• Nenhum resultado encontrado

Tratamento dos dados

No documento 2008KarinaMarcon (páginas 85-89)

As entrevistas com alguém da equipe diretiva de cada escola foram as únicas a serem realizadas por meio de questionários escritos. As demais entrevistas, com os outros três sujeitos de cada escola, foram gravadas em áudio e deletadas após a transcrição, conforme garantido aos sujeitos no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido12 que os participantes assinaram antes da realização das entrevistas.

Por fim, uma vez que se trata de uma pesquisa de caráter exploratório, e tendo em vista a quantidade total de sujeitos que foram entrevistados (quarenta), o material coletado foi

explorado a partir das categorias estabelecidas previamente às entrevistas (RICHARDSON, 1999) e das que eventualmente surgiram da pesquisa de campo, tomando como referência os objetivos específicos deste estudo.

No capítulo a seguir, portanto, são apresentados os resultados obtidos através da exploração e análise feita de todo material coletado durante as visitas às escolas.

11 Dentro do Projeto de Formação Docente proposto pela UPF, foi previsto que cada laboratório contará

com um aluno do curso de Ciência da Computação, denominado laboratorista, que será responsável por manter os laboratórios em condições de uso pela escola.

12 O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, elemento aprovado pelo Comitê de Ética da

Universidade de Passo Fundo, foi assinado por todos os participantes dessa pesquisa. Como modelo, verificar o Anexo D.

4 A REALIDADE DA INCLUSÃO DIGITAL EM DEZ ESCOLAS DE PASSO FUNDO

"Se seguramos uma tocha para que ilumine o caminho de outros, não podemos evitar que nosso caminho também se ilumine”. (Ben Sweetland)

Quando um pesquisador se propõe a realizar uma investigação de campo, com certeza a realiza com muitas expectativas. Com esta pesquisadora não foi diferente, pois se propôs a conhecer dez escolas, situadas em pontos diversos da cidade de Passo Fundo, cada uma com diretores, professores e alunos diferentes. E a diferença sempre é mágica; é aquilo que constitui a essência do ser humano, uma característica que obriga a nunca julgá-lo como igual. Não que isso venha a significar que o ser humano não tenha direito à igualdade, pelo contrário, significa que cada um é essencialmente distinto do outro, cada um com suas particularidades, seus anseios, seus desejos.

Mas por que falar da diferença? Porque ao trabalhar com contextos, realidades, sujeitos e estruturas diferentes, às vezes as coisas não acontecem como previstas, situação vivenciada nesta pesquisa de campo. A proposta inicial era visitar as dez escolas que, igualmente, participaram do Projeto de Formação Docente, para ter uma visão completa do todo que constituiu o projeto. Entretanto, em virtude de imprevistos oriundos de problemas técnicos ou pela falta de sujeitos capacitados em assumir a responsabilidade pelos laboratórios das escolas, a visita não pôde ser realizada em todas as escolas.

Sempre antes de ir a uma escola, a pesquisadora telefonava para agendar a data na qual uma 3ª ou 4ª série estaria em aula no laboratório de informática. Em todos os telefonemas, se pedia para falar com a diretora ou vice-diretora; nenhuma visita era marcada sem antes falar com alguém da equipe diretiva13. A data da visita era marcada em função também da presença do professor responsável pela dinâmica do laboratório, elemento quase que central dessa pesquisa. Nos meses de março, abril e na primeira semana de maio, a pesquisadora telefonou várias vezes para as escolas, buscando adequar uma data para que a visita fosse feita.

13 Ao chegar em cada escola, a pesquisadora levava consigo uma carta de apresentação previamente

autorizada pela Secretaria Municipal de Educação (SME), documento autorizado pela pessoa do próprio Secretário Municipal de Educação, Elydo Alcides Guareschi. No anexo E encontra-se uma autorização da SME que foi encaminhada ao Comitê de Ética da UPF, respaldando a seriedade da pesquisa e, no anexo F, encontra-se um modelo da carta de apresentação que foi entregue às diretoras e/ou vice-diretoras de cada escola.

87

Em três escolas a visita não pôde ser realizada. Na primeira, o servidor de acesso à internet estava com problemas, “impossibilitando”, assim, o uso do laboratório. Essa questão remete ao que Lemos (2003) mencionava na terceira lei da cibercultura, a transformação do PC em CC – Personal Computer em Computador Conectado. Na dinâmica social atual, um computador sem acesso à internet perde sua função, não serve, não atende mais às demandas existentes. Sem acesso à internet, o que fazer? Algumas funções básicas de utilização do computador poderiam, mesmo assim, ser exploradas, como o treinamento em editores de texto, planilhas eletrônicas, habilidades com desenhos ou mesmo alguns jogos. Entretanto, o grande referencial de um computador atualmente é o acesso ao mundo através da internet como um meio de comunicação em que são liberados os pólos de emissão, e também para o acesso a diversas fontes de conhecimento.

Porém, nessa situação ainda há que se questionar essa não-utilização do laboratório na escola, fato que pode ser apontado como uma inabilidade ou como reflexo de uma visão parcial da informática educativa, uma vez que estar sem internet não impossibilita o uso do laboratório, pois outros recursos ainda poderiam ser utilizados, como, por exemplo, os softwares educacionais do Kelix.

Na segunda escola o empecilho aconteceu porque o grupo do Kelix/UPF testou uma versão atualizada do programa com outra distribuição, mas que até então não estava funcionando, impossibilitando o uso do laboratório porque as máquinas não ligavam. Como medida para solucionar esse problema, o próprio grupo, até final de maio de 2008, estava testando novas alternativas, tendo até mesmo recolhido algumas máquinas para fazer experimentos na própria UPF.

Na terceira escola a visita também não pôde ser realizada porque foi mencionado que a professora que participou do curso de Formação Docente teria saído da escola, motivo pelo qual as 3ª e 4ª séries (e demais séries do Ensino Fundamental) não estavam até então utilizando o laboratório: falta de uma pessoa capacitada para conduzir o trabalho.

Percebem-se três fatores importantes nessa situação: o primeiro diz respeito à necessidade de que mais de uma pessoa faça o curso de formação docente, para que possa, na falta da outra, suprir a demanda existente. O segundo fator diz respeito à questão da dinâmica do uso do laboratório. Quando o uso está centralizado em uma só pessoa, o laboratório deixa de exercer suas funções na medida em essa pessoa é impossibilitada, seja pela saída da escola, por motivo de doença, ou por qualquer eventual contratempo. O terceiro diz respeito à carência de momentos de formação específica nas licenciaturas, situação que impede os professores de possuírem maior domínio e apropriação dessas tecnologias em seu cotidiano.

Esses três fatores remetem à necessidade de se pensar na utilização do laboratório sob o viés de uma cultura de rede (CASTELLS, 2005; CAPRA, 2002), na qual as ações são descentralizadas, sendo que mais pessoas teriam que ter a autonomia de levar o projeto adiante quando, por motivos de força maior, este viesse a ser interrompido. Claro que, ao se pensar na formação de mais docentes, está implícita a questão dos custos, um elemento, muitas vezes, que impede a realização de muitos serviços públicos. Entretanto, é preciso que se pense como alternativa a questão da multiplicação dos saberes, ou seja, o professor que participou do projeto dividindo seus conhecimentos com os demais.

Quanto a isso, surgem algumas questões: os demais professores querem tomar conhecimento desses saberes? Será que o medo, a angústia e os desafios – barreiras existentes para os professores trabalharem em um laboratório de informática – são maiores do que o conhecimento que eles mesmos têm sobre informática educativa e suas contribuições para os processos educativos? Não valeria a pena arriscar, tentar? Como ficam os alunos e seus desejos de ter uma aula usando o computador?

Frente a essas justificativas apresentadas, em função do cronograma previsto para a presente investigação, a pesquisadora não entrou mais em contato com essas três escolas depois da primeira semana de maio, considerando, assim, canceladas as visitas pelos motivos mencionados.

Nas outras 07 escolas a pesquisadora pôde, enfim, vivenciar aquilo que, até então, permanecia em sua imaginação, o conhecimento da realidade. Percebeu-se que os professores, muitas vezes, possuíam desejos semelhantes quanto a realização de processos de inclusão digital, mas as ações, geralmente, eram um pouco diferentes.

Quando se pensa em trabalhar diretamente com computadores nas escolas, muitas vezes a primeira reflexão se volta para o domínio que é preciso ter sobre a máquina, homem versus tecnologia. Nas sete escolas visitadas, dos professores14 entrevistados apenas um não tinha participado do curso de Formação Docente proposto, mas, mesmo assim, assumiu as aulas no laboratório, uma vez que aprendeu algumas técnicas com outros professores da sua escola que tinham participado do projeto. Dos outros seis professores que participaram do projeto, todos trabalham no laboratório desde que o mesmo abriu, ou seja, há um ou dois anos. Com exceção de uma escola, na qual o laboratório só começou a funcionar em março de 2008 (em 2007 não estava funcionando por falta de pessoal e também porque era muito

14

Salienta-se que a utilização do termo “professores” se deve ao fato de haver, entre os entrevistados, pessoas do sexo masculino. Portanto, todos os termos, quando referidos aos sujeitos participantes dessa pesquisa, serão denominados no gênero masculino, com o intuito preservar a identidade dos participantes.

89

próximo do final do ano e os professores não se sentiam preparados para as aulas no laboratório) todas as outras tiveram seus laboratórios funcionando praticamente ao mesmo tempo em que o Projeto de Formação Docente estava já em seus momentos finais.

Após essa contextualização sobre como ocorreram as visitas nas escolas, abaixo seguem os dados que foram colhidos, divididos e explorados de acordo com suas categorias. Em relação à categorização dos sujeitos, todas as falas identificadas como A são dos alunos; D das Direções; M dos monitores e P dos professores. Ao lado de todas elas foram colocados números – de 01 a 07 – que representam as sete escolas visitadas, sendo que todos os sujeitos que possuem ao lado de sua letra o número 01 são da mesma escola, assim como aqueles que possuem os outros números (02, 03, 04, 05, 06 e 07). Essa classificação buscou facilitar a compreensão em relação a totalidade do pensamento da escola, sendo, por isso, assim mantida.

No documento 2008KarinaMarcon (páginas 85-89)