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Descrição do Processo de Coleta de Dados

4.5 EIXOS NORTEADORES DA PESQUISA

4.6.2 Descrição do Processo de Coleta de Dados

Conforme mencionado anteriormente, a adesão dos docentes dos cursos de Análise de Sistemas e Sistemas de Informação do DCETII – UNEB foi voluntária. Após obter a aprovação do trabalho, que aconteceu em reunião do colegiado do curso, iniciamos o contato com os docentes do curso para a formação do grupo alvo da pesquisa.

Com os sujeitos definidos, a primeira etapa foi solicitar a documentação necessária para começarmos a nossa análise, através do breve relato da história de vida do docente, além da autorização para acesso do currículo do professor na Plataforma Lattes.

A história de vida foi encaminhada através de e-mail. Essa foi uma etapa difícil, porque foi necessário cobrar várias vezes aos docentes o documento. Fazendo uma análise desta situação, identificamos que não foi uma resistência a contribuir com o trabalho e sim uma resistência a escrever, o que é característico dos profissionais da área de computação.

O curriculum Lattes foi bem mais simples, haja vista ter sido uma tarefa independente do docente. Assim, a pesquisadora fez o acesso à Plataforma LATTES de todos os sujeitos alvo da pesquisa e gravou em meio digital o currículo Lattes completo de cada um, para posterior análise.

As entrevistas aconteceram no mês de outubro de 2013, na sua maioria na própria sede da UNEB. Foram utilizados, como espaço físico, a sala do colegiado do curso e o laboratório de Biologia. Em três situações a entrevista aconteceu em outro espaço de trabalho do docente diferente da UNEB. Em todas as ocasiões, houve tempo suficiente para fazer a entrevista e condições favoráveis: sem interrupções e sem a presença de terceiros (o que poderia causar constrangimento ou direcionar as respostas do docente).

A entrevista foi semiestruturada, composta de sete blocos de perguntas, cada um direcionado para um eixo norteador da pesquisa, identificado durante o processo metodológico, além de um bloco sobre o processo de comunicação na mediação didática.

O roteiro foi construído e testado durante o período do doutoramento sanduiche na Universidade de Aveiro. Cada entrevista foi gravada, com a anuência do docente entrevistado. No entanto, também foram feitas observações ao longo do roteiro durante a entrevista.

As entrevistas fluíram de maneira tranquila. O único problema foi a extensão da maior parte delas, com duração média entre 50 e 60 minutos, em parte pela relação de cordialidade

já estabelecida entre os docentes (entrevistador e entrevistado). Como resultado, os dois últimos blocos de perguntas foram prejudicados, pois ambos já estavam cansados e tinham outras demandas.

Após a entrevista, o conteúdo gravado foi transcrito e impresso para ser analisado em conjunto com o curriculum Lattes e a historia de vida de cada docente do grupo alvo da pesquisa.

Grupo Focal:

Inicialmente não havíamos incluído essa forma de coleta de dados na metodologia da pesquisa. No entanto, durante o exame de qualificação, um dos membros da banca sugeriu que a pesquisa também incorporasse a visão dos alunos sobre o processo de mediação didática do professor da computação e o espaço para o lúdico e o afetivo. Acreditando ser um componente importante para o enriquecimento da nossa pesquisa, aceitamos o desafio e inserimos os alunos no contexto da nossa pesquisa, utilizando como instrumento de coleta de dados a técnica de grupo focal com alunos e egressos de ambos os cursos (Analise de Sistemas e Sistemas de Informação), cuja sessão foi realizada em novembro de 2013.

O grupo focal foi escolhido como técnica de coleta de dados por permitir ao pesquisador obter os dados mais rapidamente do que na técnica de observação (GATTI, 2012), através da promoção da interação entre um grupo discente bastante heterogêneo, fazendo emergir diferentes pontos de vista, críticas, modos de pensar sobre as questões relacionadas à docência no ensino superior: mais especificamente a visão deles – discentes – sobre como é o modelo de docência dos seus professores no curso de computação e qual o espaço concedido por eles para o afetivo e o lúdico no processo de mediação didática.

A seleção do público foi realizada objetivando a participação de um grupo bem diversificado, no que tange ao semestre em curso (foram convidados alunos do quarto semestre letivo até ex-alunos) e ao grau de envolvimento do aluno no curso (alunos mais e menos estudiosos).

De acordo com Gatti (2012), a sessão de grupo focal deve ser composta de um grupo entre seis e doze sujeitos. A autora observa que, embora tenham em comum o interesse sobre o tema a ser discutido, os participantes do grupo devem possuir características que viabilizem o surgimento de diferentes pontos de vista. Nesse aspecto, cometemos um erro: na ansiedade de que houvesse participantes para o grupo, convidamos muitos discentes e o grupo focal foi

realizado com 17 alunos. Não houve problema de espaço físico, mas alguns indivíduos não se pronunciaram. Acreditamos que, se o grupo fosse menor, poderíamos utilizar estratégias que mobilizassem todos os discentes a participar da discussão. Houve apenas uma sessão de grupo focal com os discentes.

Quanto ao espaço físico, foi reservado o laboratório que é utilizado para videoconferência nas dependências da UNEB. Esse laboratório é isolado – no final do corredor – permitindo que os discentes se expressassem sem interrupções ou constrangimentos. Foi feito um semicírculo com as cadeiras, de forma que todos poderiam se ver e ficar no mesmo nível. A sessão foi gravada em vídeo e áudio, com a duração de 90 (noventa) minutos.

4. 7 ANÁLISE DE CONTEÚDO: EM BUSCA DE SIGNIFICADOS

Para a análise e tratamento dos dados nesta pesquisa utilizamos a metodologia de análise de conteúdo. Segundo Bardin (1979), a análise de conteúdo pode ser assim definida:

[...] conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens. (p.42)

A análise de conteúdo procura atender o desejo do rigor científico (caráter objetivo) e ao mesmo tempo a necessidade de descobrir, de ir além das aparências, de buscar o latente (caráter subjetivo) presente nas mensagens. Deve-se observar que nestas mensagens estão inclusas as comunicações verbais (entrevistas, documentos, respostas aos questionários, etc.) e também as comunicações não verbais (gestos, postura, impostação da voz, atitudes, etc.).

Uma das principais funções ou objetivos dessa técnica é a inferência, como pontua BACELAR (2012):

“...uma inferência consciente, tendo como referência a frequência, ou seja, uma análise de indicadores combinados, baseados ou não em indicadores quantitativos. Sendo assim o que caracteriza a análise qualitativa é o fato de a inferência estar relacionada à aparição de uma unidade de registro e não à frequência da sua aparição”. (p. 38)

A análise de conteúdo tem duas funções essenciais que se complementam: a primeira é seu caráter exploratório e a segunda é a verificação das questões levantadas como hipóteses prováveis. Cuidando para que o processo investigativo tenha a precisão necessária, o

pesquisador torna-se uma espécie de detetive, utilizando a mensagem como forma de compreender o seu significado explícito, mas ao mesmo tempo observando as outras significações de natureza diversa, ocultas e implícitas na mesma mensagem.

Bardin (1979) identifica três etapas na análise de conteúdo: a descrição (enumeração das características extraídas das comunicações verbais ou não); a inferência (operação sobre as características para formulação de proposições baseadas na dedução lógica); e a interpretação (atribuição de significados às características e inferências realizadas).

Com efeito, é possível identificar padrões e categorias de comportamentos ao longo de todo o processo de coleta de informações. No caso específico desta pesquisa, enfatizamos a expressão não verbalizada, principalmente durante as entrevistas e o grupo focal, identificando a postura do professor e do aluno, a atenção e direção do olhar de ambos durante as sessões, o nível de ruído e outros fatores existentes na aplicação do instrumento, entre outros. Todos são indicadores fundamentais para a compreensão da dinâmica do docente de computação e do processo de mediação didática no lócus escolhido para o estudo de caso.

5 ANÁLISE DOS DADOS: A DOCÊNCIA NO CURSO DE COMPUTAÇÃO DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – CAMPUS II.

Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece refletido dentro da gente. Rubem Alves

Este capítulo apresenta os dados coletados e as análises realizadas com o objetivo de investigar o modelo de docência vigente no ensino superior de computação, evidenciando, a partir desse diagnóstico, o processo de ensino nesta área e a sua relação com as novas abordagens que incluem não apenas a dimensão cognitiva, mas também as dimensões afetiva e lúdica na mediação didática, na condução de um processo de ensino aprendizagem mais significativo, integrado e orgânico.

Parte das questões norteadoras desta investigação, conforme anteriormente mencionado:

Como ensinam os docentes do ensino superior na área de computação e

informática (qual o modelo de ensino subjacente às suas práticas pedagógicas)?

Como a dimensão lúdica se faz presente em suas práticas pedagógicas (a

partir das concepções dos professores colaboradores da pesquisa)?

Como a dimensão afetiva se faz presente em suas práticas pedagógicas (a

partir das concepções dos professores colaboradores da pesquisa)?

Buscando uma melhor compreensão do processo de descrição e análise dos dados, cada seção apresenta um dos eixos que norteiam a investigação, a saber: Formação docente; Perfil docente; Gestão do processo de ensino e aprendizagem; Mediação didática; Mediação afetiva e Mediação da ludicidade.