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Formulação de partida

DESCRITIVO DO PROCESSO

Damos agora conta, sumariamente, de como é que a investigação, orientada por este traço metodológico, se transformou em processo e em quotidiano. Embora a ‘posição’ – que corresponde a uma ética da investigação – tenha sido clarificada/conceptualizada em fase lançada do projecto, a sua intuição vigorou desde o início. Ela aportava a necessidade de esbater a fronteira entre designer e cidadão, ou mais longe, entre designer e pessoa, dando atenção ao que de visceral, gerador e realmente urgente existe escondido, esquecido, marginal. E também reconhecer isso no ‘outro’ e no contexto: capacidade e obra anónimas, colectivas, design que ‘já lá está’ como prática quotidiana, e que ‘já lá está’ como resultado desde que o saibamos reconhecer, e, também – ou por outras palavras – que ‘pode lá estar’ por via de gestos construtivos que não são obrigatoriamente os do desenho na prancha ou por via do útimo software de modelização disponível. Esta intuição deriva muito especialmente da desilusão sobre a ideia e a prática de projecto, sentidas como máquina produtora de desilusões, aquando da participação em experiências percursoras desta investigação: no exercício profissional no seio da empresa de comunicação A Transformadora (AT); na observação e participação agitadora no contexto de um grupo informal de músicos residentes no Centro Comercial Stop (CCStop) como parte de um trabalho de investigação em Design da Imagem; na contribuição para o projecto de intervenção cultural no centro histórico do Porto, o Manobras no Porto; na participação no medialab Futureplaces. Nestes exercícios sentimos:

›› o criador profissional carece quer de oportunidades de contribuição desinteressada quer de instrumentos de compatibilidade ou proximidade ‘em dobra’ com o real tangível;

›› o criador informal vitimiza-se na falta de alcance consequente para além da sua própria marginalidade;

›› a prestação pública e cidadã vê-se refém da sua própria circunstância e escrutínio, desprovida de espaço para a experimentação e o erro. Ou seja, reconhecemos uma insuficiência transversal da actividade criativa exercida sob a ideia de projecto e sentimos uma incapacidade para fabricar possibilidades de facto, disruptivas e iluminadoras de futuros abertos, partilháveis, consequentes. E por isso foi tomando forma o dilema: no espaço comum que nos envolve hoje, como é que a energia de proposição e mudança vinga ou pode vingar e responder às condições e à complexidade

contemporâneas, prensada mediática e globalmente entre a promessa da descoberta sensível e a imposição violenta de quotidianos em modo de sobrevivência?

Evolução dos casos de estudo

Começámos então a antever o doutoramento como um exercício pedagógico de percepção, construção, composição, narrativa, no qual as experiências directas se sobrepusessem à presunção determinante da forma e do discurso, organizadas no pressuposto da relação próxima e despojadas de objectivos de sobrevivência, despojadas de expectativas mais ou menos induzidas pelo caldo do espaço público que nos cerca, em direcção a algo de mais primordial, sem no entanto se desprover nem de um repertório nem de um propósito.*

Concebemos um primeiro recorte do projecto em quatro casos de estudo – quatro cidadãos da cidade do Porto – que vimos como uma amostra representativa, uma constelação de diferentes circunstâncias de presença e contributo criativo no espaço comum, passível de uma auscultação:

Bruce Geduldig - Oriundo de São Francisco, membro da banda Tuxedomoon7,

criador nómada no circuito independente e que, nessa altura, vivia no Porto, tendo nas mãos o dilema da resolução da sua carreira: um património e um potencial artístico em busca de sequência.

Manuel de Miragaia - Personagem de conexão entre a marginalidade e a estrutura social formal do bairro de Miragaia, no centro histórico do Porto, governador auto-implícito e auto-eleito: uma vida na fronteira da legalidade e do reconhecimento, à procura de legitimação.

Vitor Gonçalves - Alfaiate da baixa do Porto, criador-fazedor exímio, em dilema face à concorrência opressiva do pronto-a-vestir massificado: um saber-fazer precioso e amado, em dilema na aldeia global.

José Luís - Coveiro em Agramonte, cidadão cujo ponto de vista é tomado inevitavelmente por um quotidiano de morte: um cidadão comum que, do isolamento da sua circunstância, se mostrou especialmente lúcido sobre os vivos, disponível para a deambulação.

Ao invés de resolver cada um destes dilemas, visava-se organizar as suas diferentes condições de contributo. Tomávamos como ferramentas de referência as metodologias consagradas da ‘observação participante’ e da

7 http://www.tuxedomoon.co/

*

Por contraste, imaginemos um Projecto de Avaliação dos Impactos Sociais do Design, de grande dimensão, enquadramento institucional e projecção mediática. Um tal projecto contrariaria a própria formulação do problema, afundando-se de imediato nele. Daí uma estratégia de configuração de experiência mínima, circunscrição do espaço comum, físico e de relação.

‘etnografia visual’ – suportadas em ensaios de registos sonoros e de imagem – para privilegiar a presença prolongada e a criação de empatias. Este seria o chão de um percurso em etapas simultâneas e/ou alternadas de presença, desdobramento, descoberta, tradução/síntese, produção, teste, avaliação, em grau máximo de proximidade e mínimo de escala, como definido pelos princípios do projecto. Em suma, tratava-se da circunscrição numa medida inter-pessoal, na qual a complementaridade das personagens e a recusa de quaisquer metas viabilizariam uma posição privilegiada de complexidade mínima para visar o ‘comum’ e o ‘social’ e, no fundo, para exercer um gesto natural e muito caro ao design: olhar para o mundo e discernir nele onde há questões para resolver.

Este propósito inicial sofreu um desvio quando escolhemos a Rádio Manobras como caso de estudo central. Em meados de 2014, quando apurávamos aquela aproximação aos quatro personagens e hesitávamos sobre o momento de iniciar o trabalho de campo, deparámo-nos com esta rádio comunitária do Porto à procura da sua re-invenção. Decidimos envolver-nos no projecto, primeiro pensando que a poderíamos combinar com os casos de estudo em preparação – nomeadamente privilegiando o discurso falado e o som na etnografia a desenvolver – e depois constatando a impossibilidade de facto de abraçar as duas tarefas em simultâneo. Na verdade, o investigador acabou por escolher envolver-se – e ser tomado – de forma directa, comprometida e activa na coordenação da rádio, como forma de estar no caso e na investigação. Reconhecemos que sentimos uma perda e um risco acrescido quanto aos propósitos iniciais, por duas razões fundamentais e interligadas:

›› A Rádio Manobras dificilmente escapa à ideia de projecto – que hoje sentimos como castradora – porque, ao comunicar-se e afirmar-se enquanto entidade, dificilmente escapa a pré-definir-se, limitando os seus possíveis futuros;

›› A Rádio Manobras é uma empreitada colectiva impregnada de tantas visões quantos os intervenientes, e estes trazem para o seu seio a urgência da sua definição, limitando, complexificando, o campo e as condições experimentais.

Ou seja, passámos a agir em nome de uma missão – que aliás ajudámos a definir – num colectivo para o qual cada elemento traz, à sua maneira, as disfunções do ecossistema vigente que conflituam com o ‘comum’ emancipado que se reivindica ou procura. Em todo o caso:

Colocámo-nos ‘fora’ do design, porque o universo rádio não está nele

tradicionalmente inscrito. E, note-se, a acção desta investigação incide no todo do projecto da rádio e não apenas em aspectos tradicionalmente adstritos ao design, como a identidade visual, a marca ou a comunicação do projecto. No entanto estamos ‘dentro’, porque debatemos a identidade do projecto a partir das suas circunstâncias próprias e do espaço de missão que este decide ocupar. O caso visa o ‘fora’ porque tenta abrir, por meio do som e da palavra, um espaço de partilha, de experimentação e de produção, que não faz parte do espectro dos possíveis – nem em rádio, nem até no espaço da cidade que se partilha. No entanto, serve-se do ‘dentro’, porque adopta um conceito e um formato – a rádio – para se definir e comunicar.

O caso vê-se a si próprio ‘fora’ porque reclama para si a libertação da pressão das concretizações e das metas: quer ser rádio voluntária que se abre à experimentação, às vozes não convencionais, ao erro, livre da obrigação de uma solução, de uma finitude, de um resultado recortado, problematizando assim no seu seio a própria ideia de projecto. No entanto está ‘dentro’, porque se vê na necessidade de, para subsistir, aderir à prestação de serviços criativos profissionais, criteriosamente escrutinados pelas lógicas de funcionamento instaladas e que se visa questionar. Na prática, e como exemplos:

›› promove franjas desconhecidas do som e da música, antes de mais impondo a si própria a supressão das produções protegidas por direitos de autor, ao mesmo tempo que se presta a sonorizar a Feira do Livro em modo semi-domesticado pela vontade da vereação municipal;

›› forma discretamente cidadãos para que possam fazer rádio

autonomamente em regime “faça você mesmo”, enquanto responde a encomendas institucionais de lazer guiadas pela lógica do

‘espectáculo-cidadão’;

›› promove nos seus conteúdos a agricultura de proximidade como meio de soberania e concorre a fundos europeus para financiar a sua actividade; ›› vive um quotidiano nómada enquanto cumpre as obrigações formais de

associação cultural.

E, nesta vertigem, procura o que a define, o quê e quem acolhe, o que exclui. Procura tomar consciência do espaço comum que, de facto, ajuda a abrir ou fabricar. Este agir no confronto entre o ‘fora’ e o ‘dentro’ é um opção metodológica induzida pela exploração teórica, mesmo que intuitiva, que fora feita antes. Na

prática, sentimos, neste projecto, como o ‘fora’ precisa do ‘dentro’ e o ‘dentro’ precisa do ‘fora’ como inter-estímulos solicitadores e municiadores, para ambos sobreviverem.* Não é então uma opção entre sair e ficar. É um ‘estar’ permanente e violento simultaneamente no ‘dentro’ e no ‘fora’. Estaremos em deriva pelo universo das possibilidades? Estaremos num jogo socio-político vestindo a personagem de um qualquer Robin Hood? Estaremos a precipitar de forma cristalina o ar que respiramos num punhado de cidadãos iludidos com um projecto? É cedo para precipitar conclusões, mas o dramatismo é tentador. Neste caminho, desde os quatro cidadãos do Porto até à Rádio Manobras, fomos consolidando uma convicção: as experiências passadas que

despoletaram a investigação – AT, CCStop, Manobras no Porto e Futureplaces – devem integrar esta investigação em regime de revisitação, pois neles fomos reconhecendo, cada vez com mais evidência, factores comuns – falências, falhas, centelhas, fenómenos, circunstâncias, factos – clarificáveis pelo seu equacionamento conjunto, dirigido, desejavelmente, ao recorte de condições futuras de acção. Fizémo-lo pela escrita, no capítulo seguinte Casos, ao mesmo tempo que, no terreno, vivíamos a experiência da Rádio Manobras.

Marcos da Investigação ‑ Artigos e apresentações públicas

A escrita de artigos, a presença em conferências, a participação em debates e ainda as apresentações intercalares do projecto foram marcos decisivos no avanço da investigação, por desta terem feito sistematizações parciais e gerais. Os conteúdos foram revertidos para a tese de forma fragmentada e adaptada, na medida em que se mostraram pertinentes para a escrita final. Sumarizamos abaixo as principais presenças, como marcações do percurso e projecções no universo académico. A selecção mostra como trabalhámos a evolução deste projecto tomando como pontos-âncora da nossa geometria os contextos de trabalho anteriores, agora integrados na constelação de casos numa cronologia daquela evolução que vemos como estrutural.

Porto, 20131025

ICOMOS, Seminário sobre regeneração urbana8

Abstract e apresentação, com Heitor Alvelos e Fabio Veríssimo

A apresentação “Alto e siga o baile. O que tem o CCStop a dizer sobre as nossas condições de regeneração” procurou reforçar dimensões humanas e da organização social implicadas em acções de regeneração urbana, tendo como caso de referência o CCStop – Centro Comercial falido enquanto tal,

8 Informação sobre o Seminário em http://www.icomos.pt/index.php/arquivo/42-brevemente

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O ‘dentro’ precisa da prática do ‘fora’ para proce- der à canibalização do seu sentido, e precisa da imagem do ‘fora’ para rentabilizar em termos do mercado. O ‘fora’ tende a perder o seu ‘dentro’.

auto-regenerado pelas bandas de música que o ocuparam em conflito, latente ou explícito, mas permanente, com a cidade formal. O que aparenta ser uma acção colectiva e até consertada de reabilitação, revela, ao perto, um emaranhado de contradições éticas, entrincheiramentos e contaminações culturais disléxicas, que determinam aberturas e bloqueios de uma acção de regeneração efectiva e pacificada, ampliáveis à escala da cidade. O caso trespassa mas excede as categorias tradicionais de classificação, como o baixo e o alto custo, o “de cima para baixo” e o “de baixo para cima”, o institucional e o independente, etc. Na verdade, o que parece faltar são preenchimentos entre este tipo de extremos. Estes preenchimentos são tanto capacidades para conciliar valências como para perceber e valorizar conflitos. Neste sentido, regeneração é também preservação/inclusão do que a cidade vai fazendo emergir por si, fora e dentro do expectável ou planeado. Regeneração implica acolher indícios e acções voláteis ou informais como construções e como propostas de mudança que merecem ser consideradas na negociação de uma equidade dos contributos.9

Porto, 20131030

Futureplaces, Futuros De Incerteza, Lugares De Vulnerabilidade. Em associação com ALTEC2013.

Apresentação

Nesta apresentação, apresentámos comparativamente os casos do CCStop e do Manobras no Porto como espaços de transpiração de diferentes vulnerabilidades e contributos para o tecido sócio-cultural em transformação da e na cidade. Identificámos barreiras e fronteiras – físicas, culturais e formais – a partir das suas escalas e unidades de medida. Nomeadamente, quisemos constatar: que as fronteiras realmente vividas não coincidem, nem no traçado nem na escala, com as fronteiras formais ou mediatizadas; que as competências formais se apresentam em muitos casos como barreiras; que os apoios institucionais e formais tendem a ser em si limites ao que o vivido pede como acção; que a predisposição psicológica e social para a mudança é uma competência em si, frágil e a cultivar. A finalizar, em modo propositivo, foi lançado na mesa o proto-modelo de “Laboratório colectivo de quotidianos”, que traremos a este escrito quando abordarmos em extensão o caso Manobras no Porto.

Porto, 20150227

Doctoral Forum PhDD

Apresentação e participação em debates

Os Fóruns organizados pelo curso permitiram um ponto de situação partilhado do estado do projecto, no qual foi possível testar argumentos, confirmar intuições e receber contributos, bem como indagar a sua utilidade no confronto

9 O tema foi posteriormente reconfigurado e levado a debate, em Julho de 2014, à Avenida dos Aliados, no Porto, à conversa “Espaços Devolutos: Três Perspectivas” integrada na iniciativa geral Homeland - News From Portugal, Bienal de Veneza 2014.

com um conjunto apreciável de projectos de investigação em design. Nesse confronto, fomos reconhecendo neste trabalho um papel aberto e transversal, crítico antes de mais face a si mesmo, à investigação e à disciplina, e por isso capaz de encontrar com facilidade interacção com as restantes investigações, quer recolhendo confirmações fenomenológicas entrosadas nos próprios processos de pesquisa, quer observando a utilidade da nossa posição crítica perante metodologias e objectos diversos. Neste forum, especificamente, fizemos uma actualização da relação entre a geometria conceptual e terminológica da questão e o trabalho de campo então em curso, num

momento em que os conceitos ‘fora’, ‘dentro’ e ‘estado de indagação’ estavam a ser adicionados ao binómio ‘criação’ / ’espaço comum’.

Porto, 20150715

KISMIF, Keep it simple, Make it fast! Crossing Borders of Underground Music Scenes10 Abstract e apresentação, em co-autoria com Heitor Alvelos e Fátima São Simão

The illegibility of the creative act: how a shopping mall became a music hub, and how its exposure may be its worst enemy.”

+

Praga, 20150827

ESA2015, Conferência Anual da European Sociological Association11 Abstract e apresentação, em co-autoria com Heitor Alvelos.

The ideological crossroads of the creative act: how a shopping mall became a music hub, and how it might perversely return to consumption mode.”

A estas duas conferências da área da sociologia levámos o caso do CCStop. O desenvolvimento centrou-se no que identificámos como um fenómeno de (auto-)sabotagem da energia criativa, alimentador de retornos ao estado de consumo passivo. O caso apresenta um momento em que a escala, a visibilidade e a presença da comunidade de músicos do CCStop a confrontaram com o seu reconhecimento por, e a sua relação com, as instituições, a cidade e o espaço mediático. Nesse momento, este ecossistema desenvolvido e fertilizado discretamente pelo improviso e a informalidade, acolheu pelo menos parcialmente a sua domesticação. Debatemos como a urgência de legibilidade, a mistificação, a exotização, a massificação ou o branding são exemplos de instrumentos subtis mas eficazes de esterilização da produção criativa e mesmo do seu ímpeto, por condicionarem o desejo que lhe está na nascença. Reconhecemos este mesmo fenómeno em vários casos e dimensões da produção artística e cultural e assim alargámos o alvo do contributo. Na conferência do Porto, questionámos o papel efectivo dos movimentos de ruptura criativa e artística na contemporaneidade. A Praga, levámos o fenómeno como contributo para a decifração das promiscuidades e violências implicadas nas relações entre consumo e cultura.

10 Informação sobre a Conferência disponível em https://kismif.eventqualia.net/en/2015/home/ 11 Informação sobre a Conferência disponível em http://esa12thconference.eu/

Porto, 20151019-20

UD15, 4º Forum de Investigação em Design12

Artigo e apresentação, em co-autoria com Heitor Alvelos.

Sob o título “A Outra Alternativa. Poderá o design redimir‑se fora de si mesmo?”, desenvolvemos para este segundo fórum do curso o primeiro esboço da metodologia que aqui apresentamos. O argumento de que o design pode encontrar contributos para a sua crítica e actualização fora de si próprio, ainda que pelos seus meios próprios e legítimos, foi sustentada com o esboço da posição metodológica adoptada, associada à constelação de casos. A articulação fez apurar também a relevância do conceito ‘espaço comum’ para aprofundarmos quer a leitura da contemporaneidade e dos seus dilemas quer para apontar nesse espaço e nesta contemporaneidade a revisão do papel da acção criativa e das suas condições.

Madrid, 20151028-30

Radio Research Conference 201513

Abstract e apresentação, com Heitor Alvelos e Daniel Brandão

A apresentação “Can a Cute Puppy Save Your Soul? The existential dilemmas of a community radio station in 2015.” foi o primeiros exercício de sistematização das questões em debate no caso Rádio Manobras, à data já tomado como caso central da investigação. Macroscopicamente, trata-se de confirmar que a indissociabilidade das falhas identificadas no design das da sua circunstância contemporânea é observável, comparativamente, à escala desta rádio e da cidade do Porto. Em detalhe, trata-se de identificar as manifestações desta teia no modo de operar da Rádio Manobras: nos seus princípios e no seu funcionamento técnico, nas relações entre a equipa e desta com a cidade, na distância do cidadão à instituição e da cidade por vasculhar à sedução da cidade estéril na sua aparente fertilidade. Qual é a sua missão possível? Qual é a sua agenda possível? Como se traduz operativamente?

Atenas, 20160702

Autónoma. Towards the Collective City14

Artigo e apresentação, com Sara Moreira

O artigo concretizou um aprofundamento do conceito de ‘espaço comum’, associado ao momento em que a Rádio Manobras perscrutava a possibilidade de se associar a um grupo de associações e movimentos para ocupar um espaço físico e activista na cidade do Porto. Sob o título “Neither public nor private: ‘Baldio’”, analizaram-se a formas rurais e ancestrais de gestão

comunitária – em Portugal os ‘baldios’ – para apurar um conjunto de

12 Informação sobre a Conferência disponível em http://www.ud15.org/

13 Informação sobre a Conferência disponível em http://radioresearch2015.org/radioresearch/ 14 Informação sobre a Conferência disponível em http://www.autonoma.gr

práticas e conceitos contidos na ideia de ‘comum’ e, nesta, na organização social. O estudo destilou três pares de termos fundamentais a partir dos quais podemos ler o ‘comum’: Território e Propriedade, Necessidade e Sustento, Política e Linguagem. O estudo levou-nos ao baldio de Soajo, onde observámos viciações do ‘comum’ que reconhecemos como próximas das que procurávamos resolver no Porto. Colocámos, então, a hipótese de re-equacionar a comunicação e a pedagogia como ferramentas de regeneração.

Marcos da Investigação ‑ Acções paralelas

Assinalamos agora, também, acções periféricas aos casos centrais, que viajam do contexto da investigação para outros mais informais, descomprometidos,