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Os dados do IBGE, compilados pelo DIEESE (2020), evidenciam a necessidade de uma atenção maior para PCD, em especial para pessoas com deficiência visual - PDV, que representam quase a metade (46,7%) do total das pessoas com deficiência no Brasil.

Corroborando com o que foi expresso no tópico anterior, o DIEESE (2020, p.17), pontua que os empregos das PCD representam cerca de 1% do total de vínculos formais de trabalho, mas, tiveram “mais de 4,0% do fechamento do total de vínculos formais do país entre janeiro a setembro de 2020”, o que dificulta ainda mais a busca por uma vaga, por um lugar no mercado de trabalho.

2.4 Deficiente visual: Desafios na vida laboral

Especialmente para as PDVs que vivem em áreas urbanas, faz-se necessário o enfrentamento de um grande volume de barreiras, objetivando a conquista dos seus direitos, dentre estes, o direito ao trabalho em igualdade com as demais pessoas assegurado pela Constituição Federal e demais legislações vigentes.

Para esse público, as barreiras, sejam elas arquitetônicas e urbanísticas, permanentes ou provisórias, que vai desde a ausência de sinalização sonora, falta de

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38 sinalização urbana, obras na estrada à conduções públicas inadaptadas, dentre outros, proporcionam dificuldades na mobilidade, obstruindo o direito de ir e vir. No entanto, para que não cause a exclusão social e contudo havendo a obrigatoriedade do rompimento de tais barreiras em seu cotidiano, é imprescindível que a pessoa com deficiência visual adquira uma certa autonomia através do conhecimento do percurso até o local de destino para a realização de qualquer atividade na vida social, inclusive na vida laboral como cita Bandini (2016):

Com o tempo, a pessoa com deficiência visual cria seu mapa mental, a partir de pontos de referência e técnicas no uso da bengala, mas isso não garante a remoção dos obstáculos que surgem a cada dia devido a obras, obstrução de calçadas, colocação de objetos e obstáculos nas áreas de circulação e a falta de sinalização nas travessias de vias públicas e na sinalização de conduções públicas (BANDINI et al, 2016, p.98).

Tais situações demonstram que, para a pessoa com deficiência visual, na maioria das vezes, é dificultosa a locomoção até o local de trabalho, deixando claro a necessidade da aplicabilidade da LBI, que diz em seu capítulo I, art 54:

São sujeitas ao cumprimento das disposições desta Lei e de outras normas relativas à acessibilidade, sempre que houver interação com a matéria nela regulada: I - a aprovação de projeto arquitetônico e urbanístico ou de comunicação e informação, a fabricação de veículos de transporte coletivo, a prestação do respectivo serviço e a execução de qualquer tipo de obra, quando tenham destinação pública ou coletiva (LBI, Capítulo I, Art. 54).

Observa-se que a LBI assegura às PCD, a acessibilidade em todos os momentos da vida, na escola, lazer, trabalho, dentre outros, como fortalecimento da cidadania, tendo o Estado e a sociedade um papel fundamental em sua implementação e no respeito às normas de acessibilidades vigentes.

O pano de fundo que gera exclusão da pessoa com deficiência visual no mercado de trabalho, bem como dificuldades na permanência, é a inaplicabilidade da LBI por parte de algumas empresas como já citado anteriormente, pois a mesma aponta fatores facilitadores para a permanência.

O despreparo de determinadas empresas que assim agem se dá devido ao desinteresse da adaptação do ambiente, a falta de conhecimento e o não uso de recursos das tecnologias assistivas, muitas vezes, com a intencionalidade da contenção de gastos

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39 por haver a necessidade de um planejamento prévio pressupõe um suposto aumento de despesas.

Todo um trabalho de planejamento e de adaptação deve preferencialmente preceder o início do trabalho de uma pessoa com deficiência visual, considerando seu grau de comprometimento, pois um ambiente adaptado para quem tem baixa visão é diferente e usa recursos distintos daqueles que tem cegueira total (BANDINI et al., 2016, p. 101).

É importante apontar que a Lei de Cotas vem sendo aplicada pelas empresas com certa frequência, porém sem garantias do respeito à diversidade da pessoa humana e na maioria das vezes não assegura à PDV, a oportunidade de buscar uma colocação competência compatível com os padrões sociais vigentes. A integração tinha e tem o mérito de inserir a pessoa com deficiência na sociedade, sim, mas desde que ela esteja de alguma forma capacitada a superar as barreiras físicas, programáticas e atitudinais nela existentes (SASSAKI, 2006, p.33).

Nota-se que a existência de legislações que tem por objetivo facilitar a inclusão e a permanência das PDV à vida laboral em igualdade com as demais pessoas em determinadas situações, reafirma o preconceito e a estigmatização ao afirmar que estes, para inserir-se ao mercado de trabalho devem estar aptos a superar as barreiras emergentes, pois por inúmeras vezes são postos à margem, ao passo que são culpabilizados por suas limitações laborais, quando, na realidade, se deveria oferecer oportunidade de capacitação e aperfeiçoamento para a vida profissional.

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40 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após estudos realizados para efetivação desse trabalho, observou-se uma vasta gama de desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência em todos os âmbitos da vida social, especialmente no mercado de trabalho, pois em uma sociedade onde a desigualdade é evidente, há escassez de oportunidades principalmente para as pessoas em situação de vulnerabilidade social, bem como para as PCD e PDV.

Tendo em vista que este trabalho tem como objetivo conhecer os principais desafios colocados à empregabilidade da PCD, em especial das pessoas com deficiência visual em todos os momentos da história, especialmente em tempos de pandemia da covid 19, torna imprescindível citar que um dos desafios mais presentes é o preconceito e estigmas por parte da sociedade quanto à capacidade de trabalho das PCD e PDV.

Vale salientar que preconceitos e estigmas perpassam todas as áreas da vida, sendo uma das principais barreiras a serem rompidas e na maioria das vezes torna-se um dos motivos de exclusão no mercado de trabalho.

A criação e implementação da Lei de Cotas, que define o preenchimento de vagas de trabalho formal por PCD e/ou PDV nas empresas, variando de acordo com o quadro de funcionários das mesmas e a LBI, que aponta o direito à acessibilidade nos espaços externos e internos, possibilitou a contratação desse público pelas empresas, contudo, apenas minimizou a ocorrência da estigmatização destas.

No entanto, as pessoas com deficiência esbarram quase que frequentemente com o descumprimento da LBI, pois as pesquisas demonstraram que grande parte das empresas não cumprem a Lei de Cotas para pessoas com deficiência, colocando assim, à margem do mercado de trabalho, uma porcentagem significativa desse grupo de pessoas causado pelo desrespeito da peculiaridade de cada deficiência no oferecimento das vagas direcionadas ao PCD e, particularmente, ao PDV.

O quadro mais comum encontrado por este público são empresas que contratam pessoas com deficiência física, motora, visual dentre outras, sem oferecer o acesso às tecnologias assistivas, imprescindíveis para que as PDVs possam executar seu trabalho

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41 e garantir a estabilidade no emprego praticando a integração, em que são responsabilizados pelos rompimentos de barreiras que surgirem no ambiente laboral.

Observou-se que os inúmeros desafios enfrentados se agravaram gradativamente com a pandemia, principalmente no que se refere à mobilidade, com o número reduzido de veículos de transporte público, que já possuem a acessibilidade deficitária. Essa dimensão afetou de maneira significativa as PDVs, dificultando a locomoção, e por sua vez, a busca por um emprego, bem como o trabalho remoto não chegou a ser adaptado para as PDVs.

Com a diminuição dos postos de trabalho causada pelo lockdown ocorrido no momento crítico da pandemia, houve também o fechamento de diversas vagas ocupadas pelas PDVs, que mesmo após a reabertura das empresas e comércio, ainda não foram preenchidas em sua totalidade com processos de forma lenta ou mesmo com vagas canceladas.

Tais situações apontam a relevância da LBI se tornar conhecida e praticada como a Lei de cotas, tanto pela sociedade quanto pelas PDVs, para que estas possam vivenciar uma realidade diferenciada da ocorrida na contemporaneidade. Paralelo a isso, é imprescindível que ocorra a conscientização das empresas para uma melhor adequação ao ambiente do trabalho, no sentido de tornar mais frequente o uso das tecnologias assistivas específicas para cada deficiência, pontuando, assim, que esse uso faz com que haja maior proveito e desempenho na atividade profissional da PDV.

A título de sugestão de estudos futuros pensa-se em pesquisar as políticas de inserção das PDVs no âmbito do homework, pois acredita-se que cenários pandêmicos podem continuar se repetindo e, desta forma, podemos contribuir com o avanço das políticas públicas de inclusão.

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