CAPÍTULO III DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
5. Desenvolvimento do processo de Supervisão: papel do formando
O próximo grupo de resultados diz respeito ao papel desempenhado pelo formando ao longo do processo formativo. O enfoque recai sobre (i) o grau de importância da actuação do formando no desempenho do seu papel segundo as características enunciadas no questionário e (ii) o seu parecer relativamente ao desenvolvimento de competências de auto-gestão.
No respeitante ao primeiro item citado, passamos à apresentação das características em análise, enunciadas na tabela 12.
Tabela 12 - Código utilizado graficamente para referir as características do formando
Papéis do formando
1 responsável pelo seu processo de construção de conhecimento 2 responsável pela construção colaborativa de conhecimento do grupo
3 possuidor de um certo grau de autonomia (escolher prioridades, estratégias de aprendizagem, organização de horário, decidir sobre a pertinência da informação…) 4 detentor de objectivos a alcançar
5 detentor de competências auto-reflexivas/reflexivas
6 activo na interacção dentro do grupo com opinião fundamentada 7 respeitador da diversidade de opiniões do grupo
8 respeitador do ritmo de interacção dos colegas do grupo na comunidade 9 auto-gestor do seu tempo
10 detentor de autodisciplina 11 detentor de capacidade crítica
Apresenta-se na figura 19 a disposição gráfica das expectativas dos formandos em relação ao desempenho do seu papel.
Os inquiridos situam maioritariamente as suas expectativas entre as menções Importante e Muito importante. Consideram Importante as características de ser “detentor de objectivos a alcançar” e “detentor de autodisciplina” com 66,7%. Com igual percentagem, 58,3%, surgem as características de ser “responsável pela construção
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colaborativa de conhecimento do grupo”, ser “detentor de competências auto- reflexivas/reflexivas”, ser “activo na interacção dentro do grupo com opinião fundamentada” e ser “auto-gestor do seu tempo”, respectivamente. As características não mencionadas na menção Importante obtiveram resultados mais expressivos na menção Muito importante, como são exemplo as características “respeitador da diversidade de opiniões do grupo” e “respeitador do ritmo de interacção dos colegas do grupo na comunidade”, com 66,7%, e ser “responsável pelo seu processo de construção de conhecimento”, com 58,3%. Encontra-se um registo na menção Pouco importante para a característica “detentor de capacidade crítica”.
Figura 19 - Expectativas dos formandos relativamente ao desempenho do seu papel na formação (questionário inicial). O código utilizado de 1 a 11 está referido na tabela 12
Após o processo formativo essa consciência toma contornos mais expressivos, possivelmente, motivados pela tomada de consciência da importância do trabalho colaborativo numa acção de formação a distância, conforme retrata a figura 20. Algumas das características que eram anteriormente qualificadas com a menção Muito importante,
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passaram a ter uma menor importância, após a formação, mas dentro do espectro Importante, tais como “respeitador da diversidade de opiniões do grupo”, com 40%, “respeitador do ritmo de interacção dos colegas do grupo na comunidade”, com 50%, “detentor de capacidade crítica”, com 60%, “auto-gestor do seu tempo” e “detentor de competências auto-reflexivas/reflexivas”, com 70%, respectivamente.
Regista-se ainda uma ligeira subida da menção Muito importante para as características “responsável pelo seu processo de construção de conhecimento”, “responsável pela construção colaborativa de conhecimento do grupo” e “possuidor de um certo grau de autonomia (escolher prioridades, estratégias de aprendizagem, organização de horário, decidir sobre a pertinência da informação…)”, com 60%, respectivamente. As características “detentor de objectivos a alcançar” e “detentor de autodisciplina” alcançam 50%, respectivamente. A característica “activo na interacção dentro do grupo com opinião fundamentada” reuniu a mesma percentagem, 50%, para as menções Importante e Muito importante.
Figura 20 - Percepções finais dos formandos relativamente ao desempenho do seu papel na formação (questionário final). O código utilizado de 1 a 11 está referido na tabela 12
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Com o intuito de exemplificar o exposto anteriormente, seguem-se alguns relatos presentes na auto-avaliação dos portefólios dos formandos ilustrativos das suas opiniões:
“A fim de melhorar a qualidade e sustentar as minhas opiniões, procurei fundamentar a maior parte indicando as fontes bibliográficas e/ou informáticas e sustentar estas com recurso a clipes de vídeo e/ou imagens.”
Auto-avaliação do portefólio – formando 8 “ …acho que a capacidade de problematizar as questões em análise de certo modo traduz-se na qualidade das nossas interacções…diminuímos essa capacidade e posteriormente melhoramos novamente. Quando há menos interacção dificilmente conseguimos problematizar questões… para tal é necessária reflexão e muita interacção!”
Auto-avaliação do portefólio – formando 10 “Tenho que enaltecer a capacidade crítica e reflexiva dos elementos do grupo que tem sido fulcral para a qualidade das interacções”
Auto-avaliação do portefólio – formando 6
Em jeito de síntese, e em relação ao papel desempenhado pelos formandos no decorrer do processo formativo, podemos concluir que as suas percepções vão ao encontro da importância do seu papel no desenvolvimento do processo de aprendizagem colaborativo. Conscientes do mesmo, dão importância à responsabilidade que lhes cabe na construção do seu próprio conhecimento e na construção colaborativa do conhecimento do grupo bem como à detenção de competências auto-reflexivas/reflexivas, ao nível de interacção no seio do grupo, à auto-gestão do tempo e ao grau de autonomia. Para fundamentar o que anteriormente se referiu, a investigadora procedeu ao cruzamento das características do formando com as interacções ocorridas na plataforma “Moodle” entre formandos (anexo 6).