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Definições e Conceitos sobre Política Externa do Brasil

2.3 A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA E A RCA

2.3.1 Definições e Conceitos sobre Política Externa do Brasil

Como ponto de partida para se entender a política externa e a diplomacia

brasileira, há que se compreender os seus conceitos e os seus principais atores

envolvidos, bem como diferenciá-los de relações internacionais. Borelli (2016)

sintetiza os conceitos de relações internacionais, política externa e diplomacia da

seguinte forma:

Enquanto relações internacionais correspondem a uma ideia mais geral sobre como um país se relaciona com os demais países e instituições no sistema internacional, a Política Externa e a diplomacia são conceitos mais específicos, que correspondem aos objetivos e interesses de determinado país no exterior. (BORELLI, 2016).

De forma a elucidar ainda mais os referidos conceitos, bem como apresentar

os principais atores envolvidos, Borelli (2016) propõe o seguinte quadro:

Quadro 03 - Definições de Relações Internacionais, Política Externa e Diplomacia

Relações

Internacionais Política Externa Diplomacia

Definição É o conceito mais amplo e geral, que corresponde ao conjunto de relações que um país mantém como os demais países. É a partir dessas relações – mas também da situação no plano nacional – que o governo federal elabora sua Política Externa.

Conjunto de medidas e ações estabelecidas pelo governo federal para garantir a consecução dos objetivos e interesses do país no exterior, ou seja, na relação com outros países. Esse processo deve considerar os mais diversos interesses da sociedade para que essa seja bem representada pelos atores oficiais no plano internacional. No Brasil, o Ministério das Relações Exteriores é a principal instituição do governo federal para pensar e formular a Politica Externa.

É a execução da Política Externa por meio de diplomatas e de representantes oficiais do governo. Essa execução, no entanto, deve corresponder diretamente aos parâmetros e interesses definidos pelo governo em sua Política Externa. Atores

principais São diversos os atoresque podem atuar nas relações

internacionais. Em linhas gerais, qualquer pessoa ou entidade que atue no plano internacional pode ser considerada como um ator das relações internacionais.

Os principais atores da Política Externa de um país são os representantes do governo federal, em especial os diplomatas e as Forças Armadas. São oficiais do governo que atuam primordialmente no plano internacional e, portanto, são os responsáveis por garantir a imagem, os interesses e os objetivos do país nas relações com os demais.

Os diplomatas são os representantes oficiais do governo no exterior. No entanto, outros atores oficiais – como os ministros – também são responsáveis pelas relações diplomáticas do país.

Fonte: Borelli (2016). Disponível em: <http://www.politize.com.br/politica-externa-o-que-e-e-por-que-e-importante/>

Conforme descrito no quadro anterior, um ator de peso na Política Externa

brasileira é o Ministério das Relações Exteriores (MRE), também chamado de

Itamaraty que, de acordo com o seu Regimento Interno, possui a missão institucional

de auxiliar o Presidente da República na formulação da Política Exterior do Brasil,

assegurar sua execução, manter relações diplomáticas com governos de Estados

estrangeiros, organismos e organizações internacionais, e promover os interesses

do Estado e da sociedade brasileiros no exterior. Para tal, o MRE atua, dentre

outras, nas seguintes áreas: política internacional; participação nas negociações

comerciais, econômicas, jurídicas, financeiras, técnicas e culturais com Governos e

entidades estrangeiras; programas de cooperação internacional e relações

diplomáticas.

A fim de cumprir a sua missão, o MRE conta, no exterior, com as Missões

Diplomáticas permanentes, as Repartições Consulares e unidades específicas,

destinadas as atividades administrativas, técnicas, culturais ou de gestão de

recursos financeiros. As Missões Diplomáticas permanentes qualificam-se como

Embaixadas, Delegações Permanentes e Missões junto a organismos

internacionais. Já as Repartições Consulares qualificam-se como

Consulados-Gerais, Consulados, Vice-Consulados e Consulados Honorários.

Um exemplo de Missão permanente é a do Brasil junto à ONU, em Nova

Iorque, que é responsável por todas as atividades brasileiras em eventos das

Nações Unidas naquela cidade, incluindo a representação do país na Assembleia

Geral e nas reuniões do Conselho de Segurança.

No âmbito interno, o MRE conta, entre outros órgãos, com a Secretaria de

Estado das Relações Exteriores que abrange não apenas os órgãos de assistência

direta ao Ministro das Relações Exteriores e a Secretaria-Geral das Relações

Exteriores, como também nove Subsecretarias-Gerais – e suas respectivas

Coordenações, Departamentos e Divisões, com destaque para a Subsecretaria-geral

da África e do Oriente Médio. Essa Subsecretaria-geral subdividisse em

departamentos e divisões, sendo uma dessas divisões (Divisão da África Central e

Ocidental), responsável por acompanhar a evolução das questões de natureza

política e macroeconômica e o desenvolvimento do diálogo diplomático em relação a

diversos países africanos, dentre eles a República Centro-Africana.

No campo da Diplomacia Comercial, o MRE possui um Departamento de

Promoção Comercial e Investimentos, responsável por promover o comércio e o

turismo, atrair investimentos estrangeiros e contribuir para a internacionalização de

empresas brasileiras. Para tal, o Departamento se subdivide em quatro divisões:

Divisão de Investimentos (DINV); Divisão de Inteligência Comercial (DIC); Divisão de

Programas de Promoção Comercial (DPG) e Divisão de Operações de Promoção

Comercial (DOC). No exterior, as Embaixadas e Consulados brasileiros possuem

Setores de Promoção Comercial, os quais são pontos de referência para a

promoção comercial e para a atração de investimentos. Dentre suas atribuições,

estão realizar estudos de mercado e intermediar reclamações comerciais.

Especificamente com relação à RCA, o MRE, por intermédio da Divisão de

Inteligência Comercial, lançou, em 2012, o Guia de Negócios República

Centro-Africana e, mais recentemente, em janeiro de 2016, um relatório sobre os dados do

comércio exterior do Brasil com aquele país, evidenciando a preocupação brasileira

em explorar possíveis relações comerciais.

No que concerne às diretrizes da Política Externa brasileira, as mesmas

advém, dentre outros documentos, da Mensagem ao Congresso, a qual é enviada

pela Presidência da República, no início de cada ano, cuja mais recente foi

encaminha no dia 05 de fevereiro de 2018. Nessa mensagem, o Presidente

descreveu algumas ações realizadas no ano de 2017, no campo da política externa,

bem como reforçou que “o continente africano é uma prioridade permanente da

Política Externa brasileira”. Além disso, o Presidente ratificou a posição histórica do

país de defesa da necessidade de uma reforma do Conselho de Segurança das

Nações Unidas.

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