O termo cluster empresarial foi inicialmente trazido por Porter (1990), onde o autor ressalta a importância da região geográfica para o desenvolvimento econômico. No presente trabalho, cluster e aglomerado são utilizados como sinônimos.
No entanto, a ideia de aglomerados produtivos pode ser remetida a Alfred Marshall (1920) em seu livro Principles of Economics, onde além dos conceitos de demanda, oferta e custos de produção, o economista considera que aglomerados empresariais especializados, impulsionam a economia de uma localidade.
A chamada trindade de Marshall (1920) apresenta como fonte de concentrações geográficas três fatores: fornecedores especializados de insumos, mercados robustos de mão-de-obra especializada e, spillovers (extravasar) de informação. O efeito spillover é um termo econômico que expressa o fato de uma atividade criar externalidades, afetando aqueles que não estão diretamente envolvidos no processo, mas estão próximos.
Neste sentido, Porter (1990) acredita que a verdadeira fonte de prosperidade nacional não é herdada, como alguns economistas clássicos pensavam, mas ela pode ser criada. O pensamento econômico prevalecente, diz que os maiores determinantes de competitividade nacional são os dotes naturais (endowments) de um país, aliado a sua força de trabalho, as taxas de juros, ao valor de sua moeda e as economias de escala (fatores macroeconômicos).
Desta forma, os governos nacionais promovem políticas para melhorar a competitividade de suas organizações, se esforçando para gerir taxas de câmbio e políticas comerciais, dentre outras medidas, que acabam tendo função inversa, diminuindo o poder competitivo do país (PORTER, 1990). Observa-se então, que Porter (1990) ressalta a necessidade de um ponto de vista diferente sobre os modelos de desenvolvimento das economias nacionais. Uma perspectiva que passe da interferência estatal macroeconômica para uma nova forma, baseada em clusters (aglomerados) empresariais.
O ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman (1991), evidência a importância da localidade para a economia. Ele também afirma que o local geográfico de produção de indústrias especificas é importante para a determinação do sucesso, tanto do segmento quanto de uma empresa. Em certas regiões, as companhias
se especializam em algum tipo de indústria e se beneficiam desta aglomeração especializada.
Cluster é um grupo geograficamente concentrado de companhias e instituições interligadas e associadas em um setor específico da economia, vinculadas por complementariedades e aspectos comuns, podendo assumir formatos distintos que dependem de sua profundidade e sofisticação. Normalmente, os aglomerados incluem organizações de serviços, fornecedores de insumos específicos, máquinas e serviços, instituições financeiras, empresas em setores correlatos, fabricantes de produtos complementares, fornecedores de infraestrutura especialmente produzida, centros universitários e técnicos de conhecimento e inovação (PORTER, 1998).
Os clusters apresentam uma perspectiva diferente sobre a maneira de compreender a economia, promover as políticas públicas e pensar o desenvolvimento econômico. Este modo de desenvolvimento da economia revela insights sobre o potencial de produtividade de uma região econômica e sobre os fatores que podem impedir o seu progresso futuro. Este tipo de abordagem estimula e propõe a competitividade de forma ampliada, indo de uma abordagem com foco na empresa individual para uma centrada na região geográfica (PORTER, 1998).
Fica evidente que a economia não são pontos sem dimensões no espaço, e que a dimensão espacial é importante para a natureza das forças econômicas. A região onde as empresas de um setor econômico se encontram, devido a localização conjunta de fatores produtivos especializados, favorecem a produtividade e o desenvolvimento econômico de uma localidade (KRUGMAN, 1991).
Esta forma de desenvolvimento econômico e empresarial, os aglomerados industriais, são encontrados em diversas regiões do planeta, sendo que algumas localidades se tornaram referências mundiais em certos produtos e serviços.
No estado da Califórnia, nos Estados Unidos da América, se encontra o Silicon Valley, região que possuí um cluster de tecnologia da computação, onde empresas como Google, Apple, e-Bay, Cisco Systems, Intel, dentre outras, possuem seus headquarters. Também neste mesmo estado americano, outra referência mundial em aglomerado pode ser encontrada, o da indústria do entretenimento e suas correlatas, em Hollywood. Outro cluster de entretenimento pode ser encontrado na região próxima a cidade de Orlando, na Flórida, onde está a Disney e a Universal Studios.
Na Europa, na região norte da Itália, pode ser encontrado um cluster de automóveis esportivos, sendo a casa de empresas como
Ferrari, Lamborghini e Maserati. Na França, na região de Champagne, existe um aglomerado de empresas produtoras de vinho, assim como na região do Porto, em Portugal.
Estes foram apenas alguns exemplos, dentre os mais renomados clusters. No entanto, esta forma de desenvolvimento econômico é encontrada em diversas regiões em economias desenvolvidas e em desenvolvimento. Isto ocorre pois fortes capacidades locais em logística, oferta de pessoas capacitadas, rivalidade entre empresas e bons fornecedores, impulsionam a produtividade local e, consequentemente, sua competitividade (VAN DER LINDE, 2003).
A facilidade obtida em transporte e comunicação levaram companhias a mudarem muitas de suas instalações para outras localidades ao redor do globo. Entretanto, com o passar do tempo, verificou-se que ganhos momentâneos devido a salários mais baixos, não fazem parte de uma estratégia que vise sustentar a empresa no longo prazo. Apesar de existir um fornecimento global de insumos, promovido pela globalização, a aquisição de insumos à distância não cria vantagens competitivas. Além disso, o outsourcing (produzir fora) normalmente não é uma melhor solução do que ter acesso a um cluster competitivo local, considerando a produtividade e a inovação. Resumindo o paradoxo da globalização, a teoria dos aglomerados, considera que as vantagens competitivas mais duráveis e sustentáveis em uma economia global, surgem da valorização da economia local (PORTER, 2000).
A competitividade de um Estado, assim como de uma região, depende de sua habilidade em inovar e atualizar constantemente suas indústrias. Para as firmas terem vantagens contra as melhores competidores globais, elas necessitam de rivais domésticos fortes, fornecedores locais aguerridos e clientes regionais com altos níveis de exigências, ou seja, fatores que pressionem para a melhoria constante de sua produtividade (PORTER, 2000; VAN DER LINDE, 2003). Desta maneira, o conceito atual que melhor define competitividade, passa a ser produtividade (PORTER, 2000).
Nesta perspectiva, no momento em que a rivalidade se torna cada vez mais global, a localidade tornou-se ainda mais essencial, pois a vantagem competitiva é criada e mantida de forma localizada. Desta maneira, estruturas econômicas, valores específicos de cada nação, cultura, instituições, tudo isto contribui para o sucesso em competitividade. Existem diferenças significativas no nível de rivalidade em todos os países, sendo que nenhuma nação é competitiva em todas as indústrias. Algumas são bem sucedidas internacionalmente porque o
ambiente doméstico é visionário, dinâmico e desafiador (PORTER, 2000).
Desta forma, para Porter (1998), o conceito de clusters sugere que uma parte significativa da vantagem competitiva é produzida fora dos muros de uma empresa, ou mesmo, de seu segmento industrial. Diversas firmas de uma região, nascem e prosperam por terem surgido em determinada localidade e, as companhias só tem a ganhar, se fomentarem o desenvolvimento de outras organizações em sua periferia. Assim, para os investimentos em localidade serem rentáveis por um período longo, a região como um todo deve ter um crescimento econômico mais dinâmico. A importância dos clusters é tamanha, que esta forma de pensar o desenvolvimento econômico e organizacional, cria uma nova perspectiva para a gestão que raramente é reconhecida por políticos e líderes empresariais (PORTER, 1998).
A prosperidade de um local depende da produtividade das firmas baseadas naquele lugar. Por sua vez, a sofisticação e produtividade nas quais companhias competem em um local geográfico peculiar, é fortemente influenciada pela qualidade do ambiente de negócios nesta região. A perspectiva de desenvolvimento econômico através de clusters considera além de um único segmento industrial, ela captura complementariedades, conexões importantes, spillovers tecnológicos e de informação, marketing e imperativos dos clientes, que atravessam os limites das firmas e de suas indústrias (PORTER, 1998).