, além de despertar alertas aos programas de prevenção de acidentes, possibilita avaliar o desempenho dos veículos e seus componentes frente à realidade dos acidentes efectivamente ocorridos em contraste com o ambiente de laboratório, como ainda apontar falhas viárias, com inestimável apoio à melhoria da segurança do trânsito. Uma das maiores preocupações dos órgãos responsáveis pelo planeamento do trânsito é de encontrar soluções que possam reduzir o número de acidentes (mortes e ferimentos). Este Artigo visa fazer um estudo de quais os factores contribuintes dos sinistros (em particular as luzes dos veículos automóveis). No presente estudo objec-tiva‒se perceber até que pontos as lâmpadas de iluminação dos veículos automóveis podem incidir ou influen-ciar nos elevados números estatísticos de sinistralidade nas estradas do nosso território e qual o papel da Perí-cia.

Introdução

A

s entidades ou órgãos do

estado, em especial muni-cipais, tem o dever de manter as vias públicas e rodoviárias sinalizadas, seguras, e em boas condições, pois a eles cabe o dever de zelar pela segurança e bem -estar dos cidadãos. Os acidentes são actos inesperados e pode ter ori-gens diversas, como: o desrespeito às regras de trânsito, a falta de cuidado ou atenção ao dirigir, ou também pode ser originado pela falta de cui-dado por parte do condutor, pessoa

a quer em regra é tido como o maior responsável destes. A legislação penal e a Justiça são benevolentes com os infractores de trânsito, em muitos casos ocorre até mesmo a decretação da prisão preventiva do acusado e o julgamento é feito em Tribunal, quando poe ex: da ocorrên-cia de homicídio na condução de veículo fica caracterizado o dolo eventual, ou seja, quando o acusado age com tamanha culpa que, mes-mo não tendo pretendido matar alguém, assumiu conscientemente o risco de fazê-lo. No âmbito civil, pode -se ter desde pequenos valores

(21)

envol-vidos, cuja indemnização pode ser discutida no Juízo em forma de acção Cível de indeminização por perdas, lucros cessantes, prestação de alimentos e reparação de dano moral e dano estético em até quan-tias valiosas, decorrentes de indemni-zação. É comum que, passado o sofrimento imediato, as pessoas per-cebam o vulto dos problemas decor-rentes de um processo, criminal ou civil, ao verificar que estão desampa-radas para enfrentar a situação, mui-tas vezes à mercê de frágeis e duvi-dosas provas testemunhais, só então se dando conta das dificuldades em se estabelecer a verdade. Nessas cir-cunstâncias, é forçoso convir que a deficiência probatória é desalenta-dora, não só por frustrar a aplicação da justiça, mas pela forma vil com que se beneficiam os culpados, os quais, muito frequentemente, ceifa-ram vidas e provocaceifa-ram tragédias a várias famílias. Por outro lado, cada vez mais a infalibilidade da tecnolo-gia automobilística vem desvanecen-do, impondo sucessivos recalls para reparar defeitos diversos, seja de con-cepção, seja de falha no processo industrial, que vão desde aspectos "cosméticos" até importantes itens de segurança.

Entretanto, reclamações de con-sumidores nem sempre reflectem autêntica insatisfação de quem pos-sui um veículo acometido por defeito ou falha, podendo, não raro, expres-sar uma tentativa de elidir a culpa de alguém que irresponsavelmente cau-sou um acidente, mas que prefere atribuí-lo a uma pretensa falha do veículo para se eximir de

responsabili-dade. Outras vezes, pode-se estar diante de um consumidor inescrupu-loso, que após se utilizar do veículo de forma inteiramente satisfatória, imputa-lhe defeitos na tentativa de receber o benefício de uma indemni-zação imerecida.

Procedimentos Metodológicos

Para a recolha de informações sobre o tema que se pretende tratar foram usadas as seguintes metodolo-gias: estudo de caso - visando anali-sar uma situação com maior profun-didade; para Gil (2002:137), o estudo de caso focaliza a comunidade, que não é necessariamente geográfica, já que pode ser uma comunidade de trabalho, estudo, lazer, ou voltada para qualquer outra actividade humana; a pesquisa bibliográfica – tem por objectivo conhecer as dife-rentes contribuições científicas dispo-níveis sobre determinado tema, Gil (2002:59); pesquisa participante – caracteriza-se na interacção entre pesquisadores e membros das situa-ções investigadas, Gil (2002:149). Utili-zou-se também a Técnica de levan-tamento de dados para a posterior interpretação e pesquisa a internet

Fundamentação Teórica

A análise idónea das provas materiais por um técnico experimen-tado com o objectivo de auxiliar o juízo na formação de sua convicção é denominada prova pericial ou pro-va técnica. Quando do acidente resulta lesão corporal ou morte, ou há qualquer infracção penal a ser

(22)

apu-rada, a prova pericial é elaborada por Perito Criminal, profissional per-tencente à Polícia. A apuração da responsabilidade decorrente de um acidente de trânsito é da alçada da Justiça, a qual o faz pela instauração de um processo legal. A instrução do processo faz-se pelas provas, que se constituem nos meios empregados para formar a convicção do julgador, no sentido de que se certifique da veracidade de determinados factos e analise um conjunto de circunstân-cias, de modo a permitir a aplicação da legislação. Nas acções cíveis, a perícia é realizada por um Perito Judi-cial, nomeado especificamente para cada caso pelo Juiz, podendo as partes também participar de sua rea-lização através dos respectivos Assis-tentes Técnicos.

A apuração de um acidente de trânsito não é tarefa simples como parece à primeira impressão. Fenó-meno de rápida duração que é (em média um acidente consome cerca de dois a três segundos entre o impacto e a imobilização dos veícu-los), raramente o acidente é efecti-vamente visto pelas testemunhas, razão pela qual mesmo a testemu-nha idónea e de boa-fé não conse-gue transmitir exactamente o que ocorreu. Por outro lado, partes inte-ressadas que são, motoristas e vítimas procuram ocultar detalhes que os prejudiquem, realçando os que os favoreçam, além de, muitas vezes, falsear a verdade, carregando os depoimentos com a subjectividade de suas impressões pessoais, as quais, na absoluta maioria das vezes, está longe de se traduzir em verdade.

Por essas razões, é extremamente indicado que os sinistros de trânsito e as falhas veiculares sejam elucidados pela prova técnica. Com fundamen-to em elemenfundamen-tos de ordem técnico Material, aos quais se aplicam méto-dos científicos criaméto-dos para essa finali-dade específica, pode-se deduzir cri-teriosamente cada fase de um aci-dente, determinando-se como os veí-culos se aproximaram, como se deu o embate e de que forma evoluíram posteriormente, até sua imobilização final, sendo possível sopesar cada causa, seja ela decorrente de falha do motorista, do pedestre, da via ou do veículo. Outra grande vantagem sobre os demais meios de prova é que, por resultar da formulação dedutiva do acidente, a prova peri-cial pode ser conferida pela parte técnica investigada por um Perito que possua conhecimentos técnicos para demostração da verdade.

Fases da Perícia

A perícia dos acidentes de trânsi-to é composta por três fases: a cconstatação, a avaliação e a con-clusão. A cconstatação é aFase do exame propriamente dito, quando se realiza a verificação dos elementos

de ordem técnico-material,

formando o que se convencionou denominar, ou tudo o que foi visto e

descoberto pelo examinador,

incluindo-se aí todos os vestígios do

acidente, sejam aqueles

normalmente remanescentes no

pavimento, sejam os que produzem-se nos veículos. A aavaliação é a

(23)

arrecadados no exame do local e

dos veículos são analisados,

ensejando o cotejo uns com outros, permite calcular grandezas físicas bem como cálculos e exames. A cconclusão consiste apresentação de um juízo de valor, que consiste em uma opinião do Perito acerca do acidente, informando retrospectiva e prospectivamente as condições em que se deu o acidente, se as

circunstâncias existentes eram

previsíveis, se o acidente era evitável, quais os factores causais, se houve e quais foram os factores concorrentes, etc., tudo com o objectivo final de propiciar aos operadores do Direito

conhecer detalhadamente as

questões de facto envoltas no acidente.

Como se vê, embora não tenha por missão julgar o acidente, tarefa que compete exclusivamente ao Juiz de Direito, a influência da perícia na formação da convicção do juiz é marcante, por tanto, mais que mostrar como ocorreu o facto, o Perito tem condições de demonstrá-lo, com a força probante dos elementos materiais em que se apoia. valendo dizer que, se a perícia

for bem elaborada, esta é

praticamente irrefutável pelo juiz pois a mesma visa trazer as provas con-cretas.

Eelementos em Que Baseia-se a Perícia de Acidentes de Trânsito:

Importância dos Vestígios

A perícia de acidente de trânsito fundamenta-se basicamente nos vestígios encontrados no pavimento,

nas posições finais adquiridas pelos veículos e na sede e localização das avarias decorrentes do acidente, o estado de tempo, a intensidade de sua iluminação entre outros.

Mesmo antes da ocorrência de um impacto do acidente, os veículos já podem estar produzindo vestígios na pavimentação, como marcas de frenagem, derrapagem, marcas de atritamento metálico, sulcagens, etc., e recebendo outras marcas, como o

enegrecimento da banda de

rodagem produzido por uma

frenagem mais vigorosa. No

momento da colisão, algumas

marcas são produzidas no pavimento

(como derivações bruscas de

vestígios de frenagem, deposição de fragmentos de vidro, lascas de tinta, etc.) e outras, nos veículos (como o amassamento de algumas partes, marcas de atritamento, marcas de esfregadura de materiais diversos, como tintas, plásticos, borrachas, etc, deposição de manchas de sangue,

fios de cabelo, etc.). Em

correspondência, os corpos de pedestres, motoristas e passageiros, quando colidem com partes externas ou internas dos veículos, produzem certos vestígios como marcas no cinto de segurança e experimentam outros, caracterizados principalmente pelos ferimentos recebidos.

Alguns Exemplos de Técnicas Próprias Para a Solução de Problemas

Frequentes

Ao longo dos anos, consagraram-se nos meios periciais alguns métodos para a solução de alguns problemas

(24)

mais frequentes, dos quais depende a elucidação de muitos casos. A luz traseira estava acesa? Por vezes, essa é uma questão que pode ser determinante quanto ao estudo da

causalidade de um acidente.

Quando o bolbo de uma lâmpada incandescente acesa se fractura

pelo impacto, ocorre rápida

oxidação das partes internas

remanescentes. Contudo, mesmo quando não se dá a fractura do bolbo, o exame do filamento da lâmpada pode trazer inestimável auxílio, já que, com impactos mais vigorosos, há sensível deformação do filamento quente da lâmpada acesa, o mesmo não ocorrendo quando o filamento está frio.

Pode-se ainda traçar qualquer

gráfico que se queira

instantaneamente. O mais

empolgante é que esses simuladores permitem não só a impressão dos resultados, mostrando o acidente na fracção de tempo que se quiser e os danos nos veículos, como também a

visualização do acidente em

movimento pelo monitor do

computador, o que, hoje, significa a possibilidade de um notebook “levar o acidente” à sala de audiência,

reduzindo sensivelmente a

possibilidade de erro quanto ao perfeito entendimento de como ocorreu de facto determinado acidente de trânsito.

Conclusão

Da pesquisa feita conclui‒se que, a temática da determinação das causas de um acidente de trânsito

depende não só a aplicação perfei-ta da justiça, como perfei-também qual-quer tipo de programa sério de pre-venção, em razão do que é preciso banir de vez métodos investigatórios empíricos, valorando-se sistemas de análise com fundamentação científi-ca e com supedâneo em seguros elementos de prova de ordem técni-co-material.

Por outro lado, é importante reco-nhecer que a perícia de acidentes de trânsito caracteriza-se hoje como uma ciência com vida própria, com

marcante avanço tecnológico,

podendo auxiliar no desenvolvimento de veículos e sistemas viários mais seguros, estas perícias tem papel mui-to importante pois vêm a diagnosti-car as causas de um acidente de transito e traz-nos a prova material dos factos sendo que esta é funda-mental para as decisões do Tribunal tendo assim papel fundamental.

Além de despertar alertas aos programas de prevenção de aciden-tes, a perícia possibilita avaliar o desempenho dos veículos e seus componentes frente à realidade dos acidentes efectivamente ocorridos em contraste com o ambiente de laboratório, como ainda apontar falhas viárias, com inestimável apoio à melhoria da segurança do trânsito. Uma das maiores preocupações dos órgãos responsáveis pelo planea-mento do trânsito é de encontrar soluções que possam reduzir o núme-ro de acidentes (mortes e ferimentos). Este Artigo visou fazer um estudo de quais os factores contribuintes dos sinistros (em particular as luzes dos veí-culos automóveis).

(25)

Referências Bibliográficas

Aragão, Ranvier Feitosa - Acidentes de Trânsito - Aspectos técnicos e jurídicos, Ed. Sagra Luzzato, Porto Alegre, RS, Brasil, 1.ª ed., 1999.

Bohan, Thomas L. and DAMASK, Arthur C. - Forensic Accident Investigation: Motor Vehi-cles, Michie Butterworth, Charlottesville, Vir-ginia, EUA, 1995;

Fricke, Lynn B. - Traffic Accident Reconstruc-tion, Northwestern University Traffic Institute, Evanston, Illinois, EUA, 1990;

Ruhl, Roland A. and Owen, Dwayne G. - Vehi-cle Accident Investigation, Champaign, Illi-nois, EUA, 1994;

Legislação Usada: Código de Estrada; Consti-tuição da República de Moçambique,2004; Código penal e legislação complementar; Lei nº 8/2002, de 05 de Fevereiro. Art.351; Código de Processo Penal; e Decreto-lei nº 1/2011,de 23 de Março. Art.151,e 153.

(26)

Constituição da República de Moçambique de 2004 vs Lei

da Organização Judiciária: Problematização do caso

relacionado Organização Judiciária em relação ao

Tribu-nal Supremo

Mestre Ivan Chamil Abibo Mestre em Ciências Jurídicas Público – Forense

Docente na Criminais do ISCTAC, Técnico Jurídico do IPAJ, Criminalista.

[email protected]

O presente artigo tem como objectivo central reflectir sobre a organização dos Tribunais Judiciais ao nível da Constituição vs Lei da Organização Judiciaria no seu artigo 29, número 1, conjugado com o artigo 223 da CRM de 2004, cujo objectivo é apresentar conflito de normas jurídicas sendo uma constitucional com rela-ção a outra que é de carácter orgânica e de simples organizarela-ção, sabendo de antemão de que todas as normas abaixo da constituição devem seguir a risca os princípios plasmados na Lei mãe. O que se pretende com este artigo é demonstrar que nem sempre as normas constitucionais apresentam – se em conformidade e ajustadas a realidade que se vive e que a sua revisão é de carácter urgente citando deste modo um dos exemplos mais falados no seio dos magistrados e meritíssimos juízes de causas como na esfera académica, sendo esta última essencial para a dinamização do direito como tal.

Introdução

N

o âmbito da Lei da

Orga-nização Judiciaria, o legis-lador fez menção a cerca da estrutura hierárquica dos Tribunais, esta estrutura esta plas-mada no artigo 29 no seu número 1 e a mesma esta disposta segundo uma ordem interna cuja mesma é reparti-da pelos tribunais em razão reparti-da maté-ria, da hierarquia, do valor e do terri-tório, segundo o artigo 32 no seu número 1, por conseguinte esta estru-tura visa assegurar de que a tramita-ção processual seja ela feita na razão da lei e que exista competências bem definidas tanto na função ou criação de um tribunal como as

com-petências das secções e classes que nela são criadas, o objectivo da cria-ção desta lei foi a de materializar o imperativo de tornar a justiça cada vez mais acessível e célere, para os que dela carecem, por isso houve a necessidade de actualizar a Lei 10/92, de 6 de Maio que se demons-trava desajustada para a realidade actual dos tribunais e a criação da Lei 24/2007 de 20 de Agosto, que actualiza a organização, competên-cias e funcionamento dos Tribunais Judiciais e com base no Artigo 223, no seu número 1 da Constituição da República de Moçambique de 2004, estabeleceu – se a constitucionalida-de das normas existentes nesse dispo-sitivo legal. Contudo em termos

(27)

nor-mais existe uma lacuna a se suprir na estrutura dos Tribunais, tanto na Cons-tituição da República de Moçambi-que em vigor como na Lei supra cita-da, no que concerne a Tribunal Supremo, visto que na Constituição acima citada o legislador na altura se assim estiver correcto em termos de interpretação de normas jurídicas faz menção de que na República de Moçambique existem basicamente três tribunais e suas subunidades, não querendo tirar o mérito da causa da criação de outros tribunais como também os tribunais militares, porém cita e conforme já dito só existem neste momento no país três tribunais com competência específicas, quan-to a esse aspecquan-to não há muiquan-to o que se retractar pois faz parte de um Estado de Direito que como tal deve ter a separação de poderes, tanto o executivo, legislativo como o judicial, contudo o que cria ou suscinta certa duvida é o caso do Tribunal Supremo, isso porque é do conhecimento de todos de que o mesmo faz parte da estrutura dos Tribunais judiciais, com base no artigo 29 da Lei de Organiza-ção Judiciaria, a Lei Nº 24/2007 de 20 de Agosto, sendo o Tribunal Supremo o Tribunal que em termos de hierar-quização esta acima de todos os outros tribunais Judicias existentes no nosso pais, que em termos de organi-zação judicial considera – se o mais alto órgão da hierarquia dos tribunais judiciais e tem jurisdição em todo o pais com base no artigo 39 da Lei de Organização Judiciaria, a Lei Nº 24/2007 de 20 de Agosto, sem deixar de referir que cabe a neste órgão a direção de todo o aparelho judicial,

tanto que tem a sua sede na capital do pais e uma das tarefas é a de jul-gar recursos de decisões proferidas em primeira instancia pelas secções do próprio tribunal como os recursos providos a partir dos Tribunais Superio-res de Recursos em matéria de direito somente o que demonstra ser a ulti-ma alternativa encontrada para quem tem sede de justiça e não esta a vê – la a ser concretizada e os seus direitos ainda a serem feridos. Desta forma fica claro para quem entende da matéria de que não se pode dis-sociar este tribunal dos Tribunais Judi-ciais, porém, não é o que se verifica na Constituição da República de Moçambique de 2004, o legislador pura e simplesmente remete – nos a ideia de que o Tribunal Supremo não faz parte dos Tribunais Judiciais e que se encontra fora da estrutura hierár-quica como traduz o artigo 223 de forma clara de que existe Tribunais Supremos e Tribunais Judiciais e pela lógica não há correlação de um com o outro. Pode haver uma explicação em termos de interpretação do artigo 223 que possa remontar a hipótese de haver um conflito de leis e explicar o porque dessa separação que não devia surgir logo que se depara com a situação.

Sistema Judicial e a Constituciona-lidade

O sistema moçambicano no geral define três categorias diferentes de tribunais: os Judiciais, os Administrati-vos e o Conselho Constitucional. Os Tribunais Judiciais (a principal estrutu-ra judiciária com base na Lei de Organização Judiciaria, a Lei Nº

Referências

Documentos relacionados

“Portugal” representa no texto, este episódio foi relevante para o meio compostelano, não porque ditou a impossibilidade da reconstituição do antigo reino da

MSR93x Router Series MSR2000 Router Series MSR3000 Router Series MSR4000 Router Series VSR Router Series MSR1000 Router Series HP 3800/3500 Switch Series HP 5500 HI/EI Switch Series

como a terceiros por ela indicados, com exclusividade, automaticamente e gratuitamente, uma licença em caráter definitivo, universal, irrevogável e irretratável, para fins

É elaborado pela Faculdade Adventista de Teologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) e publicado pela Unaspress.. CONSELHO DE

“Nosso objetivo nesta pesquisa é estabelecer a posição correta da justiça de Cristo em igual- dade com a do Pai, a fim de que Seu poder de remissão possa ser mais bem

Embora fosse ir longe demais ignorar mudanças nas previsões de inflação do FOMC, também seria inadequado dar às previsões o mesmo peso que as políticas concretas (juros

Nota-se, então, que essa atualização de possibilidades – uma seleção atual como possível e vice-versa – serve tanto para continuar a autopoiese, quanto para formar

O resultado mais visível obtido foi o crescimento expressivo na arrecadação do ISS variável (cerca de 285%) tomando como base os meses de janeiro (2004 e 2010). Sabemos que o