Conforme já assinalei em outros momentos do texto, analisar as temáticas da Revista do Ensino/PB sobre a educação da criança segundo a política da Diretoria do Ensino Primário da Paraíba constituiu o objetivo desta investigação. Meu foco central consistiu, pois em compreender as diferentes práticas discursivas e os sentidos e os significados que circularam nas páginas da Revista do Ensino/PB sobre a educação da criança paraibana. Portanto, interessou-me conhecer estudos que fizeram uso da imprensa educacional como fonte e/ou objeto, e assim analisar e compreender as condições de possibilidades para que a revista investigada aparecesse como fala autorizada sobre a educação e de ser utilizada como meio para formar e informar o professorado no Estado da Paraíba.
Sabe-se que, com a abrangência de novas possibilidades de pesquisa, a imprensa educacional ganhou seu espaço na área de conhecimento da História da Educação, com novos significados e novas compreensões, passando a ser fonte e/ou objeto importante em muitos estudos. Conforme Catani et. al (2002, p. 5):
Com a preocupação de avaliar a política das organizações, as preocupações sociais, os antagonismos e filiações ideológicas e as práticas educativas, a imprensa periódica educacional – feita por professores para professores, feita para alunos por seus pares ou professores, feita pelo Estado ou outras instituições (sindicatos, partidos políticos, associações e Igreja), contém muitos dados básicos para compreensão da História da Educação e do Ensino.
A imprensa, por ser um documento com possibilidades plurais e por mostrar vida em suas páginas tem, cada vez mais, se tornado em campo fértil para os pesquisadores. Alves (2013), em “O estado da arte da pesquisa em história da educação nas regiões Norte e
Nordeste (2011-2013)”, apresenta dados sobre o avanço das pesquisas que se utilizam de impressos, identificando a sua presença como tema e fonte em dissertações e teses em Programas de Pós-graduação em Educação nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, no período entre 2011-2013.
Vale salientar que, a Nova História perspectiva que surge com o movimento dos Annales, exerceu um papel significativo na ampliação e no enriquecimento do documento. Conforme Le Goff (1993, p. 28):
A história nova ampliou o campo do documento histórico; ela substituiu a história [...] fundada essencialmente nos textos, no documento escrito, por uma história baseada numa multiplicidade de documentos: escritos de todos os tipos, documentos figurados, produtos de escavações arqueológicas, documentos orais, etc.
Os fundadores dos Annales buscaram uma nova forma de escrever a História, sendo contra uma tradição de pesquisa que considerava os heróis, os marcos políticos e os documentos oficiais. A ampliação do entendimento sobre o que é um documento histórico e a crítica à noção de fato histórico foram elementos relevantes para realização de uma nova forma de ver e traduzir os aspectos que compõem a História.
Diante das novas possibilidades para se estudar os documentos e no caso desta pesquisa, de se analisar o impresso paraibano, tive como embasamento teórico a nortear a pesquisa como um todo, isto é, a metodologia, a fonte e as análises, o campo da Nova História Cultural, a qual nos possibilitou compreender e/ou refletir sobre as diferentes práticas discursivas e seus significados, produzidos pela Revista do Ensino/PB durante sua circulação. Junto com os elementos teóricos e metodológicos advindos da Nova História Cultural, os quais têm uma aproximação com as ideias de Michel Foucault, suas ferramentas teóricas e metodológicas foram fundamentais para o direcionamento da minha leitura sobre a Revista do Ensino/PB, principalmente àquelas que ajudam a compreender as relações de poder, tais como as noções de “dispositivo de poder”, “tecnologia do poder”, “biopoder” e “biopolítica”. Esse referencial teórico-metodológico utilizado direcionou o meu olhar para compreender a revista em estudo como um artefato cultural representativo de um tempo histórico particular, e sua consequente interconexão com os aspectos políticos, sociais, econômicos, educacionais, culturais do tempo em análise, e em segundo para escrita dessa Dissertação, exercício difícil, mas prazeroso operar com noções tão fora do quer havia estudado na graduação. Um chão movediço, um tatear, experimentar, sem medo de ousar. E, claro, sabendo dos riscos quando
esse texto saísse do meu domínio e consentimento particular para múltiplas possibilidades de leitura.
Assim, para a realização desta pesquisa, em função dos questionamentos elaborados, já mencionados, e de seus desdobramentos em forma dos objetivos gerais e específicos outras etapas interligadas foram seguidas, a saber: após o estudo de referencial teórico sobre imprensa educacional foi iniciada a pesquisa documental, tendo como referência os 18 números da Revista do Ensino/PB, publicados no período de 1932 a 1942. Inicialmente, esses exemplares foram fotodigitalizados14 e organizados em sua ordem cronológica de publicação, sendo salvos em meio digital. Os números consultados podem ser observados no Quadro 2.
QUADRO 2 - As edições da Revista do Ensino (por ano)15
Fonte: Dados da pesquisa, coleta de dados iniciadas em 2010 e finalizadas em 2013.
Os exemplares são todos originais, aspecto que demandou alguns cuidados, que considero importante destacar: as fotografias foram feitas sem flash; a manipulação do material foi cuidadosa, sendo utilizadas luvas para não danificar a fonte. Os cuidados não decorreram apenas pelo motivo das Revistas/PB serem todas originais, além deste aspecto, alguns exemplares não se encontravam em bom estado de conservação, alguns deles com folhas soltas e mofadas. Na Figura 2, pode ser observado o estado de conservação dos periódicos, através da apresentação das capas de alguns dos seus exemplares.
14 Destacamos a relevância das fotografias e da organização da fonte, tendo em vista a conservação do material
para que outros pesquisadores possam fazer uso da fonte em estudos futuros.
15 Na observação do Quadro 2, podemos perceber uma irregularidade na publicação da Revista do Ensino/PB,
por exemplo, não são publicadas as edições da Revista/PB nos seguintes anos: 1935;1939;1940 e 1941. Sobre o assunto da irregularidade iremos abordar no Capítulo 2, quando vamos trabalhar com a materialidade da Revista
do Ensino/PB.
16 No exemplar do ano de 1937 há um risco de caneta esferográfica no número 14, sendo escrito ao lado número
15.
ANOS MESES NÚMEROS
1932 - Ano I Abril; Julho; Setembro 1; 2 ; 3
1933 – Ano I Março; Setembro 4 e 5; 6 e 7
1934 – Ano III Março; Julho; Dezembro 8 e 9; 10; 11 1936 – Ano IV Maio; Setembro; Dezembro 12; 13; 14
1937 – Ano V Dezembro 14 (15)16
1938 – Ano VI Agosto 16
FIGURA 2 - Capas da Revista do Ensino, nº 1, Ano I, 1932; nº 15, Ano V, 1937
Fonte: Revista do Ensino, n° 1, Ano I, 1932; n° 15, Ano V, 1937.
Com a catalogação e a organização cronológica da fonte realizada, o próximo passo foi a produção de um trabalho descritivo-analítico da Revista do Ensino/PB pesquisada neste estudo17, focalizando suas características gerais, como o formato, número de páginas, capa, imagens, etc., por considerar relevantes as orientações de Chartier (1996, p.98), de que
[...] os dispositivos tipográficos têm tanta importância ou até mais do que os sinais textuais, pois são eles que dão suportes móveis às possíveis atualizações do texto. Permitem um comércio perpétuo entre textos imóveis e leitores que mudam, traduzindo no impresso as mutuações horizontais de expectativa do público e propondo novas significações além daquelas que o autor pretendia impor e seus primeiros leitores.
Uma outra forma de leitura foi considerar o que estava implícito na Revista/PB, para compreendermos outros aspectos que compõem o periódico em estudo, os quais, de certa forma, funcionam como marcadores de um momento auxiliando assim, a entender os modos de produzir normas em cada época e/ou lugar, as estratégias de poder-saber de quem está autorizado e legitimado para produzi-las.
Mais diretamente vinculados aos objetivos do estudo, nas leituras da fonte foram considerados os artigos de opinião, as seções referentes às orientações pedagógicas e aos atos oficiais, bem como, as imagens de tempos e espaços escolares, as quais permitiram entender o que foi organizado para ser registrado como imagem, ou seja, o que a Revista do Ensino/PB queria tornar público e de acesso aos leitores, com os registros do interior e do tempo escolar. Conforme Bastos (2007, p.182), “[...] as imagens, representando tanto as coisas visíveis como as invisíveis, são textos dados ler, conduzindo o leitor a uma atividade interpretativa do real a partir da associação de ideias”.
Diante disso, ao fazermos uma análise das fotografias existentes na Revista do Ensino/PB foi possível entender as representações do âmbito escolar paraibano nas suas enunciações discursivas, considerando os fins que se queria alcançar com o uso de determinadas imagens: Queria se passar uma ideia de novo? De moderno? De disciplina? De moral? De limpeza/higiene? A imagem (fotografia), também, precisava ser lida, questionada, pois também era parte da malha do poder e da produção de sentidos sobre questões postas na sociedade paraibana da época.
Cabe destacar ainda, que a organização da Revista/PB não estava estruturada em seções, mas com a leitura do Sumário foi possível identificar as temáticas mais recorrentes no periódico e que se constituíram em indícios sobre o que o discurso oficial queria fabricar nas mentes, como apresenta o quadro a seguir:
QUADRO 3- As temáticas gerais da Revista do Ensino
TEMÁTICAS
Métodos e processos de ensino Escola Nova
Diretrizes para a educação infantil Jardins de infância
Museus escolares
Higienização escolar; educação sanitária; doenças e inspetoria sanitária escolar Noções de Psicologia educacional
Estrutura física das escolas
Atos oficiais referentes ao Ensino Primário e Normal do Estado
Dados estatísticos sobre a Instrução Pública e Particular (dados numéricos de matrículas no ensino primário)
Seminários e Conferências sobre a educação
A partir da leitura do Quadro 3 foi possível ter uma visão geral das temáticas que foram veiculados no periódico paraibano. Mesmo que a Revista do Ensino/PB durante o seu ciclo de vida tenha apresentado algumas mudanças quanto à organização do Sumário, ou até mesmo, das suas características de montagem, de diagramação etc., as temáticas constantes no Quadro 3 continuaram sendo recorrentes.
Ressaltamos que, nos Sumários dos primeiros números foram evidenciados os processos teóricos e metodológicos sobre o ensino, principalmente, sobre as ideias da Escola Nova. Já nos númer;os posteriores a partir no ano de 1934 até 1942 percebemos que as temáticas mais recorrentes enfatizavam a movimentação escolar paraibana, considerando os dados estatísticos, a construção de prédios escolares, a organização do ensino, as experiências educacionais nos diferentes municípios paraibanos, etc. Pode-se traduzir essas expansões, esses deslocamentos dos discursos, como uma tentativa oficial de ampliar a organização da educação escolar, desde o fortalecimento mais ao nível teórico e metodológico de formação dos professores até às mudanças nessa organização, digamos, no nível mais dos recursos materiais, construção de prédios etc., até finalmente de proceder a avaliação do processo, através da socialização das diferentes experiências educacionais.
Aspectos que são importantes de serem observados na Figura 3, a seguir são apresentados alguns sumários de exemplares da Revista do Ensino/PB, respectivamente nº 1, Ano I (1932); n° 4 e 5, Ano II (1933); nº 11, Ano III (1934) e n° 17, Ano X (1942).
FIGURA 3 - Sumários da Revista do Ensino, nº 1, Ano I, 1932; n° 4 e 5, Ano II, 1933; nº 11, Ano III, 1934 e n° 17, Ano X ,194218
Fonte: Revista do Ensino nº 1, Ano I, 1932; n° 4 e 5, Ano II, 1933; nº 11, Ano III, 1934 e n° 17, Ano X ,1942.
Os conteúdos dos discursos identificados na revista pesquisada e apresentados no Quadro 3 e na Figura 3, estão enfatizados abaixo, a ordem dada aos mesmos não considera nível de porcentagem maior ou menor de aparecimento das matérias no periódico. Os conteúdos são:
a) Jardins de Infância;
b) Diretrizes pedagógicas para educação da infância; c) Formação docente;
d) Decretos e Leis do Ensino Primário paraibano;
e) Atuação do Estado - criação e instalação de instituições educacionais, nomeação de professores e matrículas de alunos, diretrizes pedagógicas – orientações para a prática docente;
f) Homenagem aos políticos.
Considerando o momento histórico pesquisado e as ideias educacionais hegemônicas, nossa análise priorizou também o Movimento da Escola Nova. Cabe ressaltar que, as novas ideias teóricas e metodológicas para instrução do movimento escolanovista se alastraram no território brasileiro, com o apoio de educadores, tais quais Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo e Lourenço Filho. Estes educadores influenciados pelos novos ideais reformadores realizaram mudanças na educação em alguns estados brasileiros e, principalmente participaram da elaboração do Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, em 1932. O Manifesto continha as principais reivindicações de mudanças quanto à estrutura da educação brasileira, inclusive sobre a criação e o desenvolvimento de instituições voltadas ao atendimento das crianças em idade pré-escolar.
Em síntese, a partir do mapeamento dos conteúdos, procurei dar visibilidade à vontade de saber e de verdade que estiveram presentes nos discursos sobre a educação paraibana na década de 1930, que se embasavam no pensamento do idealizador da Revista do Ensino/PB, o professor José Baptista de Mello. O que será descrito nas análises a seguir são os diferentes enunciados que nortearam e/ou regulamentaram a formação docente, o ensino primário paraibano e os Jardins de Infância, entre 1932-1942, e que tiveram sua base nas diversas práticas discursivas no âmbito político, da medicina higienista, da psicologia e da biologia, configurando a Revista do Ensino/PB como estratégia e suporte nas configurações do poder/saber/ verdade em momentos de definição de uma identidade nacional.
2
A REVISTA DO ENSINO COMO DISPOSITIVO DE ORIENTAÇÃO
CULTURAL E TÉCNICA
Como órgão de informações e de divulgações, ‘Revista do Ensino’ é um periodico para o magistério paraibano que nêle encontrará matéria de orientação cultural e técnica (REVISTA DO ENSINO, ANO X, N° 17, 1942, p. 5).
Como um dos dispositivos oficiais de formação para a docência do ensino primário, a Revista do Ensino/PB se reconhecia e se queria ser compreendida como sinaliza a citação, ou seja, em sintonia com os ideais de um segundo momento da república com o Estado Novo, naquele momento ainda em processo de solidificação em terras paraibanas. Nessa perspectiva, temos a educação e a cultura como modo de conformação dos corpos.
Se retomarmos um pouco mais o tempo que antecedeu e no qual foi inaugurada a Primeira República, vemos que o Brasil passou por mudanças no campo político-estrutural de suma importância desde meados dos Oitocentos, como o processo de organização jurídica e institucional para dar legalidade e legitimidade ao modelo de gestão republicana. Herdeiro do iluminismo, o projeto republicano depositou sua crença nas ciências, na cultura e na educação, esta última, caracterizada como salvadora da nação levaria o Brasil a se igualar aos países mais desenvolvidos. Mesmo considerando-se a existência de lutas no campo do saber- poder para a construção de uma identidade Nacional, que significa na prática uma heterogeneidade de projetos de Brasil e consequentemente de educação, criando estratégias e práticas discursivas e não discursivas. Na presente discussão em pauta, tem-se a criação de uma revista oficial, no caso Revista do Ensino/PB.
As estratégias oficiais para alcançar a modernidade republicana à educação foi dada uma centralidade considerável, conclamada a exercer um papel importante no processo de formação para a nacionalidade em processo. Em outras palavras, a educação era significada como tendo uma função social específica e especial, e um papel a desempenhar, qual seja, o de propulsora ao desenvolvimento da nação. O que nos leva a pensar que o interesse em investir na educação não era apenas no sentido administrativo, mas mais do que isso, o objetivo era de constituir uma educação que garantisse a formação moral para o desenvolvimento social. Uma atuação biopolítica, modo de governar a população, uma vez que, era preciso educar homens e mulheres para atuarem de acordo com o modelo social, político e econômico republicano.
Retomando as reflexões sobre o contexto histórico, com a Constituição de 1891 e a consequente instauração no Brasil do regime descentralizado no que concerne à instrução
primária, a bem dizer, já iniciada no século XIX em 1832, esta passa a ser responsabilidade de cada Estado brasileiro, os quais assumiram então a criação e execução das leis.
Nessa perspectiva, a educação foi uma das bandeiras levantadas pelos republicanos como marco de um novo projeto de nação, na verdade no plural, tendo em vista o reconhecimento de diferentes projetos em disputa. Através da educação, a nação seria verdadeiramente constituída, e, para isso, a escola passou a ser compreendida como “[...] um dos monumentos da República. Símbolo do progresso e racionalidade, a escola ergueu-se como parte da ‘coisa pública’ ao sinalizar para formas supostamente igualitárias de acesso à modalidade social” (VEIGA, 2004, p.73, grifos da autora).
Diante dos novos rumos políticos em nível Nacional em curso e outros almejados no tempo histórico estudado e tornados acessíveis à população em ditos e escritos, os anúncios dos princípios da República pareciam ter gerado também na Paraíba um sentimento de entusiasmo. Assim, como destaca José Baptista de Mello, criador da Revista do Ensino/PB, “[...] as primeiras notícias do golpe de 15 de novembro foram recebidas aqui com alvoroço [...], e o Estado desde logo, tratou de organizar a sua administração, dentro dos moldes que nos trazia a nova forma de governo” (MELLO, 1996, p. 71), que caminhou nossa leitura da revista em estudo, a ser apresentada neste Capítulo.
Com a proclamação da República e seguindo um dos princípios do novo regime político, os acirrados debates no campo educacional na Paraíba passaram a ser uma bandeira levantada pelo Estado e pelos políticos e intelectuais. Ainda conforme Mello (1996, p.72), “[...] na parte referente ao ensino, [variavam] os programas dos chefes do Executivo. Quase todos, porém, [deixou] assinada a sua passagem com atos diversos, visando melhorar o nosso aparelhamento educacional”. A primeira iniciativa para elevar o ensino na Paraíba veio com a publicação do Decreto número 6, de 23 de janeiro de 1890, o qual reuniu as Diretorias da instrução Primária, da Escola Normal e Reitoria do Liceu, sendo denominada Diretoria da Instrução Pública.
Com a descentralização da instrução primária, reafirmada pelo projeto republicano, e a consequente responsabilização dos Estados brasileiros em relação a esses aspectos da educação, se alastraram pelo país as reformas educacionais, dentre as quais, destaca-se aqui na Paraíba a implementação do Regulamento da Instrução Pública, sancionada pelo governador Camilo de Holanda, por meio do Decreto número 873, de 21 de dezembro de
1917, que substituiu o Regulamento número 241, de 26 de agosto de 190419, baixado por José Peregrino de Araújo (MELLO, 1996).
O Decreto número 873, de 21 de dezembro de 1917 exerceu um papel significativo no âmbito da instrução primária paraibana, propiciando uma nova organização do ensino primário. O Decreto foi composto por 16 Capítulos, nos quais foram distribuídos 309 artigos, estando os Capítulos intitulados da seguinte forma: Do curso primário; Do ensino particular; Da classificação das escolas; Do provimento das escolas; Do pessoal docente, dos seus direitos e deveres, vencimentos, faltas e licenças; Da matrícula das aulas e exames; Do código disciplinar; Do material da escripturação escolar; Das escolas complementares; Dos jardins da infância; Do ensino nocturno; Da direcção e inspecção do ensino; Das caixas escolares e do fundo escolar; Da secretaria de instrucção pública; Da estatística escolar e Disposições geraes. Com o novo Regulamento da Instrução Primária de 1917, considerado como a legislação de maior importância em matéria de instrução primária, ficou estabelecida a criação de uma revista pedagógica, o que somente foi concretizado em 1932. Uma ressalva se faz necessária: antes da criação da revista pedagógica foi criado um impresso educacional que circulou na Paraíba na Primeira República (1921-1922), o jornal “O Educador” que era um Orgam do Professorado Primário (QUEIROGA, 2015).
O jornal “O Educador” foi uma primeira iniciativa do Estado da Paraíba em produzir um impresso para formação do professorado primário e, como já mencionado nesta Dissertação, o jornal foi criado pelo Professor José Baptista de Mello, que assim o apresentou