4.4 Importância da informática educativa para os educadores
4.4.1 Desafios para o trabalho com os computadores
“É ainda um desafio muito grande e uma responsabilidade muito grande, porque você está lidando com os alunos, você ta lidando com o ser humano e você sabe que eles estão na fase de crescimento, na fase da construção do conhecimento, então não é qualquer pessoa que você tem ali. Você tem que pensar que são os futuros mandantes do nosso país, então é uma responsabilidade muito maior, porque você tem que preparar cada vez melhor esses alunos” (P01).
De todos os desafios, esse, pontuado pelo professor acima citado, parece ser o maior. A tarefa é árdua quando se pensa que está se trabalhando com seres humanos, e mais árdua ainda quando se pondera que esses precisam ser preparados para, mais do que viver na sociedade atual, ser os representantes do futuro. Utilizando as palavras do professor, não é qualquer ser humano que se tem ali, são seres em potencial, que necessitam de diferentes estímulos e que precisam que o professor crie condições favoráveis para que evoluam em seus processos de aprendizagem e no próprio desenvolvimento.
A narrativa do professor remete também ao que Pozo (2002) menciona sobre as características da sociedade da aprendizagem, pois, frente a uma multiplicação dos contextos de aprendizagem, cabe ao professor, na escola, preparar seus alunos não somente para aprender muitas coisas, mas para aprender muitas coisas diferentes, característica que faz parte da essência da contemporaneidade.
“O desafio pro trabalho na frente dos computadores é daquelas crianças que não aprendem. Por exemplo, tem crianças que têm dificuldade enorme de aprender a ler, e se não sabem ler, não vão saber operar... esse é o maior desafio, porque se a criança não sabe, não vai conseguir, tem sempre que ter alguém por perto... E também usar o computador de forma que venha a contribuir no crescimento, é um desafio muito grande... saber orientar qual a atividade que mais vai dar certo é um desafio...” (P06).
Esse outro professor traz a mesma percepção e preocupação do professor anterior em relação à utilização da tecnologia como instrumento que venha a contribuir no crescimento do aluno. Sente-se desafiado, também, no momento em que se depara com o excesso de alternativas (LEMOS, 2003), possibilidades, atividades, e se vê diante de uma situação na qual precisa escolher a atividade que mais auxiliará na sua caminhada, em função de atingir seus objetivos como educador. Que atividade corresponde aos objetivos que, como educador, quer atingir? Como escolhê-las? Uma maneira, quem sabe, seria experimentar, buscar, descobrir o que de tão novo e fascinante há no computador, na internet, o que é que chama tanto a atenção dos alunos e faz com que os mesmos sempre tenham desejo em ter aula na informática.
Sobre os apontamentos relacionados às dificuldades de aprendizagem e de leitura, surgem outros questionamentos: em que momento acontece essa falha? Será que não é preciso buscar novas e variadas alternativas com o intuito de sanar essas dificuldades de leitura e de alfabetização, para, daí sim, buscar incluir a criança nessa dinâmica tecnológica? Ou a
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tecnologia não poderia, através da relação de trocas como os jogos (LEMOS, 2007) – está se falando de crianças que não sabem ler – oferecer mecanismos para contribuir para a diminuição e até mesmo – porque não? – para o fim dessas dificuldades? Que recursos estão disponíveis em softwares educacionais, na internet, para contribuir com o processo de alfabetização? Ficam os questionamentos...
“Eu acho que nós temos problemas com esse Linux, ele tranca muito, algumas coisas ele não aceita, eu também, eu tenho outros dvds e joguinhos e eu não consigo colocar. Daí eu tento baixar o jogo ou entro na internet, procuro, não baixa, porque pede um tipo de sistema que é diferente” (P07).
“São dois principais. O primeiro, para os professores assim, é de trabalhar com o sistema operacional novo, porque os professores só sabem trabalhar no Windows e tem muita incompatibilidade, daí eles vêm aqui e já tem um pouco de receio porque é um outro sistema operacional [...], o que causa um pouco de medo. Então o que acontece, é muito mais fácil dizer que não quero trabalhar do que eu vir trabalhar com uma coisa que é desconhecida, o que é o normal das pessoas... O outro seria o aluno também que não tá preparado pra trabalhar porque ele, no momento em que tu fala assim: ‘barra de navegação’ ah, eles te olham e pergunta m pra ti que bicho é esse...” (P02).
Esses relatos apontam para um possível reflexo da formação docente insuficiente na área da tecnologia, e também para certa criação de “desculpas” por parte dos professores para não se colocarem em uma situação diferente, que, por vezes, se torna incômoda para eles. É importante mencionar e entender que essas dificuldades em relação ao sistema operacional utilizado precisam ser sanadas, mas isso é uma questão de tempo, pois o Linux já é, e vai cada vez mais se consolidar, como uma solução tecnológica comum nas escolas, em função da opção governamental por ele.
Os outros desafios sentidos pelo grupo foram coletivos e são relacionados ao domínio que é preciso ter sobre a técnica/máquina:
“Você vai ali na máquina e você acha que quando vai ligar uma máquina tá tudo certo, e aí vêm as conseqüências, os desafios, como se diz, problemas, e você vai ter que tomar uma decisão” (P01).
“Os desafios é quando estraga alguma coisa e a gente não sabe arrumar [...] então a dificuldade que eu tenho hoje é quando desconfigura alguma coisa e eu ainda não sei mexer” (P05).
“A lentidão do programa muitas vezes é empecilho para realização das tarefas, principalmente quando o computador trava e é preciso reiniciá-lo, fazendo com que as crianças interrompam a atividade no meio e prejudicando o bom andamento da aula” (P04).
Dada a ênfase e a insistência com que esse problema foi mencionado por diversos professores, cabe a ressalva de que imaginava-se essa ser uma preocupação. Entretanto, acredita-se que essas questões relativas às programações, aos sistemas de funcionamento dos computadores, não cabem ao professor, tanto que, para isso, foi idealizada, pelo Projeto de Formação Docente, a presença de um monitor em todas as escolas, que fosse aluno do curso de Ciência da Computação ou que tivesse conhecimentos para poder sanar essas falhas, fazendo com que o professor, o possuidor da prática pedagógica, não se sinta limitado ou desafiado por isso.
O educador, na situação educativa estabelecida com a informática, tem que se sentir provocado não frente às questões puramente técnicas, mas com seu engajamento – e engajamento dos seus alunos também – no papel de sujeitos cognoscentes, como disse Freire (1988), que buscam conhecer ao serem mediados por um objeto cognoscível, como se acredita ser da informática, em especial com o advento da internet.