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2.3 Suporte social
2.4.1 Definição e modelos de coping
O modelo cognitivo proposto por Folkman & Lazarus (1980) divide o coping em duas categorias funcionais: o coping focado no problema; e o coping focalizado na emoção. Estas categorias emergiram de uma análise factorial que gerou dois componentes principais que serviram para definir estes dois tipos de estratégias de coping.
O coping é definido como um conjunto de esforços cognitivos e comportamentais, utilizado pelos indivíduos para lidar com situações específicas internas ou externas decorrentes de situações stressantes (Lazarus & Folkman, 1984). Segundo os autores é o processo de avaliação cognitiva que vai determinar o nível de stresse de uma situação, bem como os recursos necessários para lidar com a mesma (Varela et al., 2007).
Esta avaliação pode ser de três tipos: avaliação primária, na qual o indivíduo analisa o significado do acontecimento e lhe atribui significância ou não, para o seu bem- estar. Caso sejam negativas estes acontecimentos podem apresentar-se como ameaça, medo ou desafio (Pereira, 1991; Varela et al., 2007).
Na avaliação secundária, o indivíduo analisa a situação e tenta arranjar formas de a contornar, de a ultrapassar, utilizando quer recursos físicos, psicológicos e sociais (Folkman, 1984).
Na terceira forma de avaliação o indivíduo analisa as duas anteriores, e analisa se tem recursos para lidar com a situação ameaçadora ou não.
Ao falarmos de coping convém diferenciar estratégias de coping de estilos de coping. De uma forma geral os estilos de coping estão relacionados com características da personalidade, enquanto as estratégias de coping referem-se a acções cognitivas ou a comportamentos tomados no decurso de uma situação adversa (Antoniazzi, 1998)
O coping é a parte mais importante da resposta ao stress. Quando um indivíduo é confrontado com acontecimentos de vida percepcionados como perturbadores o seu organismo tentar reagir a esses acontecimentos, ajustando-se a eles (Bishop, 1994).
Lazarus e Folkman (1984) definem coping como esforços cognitivos e comportamentais constantes para gerir exigências específicas, internas e/ou externas, que são avaliadas como excedendo os recursos do indivíduo (p. 141). Os autores referem que uma situação é mais ou menos ameaçadora dependendo da avaliação que o sujeito dela faz. Um acontecimento é considerado ameaçador ou stressor ser for visto como uma perda ou um prejuízo. O stresse é a relação que se estabelece entre os acontecimentos perturbadores e as reacções do organismo. Lopez (1989, citado. por Patrão et al., 2004) afirma que os acontecimentos stressantes são aqueles eventos que requerem um ajuste nas actividades quotidianas dos indivíduos e são percebidas por estes como indesejáveis.
Os estilos de coping são estratégias utilizadas pelos indivíduos para lidar com acontecimentos stressantes. O indivíduo pode utilizar diferentes estratégias para lidar com o stress:
- Estratégias orientadas para o problema, nas quais o indivíduo segue um plano de acção até eliminar a causa do stresse, como sendo a procura de informação, a resolução de problemas;
- Estratégias orientadas para a emoção são utilizadas para reduzir a tensão emocional, ou descontrolo emocional; as estratégias focadas na avaliação prendem-se com a análise lógica, a reestruturação cognitiva e o evitamento cognitivo (Vaz Serra, 2002).
Folkman e colaboradores (2004) sugerem um estilo de coping como um modelo de processo dual, aspectos sociais do coping, e três novas direcções de pesquisa tendo como ponto de partida as emoções: lidar com as emoções do coping; regular as emoções e emoções positivas de coping.
Um dos novos desenvolvimentos do coping prende-se com um conjunto de formas e estratégias que os indivíduos adquiram para lidarem com futuros eventos potencialmente stressores, desta capacidade de resposta resulta o coping pró-activo. (Folkman et al., 2004). Este modelo define quatro componentes inter-relacionadas no processo de coping pró-activo: a importância do indivíduo construir uma reserva de recursos, ajudando-o a prevenir perdas futuras; o reconhecimento de potenciais stressores; um conjunto de estratégias de coping preliminares; e a obtenção de um feedback resultante dos esforços para lidar com o stresse.
O modelo dual está orientado em processos dinâmicos de coping, no qual os indivíduos oscilam entre duas orientações: perda e restauração. O coping orientado na perda inclui um trabalho de sofrimento, de quebrar elos com a pessoa; A restauração do coping inclui factores secundários de stresse, ou seja, novas aptidões para lidar com a situação de perda. Este modelo dual define um coping adaptativo que inclui uma oscilação entre a perda e a orientação no futuro.
Centrado na resolução do problema Centrado no controlo das emoções Centrado no apoio social Orientado no futuro – Proactivo Coping Aptidões e recursos pessoais e sociais Eficaz Ineficaz Bem-estar Optimismo Ausência de stresse Manutenção do stresse Mal-estar Doença
Em investigações no âmbito do cancro da mama, verifica-se que o desespero e o evitamento são estilos de coping menos activos relacionados com uma resposta mal adaptada. Enquanto os estilos de coping mais activos relacionam-se com repostas mais adaptadas e um melhor prognóstico da doença (Watson et al., 1998).
A doença oncológica é considerada um agente de stresse que implica a adopção de todo um conjunto de estratégias para lidar com a situação, podendo essas mesmas estratégias serem mais ou menos adaptativas.
Neste sentido não podemos deixar de referir uma das mais clássicas teorias do coping de Lazarus e Folkman (1986). Segundo os autores o indivíduo apresenta-se face a um agente activo, na avaliação cognitivo-emocional e individual da situação stressante (Santos et al., 2003).
Segundo alguns teóricos é necessário ter em consideração a natureza do stressor, uma vez que o coping activo está mais focado no problema e é por sua vez mais adaptativo: enquanto o coping focado na emoção, está associado a situações desadaptativas e de pouco controlo (Faller et al., 1999)
De acordo com alguns autores o ajustamento mental ao cancro pode ser definido como um conjunto de respostas comportamentais e cognitivas dadas pelo indivíduo perante um diagnóstico de cancro (Greer et al., 1989). Quer a noção de coping, quer a de ajustamento mental requerem um esforço por parte do indivíduo para lidar com a situação stressante. O fighting spirit é visto como um conjunto de respostas mais adaptativas (coping focado no problema), os indivíduos têm uma visão mais optimista da doença, acreditam que se podem curar, em contrapartida o helplessness que é caracterizado por respostas desadaptativas de desânimo e desesperança, de negativismo e de descrença do controlo sobre a doença (Greer et al., 1987). O coping evitamento está muitas vezes associado a pensamentos intrusivos da doença, estando por isso o helplessness/desânimo associado a altos níveis de distresse, que se manifestam no bem-estar e qualidade de vida do doente (Greer, 1999).
Enquanto a adopção de estratégias mais activas reduzem essa mesma sintomatologia, traduzindo-se em níveis de maior satisfação com a qualidade de vida e bem-estar.