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Medidas de controle de inundações

No documento FABRIZIA GIOPPO NUNES (páginas 49-53)

Conforme a SUDERHSA e SEMA (2002), as ações ou medidas estruturais são obras de engenharia implementadas para reduzir o risco das enchentes, e podem ser extensivas ou intensivas. As medidas extensivas são aquelas que agem no contexto global da bacia, procurando, modificar as relações entre chuvas e vazões, como a ampliação da cobertura vegetal do solo, que reduz e retarda os picos de enchentes e controla a erosão da bacia. Já as medidas intensivas são aquelas que agem nos cursos d’água e superfícies e podem abranger:

- obras de contenção como diques e pôlders;

- aumento da capacidade de descarga com retificações, ampliações de seção e corte de meandros de cursos d’água, desvio do escoamento por canais e;

- retardamento e infiltração, como reservatórios, bacias de amortecimento e dispositivos de infiltração no solo.

Para CORDEIRO; MEDEIROS e TERAN (1999), o critério de classificação das medidas de controle das cheias é aquele que se subdivide em duas categorias: as soluções estruturais e não estruturais. As primeiras influenciam na estrutura da bacia, seja na sua extensão (medidas extensivas), mediante intervenções diretas na sua sistematização hidráulico-florestal e hidráulico-agrário, seja localmente (medidas intensivas), mediante obras com o objetivo de controlar as águas, como, por exemplo: reservatórios, caixas de expansão, diques, pôlders, melhoramento do álveo, retificações, canais de desvio, canais paralelos e canais extravasores. Por outro lado, as medidas não-estruturais consistem na busca da melhor convivência do homem com o fenômeno das enchentes.

Os autores (op. cit., 1999), apresentam um esquema das principais medidas estruturais e não estruturais para controle das cheias, estas medias estão ilustradas no fluxograma da Figura 1.

FIGURA 1 - FLUXOGRAMA DE MEDIDAS PARA CONTROLE DAS CHEIAS

Controle das Cheias

Estruturais Não - Estruturais

Medidas Intensivas Medidas Extensivas

Reservatórios Caixas de expansão Diques Pôlders Melhoramento do álveo Retificações Canais de devios Canais paralelos Canais extravasores Hidráulico-florestal Hidráulico-agrário Sistemas de alerta Sistemas respostas Educação Seguros contra enchentes Mapas de inundações

Fonte: CORDEIRO; MEDEIROS e TERAN (1999).

Quanto à redução dos impactos das inundações em Curitiba e RMC a SUDERHSA e SEMA (2002), propõe no Plano Diretor de Drenagem para a Bacia do Rio Iguaçu, além das intervenções estruturais, medidas e ações não estruturais a serem aplicadas através de mecanismos de disciplinamento do uso do solo urbano; plano de ação para a proteção da população, em um sistema institucional de gestão.

A Tabela 10 apresenta uma síntese das principais medidas não estruturais proposta pela SUDERHSA e SEMA (2002), para a região do alto Iguaçu. É importante enfatizar aqui, que estas medidas não estruturais, na maioria dos casos, requerem investimentos baixos para serem implementadas se comparadas com as medidas estruturais.

TABELA 10 - SÍNTESE DAS MEDIDAS NÃO ESTRUTURAIS.

Medida Características Benefícios Necessidade de Legislação

Previsão e alerta em

tempo real. Prevê com antecedência de algumas horas ou até 1 dia as cotas de inundações no rio Iguaçu.

Redução das perdas pela remoção da população e seus bens.

Não

Plano de defesa civil. Preparar a Defesa Civil para as conseqüências das inundações ribeirinhas e para as áreas críticas urbanas.

Minimização dos impactos sobre a população pela antecipação de ocorrências através da previsão e alerta em tempo real.

Não

Zoneamento de áreas de inundação

ribeirinhas

Mapeamento das áreas de risco; relação da população instalada em áreas de risco; desenvolvimento de

projetos para uso publico tais como parques lineares.

Preservação de áreas naturais de amortecimento e verde e de lazer próximas à malha urbana.

Sim

Controle da vazão

máxima A vazão máxima de um novo desenvolvimento não pode exceder a de

condições de pre- desenvolvimento.

Evitar a transferência de aumento de cheias para jusante na drenagem.

Sim

Regressões a

ocupação de áreas de risco de erosão.

Mapeamento das áreas de risco; desenvolvimento de projetos de sistemas de contenção; relocação da população instalada em áreas de risco; controle e fiscalização de obras de terraplenagem.

Redução do assoreamento do sistema de macro drenagem e do impacto sobre a população e suas propriedades. Sim Incentivo a manutenção de áreas permeáveis. Incentivar a manutenção de uma área permeável em meio às áreas

desenvolvidas.

Redução do aumento do escoamento; melhoria da qualidade da água; melhoria do ambiente urbano.

Sim

Controle da qualidade

da água. Avaliação da qualidade da água; controle da qualidade da água na macro

drenagem.

Melhoria da qualidade das

CONTINUAÇÃO DA TABELA 10 - SÍNTESE DAS MEDIDAS NÃO ESTRUTURAIS.

Medida Características Benefícios Necessidade de Legislação

Educação e

capacitação técnica. Educar a população, profissionais que desenvolvem a cidade; projetistas de drenagem na RMC.

Melhor entendimento dos impactos e apoio no controle e fiscalização do planejamento das cidades.

Não

Manual de drenagem

urbana. Manual de drenagem urbana voltado aos engenheiros responsáveis pela aprovação de novos empreendimentos e pelo desenvolvimento de projetos de drenagem na RMC.

Possibilitar a aplicação dos princípios propostos no Plano Diretor de Drenagem através de um instrumento de apoio técnico para projetos de obra de drenagem.

Não

Atualização do

cadastro do sistema. Implantar programas de cadastro do sistema de macrodrenagem inserindo as informações levantadas no SIGRH- Sistemas de informações de Recursos Hídricos. Melhorar o conhecimento do sistema existente possibilitando uma atualização mais eficaz sobre seus pontos críticos.

Não

Programa de limpeza

urbana. Avaliar a carga de resíduos que chega a drenagem; planejar a sua redução pelo aumento da freqüência de limpeza e disposição final do lixo. Evitar o entupimento do sistema de drenagem e inundações localizadas em trechos obstruídos. Não

Administração Avaliação dos projetos,

fiscalização e operação e manutenção dos sistemas de drenagem e ocupação das áreas ribeirinhas.

Preservar o que foi planejado para a cidade dentro da sua

sustentabilidade.

Não

No documento FABRIZIA GIOPPO NUNES (páginas 49-53)