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TÓPICO 3 - PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO EM SAÚDE DO TRABALHO

2.4 DESENVOLVIMENTO DO PCMSO

A legislação não especificou um modelo para ser seguido a fim de elaborar o

programa. Tudo irá depender dos riscos existentes na empresa, do esforço realizado

e das características de cada grupo de empregados. Para algumas empresas, poderá

existir apenas a realização de avaliações clínicas de rotina; para outras, poderá

ser aprofundado, contendo avaliações clínicas, exames toxicológicos, avaliações

epidemiológicas, entre outros (BARSANO; BARBOSA, 2012).

Bensoussan et al. (2010) afirmam que qualquer que seja a estrutura utilizada,

ela sempre deverá existir, e não é porque não há necessidade de um modelo padrão

que será admitida a redução a um simples parágrafo, e mesmo havendo ausência

de riscos ambientais e ergonômicos, deverá haver algum respaldo de metodologia.

Inicialmente é necessário realizar um estudo prévio para identificar se há

riscos e nominá-los, por meio de visitas, exames, conversas com os trabalhadores

e análise das informações contidas no PPRA. Por meio desse levantamento de

riscos, alia-se exames clínicos e complementares próprios para cada grupo de

trabalhadores.

Vamos seguir a ideia de Bensoussan et al. (2010) para sugerir modelo de

estruturação do PCMSO:

IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA

RECONHECIMENTO DE RISCOS

Dessa forma, vamos especificar quais os itens que necessitam constar em

cada categoria:

a) Identificação da empresa: razão social, endereço, CGC, ramo de atividade e

seu respectivo grau de risco, quantidade de trabalhadores e sua distribuição

por sexo, horários de trabalho e turnos.

b) Reconhecimento de risco: realizar visita no local, fazer a coleta de informações,

verificar as condições de trabalho, utilizar a CIPA e o PPRA como auxílio.

c) Procedimentos: verificar a necessidade de avaliação clínica, exames

complementares e elaborar relatório anual.

Conforme Barsano e Barbosa (2012), o PCMSO deve incluir a realização

obrigatória dos seguintes exames:

a) Admissional: realizado antes de o trabalhador assumir suas atividades na

empresa.

b) Periódico: realizado de acordo com o cronograma do médico do trabalho,

baseado na análise de riscos por setor e função, bem como a idade da pessoa.

c) Retorno ao trabalho: é realizado quando o trabalhador retorna ao trabalho,

após 30 dias, em função de doença ou acidente, este exame deve ser feito no

primeiro dia da volta ao trabalho.

d) Mudança de função: realizado obrigatoriamente, antes da data da mudança.

e) Demissional: deverá ser feito até a data da homologação da dispensa, desde que

o último exame médico ocupacional tenha sido realizado há mais de 135 dias

para as empresas de grau de risco 1 e 2 e 90 dias para as de grau de risco 3 e 4.

Mudança de função é toda e qualquer alteração de atividade, posto de trabalho ou

de setor, que exponha o trabalhador a risco diferente do que estava exposto antes da mudança.

UNI

Para cada um desses exames realizados, o médico emitirá um Atestado de

Saúde Ocupacional, também conhecido por ASO, em duas vias, sendo que uma

ficará arquivada na empresa e a outra deve ser entregue ao trabalhador.

FIGURA 16 – MODELO DE ASO

FONTE: <https://guilhermecapucci.wordpress.com/2012/09/27/aso/>.

Acesso em: 3 set. 2017.

Todas as informações dos trabalhadores, adquiridas por meio dos exames,

ficarão sob responsabilidade do médico coordenador e deverão ser mantidas por um

período mínimo de 20 anos, após o desligamento do trabalhador (CAMPOS, 2016).

Não confunda a periodicidade do PCMSO, que é de um ano, e do exame

periódico, pois são prazos diferentes, veja na figura a seguir.

NOME E ENDEREÇO

ATESTADO DE SAÚDE OCUPACIONAL - ASO

Tipo de exame:

[ ] Admissional [ ] Periódico [ ] Demissonal

[ ] De retorno ao trabalho [ ] De mudança de função

Atestamos que o(a) Sr(a) ______________________________ , identidade n° _________________

submeteu-se a avaliação de saúde em conformidade com a NR-7 da Portaria n° 3214/78, sendo

o(a) mesmo(a) considerado(a) [ ] apto [ ] inapto(a) para a função de:

A presente avaliação constou dos procedimentos abaixo discriminados:

Exames realizados Data

Riscos ocupacionais específicos existentes na atividade do empregado:

Observações:

1. A 1ª via deste atestado deverá ficar arquivada no local de trabalho à disposição da fiscalização

do trabalho, sendo que a 2ª via deverá ser obrigatoriamente entregue ao trabalhador;

2. Os dados obtidos na presente avaliação estão registrados em prontuário clínico individual

sob responsabilidade do médico encarregado do exame.

Nome e CRM do médico-coordenador do PCMSO:

____________________________________________________________________________________

, de de

_____________________________________

DR.

CRM n°

____________________________________________________________________________________

Declaro que recebi a 2ª via deste documento.

Em ___/____/_____.

_____________________________________

FIGURA 17 – PERIODICIDADE DO EXAME PERIÓDICO

FONTE: <http://ambientesst.com.br/pcmso>. Acesso em: 6 set. 2017.

3 RELAÇÃO ENTRE O PPRA E O LTCAT

Já estudamos o que é LTCAT e PPRA, então você já consegue estabelecer

uma relação entre eles? Certamente você consegue conceituar cada um deles, então

vamos começar relembrando que LTCAT é um laudo e PPRA é um programa.

Muito bem, primeiramente estabelecemos uma diferença entre eles, então vamos

continuar estabelecendo o que há de diferente, conforme a figura abaixo:

FIGURA 18 – DIFERENÇA ENTRE LTCAT E PPRA

FONTE: <http://www.saudeesegurancanotrabalho.org/ltcat_ppra>.

Acesso em: 6 set. 2017.

Então, após essas observações, podemos continuar nossos estudos com

propriedade e dizer que o PPRA é um programa com a finalidade de identificar,

reduzir e eliminar os riscos existentes no ambiente de trabalho, servindo de base

para a elaboração do PCMSO.

Programa é uma proposição de um projeto que se pretende executar.

UNI

Mas a pergunta principal é: qual a relação entre o PPRA e o LTCAT?

Já que o PPRA é um programa que tem a finalidade de prevenir a saúde

dos trabalhadores, isso é feito por meio do reconhecimento dos agentes agressores

nos postos de trabalho, dessa forma, são elaboradas ações para atingir a meta do

programa. É importante destacar que o LTCAT pode ser um dos documentos que

integram as ações do PPRA.

Laudo é um texto em que um especialista emite sua opinião em resposta a

uma consulta.

UNI

O LTCAT surge para retratar as condições do ambiente de trabalho,

de acordo com as avaliações dos riscos e verificar se os agentes podem gerar

insalubridade para os trabalhadores expostos, dessa forma ele é considerado um

documento técnico, de caráter pericial (CAMPOS, 2016).

Finalizando o pensamento, o PPRA mostra os riscos e os agentes que

podem provocar agravos à saúde do trabalhador, enquanto que o LTCAT

quantifica os agentes agressivos, indicando o direito à insalubridade, bem como

o direito à aposentadoria especial.

4 PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO

4.1 CONCEITO

Para Campos (2016), o Perfil Profissiográfico Previdenciário, também mais

facilmente conhecido por PPP, é um documento histórico laboral e individual do

trabalhador que presta serviço à empresa.

Bensoussan at al. (2010) complementam esse conceito indicando que o PPP

é um formulário com campos que deve ser preenchido pela empresa com a qual o

trabalhador tem vínculo, não esquecendo de colocar todas as informações referentes

ao histórico laboral do empregado, como a atividade que exerce, o tipo de agente

nocivo a que ficou exposto, exames médicos, além de outros dados relevantes.

Conforme Campos (2016), o preenchimento do formulário PPP está

embasado pelo artigo 68, parágrafo 8º do Decreto nº 4.032/2001, do INSS, sendo

que o modelo foi fornecido pelo INSS, e, entre várias funções, deve conter registros

ambientais, resultado de monitoração biológica e dados administrativos.

Dessa forma, entendemos que o PPP é um documento histórico, ligado

à atividade laboral do empregado, cujo formulário a ser preenchido é instituído

pelo INSS, com vários campos a serem preenchidos referentes ao ambiente de

trabalho do trabalhador e com informações administrativas.

Bensoussan et al. (2010) sinalizam que o formulário deve ser preenchido

pelas empresas em que o trabalhador teve vínculo e ficou exposto aos agentes

nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à

saúde, visando a concessão de aposentadoria especial após 15, 20 ou 25 anos de

contribuição, dependendo da comprovação quanto à exposição do agente.

É interessante destacar que o PPP será exigido para os períodos de

atividade exercida sob condições especiais, apenas a partir de 14 de outubro de

1996, com exceção do agente nocivo ruído, que exige demonstração do laudo

para todos os períodos declarados (BENSOUSSAN et al., 2010).

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