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4.4 Mapeamento exploratório de possíveis contribuições e desafios da adoção de

4.4.3 Desafios docentes

4.4.3.3 Desafios da avaliação e feedbacks continuados

Assim como os alunos definiram a avaliação como um problema nesse tipo de métodos, os professores, muito embora soubessem indicar claramente como avaliam os métodos adotados, relatam também certa dificuldade quanto à realização de feedbacks de modo continuado, que deveriam, inclusive, transcender ao próprio espaço de sala de aula para serem mais efetivos.

Eu acho que uma coisa importante, é que você tem que ter feedbacks parciais. A avaliação continuada é um processo de feedbacks continuados. [...] Em segundo lugar, tem dentro da sala de aula também, você tem que como docente realizar algumas mediações, quando existe alguma violência de gênero, ou de raça, ou uma certa pressão em cima de algum dos alunos. [...] Então pegar alguém de canto “- Olha, eu notei que você acompanha a aula, mas você não fala, porque?”. O contato

bastante pessoal faz toda diferença. Eu tive casos muito bem-sucedidos de pessoas que travam sem falar nada, achavam que eram burras, que os outros alunos eram melhores ou que isso ou que aquilo, uma série de questões e que ao serem encorajadas depois da aula ficam “-bom ponto que você falou” ou no meio da aula mesmo “-essa é a teoria de fulano”. As pessoas passam por esse processo de encorajamento, mas não dá para acontecer tudo dentro da sala de aula. Existe uma retroalimentação entre momentos dentro e fora da sala. (Professor 4. Entrevista concedida em 6 de dezembro de 2017. Iniciou atuação como professor(a) em 2015 da DIREITO SP. Tratou sobre disciplina do eixo de formação fundamental).

Indicam que, para que faça sentido o desenvolvimento desses saberes práticos, é necessário permitir que o aluno possa se corrigir, e, portanto, necessário dar retorno continuados quanto à quantidade e qualidade de suas avaliações.

Dois professores comentaram ainda os critérios de avaliação que utilizavam em sua disciplina, afirmando que é mais fácil avaliar conteúdo, mas a avaliação da participação tem de ser feita por critérios bem definidas, e aferidas caso a caso, ao longo de todo o semestre de forma contínua, permitindo ao estudante rever sua postura.

É muito mais fácil avaliar conteúdo: o meu filho de 13 anos pode corrigir uma prova de conteúdo para mim, “a resposta é essa e tem que localizar ela” [...], Então, eu faço diversos exercícios na sala de aula para desenvolver essas atividades e eu tenho utilizado há muitos anos uma estratégia de avaliação que os alunos chamam de refazer. Eu estabeleço uma valoração a partir daquilo que é aprovação, que na graduação é a partir de 6, e aquele que não atingir os objetivos, a partir dos critérios que estabeleço para cada exercício, eu peço que os alunos refaçam até o momento em que eles atinjam os objetivos previstos. [...] Isso faz com que os exercícios tenham que ser sempre muito baseados em algum componente muito individual do/a próprio/a aluno/aluna, do contrário seria só copiar do colega que tirou 10. [...] o que eu indico como elemento para eles como critério de avaliação é a clareza e a força dessa articulação entre o quadro teórico, uma ferramenta teórica que discutimos em aula, e o problema jurídico concreto. Essa ferramenta permitiu que você observasse coisas do problema que você não havia observado antes, de que modo? E assim por diante. (Professor 2. Entrevista concedida em 8 de dezembro de 2017. Iniciou atuação como professor(a) em 2005 da DIREITO SP. Tratou sobre disciplina do eixo de formação fundamental).

O que eu tento fazer ao longo do semestre inteiro, por mais de um instrumento, é verificar três variáveis que me indicam a maior aproximação ou não com esse objetivo, que é o exercício do argumento de maneira clara, sintética e rigorosa. [...] É a capacidade mesmo de fazer esse juízo claro, sintético e rigoroso de uma solução - porque se a gente está partindo de problemas, então seria dá uma solução- e aí você tem juízos complementares se ela ou não é uma solução criativa, ou seja, é um uso de uma regra pra algo que nunca foi feito; se ela é uma solução que, além de rigorosa dentro do sistema, atende melhor as demandas sociais ou políticas, isso é também de novo um ponto positivo. (Professor 1. Entrevista concedida em 12 de dezembro de 2017. Iniciou atuação como professor(a) em 2006 da DIREITO SP. Tratou sobre disciplina do eixo de formação profissional).

Um dos professores citados acima afirmou que esse tipo de avaliação não seria possível se tivesse que lidar com um grande número de turmas, ou turmas de vários alunos; bem como pretende adaptar a dinâmica utilizada quando a turma aumentar no novo currículo,

já outro diz não ter problemas em organizar dinâmicas e avaliá-las em turmas maiores, utilizando, também um monitor que o auxilia.

Tem inúmeras dificuldades, o número de alunos em sala de aula é uma exigência, é um desafio bastante grande durante [...] Então ainda não sei como que eu vou me organizar no ponto de vista pedagógico numa sala com 40 pessoas, porque várias dessas estratégias exigem uma troca muito direta com os alunos e manter uma turma toda atenta quando estou trocando informações com um ou dois alunos, isso, em uma turma grande, coloca uma série de dificuldades. (Professor 2. Entrevista concedida em 8 de dezembro de 2017. Iniciou atuação como professor(a) em 2005 da DIREITO SP. Tratou sobre disciplina do eixo de formação fundamental).

Você podia fazer mesmo com uma turma maior, o que acontece é que os desafios são um pouco diferentes, a maneira como você vai organizar a atividade é diferente, mas não que não seja inviável, impossível, o ponto fundamental é que quando você tem 25, você faz coisa que você não consegue fazer com 50, mas não que não tenha o que fazer com 50 a não ser dar uma aula expositiva. Você pode fazer isso na mesma aula, você tem uma hora e quarenta, você pode usar 30 minutos para uma discussão em pequenos grupos, 20 minutos para o plenário, mais 30 minutos para uma discussão em pequenos grupos, então você pode separar a sala plenária de uma hora e quarenta em outras unidades menores. (Professor 1. Entrevista concedida em 12 de dezembro de 2017. Iniciou atuação como professor(a) em 2006 da DIREITO SP. Tratou sobre disciplina do eixo de formação profissional).

Para um professor mais recente dentro dos quadros da instituição, essa tarefa da avaliação é muito facilitada com auxílio de um monitor ou pesquisador acompanhando a aula com quem pode trocar essas impressões acerca das avaliações dos alunos.

Eu digo que eu sou um privilegiado, porque se eu tivesse sozinho, eu teria muito mais dificuldade em avaliar porque, enquanto eu dou aula, é difícil manter um registro. Eu teria que gravar a aula para depois repensar ali as participações. Com o pesquisador [monitor], ele, consciente ali de quais são os critérios, eu tenho esse privilégio de, ao final, ter um registro incrível, consistente de como se deu a participação de cada um dos alunos para fins de avaliação. E eu apresento os critérios para os quais eles vão ser avaliados desde o primeiro dia de aula. (Professor 5. Entrevista concedida em 24 de novembro de 2017. Iniciou atuação como professor(a) em 2013 da DIREITO SP. Tratou sobre disciplina do eixo de formação profissional).

Um pesquisador da instituição comenta que a estratégia da utilização do monitor para auxiliar a lidar com turmas maiores têm sido bem aceita, e que não é mais viável o acompanhamento anterior que se tinha, quando o coordenador de graduação conhecia cada um dos alunos pessoalmente e os professores, por terem poucos alunos, poderiam discutir coletivamente sobre o desempenho de cada um.

Então, os professores, geralmente, principalmente aqueles que são do mestrado, têm monitores que são do mestrado. Então, eu comecei a ouvir muito mais agora, desde que entrei, professores falando “meus monitores, meus monitores, meus monitores.” Então, acho que isso foi importante, para dar conta. O que eu notei foi a tentativa de um esforço maior de você tentar coletivizar esse acompanhamento. Isso já existia, antes, no conselho de graduação. Para mim foi sintomático porque, quando entrei

aqui, o coordenador era o Fred. Ele me mostrou lá que, na sala da coordenação, ele tinha um enorme mural, com a foto de todos os alunos da GV. Todos! E aí o espaço da coordenação do conselho de graduação era um espaço em que se tinha discussão coletiva dos alunos, sobre os alunos, dos professores. (KLAFKE, Guilherme Forma. Entrevista concedida em 23 de novembro de 2017. Componente do corpo de pesquisadores do Núcleo de Metodologia do Ensino da DIREITO SP).

Percebe-se, assim, que a instituição também enfrenta desafios quanto à instituição do método, ainda que seja em menor escala dada a sua preocupação desde o princípio com o ensino participativo, ajustando-se às novas demandas na medida em que elas surgem. Com o ingresso de novos professores no quadro e de um maior aumento no número de alunos, foram perseguidas estratégias adicionais que surgiram a partir do investimento da instituição em pesquisa nessa área de metodologia, bem como com a admissão de novos monitores que auxiliam os professores na avaliação de participação continuadas dos estudantes.