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5. COMUNIDADES QUILOMBOLAS NA INTERNET

5.2 Descrição do site da comunidade quilombola do Vale do Ribeira

O site www.quilombosdoribeira.org.br foi criado pelas comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, com apoio e assessoria do Instituto Socioambiental (ISA), pelo Projeto Capacitação em Gestão e de sua área de Comunicação. Para sua construção, manutenção e atualização conta com o financiamento do Programa de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia (PPIGRE) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), pelo projeto "Fortalecimento das associações quilombolas do Vale do Ribeira para a gestão de projetos e empreendimentos comunitários" e da ajuda da Igreja da Noruega/Campanha dos Estudantes (AIN/OD), com o projeto “Superação da Pobreza e Valorização Cultural: Novas Perspectivas para os Jovens Quilombolas no Brasil”.

Cada uma das comunidades com quem o ISA tem parceria no Vale do Ribeira analisou se era de seu interesse integrar esse canal de informação e comunicação sobre sua história, cultura, gestão de projetos e empreendimentos comunitários, produtos e outros temas.

As comunidades quilombolas do Vale do Ribeira escolheram um representante para integrar o Grupo Gestor, encarregado de criar a estrutura, aprovar o layout, elaborar e administrar o conteúdo. Cada representante produziu e atualiza o conteúdo de sua comunidade, pesquisando os documentos e registros existentes, conversando com os diretores da associação, lideranças e pessoas mais velhas. Esses agentes comunitários têm um trabalho permanente, estando sempre atentos aos acontecimentos para produzir as notícias e divulgar a agenda de interesse geral. Cada um é o repórter de sua comunidade, fazendo parte do Conselho Gestor.

O site analisado pode ser considerado um site educativo, de acordo com Radfaher (2000, p. 123), que divide os tipos de websites comerciais mais populares. Sendo assim, ele transmite informações com o objetivo de promover conhecimento, educando o público-alvo.

Figura 19 - Imagem da página principal do site.

A programação visual da página possibilita múltiplos desdobramentos, propiciados pela estrutura hipertextual14, ou seja, um texto mediado pelo computador que contém links15. Para descrever a página inicial do site, mostrado na figura 19, utilizamos as três categorias de elementos visuais básicos que Ribeiro (2002, p. 76) apresenta em sua dissertação: fundo, imagem e tipologia.

O fundo é a superfície suporte sobre o qual todos os outros elementos estão aplicados. O site optou por um fundo padrão da cor branca e sobre ele existem vários outros elementos que compõem a página. Essa escolha é intencional e funcional, pois permite o carregamento mais rápido da página e o que for aplicado sobre ele auxilia a harmonizar.

As imagens de um site são todos os objetos visuais que aparecem na composição da página, como fotos, desenhos, ícones e símbolos gráficos. Este site apresenta duas fotos em sua página inicial. A primeira é uma foto bem no alto, ocupando todo o comprimento da página, com o formato retangular. Nela aparece um fundo de paisagem, onde se percebe por uma janela de vidro os morros do Vale do Ribeira e sua vegetação. Há, ainda, cinco crianças. Três delas aparecem em primeiro plano, conseguindo-se identificar seus rostos. São três meninos felizes, abraçados. O quarto menino também está abraçado, mas como ele é menor só é visto da testa para cima, e o quinto menino está separado do grupo e só aparece o seu vulto.

No fundo da foto predomina a cor verde e no primeiro plano a cor marrom. As linhas sinuosas e curvas da mata e dos corpos são quebradas com a linha reta da janela. A textura lisa do corpo humano se sobressai com a textura rugosa da mata. O claro e escuro também são pontos fortes da imagem. A pele das crianças e as matas brilham, enquanto a janela é um amarelo fosco.

14 Hipertexto é a organização de unidades de informação por meio de associações interligadas. Um

documento de hipertexto possui ligações (links) para diversas partes do mesmo documento ou para documentos diferentes. As ligações normalmente são indicadas por meio de uma imagem ou texto em uma cor diferente ou sublinhado. Ao clicar na ligação, o usuário é levado até o texto interligado. Fonte: http://tecnologia.uol.com.br/dicionarios. Acesso em: 27 jan. 2012.

15

A palavra inglesa link entrou na língua portuguesa por via de redes de computadores (em especial a Internet), servindo de forma curta para designar as hiperligações do hipertexto. O seu significado é "elo" ou "ligação". Através dos links é possível produzir documentos não lineares interconectados com outros documentos ou arquivos a partir de palavras, imagens ou outros objetos. Links são ligações ou passagens por meio das quais se pode saltar para outra parte do site. Fonte: http://www.ufpa.br/dicas/htm/htm-link.htm. Acesso em: 05 fev. 2012.

Esta foto tem função comunicativa. De acordo com Ribeiro (2002), a função comunicativa tem caráter comercial, informativo, documental ou artístico. Já a segunda imagem que está embaixo da página tem a função operacional, pois se transforma em um canal de navegação, abrindo-se para outro site: www.socioambiental.org. As duas imagens são estáticas, propiciando uma melhor velocidade de navegar no site.

A segunda imagem também é uma foto, que tem o mesmo formato retangular que a de cima e mostra a região do Vale do Ribeira com sua Mata Atlântica e o rio Ribeira de Iguape. Essa imagem é predominantemente da cor verde, com linhas sinuosas e curvas, com dimensões abertas para o infinito, mostrando com profundidade a realidade da região.

Abaixo dessa foto há outro retângulo, com outra cor, onde está escrito Cílios do Ribeira, uma Campanha de Recuperação das Matas Ciliares do Vale do Ribeira, que é outro link que se abre para o site www.ciliosdoribeira.org.br.

A tipologia, que além de funcionar como instrumento de registro da mensagem verbal, possui um caráter visual de extrema importância para a composição gráfica da página, pois essa composição necessita ser funcional e coerente, revelando-se numa composição estética.

Esse site optou por várias qualidades de fonte, utilizando letras maiúsculas e minúsculas e diversas cores como o preto, azul claro, azul escuro, vermelho, branco e verde. O vermelho é utilizado para destacar a palavra “Comunidades”. Em cima das fotos predominou a cor branca e, em cima do fundo branco, há a palavra “Notícias” em azul escuro; a palavra “Agenda” na cor verde; as datas na cor preta e as chamadas das notícias e da agenda são azul claro.

Cada chamada é um link, podendo levar o usuário a navegar pelo site. As notícias também são encontradas no link “Notícias”, que está colocado no canto direito superior em cima da primeira imagem. Ali aparecem as divulgações das festas promovidas pelas comunidades quilombolas, os seminários com temas relacionados a eles, a participação dos quilombolas em feiras, fóruns, oficinas, a marcha a Brasília pela garantia de seus direitos, as construções para a melhoria da infraestrutura das comunidades, as titulações, entre outros temas.

Abaixo do link “Notícias”, há o link “Agenda”, onde são colocadas as audiências, as festas, as feiras, as caminhadas e outras ações realizadas pelas comunidades quilombolas.

Abaixo, encontra-se o link “Campanhas”, que é contra a construção de barragens no rio Ribeira de Iguape, que tem como objetivo informar e lançar um alerta contra o projeto, mostrando todas as consequências negativas que a instalação de usinas hidrelétricas na região poderia trazer para o Vale do Ribeira e para o país.

O próximo link é “Produtos”, que mostra o artesanato de palha da bananeira feito nas comunidades. Conta a história do surgimento desse artesanato, mostra a lista de produtos com imagens, características e a comunidade produtora.

No link “Quem Somos” é apresentada a história da criação do site e os nomes dos agentes comunitários das comunidades quilombolas envolvidas, responsáveis pela manutenção do site.

E por último o link “Contato” aparece apenas quando o usuário navega por cima, proporcionando-lhe entrar em contato com a equipe do site por meio virtual.

Acessando o site, o usuário pode também ter informações sobre a localização do Vale do Ribeira, sua população, suas características, sua história, sua cultura, sua economia, suas riquezas, suas experiências de uso sustentável dos recursos, como o turismo, o manejo agroflorestal de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, a maricultura, ou seja, a criação de ostras, mariscos e peixes em viveiros, pode ser visto clicando na palavra “Vale do Ribeira”.

Ao lado da palavra “Vale do Ribeira” visualiza-se o link “A luta pela terra”. Clicando-se nele aparece o sinônimo da palavra quilombo, suas lutas e dificuldades, sobre a Constituição Federal de 1988, a estimativa de quantas comunidades quilombolas há no Brasil, quantas já foram tituladas e um quadro que mostra a situação da regularização das terras dos quilombos no Estado de São Paulo, segundo o Instituto de Terras do Estado de São Paulo - ITESP.

Outro link encontrado é “Comunidades”, que abre para outros links com os nomes em ordem alfabética das nove comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, que participam desse site: Bombas, Galvão, Gangume, Ivaporunduva, Mandira, Morro Seco, Pedro Cubas, Porto Velho e São Pedro. A localização de algumas dessas comunidades pode ser vista no mapa da região apresentado na figura 6.

Ao clicar em cima das comunidades aparecem imagens, textos e links de cada comunidade. Os links são: Início, Histórico, Território, Cultura Tradicional, Projetos e Atividades, Produtos e Contato. Podemos observar os links, olhando a figura 20, que se encontra abaixo. Escolhemos a Comunidade Ivaporunduva como

exemplo, pois foi nela que foi realizada a pesquisa in loco, mas as outras comunidades do site seguem o mesmo padrão.

Figura 20 - Link comunidade Ivaporunduva.

Fonte: www.quilombosdoribeira.org.br/comunidades/1. Acesso em: 02 fev. 2012.

No link “Início”, são apresentados uma imagem da comunidade e um texto, que explica como chegar à comunidade, a sua localização, a sua população, a sua sobrevivência, as suas plantações e criações e a sua infraestrutura, como escola e posto de saúde.

Em “Histórico”, visualizamos a história do início do povoamento de cada comunidade, mostrando quando e como se formaram, os seus costumes e tradições. Neste link também é mostrado como eles sobreviveram até os dias de hoje, sem perder sua tradição.

Em “Território”, encontra-se a área ocupada de cada quilombo, sua vegetação, seus animais, suas cavernas, rios, cachoeiras e outros pontos relevantes

encontrados na região. É apresentado, também, o processo de titulação dos territórios tradicionalmente ocupados, garantindo efetivamente o reconhecimento de suas terras.

Em “Cultura Tradicional”, foram colocadas algumas festas tradicionais, danças folclóricas, rezas, capoeira, comidas típicas, remédios caseiros, artesanatos e os mutirões (forma tradicional de organização do trabalho, quando um conjunto de pessoas trabalha para o bem comum e a comunidade visa ações em seu benefício).

Em “Projetos e Atividades”, aparecem as ações realizadas por grupos de pessoas de cada quilombo, projetos e atividades desenvolvidas com ou sem financiamento, com ou sem parcerias.

No link “Produtos”, a maioria das comunidades figura como em construção. Apenas as comunidades Cangume, Porto Velho e Morro Seco têm seus produtos expostos. Em Cangume e em Porto Velho, o produto exposto é o mel e na comunidade Morro Seco são os pães artesanais, o frango caipira, frutas e a mandioca e seus derivados.

Também no link “Contato”, algumas comunidades estão em construção, mas Ivaporunduva coloca seu contato para os seguintes tópicos: turismo, artesanato, banana orgânica e para a Associação Quilombola de Ivaporunduva. Morro Seco e Porto Velho colocam seus contatos, como telefone, e-mail e endereço para correspondência.

Esse link foi o que nos ajudou a entrar em contato com a comunidade Ivaporunduva e marcar uma visita para fazer a pesquisa in loco. Começamos o contato por e-mail e depois por telefone. A comunidade sempre nos recebeu muito bem, mostrando-se receptiva aos dois contatos.

5.3 ANÁLISE DO SITE DA COMUNIDADE QUILOMBOLA DO VALE DO