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4. Estudo de Caso: BNP Paribas

4.2 Entrevista Exploratória

4.3.2 Departamento de Learning & Development

O departamento de L&D do BNP Paribas, em Portugal, é constituído por um Grupo de indivíduos responsáveis por fornecer todo o tipo de formação para que os colaboradores do banco possam desenvolver as suas funções nas devidas condições.

Neste sentido, e por ser uma das equipas que constitui um papel muito importante no suporte de toda a parte operacional e adjacente à atividade do banco, decidiu-se entrar em contacto com a responsável de L&D a nível local, a Dr.ª Sandra José, por forma a agendar e a realizar uma entrevista.

A entrevista foi então realizada na sede do BNP Paribas em Portugal – Rua Galileu Galilei, 1500-392 Lisboa –, no dia 29 de outubro de 2018.

A mesma teve como objetivo percecionar o eventual impacto que a sustentabilidade tem proporcionado aos colaboradores do banco e ao departamento em estudo, analisar como é que esta temática está a influenciar o ambiente de desenvolvimento e de aprendizagem do banco, como é que pode oferecer valor para as diferentes partes interessadas e criar um fator diferenciador para o banco, trazendo competitividade.

No que respeita à entrevista em si, a mesma iniciou-se com a questão do BNP Paribas ser uma organização sustentável. Onde foi dito que, no BNP Paribas, existe uma grande preocupação relativamente às problemáticas da sustentabilidade e da responsabilidade social, e, um exemplo disso, é o número de projetos deste cariz em que o banco investe (Guião da Entrevista: 2ª Questão).

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• No ano passado, a equipa de CSR acolheu pessoas com mobilidade reduzida em estágios e promoveu a sua integração com outros colaboradores do banco, as quais tiveram oportunidade de aprender como é o dia-a-dia do departamento de RH, e de receber orientações em várias temáticas, dentro das quais, como é que se constrói um curriculum

vitae;

• A inclusão de pessoas que requerem cuidados especiais – atualmente, o banco tem uma pessoa com a síndrome de Asperger a trabalhar no departamento de RH, que recebeu funções adequadas ao seu perfil, de acordo com as suas capacidades e limitações; • A atividade anual de responsabilidade social, em parceria com o departamento de CSR

– a do ano passado foi realizada numa escola e teve como objetivo “embelezar” a mesma, ao ajudar a pintar paredes ou a limpar terrenos baldios;

• A nível ambiental, o BNP Paribas não permite a utilização de copos de plástico nos seus escritórios do edifício Art’s, em Lisboa.

Neste sentido, é de se afirmar que os vários departamentos do banco têm o mindset muito virado para a sustentabilidade, uma vez que esta temática não é propriamente recente no banco, e muito graças também a pequenas iniciativas que visam sensibilizar os seus colaboradores para esta causa – reciclagem, poupança de água e de luz nos escritórios, e outros eventos.

Um conceito que o departamento de RH tem estado a seguir é o paper less. O paper less tem como objetivo evitar que se recorra à impressão de documentos em formato papel, dando prioridade à digitalização. Com esta iniciativa, por exemplo, no programa de integração que o banco disponibiliza aos recém-colaboradores – Lisbon Academy e Welcome Day – já não se imprime os documentos das apresentações, passou a haver uma aposta no digital, com todos os documentos em formato digital, para que os colaboradores os consultem e os imprimam, caso sintam essa necessidade. Portanto, faz parte da cultura do banco esta preocupação em otimizar os recursos e em acabar com os hábitos que prejudicam o próximo e o planeta (Guião da Entrevista: Parte II – 1ª Questão).

Quanto a projetos que o banco desenvolve na área de L&D, onde se considera a sustentabilidade, destacam-se:

• A sensibilização que é feita no programa de integração acerca da responsabilidade social do banco – este tipo de informação é passada aos recém-colaboradores logo ao início da sua jornada para lhes dar visibilidade sobre as medidas que o banco implementa nesta área, desde as causas que o banco apoia, as informações que são analisadas antes de se celebrar um negócio, etc;

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• O voluntariado no qual os colaboradores oferecem a sua ajuda para dar aulas/explicações a estudantes com dificuldades e que o banco dispensa o tempo necessário para a sua realização;

• Sessões de sensibilização onde são discutidos temas como preconceitos que as pessoas possam ter, mas que não sabem que têm, licença de maternidade, escolhas pessoais e diversidade.

O BNP Paribas tem também projetos que foram criados a nível interno, uma vez que partiram da iniciativa dos próprios colaboradores, como é o caso de, à hora de almoço, alguns colaboradores se disponibilizarem para darem aulas de francês a quem tem essa necessidade; e da criação da associação de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero (LGBT). É importante mencionar que este tipo de projetos tem o apoio do departamento de CSR (Guião da Entrevista: Parte II – 2ª Questão).

O BNP Paribas é uma learning organisation que aposta na formação dos seus colaboradores, seja por necessidade de negócio ou do próprio manager (decorrente da avaliação anual).

As formações estão presentes num catálogo que se encontra disponível para qualquer colaborador do banco e, para além destas, é ainda possível efetuar um pedido à equipa de L&D de formações out of catalogue para determinados objetos. Através destes pedidos, é notório que a mentalidade dos colaboradores do banco está muito alinhada com a sustentabilidade e muito aberta à mudança, já que têm sido pedidas formações relativamente à conduta, postura, e diversidade – onde são explorados vários tópicos, entre os quais, mobilidade reduzida e LGBT. Para além disto, o BNP Paribas oferece ainda um projeto que tem como objetivo fomentar o

awareness nos colaboradores, o qual, a partir do código de conduta do BNP Paribas, trabalha

tópicos em várias sessões que se realizam ao longo do ano. Em 2018, o tópico que tem sido trabalhado gira à volta de Respect Your Colleagues – debatem-se temas, são criados cenários sobre temáticas como a ética e comportamento no trabalho, licença de maternidade, entre outros (Guião da Entrevista: Parte II – 3ª Questão).

As ferramentas utilizadas para garantir acesso à formação dentro do banco são variadas. O banco disponibiliza o catálogo das suas formações, sejam elas em formato de e-learning ou de sala, na sua plataforma interna, designada de My Development (Guião da Entrevista: Parte II – 4ª Questão).

No Virtual Campus, outra plataforma do banco, existe o chamado training pass que garante o acesso a toda a informação que é disponibilizada acerca de uma certa temática que não está no

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My Development, seja através de formação em sala/local ou através da disponibilização de material

(e-learnings, outros tipos de documentação).

Para além das ferramentas mencionadas anteriormente, existe ainda a modalidade de formação à medida, que neste caso, surge no decorrer de uma necessidade específica – se o manager observa que um certo elemento da equipa necessita de ter uma formação numa determinada área ou se uma equipa foi criada há pouco tempo em Portugal e precisa de uma formação direcionada para um certo tópico, por exemplo (Guião da Entrevista: Parte II – 4ª Questão).

O papel do BNP Paribas, na construção e na contribuição para um futuro melhor, depende muito do sentido de preocupação, de sensibilização e de consciencialização que comporta, tanto para os colaboradores como para as outras partes interessadas (Guião da Entrevista: Parte III – 1ª Questão).

Este papel passa muito pelo screening dos potenciais fornecedores e clientes, ou seja, antes de fazer negócio com qualquer tipo de entidade, o banco preocupa-se em analisar ao detalhe o seu historial – se, de alguma forma, já esteve ou está associado a algum tipo de prática menos correta ou ilegal, qual o objetivo daquele negócio, entre outros (Guião da Entrevista: Parte III – 1ª Questão).

As causas que o banco apoia são também cruciais para um futuro melhor – a promoção e o financiamento que é feito em causas como o cinema e os desportos (principalmente, o ténis). O investimento que é feito em termos de responsabilidade social, o facto de fomentar e apoiar iniciativas como a LGBT, demonstra que o banco tem abertura e um mindset que se adapta às mudanças, o que contribuirá para um futuro melhor (Guião da Entrevista: Parte III – 1ª Questão).

Para finalizar, é também essencial referir que o investimento na carreira e no desenvolvimento pessoal contribui diretamente para um futuro melhor, constituindo variáveis deveras importantes para o banco, já que este investe consideravelmente em medidas desta natureza, através do conceito de mobilidade, por exemplo, no qual o colaborador tem a oportunidade de se candidatar a qualquer outra função, seja a nível local ou internacional, onde a formação é garantida. Deste modo, é possível um colaborador da área de RH se candidatar à área de operações do banco tendo a certeza de que receberá apoio e formação adequada à nova função a desempenhar. Este evento realça a valorização que é dada aos colaboradores, traduzida no investimento realizado ao nível do desenvolvimento da sua carreira e da concretização das suas expetativas, alinhadas com a estratégia do banco (Guião da Entrevista: Parte III – 1ª Questão).

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É através deste sentido de preocupação, de sensibilização e de consciencialização que o banco consegue criar o fator que o diferencia dos outros bancos.

A correspondência eletrónica trocada com a entrevistada encontra-se no Apêndice G. Enquanto a entrevista com as questões e respetivas respostas encontra-se no Apêndice H.