4. Pedologia
4.1 Descrição das classes de solos
LATOSSOLO VERMELHO AMARELO
Os latossolos vermelho amarelo são solos minerais, com perfis bem desenvolvidos e profundos. Apresentam horizontes B latossólicos, de textura argilosa, coloração vermelho-amarelada, porosos, bem drenados e com seqüência de horizontes A, B, C. Possuem um baixo conteúdo de silte e baixa relação silte argila.
O horizonte A, apresenta, geralmente espessura de 30 a 80 cm, e coloração variável com o teor de matéria orgânica. A textura é argilosa, com estrutura fraca a moderada média a grande granular e alguns blocos subangulares. O grau de consistência a seco varia de macio a duro. Este solo é friável quando úmido e plástico e pegajoso quando molhado.
O horizonte B tem uma espessura média entre 150 a 120 cm. A estrutura é fraca média a grandes blocos subangularres. A cerosidade quando presente é fraca e pouca. Possui uma consistência dura quando seco, friável a firme quando úmidos e plástico a muito plástico e pegajoso quando molhado.
A distribuição de argila ao longo do perfil é relativamente uniforme, o que indica uma fraca mobilidade.
Quanto aos aspectos geotécnicos, os latossolos possuem grande capacidade de infiltração d’água superficial, graças ao grande volume de poros e do tamanho desses. Os seus principais problemas geotécnicos advêm do uso inadequado. Os latossolos argilosos, por exemplo, apresentam como principal problema a compactação, que diminui os poros de maneira acentuada comprometendo a capacidade de infiltração da água.
Como principais unidades de solos pertencentes a esta classe, foram identificadas e mapeadas na área de estudo 4 tipos, sendo que uma desta unidades é associada ao Latossolo Vermelho-Amarelo Álico:
LATOSSOLO VERMELHO AMARELO ÁLICO, com A proeminente e textura argilosa (LVa3) - Aparecendo por quase toda a porção do médio ao baixo curso da bacia do rio Atuba o LVa3 é formado pelos sedimentos argilosos, arcósios e de areias finas da Formação Guabirotuba. Com uma extensão de 34,85km2, ou seja, 27,35% da área em estudo é a unidade de solo que possui a maior área mapeada na bacia. Aparece geralmente, sobre uma morfologia de relevo suave ondulado, em declividades médias a elevadas de 25% a 10%.
LATOSSOLO VERMELHO AMARELO ÁLICO, com A proeminente, pouco profundo e textura argilosa (LVa6) - Situado na porção nordeste da área em questão, o LVa6 é desenvolvido a partir dos produtos da meteorização de gnaisses migmatizados do Complexo Migmatítico. Com uma área de 3,45 km2, equivalente a 2,70% da bacia, esta unidade de solo ocorre em relevo suave ondulado e ondulado, com declives de 25% a 10%.
LATOSSOLO VERMELHO AMARELO ÁLICO, com A proeminente, pouco profundo e textura argilosa (LVa8) - Apresente unidade mapeada aparece em forma de duas pequenas manchas localizadas na porção do médio curso da bacia. Possui uma extensão total de 2,13 km2, correspondente a 1,67% das unidades mapeadas. Sendo formado a partir da decomposição de rochas do Complexo Migmatítico, este tipo de solo está associado a um relevo suave ondulado, com declividades médias entre 15% a 10%.
Associação de LATOSSOLO VERMELHO-AMARELO ÁLICO + CAMBISSOLO ÁLICO Tb, ambos com A proeminente e textura argilosa (LVa13) - Esta associação de solos ocorre no extremo norte da bacia, na região de suas nascentes sobre uma topografia de relevos forte ondulado e ondulado, com declives superiores a 15%. Apresentando uma área de 3,40 km2, ou seja, 2,67% da bacia, esta unidade de solos é proveniente da meteorização de rochas do Grupo Açungui correspondentes aos mármores, filitos e quartzitos.
CAMBISSOLOS
Compreendem solos minerais não hidromórficos, com horizonte B câmbico. Os cambissolos são solos moderadamente a bem drenados, com seqüência de horizontes A, B, C, com transição clara entre eles.
Quanto ao desenvolvimento pedogenético, são solos com certo grau de evolução, mas não o suficiente para a meteorização completa de minerais primários, de fácil intemperização. A maior parte de seus perfis são rasos ou mediamente profundos, de 50 a 100 cm, com coloração pouco uniforme.
A atividade da argila varia de alta a baixa, sendo geralmente superior as dos latossolos.
A textura argilosa ao longo de cada perfil é bastante uniforme, notando-se uma pequena variação no teor de argila entre o horizonte A e o B, possuindo menor quantidade de argila no horizonte B.
A estrutura do horizonte A é do tipo granular grande, moderada a fortemente desenvolvida e/ou fraca com pequenos blocos subangulares. O horizonte B apresenta uma estrutura em blocos subangulares pequenos e médios e francamente desenvolvida.
A consistência dos cambissolos varia de macio a muito duro no estado seco, de friável a firme com o solo molhado, e de ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso a muito plástico e muito pegajoso com o solo molhado.
Os solos desta classe possuem boas características físicas, relacionadas à porosidade, permeabilidade, drenagem e floculação das argilas.
Devido as suas características físicas e ao posicionamento em relação ao revelo, pois predominam geralmente em áreas de morros, montanhas e serras com vertentes acima de 20% de declive, os cambissolos são solos que não irão apresentar problemas geotécnicos em relação a encharcamento e má drenagem. As unidades de solos desta classe, mapeadas na área em questão são:
CAMBISSOLO ÁLICO Tb, com A proeminente e textura argilosa (Ca2) - Com uma área de 30,64 km2, correspondente a 24,04% do total dos solos da bacia do rio
Atuba, o Ca2 encontra-se situado no alto e médio curso da área de estudo. Possui um percurso que se estende de leste a oeste, sobre os substratos rochosos do Complexo Migmatítico. Esta unidade de solo está associada a um relevo ondulado, com declividades médias de 25% a 10%.
CAMBISSOLO ÁLICO Tb, com A proeminente e textura argilosa (Ca5) - Situado na porção norte da área de estudo o Ca5 ocorre entre a faixa de transição das litologias do Grupo Açungui para as litologias do Complexo Migmatítico, com uma grande variedade litológica em sua composição. Esta unidade de solo abrange uma área de 13,04 km2, ou seja, 10,23% do total da bacia do rio Atuba sobre um relevo forte ondulado, de topografias elevadas, com declives maiores que 15%.
Associação de CAMBISSOLO ÁLICO Tb + Solos LITÓLICOS DISTRÓFICOS, ambos com A moderado e textura argilosa (Ca37) – Sobre um relevo montanhoso com vertentes íngremes de declives superiores a 25%, esta associação de solos, aparece apenas na porção extremo norte da bacia, intercalada ao solo LVa13. Possui a menor área mapeada com certa de 1,25 km2, ou seja, 0,98% da bacia do rio Atuba, sobre o substrato de filitos do Grupo Açungui.
TERRA ROXA ESTRUTURADA
Nesta classe estão compreendidos solos minerais não hidromórficos, com horizonte B textural. A argila apresenta baixa capacidade de troca de cátions com baixo gradiente textural. São solos de coloração avermelhada, profundos, argilosos, bem drenados, porosos e com seqüência de horizonte A, Bt e C.
Possuem pequena variação de cor e de textura ao longo do perfil, com transições entre os subhorizontes graduais ou difusas. A espessura destes solos varia de 130 a 250 centímetros.
A estrutura do horizonte A é do tipo granular, moderada e fortemente desenvolvida e a do Bt é prismática, composta de blocos subangulares e angulares.
O grau de consistência a seco varia de ligeiramente duro a duro. Em condição úmida é firme e quando molhado, o grau de consistência varia de muito plástico a ligeiramente plástico e de muito pegajoso a ligeiramente pegajoso, com plasticidade e pegajosidade diminuindo, dos horizontes superficiais para os inferiores.
Na área mapeada, esta classe é representada apenas por uma unidade associada a outros solos, descrita a seguir:
Associação de TERRA ROXA ESTRUTURADA DISTRÓFICA + LATOSSOLO ROXO DISTRÓFICO + SOLOS LITÓLICOS EUTRÓFICOS, ambos com A moderado e textura argilosa (TRd4) - Esta associação de solos aparece como uma pequena mancha na porção nordeste da bacia do rio Atuba, sendo desenvolvida a partir da decomposição de rochas do Complexo Migmatítico. Como a única unidade representante desta classe o TRd4 possui uma área de 4,53 km2, correspondendo a 3,55% da área da bacia, sobre um relevo suave ondulado e ondulado.
SOLOS HIDROMÓRFICOS
São solos mal drenados ou muito mal drenados, formados em terrenos de planícies onde a circulação da água é baixa, apresentado-se, geralmente, encharcados.
Com uma grande influência do lençol freático à superfície ou próxima dela, a má drenagem pode ser verificada pela presença de cores cinzentas e mosqueadas nos horizontes subsuperficiais, devido ao fenômeno de oxido-redução. Em alguns casos, pode apresentar ainda, acúmulo superficial de matéria orgânica.
Os solos hidromórficos possuem horizontes A e Bg, em geral pouco profundo, de textura dominantemente argilosa com uma granulometria muito fina.
Pelas próprias características físicas e posicionamento na paisagem, os principais problemas dos solos hidromórficos são referentes à capacidade de suporte
de drenagem. São normalmente áreas pouco recomendáveis para uma urbanização residencial e/ou comerciais.
Na área de estudo, esta classe é constituída por uma única unidade mapeada, descrita a seguir:
SOLOS HIDROMÓRFICOS GLEYZADOS INDISCRIMINADOS, com textura argilosa (HG2) - Ocorre em duas regiões diversas da área em estudo, uma a extremo sudeste, em sua foz e, a outra na porção centro oeste da bacia. São solos formados a partir de sedimentos aluvionais não consolidados, associados a um relevo plano, com declividades baixas inferiores a 15%. Somente 6,16 km2, ou seja, 4,83% da área da bacia apresenta este tipo de solo.
SOLOS ORGÂNICOS
São solos hidromórficos, essencialmente orgânicos, pouco evoluídos, provenientes de depósitos de restos vegetais em graus variáveis de decomposição. Esta classe de solo é constituída por um horizonte superficial de coloração preta, devido aos elevados teores de carbono orgânico.
Conhecidos por turfas, são solos que apresentam a seguinte seqüência: horizonte A, que pode ou não ser subdividido, seguido de camadas orgânicas sobrepostas ao material mineral.
O horizonte A possui normalmente espessura de 30 cm. A textura é variável de um local para outro. Assim como as características a ela relacionadas.
Os solos orgânicos são solos mal drenados, uma vez que são desenvolvidos sob condições de permanente encharcamento, com lençol freático próximo ou a superfície durante grande parte do ano.
Como ocorrem em superfícies planas e ocupam as posições de cotas mais baixas, em áreas originalmente abaciadas que constituem pequenas depressões sedimentares próximas aos cursos d’água, o relevo torna-se um dos fatores mais
Assim como os solos hidromórficos, os solos orgânicos, também apresentam como principais problemas geotécnicos, áreas sujeitas a constantes inundações. Pois estes solos encontram-se nas regiões baixas, formando as planícies aluviais, a beira dos grandes rios.
Como unidade representante dessa classe de solo na área de estudo, tem-se o solo HOa1:
SOLOS ORGÂNICOS ÁLICOS (HOa1) - Na área em questão a presente unidade encontra-se sobre as planícies aluviais, beirando as margens dos principais rios formadores do médio e baixo curso da bacia do rio Atuba. Este solo é constituído pelos sedimentos coluvio aluviais do Quaternário, encontrados nas partes baixas e abaciadas do relevo, em declividades muito baixas, menores que 10%. Na área em estudo, esta unidade de solo é bastante expressiva possuindo 29,47 km2, o que correspondente a 23,13% do total de toda a bacia.