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3 CONTEXTO SOCIOHISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE IMBITUBA – SC

3.2 ORIGEM E POVOAMENTO NO MUNICÍPIO DE IMBITUBA

3.2.3 A descoberta do minério e o Porto de Imbituba

No ano de 1835 a Assembléia Provincial de Santa Catarina encaminhou um projeto ao governo imperial solicitando que fosse aberta uma companhia para explorar carvão na região sul de Santa Catarina. Assim, em 1837, Santa Catarina oficializou a descoberta do carvão mineral, o que gerou intensa movimentação política e econômica para a implantação da estrada de ferro e do porto, com o objetivo de escoar a produção. (SERAFIM, 2006).

A estrada de ferro teria 130 quilômetros e, inicialmente, ligaria o litoral ao planalto, na cidade de Lages, no entanto esse trajeto não foi concluído. A exploração das jazidas carboníferas iniciou em 1876, por meio de capital estrangeiro representado pelas empresas: “The Tubarão Coal Mining Company Limited”, responsável pela extração mineral e pelos estudos de viabilidade para implantação do porto em Imbituba; e “The Donna Thereza Cristina”, que

construiu a estrada de ferro integrandos os municípios de Imbituba, Laguna, Tubarão, Jaguaruna, Criciúma, Lauro Muller, Urussanga e Araranguá (SERAFIM, 2006; NEU, 2003).

O projeto oficial do Porto foi organizado por engenheiros ingleses no ano de 1871 e incluía além da estrutura básica administrativa, a construção de um quebra-mar com galerias tubulares ou arcadas submersas, porém, por determinação do governo, essa obra não foi realizada, sendo construído, na mesma enseada onde se arpoavam as baleias, um trapiche com 70 metros de extensão, feito de ferro e madeira, (SERAFIM, 2006; NEU, 2003).

A descoberta do carvão, a construção da ferrovia e a instalação do porto foram os principais elementos que alavancaram econômica e socialmente a região de Imbituba. Foi a partir da efetivação desses episódios que ocorreu o crescimento da região, com a especulação de investimentos de empresas estrangeiras e nacionais, com a aposta de que o desenvolvimento estava por vir. O consumo nacional de carvão era de aproximadamente 30 mil toneladas anuais. Essa produção era transportada pela via férrea, e posteriormente nos navios que saiam do porto de Imbituba. A primeira crise começou a se desenhar em 1894, quando foi colocado em dúvida a qualidade do carvão da região. Diante disso, os políticos locais, promoveram um movimento a fim de obter incentivos comerciais, que foram sancionados apenas em 1895 (SERAFIM, 2006; PREFEITURA MUNICIPAL DE IMBITUBA, 1996).

Após a primeira crise a companhia inglesa “The Tubarão Coal Mining Company Limited”, foi vendida para a empresa “Lage & Irmãos” (SERAFIM, 2006; NEU, 2003).

A partir de 1889, o porto de Imbituba já era considerado o principal centro de escoamento de carvão do sul do Brasil. Porém, apenas no ano de 1919 é que a obra completa do Porto foi efetivada. Nesse período, o empresário Henrique Lage, assume o cargo de diretor Presidente da Companhia Nacional de Navegação Costeira, adicionando o cargo com a direção da Organização Henrique Lage. Com o apoio do engenheiro Álvaro Monteiro de Barros Catão - diretor da Estrada de Ferro Tereza Cristina, Henrique Lage inicia o processo de construção dos molhes de proteção, prédios administrativos e os armazéns da cooperativa do porto (SERAFIM, 2006).

A cooperativa do porto era composta por um conjunto de lojas e ferragens, açougue, padaria e farmácia e situava-se ao lado do prédio administrativo do Porto, hoje ainda utilizado para este mesmo fim. O prédio da cooperativa dividia-se pela linha da malha ferroviária central, que era utilizada para descarga de produtos que chegavam de trem. No lado esquerdo do prédio, ficavam à disposição os produtos secos e molhados (carnes, farinha, feijão, banha, pão vendido a peso, etc.) e no direito localizava-se uma completa loja de tecidos, calçados, cama, mesa, banho, louças, entre outros produtos (SERAFIM, 2006).

Em 1931, Getúlio Vargas garantiu o consumo interno do carvão nacional através do Decreto Federal nº 20.089, que determinou o aproveitamento de 10% do carvão nacional pelas indústrias brasileiras (SERAFIM, 2006).

No ano de 1941, a Companhia Docas de Imbituba passou a ser administrado pelo engenheiro Francisco Catão, que deu continuidade ao processo de ampliação e desenvolvimento do Porto, buscando novos recursos que proporcionasse a continuidade do desenvolvimento econômico do sul de Santa Catarina. Em 1943 o Governo determinou a instalação da Delegacia da Marinha Mercante em Imbituba, que através do Decreto Federal nº 67.992, passou a denominar-se Superintendência Nacional da Marinha Mercante – SUNAMAM. Em 1957 o Ministério da Marinha criou a Agência da Capitania dos Portos (SERAFIM, 2006).

No entorno do desenvolvimento da Ferrovia e do Porto, surgiram nesse período uma série de outras atividades econômicas no município, como a Cerâmica Imbituba, a Usina Elétrica e o Hotel Imbituba, todos impulsionados pelas famílias Lage e Catão.

A cerâmica foi à primeira do Estado de Santa Catarina, construída no ano de 1919 por Henrique Lage, que tinha como anseio fabricar louças, porém, com a mudança econômica, a indústria iniciou o processo de produção de azulejos. Chegando em 1941 a expansão do mercado interno e externo de azulejos, abrangendo comercialmente países como Argentina, Paraguai, Chile e Bolívia. No ano de 1952, a Cerâmica Henrique Lage mudou sua razão social para Cerâmica Imbituba S/A (PREFEITURA MUNICIPAL DE IMBITUBA, 2014).

A Usina Termoelétrica de Imbituba também representa parte significativa da história do desenvolvimento econômico e social do município e região. Sua construção foi iniciada em 1920, com o objetivo de produzir energia elétrica através da combustão de carvão para suprir as necessidades do porto de Imbituba, além de fornecer energia para alguns estabelecimentos como: oficinas, engenhos de farinha movidos a eletricidades, padarias e a estrutura do grande Hotel Imbituba (SANTANA, 2014).

A descoberta do Carvão Mineral, a instalação do Porto e as diversas outras melhorias oriundas desse processo de desenvolvimento regional, foram importantes legados que fizeram com que Imbituba tivesse um crescimento econômico considerável.