8.1 DESCRIÇÃO DOS PROCEDIMENTOS PREVENTIVOS A SEREM ADOTADOS EM SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA
Os procedimentos preventivos para garantir as condições de segurança da Barragem da EB-2 caracterizam pela interface com a operação da estrutura e seu acompanhamento rotineiro, visando à identificação preliminar de anomalias e indícios de problemas e a proposição de ações para evitar o desenvolvimento de processos que podem desencadear situações de emergência. Neste sentido, o programa de monitoramento, inspeção e manutenção da barragem deve ser realizado de forma a averiguar as condições de estabilidade, segurança e operação da estrutura, permitindo que, por meio da geração e análise de dados e informações, sua situação possa ser avaliada ao longo dos anos.
O conjunto de procedimentos preventivos a serem aplicados sob o regime de operação normal de operação da estrutura compreende as ações tipicamente descritas no “Manual de Operação” e no “Plano de Monitoramento e Níveis de Controle” (TEC3, 2018 e 2019b, respectivamente).
Estes documentos definem as regras e recomendações relativas aos controles de segurança estrutural, hidráulica, operacional e ambiental da estrutura. Adicionalmente, as atividades de planejamento e execução de manutenções preventivas, monitoramento, instrumentação e inspeções regulares de segurança devem ser implantadas para garantir a operação adequada da Barragem da EB-2.
Em linhas gerais, os procedimentos preventivos para garantir a condição de segurança e o funcionamento adequado de todos os componentes da barragem consistem nos itens mencionados a seguir.
8.1.1 Inspeções de Segurança Regular (ISR)
Inspeções regulares permitem detectar visualmente sinais prévios de não conformidades que possam vir a comprometer a segurança da estrutura. Estas atividades devem ser realizadas regularmente de modo a possibilitar identificar, ainda em estágio inicial, a ocorrência de inconformidades ou ainda monitorar a evolução de processos.
As inspeções de segurança regular devem ser realizadas com frequência mínima quinzenal em conformidade com a Portaria ANM nº 70.389/2017, de maio de 2017. Os períodos quinzenais a que se referem a portaria devem ser entendidos como aqueles compreendidos entre o primeiro e o décimo-quinto dia de cada mês e entre o décimo-sexto e o último dia de cada mês. Em caso de registro de ocorrência atípica, recomenda-se que também seja intensificado o monitoramento.
Para registro das informações de campo, a ANGLO AMERICAN deverá utilizar o modelo de ficha de inspeção apresentado no manual de operação da Barragem da EB-2.
Caso sejam constatadas anomalias com pontuação máxima de 10 (dez) pontos no Estado de Conservação da Matriz de Categoria de Risco (Tabela 6.2) é prevista a abertura
das ações previstas no PAEBM, bem como a realização de Inspeção de Segurança Especial (ISE).
As eventuais Inspeções Especiais de Segurança aplicam-se a todo o sistema da Barragem da EB-2, abrangendo principalmente: acessos, maciço (coroamento, taludes de jusante e montante), ombreiras direita e esquerda, reservatório, saída do sistema de drenagem interna, sistema extravasor e instrumentação de controle. As ISE também podem ser realizadas a qualquer tempo, quando exigidas pela ANM.
Cabe ressaltar que a anomalia que resultou na pontuação 10 no Estado de Conservação deve ainda ser classificada como controlada, não controlada ou extinta. A extinção ou o controle da anomalia que gerou a IES requer notificação a ANM por meio do SIGBM, e o relatório conclusivo da inspeção especial, assim como o relatório fotográfico, anexado ao Volume III (Registros e Controles) do Plano de Segurança de Barragens.
Caso seja constatada uma situação de emergência, deverão ser realizados os
“Procedimentos Corretivos” descritos no item 8.2.
8.1.2 Monitoramento (Leituras e Análise da Instrumentação)
A Barragem da EB-2 é instrumentada com medidores de nível d´água, piezômetros e medidor de vazão. O nível de água do reservatório é monitorado diariamente por instrumento de medição automatizada.
Além destes instrumentos estão instalados na barragem EB-2: um marco superficial para controle de deformações, uma régua linimétrica, um pluviômetro e um pluviógrafo.
As leituras da instrumentação são realizadas e analisadas pela equipe técnica da barragem, tendo-se como objetivos correlacionar as leituras dos instrumentos com os níveis de controle e detectar condições insatisfatórias na barragem que não foram possíveis de serem observadas pela inspeção visual.
A frequência das leituras é minimamente quinzenal, podendo ser intensificada em períodos de chuva, em caso de variação significativa dos valores obtidos, caso as leituras alcancem o nível de atenção ou por procedimento interno da ANGLO AMERICAN.
As leituras observadas nos instrumentos precisam ser registradas de modo a criar uma base de dados de monitoramento. Em caso de leituras anômalas nos instrumentos, torna-se necessário investigar até que se descubra o motivo que gerou as leituras discrepantes. Para os piezômetros e medidores de nível d’água, o valor de cada leitura realizada deve ser imediatamente comparado com os níveis de controle definidos no documento T19062-001-RE (TEC3, 2019b).
8.1.3 Manutenção
Os serviços de manutenção da barragem também são acionados a partir de observações constatadas nas inspeções regulares, durante a operação e/ou em auditorias realizadas por empresas contratadas. A manutenção é programada e realizada de modo a evitar o surgimento de uma possível anomalia ou a sua progressão, evitando comprometer a operação e segurança da estrutura.
O programa de manutenção periódica da Barragem da EB-2 deve, de um modo geral, incluir os serviços de manutenção regular da instrumentação, da crista, da proteção dos taludes e ombreiras, da saída da drenagem interna, do sistema extravasor e seus componentes.
De acordo com o manual de operação, os serviços de manutenção mais comuns são os abaixo listados:
• Manutenção de estradas e acessos;
• Limpeza e desobstrução de dispositivos de drenagem superficial;
• Combate/remoção de formigueiros e tocas de animais ao longo do maciço;
• Realização de capina, poda e remoção de espécies vegetais de raízes extensas ao longo do maciço;
• Replantio de proteção vegetal nas falhas da cobertura;
• Reparo de sulcos erosivos nos taludes, bermas e ombreiras;
• Correção das linhas de drenagem superficial ao longo do coroamento ou berma;
• Remoção de materiais flutuantes no emboque e ao longo do canal extravasor;
• Limpeza da saída do dreno de fundo;
• Reparo da sinalização da identificação de instrumentos;
• Reparo ou substituição de instrumentos.
As atividades de manutenção preventiva deverão ser executadas por profissional(is) qualificado(s), dotado(s) de todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários à sua segurança.
8.2 DESCRIÇÃO DOS PROCEDIMENTOS CORRETIVOS A SEREM ADOTADOS EM SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA
Os procedimentos corretivos devem ser executados caso ocorram problemas de desempenho que possam afetar a segurança da barragem, ou seja, quando detectada alguma anomalia que caracterize uma situação de emergência na barragem.
Os modos de falha que podem vir a causar uma situação de emergência estão principalmente relacionados ao:
• Galgamento;
• Erosão interna pelo maciço ou pela fundação;
• Instabilização do maciço.
Os modos de falha listados foram considerados como sendo os principais modos de falha relacionados à estrutura com base nas suas características. Indícios de ocorrência de modos de falha diferentes daqueles abordados neste PAEBM, caso identificados, deverão ter seus procedimentos de mitigação e controle definidos pela Equipe de Segurança da Barragem, em conjunto com a Projetista.
A Tabela 8.1 apresenta a relação entre as situações de emergência, os métodos de falha, níveis de emergência e fichas de emergência correspondentes. As Fichas de Emergência com a descrição detalhada das ações corretivas a serem tomadas para cada situação de emergência, por nível de emergência, são apresentadas no ANEXO IV.
Tabela 8.1: Relação das Situações de Emergência com Respectivos Níveis de Emergência e Fichas de Emergência
SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA MODO DE
FALHA
NÍVEL DE EMERGÊNCIA (NE)
FICHA DE EMERGÊNCIA CORRESPONDENTE
Alcance de 10 pontos no item “Percolação” do quadro de estado de conservação, ou surgência de água com indícios de carreamento de solo e/ou com aumento progressivo da vazão, ou outro tipo de surgência com potencial de comprometimento da segurança da barragem, porém com possibilidade de remediação. A condição permanecerá enquadrada no Nível 1, por um período máximo de 7 (sete) dias, desde que o monitoramento indique que o carreamento de materiais e/ou a vazão se mantenham relativamente estáveis e a solução de remediação seja implantada nesse período. Parâmetros observáveis (individualmente ou em conjunto): carreamento de solo, turbidez da água, aumento de vazão.
EROSÃO
INTERNA 1 FICHA Nº 01
Alcance de 10 pontos nos itens “Deformações e Recalques” ou “Deterioração dos Taludes/ Paramentos” do quadro de estado de conservação, tais como: trincas, escorregamento, erosão, deslocamentos, recalques e abatimentos, com potencial de comprometimento da segurança da barragem. Além disto, também deverão ser consideradas alterações nos níveis de instrumentos de monitoramento. Em associação, deverá ainda ser avaliado o Fator de Segurança (FS) tanto para a análise de estabilidade em condição drenada, quanto na condição não-drenada, conforme as seguintes referências: FS entre 1,3 e 1,5, para a condição drenada e, em condição não drenada, FS mínimo de 1,3. Parâmetros observáveis (individualmente ou em conjunto):
trincas no aterro, trincas em canaletas e dispositivos de drenagem, deformações atípicas (abatimentos), ravinamentos, desalinhamentos.
INSTABILIZAÇÃO 1 FICHA Nº 02
Alcance de 10 pontos no item “Confiabilidade das Estruturas Extravasoras” do quadro de estado de conservação, ou estrutura extravasora com anomalias identificadas, com redução da capacidade vertente, sem implantação de medidas corretivas, ou elevação do nível de água do reservatório resultando em redução de até 10% da borda livre remanescente de projeto (Borda Livre Remanescente: Altura entre o NA Máximo Maximorum de projeto e a menor elevação da crista da barragem). Parâmetros observáveis (individualmente ou em conjunto): redução de borda livre, obstrução da entrada do canal de aproximação ou do sistema extravasor, insuficiência do sistema de bombeamento, ocupação inadequada do reservatório.
GALGAMENTO 1 FICHA Nº 03
SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA MODO DE
integridade do barramento (situação de emergência NE-1 não controlada). Parâmetros observáveis:
intensificação dos níveis de parâmetros identificados no Nível 1, conforme Ficha N.º 01
EROSÃO
INTERNA 2 FICHA Nº 04
Evolução das dimensões das trincas e surgimento de novas trincas, com comprometimento da integridade do barramento; ou escorregamento ou erosão de grande magnitude, com comprometimento da integridade do barramento; ou deslocamentos e/ou recalques e/ou abatimentos em evolução, com comprometimento da integridade do barramento (situação de emergência NE-1 não controlada). Além disto, também deverão ser consideradas alterações nos níveis de instrumentos de monitoramento. Em associação, deverá ainda ser avaliado o Fator de Segurança (FS) tanto para a análise de estabilidade em condição drenada, quanto na condição não-drenada, conforme as seguintes referências: FS entre 1,1 e 1,3, em condição drenada e, em análise de condição não drenada, uma vez encontrado FS inferior a 1,3 automaticamente ter-se-á uma situação de emergência NE-2. Parâmetros observáveis: intensificação dos níveis de parâmetros identificados no Nível 1, conforme Ficha N.º 02
INSTABILIZAÇÃO 2 FICHA Nº 05
Estrutura extravasora com anomalias identificadas, com redução da capacidade vertente e de mais de 10%
da borda livre remanescente definida em projeto e menos de 0,50 m (Borda Livre Remanescente: Altura entre o NA Máximo Maximorum de projeto e a menor elevação da crista da barragem), com comprometimento da segurança da estrutura (situação de emergência NE-1 não controlada). Parâmetros observáveis: intensificação dos níveis de parâmetros identificados no Nível 1, conforme Ficha N.º 03
GALGAMENTO 2 FICHA Nº 06 Geometria inadequada levando à instabilização global da estrutura, com Fator de Segurança (FS) em análise
de condição drenada próximo à condição limite de equilíbrio (valores de FS inferior a 1,1). A ruptura é iminente ou está ocorrendo.
INSTABILIZAÇÃO 3
Iminência de galgamento da barragem (borda livre menor que 0,20m), em função de deformação no maciço (trincas, escorregamentos, erosões, deslocamentos e/ou recalques de grande magnitude na crista) e/ou falha crítica do sistema extravasor. A ruptura é iminente ou está ocorrendo.
GALGAMENTO 3
Essas ações possuem prioridade de atendimento pela equipe de Operação e Manutenção.
Para a descrição dos RECURSOS DISPONÍVEIS para serem utilizados no tratamento das causas de situações adversas identificadas na barragem, materiais, equipamentos e ferramentas para essas situações, assim como a localização e forma de detecção, consulte o item 9.0.
9.0 RECURSOS MATERIAIS E LOGÍSTICOS DISPONÍVEIS PARA USO EM