A gestão escolar democrática é descentralizada, está prevista na CF/1988 e na LDB/1996, no art. 3º, inciso VIII, que confere assim: “gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino”. A CF/1988 se caracteriza como instrumento de prática democrática na área da educação, visto que
ficou conhecida pelos avanços de participação popular como Constituição Cidadã. Ela reanimou o movimento de Gestão Democrática da Educação LDB/1996, recepcionou em seus arts. 14 e 15 os princípios orientadores da gestão democrática:
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;
II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.
Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público.
Observa-se que a CF/1988 expôs quem deve participar da organização e planejamento da educação. A democratização da educação como desenvolvimento histórico tem sido alvo de conflitos daqueles que lutam para construir um plano de educação democrático e os que buscam perpetrar o poder dominante. A participação da sociedade civil se constitui fonte transformadora do cenário atual.
De acordo com Coutinho (2000, p. 131), todos são capazes de organizarem- se, de expressarem seus anseios e de obterem efetivamente “conquistas sociais, culturais e políticas no quadro de uma institucionalidade em permanente expansão”. A escola insere-se em um contexto com muitos desafios como, por exemplo, o de determinar de forma democrática condições mais adequadas que atendam as diferenças dos alunos e que compreenda a comunidade escolar, acolher, abranger e respeitar essas diferenças se torna requisito necessário para apontar o direcionamento para sociedade fundamentada na inclusão.
A democracia abrange o alcance com êxito da qualidade na Educação requer a atualização da política educacional e da formação de professores. O planejamento educacional apresenta pontos de deslocamentos das práticas de ensino, já ultrapassadas para atender as necessidades atuais. Para Saviani (2012, p. 102), todo plano educacional deve ser
[...] concretizado de forma democrática com apoio e participação da comunidade escolar consente deliberar e executar, como também, autoriza analisar projetos fundados na vontade da própria comunidade. Deve ser levado em consideração que a autonomia democrática permitida ao
estudante prática e experiência no que se refere à elaboração e realização de projetos em que ele mesmo é o destinatário final. Portanto, seguindo critérios próprios a gestão democrática escolar, deve ser considerada como um excelente instrumento no que diz respeito à formação e autonomia do aluno enquanto pessoa preparada e com formação teórica e prática para agir em sociedade.
A participação democrática escolar inevitavelmente deve ser praticada com o respeito ao educando como ser único e dotado de condições cognitivaspara promover a sua própria aprendizagem, a fim de seguir a alternativa que edifica os conhecimentos. O poder público representado pelo governo e parlamento em geral se processa criando políticas públicas voltadas para a educação que propõem e alteram gradualmente o sistema educacional no Estado, assim temos os planos Instituído e Instituinte. Para a organização da área da educação, faz-se necessário saber quais são os fundamentos legais. As contradições estão sempre presentes quando se discute a educação brasileira, mais ainda quando se tem presente o ideal de democracia popular, como destaca Oliveira (1997, p. 65):
Embora desenvolvimento econômico e desenvolvimento social não impliquem, necessariamente, em um mesmo processo, é interessante perceber como são apresentados em estreita relação. Nos planos de desenvolvimento brasileiros, prevaleceu uma abordagem dos aspectos sociais como coadjuvante no processo econômico. Isto é, a educação e outros setores sociais não são pensados em função dos benefícios ou do bem-estar da população, mas o que se percebe é o predomínio do econômico nas “razões” do Estado. Na verdade, as questões sociais são tomadas como instrumentos dos imperativos econômicos nos planos, o que pode ser verificado nas formas como os recursos são alocados nos mesmos.
Na gestão escolar e na democracia, pode-se analisar que o conjunto dos dispositivos constitucionais sobre educação é possível inferir que essa qualidade diz respeito ao caráter democrático, cooperativo, planejado e responsável da gestão educacional, orientado pelos princípios arrolados em seu artigo 206:
Art. 206 - O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III -pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas;
VII - garantia de padrão de qualidade.
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal.
Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Após o advento da CF/1988, a Conferência Mundial de Educação para Todos (Jomtien-Tailândia, 1990) e a Conferência de Cúpula de Nova-Delhi (1993) indicaram a necessidade de construção de um novo modelo de gestão educacional capaz de assegurar para todos uma Educação Básica de qualidade, vista como uma das condições essenciais do desenvolvimento humano, corroborando com o tratamento dado pela Carta Magna. Esta é o eixo norteador de todo o sistema de educacional no Brasil que é legitimado por leis específicas que tentam viabilizar políticas que possam contribuir para o crescimento da educação pública do País.
A flexibilização orienta a criação e garantia de uma institucionalidade dotada de mecanismos e instrumentos legais, técnicos e burocráticos que possibilitem o rompimento da rigidez formal das estruturas do sistema de ensino e de sua gestão. A mobilização dirige a ação gestora do Estado no sentido de fomentar o envolvimento ativo dos indivíduos (professores, alunos, pais e outros), das comunidades (em especial a escolar), das organizações sociais e dos setores produtivos da sociedade na implementação das políticas educacionais. Norteia a gestão no sentido da busca de responsabilização das instituições, dos indivíduos e segmentos sociais pelos resultados que se têm em vista com a escolarização.
Na LDB/1996, em seu art. 12,incisos I a VII, estão as principais deliberações que se referem à gestão escolar no que diz respeito às suas respectivas unidades de ensino, os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:
I - Elaborar e executar sua proposta pedagógica;
II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas; IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente; V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola;
VII - informar os pais e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos alunos, bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica.
Dentre os sete incisos descritos, observa-se a dimensão da gestão escolar na relação com a comunidade escolar. A relação escola-comunidade requer a visibilidade e transparência da participação tanto da escola quanto da comunidade no processo de educação de qualidade.
Conforme Vieira (2008), na LDB/1996, o planejamento, a elaboração e a execução de uma proposta pedagógica é a principal das atribuições das unidades de ensino. A proposta pedagógica é a bússola da escola, define seus caminhos e trajetos para alcançar os seus objetivos. Por isso, é muito importante que ela seja bem formulada e estruturada pela escola e seus representantes. A gestão democrática constitui princípio fundamental da organização das instituições públicas de ensino, compreendendo, o que prevê o artigo 18:
Art. 18. I - A existência de mecanismos de coparticipação na gestão das instituições de ensino, com representação dos segmentos que a integram, incluídos, no caso das instituições destinadas a educação e ao ensino de crianças e adolescentes, os pais ou responsáveis;
1º - o cumprimento do disposto neste artigo dar-se-á com observância dos seguintes preceitos:
I - existência de órgãos colegiados e conselhos escolares, com competência sobre o conjunto de todas as atividades desenvolvidas pela instituição; III - avaliação permanente da qualidade de serviços prestados e dos resultados das atividades educacionais oferecidas à sociedade;
V - utilização de métodos participativos para a escolha de dirigentes, ressalvado o provimento de cargos por concurso público;
VI - incentivo para a criação de associações de profissionais do ensino, alunos, ex-alunos e pais, além das de caráter acadêmico, assegurada sua participação nos processos decisórios internos das instituições.
As atividades desenvolvidas pelas instituições públicas visam ao avanço dos indicadores nos sistemas de avaliação e à contribuição da comunidade escolar (diretores, coordenadores, professores, alunos, ex-alunos, pais). Assim, a gestão democrática configura-se sob os princípios de integração do sistema/escola com a família, comunidade e sociedade, descentralização, participação democrática no processo educacional, maioria dos professores em colegiados e comissões.
A gestão democrática não está restrita apenas as unidades escolares, mas abrange as ações públicas. A LDB/1996 regulamenta a gestão democrática do ensino público em geral, contribuindo de forma transparente para que as leis sejam aplicadas na educação básica oferecendo autonomia as unidades federativas para um planejamento adequado as pretensões de cada unidade. A Lei referida pouco inovou
em relação ao cargo de diretor escolar e contemplou apenas a formação dos profissionais com o curso de pedagogia e a forma de escolha dos dirigentes.