O primeiro PEE-GO pode ser pensado a partir da Lei n. 5.540/1968 que reformulou o ensino superior com os princípios da Ditadura Militar, pois, contemplou determinações no sentido da racionalização do trabalho escolar. De acordo com Saviani (2005, p. 36):
[...] a Lei 5540/68 proclamou a autonomia universitária e a dissociabilidade entre ensino e pesquisa, aboliu a cátedra e elegeu a instituição universitária como forma prioritária de organização do ensino superior. Atendendo a segunda demanda instituiu o regime de credito, a matrícula por disciplina, os cursos semestrais, os cursos de curta duração e a organização fundacional.
Observa-se que a principal mudança ocorrida com a implantação da Lei n. 5.540/1968 foi a de abolir a cátedra universitária. A EC/1967 já havia revogado o privilégio de vitaliciedade, substituindo por carreira docente e concursos públicos. A referida lei estabeleceu que a universidade fosse estruturada em departamentos. Tal divisão pode ser tornar individualizada dificultando a universidade de cumprir sua função primordial: ensino, pesquisa e extensão. Até nos dias atuais, permanece essa estrutura de organização departamental nas Universidades que, na sua grande maioria, continua centralizadora e excessivamente burocrática, impedindo o acesso e a permanência do alunado. Para Brzezinski (1987, p. 165):
A reforma se efetivou por meio das leis de nº 5. 540/68 de 28 de novembro de 1968, da reforma Universitária, e de 5.692/62, de 11 de agosto de 1971, que fixa Diretriz e Bases para o Ensino de 1º e 2º graus. Estas leis se constituíram nos documentos básicos de educação. A Lei geral da Reforma Universitária brasileira foi resultado de uma acidentada tramitação no Congresso Nacional que ao fim tornou impossível a sua execução e levou a restauração de alguns dispositivos essenciais do projeto original pela via de decreto-lei.
As dificuldades de acesso ocorrem pela distância, pelo número de vagas muito reduzidas, entre outros. A democratização foi equacionada às avessas, pois, ao invés
de o Estado criar mecanismos de inclusão e ampliação do ensino superior público e gratuito, incentivou a aglomeração das poucas Instituições de Educação Superior (IES) existentes na época.
A política educacional instituída precisou adaptar o sistema educacional ao atendimento dos interesses da estrutura de poder edificada, propagando seu ideário, reprimindo seus opositores e reestruturando sua função social. A Lei n. 5.540/1968 interferiu proporcionalmente nas IES em Goiás, houve pouca expansão do ensino superior. Concordando com Baldino (1991, p. 121) quando descreve que,
Mesmo a conjuntura política dos anos 1970 sendo promissória para a expansão do ensino superior com a criação de Faculdades Isoladas, principalmente no setor privado, em Goiás essa tendência foi tímida, haja visto que até 1979 termos apenas duas Universidade a Universidade Federal de Goiás – UFG e a Universidade Católica de Goiás e nove estabelecimentos de ensino (sendo seis particulares e três estaduais).
Passados 11 anos, a efetivação dos planos contidos na Lei n. 5.540/1968 ainda não havia sido apreciada. Observa-se que o fator principal desse entrave na oferta do Ensino Superior é decorrente dos obstáculos do sistema político, social e econômico, que precisam ser desenvolvidos adequadamente para que haja um sistema educacional abrangente e de boa qualidade.
Quanto às transformações ocorridas na educação por influência da Lei n. 5.692/1971, que foi elaborada e aprovada no período da Ditadura Militar, sem a participação da sociedade civil, foi promulgada com base na Lei n. 4.024/1961, que foi revogada. Fixou as diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º graus (a atual educação básica), mostrando as alterações que unificaram o Ensino Fundamental. Na visão de Cury (2014, p. 71):
[...] com a redação dada pela Lei nº 5692 de 11 de agosto 1971, no que se refere ao ensino primário. Ampliado para oito anos pela constituição de 1967, agora sob nova denominação de ensino de 1º grau ele compreenderá tanto o que antes era o ensino primário (4 anos) quanto ao que era o 1º ciclo do ensino médio (ginásio 4 anos).
São inúmeras as mudanças determinadas pela Lei n. 5692/1971, escola primária e do ginásio, num ensino unificado de 1º grau, com a duração de oito anos letivos. As alterações na estrutura organizacional da educação nacional foram ordenadas por períodos, séries ou etapas a serem vencidas pelos alunos para
completar seus estudos, em todos os graus de ensino. As mudanças descritas na lei descreveram o currículo escolar abrangendo também o de ensino.
Em linhas gerais, o currículo no 1° grau passou a abranger uma parte da educação geral, exclusiva nos anos iniciais predominantes nas series finais, e uma parte de formação especial, preponderante no 2º grau. No Estado de Goiás, conforme destaca Brzezinski (1987), a implantação da Lei n. 5.692/1971 deu-se no ano seguinte da publicação de lei.
Já a implantação do ensino profissionalizante em Goiás ocorreu por meio de uma profunda mudança na infraestrutura física. Houve uma reorganização das escolas e, consequentemente, dos estudantes. Os estabelecimentos de ensino que ofereciam cursos profissionalizantes precisavam reelaborar os seus currículos e os outros que se viam implantando eram exigidos uma nova elaboração curricular. Brzezinski (1987, p. 187) destaca que a
[...] proposição do projeto de implantação da lei evidenciavam uma perfeita integração dos planos físicos – Instrumentais. Complementando esta estrutura, a ela integrasse o Instituto de Educação, já transformado em complexo Escolar de 1º grau. O Instituto de educação com turmas exclusivas de 5º a 8º série, na categoria de estabelecimento de área, serviria às escolas de 2º grau, sem delas servir-se. O IEG, por sua vez, passaria a ser servido por escolas tributárias de 1º grau (1º à 4º séries) e prosseguiria o trabalho destas escolas nas series finais de 1º grau.
Como uma das dificuldades para a implantação se referia à falta de estrutura física, foi aparentemente sanada pela reestruturação nas escolas, apesar de continuar a problemática da falta de equipamentos para desenvolver as aulas práticas e o déficit de professores qualificados.
Na busca de novas tentativas de resolução dos problemas, a Lei Complementar n. 26/1998 estabeleceu ser fundamental que o movimento em defesa da universidade pública em Goiás se expandisse. Essa expansão se tornou um marco histórico a criação da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Entidade vinculada organicamente à Secretaria Estadual de Educação. Logo após, por força do Decreto Estadual n. 5.158/1999, ficou jurisdicionada à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia de Goiás. Atualmente, a UEG está presente em 41 campos nos 246 municípios nos (UEG, 2016).
Com a aprovação da Lei n. 9.394/1996, a educação superior em Goiás começa a expandir, quando o Governo do Estado adotou uma política de criação de
faculdades, por meio do regime jurídico autárquico. Decretos, portarias e resoluções da Secretaria de Ensino Superior do MEC (SESu) e do Conselho Nacional de Educação (CNE), e legislações específicas.
O PEE-GO 2015-2025, aprovado pela Lei n. 18.969/2015, apresenta um diagnóstico da expansão da educação superior no Estado de Goiás com dados obtidos pelo MEC/INEP e o Instituto Mauro Borges (SEPLAN-GO) na Gerência de Sistematização e Disseminação de Informações Socioeconômicas (2013).
Na busca de suprir a defasagem apresentada, o atual PEE-GO estabelece estratégias e metas específicas para expansão da oferta da educação superior na rede pública, na meta 13 descreve a elevação da taxa bruta de matrícula na educação superior para 50%, e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos. Assegurada a qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, 40% das novas matrículas.
Para ter acesso ao custeio, os estudantes goianos podem participar do Programa Bolsa Universitária (PBU), mantido pelo Governo. Eles dispõem também do Programa Universidade para Todos (PROUNI) e o Financiamento para Educação Superior (FIES). A polêmica entre o público e o privado é notada em grande escala, principalmente após a implantação da LDB /1996, conforme denunciam Vieira e Vidal (2014, p. 109):
Um mergulho de poucas páginas neste complexo universo pode fazer parecer que a construção dessa clássica dicotomia se passou num piscar de olhos. É oportuno lembrar, porém, que o tempo de construção dos contornos do público e do privado tal como hoje se apresentam, foi e permanece sendo de longa duração. As sementes foram lançadas com o gesto colonizador sobre o gentio e os brotos cresceram sob o sol da indistinção entre um e outro ao longo da história.
O campo de atuação da rede pública de ensino ampliou consideravelmente no Estado de Goiás. A oferta da educação superior praticamente estabilizou-se e teve um grande avanço. Entretanto, há que se observarem os indicadores de qualidade aliada à dimensão quantitativa e aos investimentos, principalmente com relação à infraestrutura, bibliotecas e laboratórios.
A LDB Estadual, em seu art. 108, alterado pelas leis complementares n. 35/2001 e 109/2014, estabeleceu que a Rede Estadual Pública de Educação Profissional é formada pelos Institutos Tecnológicos de Goiás (Íntegros) e suas
Unidades Descentralizadas de Educação Profissional, os Colégios Tecnológicos (Cotes).
De acordo com o PEE-GO 2015-2025, a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) da rede pública do Estado de Goiás deixou de fazer parte da Secretaria de Educação, migrando para a Secretaria de Ciência e Tecnologia. Com a reforma administrativa ocorrida em 2008, passando, com a Reforma Administrativa de 2014, sua vinculação para a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (SED), Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação (SEAGRI).
Os dados apresentados pelo PEE-GO 2015-2025 tiveram como fonte o MEC/INEP/DEED e as observações do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia e Centro Federal de Educação Tecnológica (IF/Chefe). O estudo foi realizado durante o processo de avaliação do PEE-GO 2008-2017, apontando para as informações que demonstram os investimentos realizados pelo governo de Goiás. Percebeu-se que os cursos ofertados não mais atendiam ao mercado de trabalho, alguns deles sobravam vagas, principlamente aqueles disponibilizados pelos Programas Bolsa Futuro e Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec), considerados eleitoreiros. Isso continua ocorrendo porque o mercado capitalista tem exigido uma nova gama de profissionais com qualificações que atendam desenvolvimento tecnológico.
Desse modo, as mudanças no campo educacional têm ocorrido mais largamente, como pode ser ver com a Medida Provisória n. 746/201619 que apresenta
alterações estruturais do Ensino Médio. Utiliza a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral para ampliar, de maneira progressiva, a carga horária mínima que passa a ser de 1.400 horas por ano. Apontando como
19 Em função de, no momento, já termos definidas as datas para realização das provas aos cargos da SEDF, atualizo o meu posicionamento quanto à necessidade do estudo da recente atualização da LDB – o que me comprometi a realizar, conforme indicasse a publicação do edital SEDF 2016 -, por meio da Medida Provisória nº 746, de 22/09/2016, que normatiza a denominada “reforma do ensino médio”, decorrente da Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral, efetivada pela alteração de determinados trechos da Lei nº 9.394/1996 (LDB) e da Lei nº 11.494/2007, que regulamenta o FUNDEB. (Governo do Presidente Michel Temer).
Conforme alertei anteriormente, por enquanto, temos a seguinte situação: este tema estava em análise nas comissões temáticas do Congresso Nacional, onde se discute um projeto de lei a respeito. Todavia, o Presidente da República decidiu emitir uma Medida Provisória, que embora tenha vigência momentânea, depende de conversão por meio de Lei aprovada pelo Congresso Nacional em até 60 dias, prorrogáveis por mais 60 dias. <https://www.estrategiaconcursos.com.br/blog/reforma-do-ensino- medio-medida-provisoria-no-7462016/>. Acesso em: nov. 2016.
ensino obrigatório as disciplinas de Língua Portuguesa e de Matemática, nos três anos.
Já no Ensino Fundamental, a obrigatoriedade é para Língua Inglesa, abrangendo o período após o sexto ano até o Ensino Médio. A MP permite que os conteúdos cursados anteriormente sejam aproveitados no Ensino Superior. O currículo do Ensino Médio compõe-se pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e também por itinerários formativos específicos a serem definidos nos sistemas de ensino que têm autonomia para definir como será organizada as áreas de conhecimento, além das competências, das habilidades e das perspectivas de aprendizagem, conforme a BNCC:
[...] A Medida Provisória n.746\2016 Institui a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral, altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e a Lei nº 11.494 de 20 de junho 2007, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, e dá outras providências.20
Na última etapa da Educação Básica pela criação da Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral, e no Ensino Fundamental, as mudanças foram significativas na questão da carga horária, da obrigatoriedade de ensinos curriculares, elencando os facultativos preferenciais, entre outras definições de natureza organizacional, de competências, habilidades e expectativas de a aprendizagem definidas na BNCC.
Com a MP n. 746/2016, a LDB/1996 passa a ter a seguintes alterações principais em seu texto legal: no art. 1º estabelece a vigoração da mudança; no art. 24. Parágrafo único, observa-se a carga horária; no art. 26 § 2º, § 3º § 5º contém o ensino e o nível escolar obrigatório para sua aplicação; no art. 36, § 8º, expõe-se sobre o currículo:
Art. 24. Parágrafo único. A carga horária mínima anual de que trata o inciso I do caput deverá ser progressivamente ampliada, no ensino médio, para mil e quatrocentas horas, observadas as normas do
respectivo sistema de ensino e de acordo com as diretrizes, os objetivos, as metas e as estratégias de implementação estabelecidos no Plano Nacional de Educação (NR)
20 Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Mpv/mpv746.htm>. Acesso em: nov. 2016.
Art. 26. § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente da República Federativa do Brasil, observado, na educação infantil, o disposto no art. 31, no ensino fundamental, o disposto no art. 32, e no ensino médio, o disposto no art. 36.
§ 2º O ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais, constituirá componente curricular obrigatório da educação infantil e do ensino fundamental, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.
§ 3º A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação infantil e do ensino
fundamental, sendo sua prática facultativa ao aluno:
§ 5º No currículo do ensino fundamental, será ofertada a língua inglesa a partir do sexto ano.
Art. 36. § 8º Os currículos de ensino médio incluirão, obrigatoriamente, o estudo da língua inglesa e poderão ofertar outras línguas estrangeiras, em caráter optativo, preferencialmente o espanhol, de acordo com a disponibilidade de oferta, locais e horários definidos pelos sistemas de ensino.
O PNE, a MP n. 746/2016 afunila a atuação profissional, pois permite que apenas os de “notório saber” deem aulas de conteúdos de áreas afins à sua formação.21 Há o cerceamento de expressões, de garantia constitucionais, de
disciplinas importantes para a formação social do indivíduo que podem desaparecer completamente dos currículos. É a sonegação dos direitos do docente e do discente: promovem-se a perseguição e a exclusão do que é necessário para o desenvolvimento do ambiente escolar que abrange a diversidade humana e avanços da educação impedindo o desenvolvimento das metas do PNE e das possíveis conquistas e avanços da Educação Brasileira com repercussão no Sistema Estadual de Educação em Goiás.