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Desenvolvimento do instrumento e coleta de dados

No documento DA ÁREA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (páginas 52-57)

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.1 Desenvolvimento do instrumento e coleta de dados

Nesta sessão serão apresentados os procedimentos utilizados para a administração do desenvolvimento do instrumento e coleta de dados.

3.1.1 Instrumento

O instrumento (RPQ) foi elaborado no idioma inglês (PRIDDIS; RODGERS, 2018) e submetido ao processo de tradução cross-cultural proposto por Cha et al. (2007). Para a realização do processo, foram contratadas três docentes que lecionam o idioma inglês. Um dos critérios da contratação das docentes era a terem tido experiência profissional ou residência em países de língua inglesa, critério este atendido, atualmente as docentes trabalham em uma tradicional escola de idiomas, situada na cidade de São Paulo.

O questionário foi encaminhado para duas profissionais e traduzido de forma independente, a orientação para a tradução foi que se mantivesse o sentido original das perguntas, proposto no idioma inglês, mas que estivesse no contexto levando em consideração a cultura e o idioma português.

As profissionais procederam sem que houvessem contato e troca de informações entre si e ao término, o conteúdo traduzido foi repassado para a terceira profissional que ficou responsável em verificar se haveria divergências nas traduções, caso houvesse – seria formado um comitê para discutir a tradução adequada, procedimento este que não foi necessário devido à baixa complexidade das palavras utilizadas e ao reduzido número de perguntas do questionário, composto por quarenta perguntas (apêndice C).

Além das perguntas relativas ao RPQ original, foram acrescidas 4 perguntas sobre aprendizagem individual. Esta escala será abordada com detalhe na próxima sessão.

Todas as questões seguiram o modelo proposto pelas autoras, na escala do tipo Likert de seis pontos, na qual o ponto mais baixo era de maneira nenhuma e o máximo era extremamente - 1) De maneira nenhuma; 2) Muito pouco; 3) Um pouco; 4) Moderadamente; 5) Muito; 6) Extremamente, (apêndice D).

Por fim, foram adicionadas oito perguntas que buscavam levantar o perfil do perfil do respondente: 1) Sexo; 2) Faixa Etária; 3) Escolaridade; 4) Estado Civil; 5) Regime de Trabalho; 6) Porte da empresa; 7) Tempo de empresa; 8) Nível hierárquico e, ao final, um espaço para o respondente, caso optasse em fazer eventuais comentários sobre sua experiência com o instrumento.

Aprendizagem Individual

A escolha da aprendizagem individual para compor o RPQ ocorreu pelo fato das hipóteses estarem norteadas para as práticas e capacidades reflexivas influenciam positivamente a aprendizagem individual.

Para avaliar a aprendizagem individual, foi adotada a escala Chan (2003). A escala é dividida em duas estruturas, a primeira aborda a frequência da AI e a segunda aborda a importância da AI.

Foram adotadas duas questões de cada estrutura na escala de Chan (2003) para compor o RPQ. As escolhas destas questões se deram por meio de análise e verificação textual das questões, com o propósito de inserir aquelas que melhor se

enquadravam no contexto reflexivo desta dissertação. As outras questões da escala de Chan sobre aprendizagem individual não atendiam aos requisitos da presente dissertação e foram descartadas.

A escolha da escala de Chan se deu devido à sua validade e utilização em estudos no contexto brasileiro (BIDO et al., 2010; BIDO et al., 2011). Em ambos os estudos, a escala de Chan foi utilizada em dois públicos distintos, o primeiro estudo foi realizado em uma indústria multinacional de produtos plásticos e o segundo, tratava de uma instituição financeira multinacional. Neles, a aprendizagem individual apresentou valores médios mais altos, indicando que os respondentes consideraram importante o aprendizado de rotinas/abordagens novas para seu desenvolvimento como profissional; percebendo, também, as oportunidades para esse aprendizado.

Outras escalas foram pesquisadas no Proquest e analisadas, entre elas a de Liu (2003, p. 164, 177 e 190), que mede a aprendizagem individual, mas sua escala acabava por avaliar, de maneira aprofundada, o sistema de gestão do conhecimento, e a aprendizagem individual ficou em segundo plano. Outra escala encontrada foi de Health (2018, p. 195), mas – assim como a escala de Liu – esta tinha o foco no sistema de gestão, o que ofusca a mensuração da aprendizagem individual.

Pré-teste

A fase do pré-teste, de acordo com Malhotra (2001), é referente à aplicação do questionário para uma pequena amostra de entrevistados com o objetivo de eliminar potenciais problemas.

Para este estudo, os pré-testes foram realizados em duas etapas; a primeira etapa contou com duas pessoas (escolhidas por proximidade física de ambiente e neutralidade) que não exercem a atividade na área de TI, para que – durante a aplicação – elas pudessem ser observadas, e suas observações levariam a melhorias no questionário; subsequentemente, a segunda etapa contou com as melhorias da primeira etapa e a aplicação do teste em profissionais de TI. Foram analisados quatro pontos no pré-teste:

1) Clareza no texto: se o texto estava claro e compreensível. Apesar de haver apontamentos de algumas questões serem parecidas, não houve ajustes neste quesito.

2) Tamanho da apresentação do questionário: se o questionário estava extenso. Não houve ajuste neste quesito.

3) Tempo para preenchimento: o tempo para responder o questionário por completo. Foram gastos nove minutos para o preenchimento completo do questionário; apesar do tempo dispendido, não houve observações neste quesito.

4) Feedback: solicitação de feedback sobre o questionário. As respostas foram de que: (i) “Havia perguntas muito parecidas, mas que não era a mesma coisa.”, (ii) “Como era pergunta e resposta de múltipla escolha facilitou a para responder.”, (iii) “Tinha pergunta que acabei sem querer deixando de responder, mas fui avisada pelo site e voltei e respondi, isso foi legal.”

Para a segunda etapa do pré-teste, o questionário foi aplicado em funcionários da área de TI em uma empresa que atuam no departamento de desenvolvimento e implantação de sistemas. Apesar dos respondentes serem de uma única empresa, uma das respondentes solicitou a autorização para enviar para sua rede de contatos, devido aos insights tidos por ela e por seus colegas de departamento. O envio do questionário foi autorizado e gerou um total de 32 respondentes nesta fase.

Foram analisados os comentários dos respondentes e os dados e, os principais pontos de melhoria o instrumento necessitava eram:

1) A inserção de uma pergunta prévia ao questionário para filtrar e aceitar somente os respondentes que atuavam em TI e nos segmentos anunciados; 2) Todas as perguntas deveriam ser tratadas como obrigatórias para evitar

eventuais perdas de dados;

3) Colocar ao final do RPQ as oito questões que abordavam o perfil dos respondentes;

4) Deixar um campo para a pessoa inserir o e-mail caso desejasse receber o resultado do estudo.

Após os ajustes das perguntas para “obrigatórias”, inserção da pergunta prévia e campo opcional para inserir o e-mail realizados o questionário seguiu para a aplicação da pesquisa.

3.1.2 Coleta de dados

Foram estabelecidos alguns critérios de inclusão e exclusão para os participantes do presente estudo: (i) serem profissionais da área de Tecnologia da

Informação (TI); (ii) estarem, em posições iniciais como Auxiliar ou Assistente, chegando até o cargo de Direção; (iii) inclusão de profissionais em modalidade Pessoa Jurídica e Autônomo.

Com relação às suas atividades, o participante da pesquisa deveria realizar funções em: Banco de Dados; Rede; Levantamento de Dados; Implantação de Sistemas; Melhorias de Sistemas; Suporte de Sistemas; Modelagem de Processos e atividades afins.

A estratégia de pesquisa foi o survey. De acordo com Hair et al. (2006, p. 157), “[...] o survey é um procedimento para levantamento de dados primários a partir de indivíduos”. Segundo os autores, existem algumas formas adequadas de se aplicar um questionário. As principais técnicas utilizadas para a condução da coleta dos dados são: administração de questionários para que o indivíduo responda (por meio eletrônico ou correio), entrevista pessoal, telefone ou videoconferência.

Para a condução do presente estudo, a coleta dos dados foi realizada por meio eletrônico e por meio impresso, pessoalmente. Para o meio eletrônico, o questionário foi redigido no Google Formulários; esta plataforma gera um link, o qual foi enviado aos participantes por e-mail, mensagens privativas e postagens em redes sociais (LinkedIn e Facebook).

Nos estudos elaborados por Buchanan e Smith (1999), a comparação dos resultados obtidos de uma mesma escala respondida via impresso e via eletrônica mostram que a análise fatorial indicou que a versão on-line obteve características semelhantes à versão impressa. Os autores ainda argumentam terem encontrado uma superioridade razoável da versão digital, pois foi observado um nível de confiabilidade e de ajuste da análise fatorial confirmatória levemente superior ao encontrado na leitura.

O envio do questionário eletrônico ocorreu por três formas, a primeira foi por meio do contato telefônico com empresas de diversos segmento de TI, realizando a apresentação pessoal e da pesquisa, solicitando a autorização para enviar o conteúdo por e-mail; a segunda forma foi divulgando o estudo e o link do questionário em fóruns e grupos especializados de profissionais do segmento; e, finalmente, a terceira forma foi a pesquisa de profissionais na rede social LinkedIn, onde foi enviado o convite para fazer parte da rede de contato e, após a aceitação, foi encaminhado a apresentação pessoal e do estudo, solicitando a autorização do envio do link com o formulário eletrônico.

Para a aplicação do questionário impresso, foi realizado o contato com o coordenador dos cursos de Ciências da Computação e Tecnólogo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas de uma universidade privada e confessional situada na cidade de São Paulo. O conteúdo foi apresentado ao coordenador, o qual – após tomar conhecimento – autorizou prontamente e indicou a quais salas ir, bem como quais seriam os professores abordar. Os alunos que responderam eram do período noturno, por recomendação do coordenador, visto que o objetivo era aplicar em alunos que estavam no mercado de trabalho.

Na aplicação do questionário impresso foi solicitado que apenas os alunos que estivessem no mercado de trabalho e atuando na área respondessem ao questionário. Por serem alunos que estavam no último ano de graduação, a maioria atendeu ao perfil.

Após a aplicação do modelo impresso, as respostas foram repassadas para o formato eletrônico, armazenando todos os dados em uma única base.

A aplicação do questionário eletrônico e impresso transcorreu no período de 12 de setembro de 2018 a 18 de outubro de 2018, totalizando 317 respondentes.

Não foi possível mensurar a quantidade de indivíduos que foram contatados para responder o questionário, pelo fato de que alguns participantes repassarem para os contatos de suas redes profissionais, alguns indivíduos receberam o convite para responder ao questionário pelo modelo eletrônico (e-mail direto, indireto, mensagens e posts) e repassaram a sua rede de contatos.

O questionário foi respondido com sigilo e de forma anônima pelos participantes nas duas formas.

No documento DA ÁREA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (páginas 52-57)