2 GESTÃO SOCIAL: UMA IDEIA INOVADORA PARA A ADMINISTRAÇÃO DO
3.1 Desenvolvimento Local e Regional / Endógeno / Territorial
As teorias de desenvolvimento têm-se sucedido ao longo do século passado na tentativa de explicar as desigualdades socioeconômicas das nações e dos povos (ALLEBRANDT, 2007). “Pensar o desenvolvimento local e regional importa, necessariamente, uma profunda transformação das relações sociais – não apenas dos processos técnicos de produção – mas também incluída a preservação ambiental”, (p. 40). O objetivo dessas estratégias, programas e projetos de desenvolvimento é garantir melhores condições materiais e a sustentabilidade da sociedade, conforme as suas condições e vocações.
Em seus estudos sobre os sentidos utópicos do desenvolvimento local, Fischer questiona se o desenvolvimento local seria uma nova utopia. Ao escrever sobre o assunto, a autora baseia-se em alguns autores, como Morus, Sanches e Esteve, e conclui que o desenvolvimento é uma rede de conceitos que podem estar diretamente ligados aos adjetivos “local, integrado e sustentável”. A autora traça uma linha do tempo ao conceito de desenvolvimento. No século XVIII, o termo esteve associado ao movimento de um ser vivo do estágio inicial até aquele da forma acabada, relacionado aos termos usados na área da biologia, os quais tiveram início com Charles Darwin. No final desse século, ocorre a transferência para a área social. Porém, é no século seguinte (sob influência de Darwin) que desenvolvimento passa a ser o movimento em direção a uma forma sempre mais perfeita de um determinado ser. A partir de então, “desenvolvimento e evolução passam a ser sinônimos” (FISCHER, 2002, p. 17).
Já Tenório (2007) explica que o desenvolvimento local busca o entendimento das metodologias que levam ao crescimento, havendo diferentes posições, como reduzir as disparidades inter-regionais no sentido do funcionamento dos mecanismos de mercado; a incapacidade de ocorrer essa redução por via de mercado; e mecanismos de mercado naturalmente concentrados.
O autor trabalha com o conceito de que desenvolvimento local é mais do que a ideia de que o mercado é suficiente para resolver as desigualdades ou de que a ação estatal isolada garante o desenvolvimento. Para superar a visão estadocêntrica ou mercadocêntrica do desenvolvimento, novos conceitos surgem sobre o tema, e passa-se a conceber a ideia de que “o desenvolvimento local procura reforçar a potencialidade do território mediante ações endógenas, articuladas pelos seus diferentes atores, que são: sociedade civil, poder público e o mercado” (TENÓRIO, 2007, p. 73).
O desenvolvimento regional expandiu a ideia de que o crescimento das economias subnacionais seria maior conforme o número de projetos de investimentos fundamentados nas organizações de polos ou complexos industriais. Estes agrupamentos produtivos (polos de desenvolvimento e complexos industriais) tiveram ênfase nos Planos Nacionais de Desenvolvimento arquitetados e executados nos anos 60 e 70 (TENÓRIO, 2007). No Brasil, os grandes projetos de investimentos deveram-se, principalmente, aos custos relacionados aos danos ao meio ambiente e ao processo de desenvolvimento socioeconômico de áreas periféricas. Tenório define três dimensões desses danos: política, social e técnica:
a) Do ponto de vista político, a maioria desses projetos foi concebida e posta em prática durante um período de autoritarismo político, no qual os grupos mais afetados pelos danos sociais e ecológicos não tiveram a oportunidade de manifestar suas críticas, propostas ou dissidências.
b) Do ponto de vista social, muitos desses projetos ocorreram numa etapa histórica, na qual a consciência ecológica ainda não estava presente como força contestatória junto a opinião pública nacional.
c) Do ponto de vista técnico registra-se que, na análise e avaliação desses projetos para fins de financiamento, não se incorporavam, nos seus fluxos de caixa, os custos sociais e ecológicos de sua instalação e operação, visando a obter algum critério de investimento que calculasse a rentabilidade social dos projetos, incluindo as suas externalidades (impactos ambientais) (TENÓRIO, 2007, p. 83).
Esses projetos são questionados devido aos impactos negativos, locais e regionais, conforme as críticas que se fazem às experiências de desenvolvimento a partir do paradigma “de cima para baixo”, às características de enclave dos grandes investimentos na exploração da base de recursos naturais de uma região (TENÓRIO, 2007). “O desenvolvimento local deve se dar por dentro de processos participativos nos quais a cidadania, de forma individual ou por meio de seus diferentes agentes na sociedade civil, em diálogo com o poder público e o mercado, propõe soluções planejadas em prol do local/regional” (TENÓRIO, 2007, p. 101). Por isso, a preocupação deve estar concentrada no processo decisório, na solução dos
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problemas locais, do “como” e não do “através”; da participação e não do mecanismo: de governo, da sociedade civil ou do mercado (TENÓRIO, 2007).
As comunidades locais passaram por um intenso processo de aprendizagem relativamente ao fenômeno do ajuste e da reestruturação produtiva. “Frente a problemas como o desemprego, queda de produção e perda de mercados, os administradores locais têm-se colocado a necessidade de aprimorar a resposta local aos desafios representados pelo aumento da concorrência e pelas mudanças na demanda” (BARQUERO, 2001, p. 198). Barquero ressalta que é necessário resolver duas questões relacionadas ao local: como conseguir que as economias locais passem a estar mais integradas à economia internacional? como fazer com que seus sistemas produtivos se tornem mais competitivos? O autor propõe como solução a reestruturação do sistema econômico e no ajuste do modelo institucional, cultural e social de cada território às mudanças do entorno e da concorrência (BARQUERO, 2001).
Barquero (2001) explica que as economias locais e regionais se desenvolvem e crescem quando:
se difundem as inovações e o conhecimento entre as empresas e os territórios;
é mais flexível a organização dos sistemas produtivos e se formam redes e alianças para melhor competir;
as empresas se instalam em cidades inovadoras e dinâmicas;
as redes de instituições são complexas e densas.
O autor escreve que as cidades e regiões conseguirão ser bem sucedidas em seus processos de crescimento e mudança estrutural quando todos os fatores citados acima atuarem de forma conjunta, criando sinergias mútuas e reforçando os efeitos sobre a acumulação de capital.
Já o desenvolvimento endógeno é o resultado de rendimentos crescentes, isto é, crescimento econômico. Barquero escreve que o desenvolvimento endógeno encara o desenvolvimento econômico como sendo resultante da aplicação do conhecimento aos
processos produtivos e da utilização das economias externas geradas nos sistemas produtivos e nas cidades. “São as iniciativas e o controle exercidos pelos atores sociais e a sociedade civil, através de suas respostas estratégicas, que contribuem para os processos de transformação de cidades e regiões”, (BARQUERO, 2001, p. 10).
O desenvolvimento endógeno ajuda a compreender a dinâmica e as transformações econômicas que tratam dos mecanismos que influenciam os processos de acumulação de capital e demonstram que os processos de inovação, o desenvolvimento empresarial, a formação de redes, o desenvolvimento urbano e a dinâmica institucional são mecanismos que explicam a acumulação de capital (BARQUERO, 2001). O autor apresenta quatro determinantes do desenvolvimento endógeno para neutralizar as tendências do estado estacionário, são eles:
A difusão das inovações e do conhecimento: este determinante impulsiona a transformação e a renovação do sistema produtivo. Porém, para que de fato isso ocorra, é preciso que os atores integrantes do sistema produtivo local tomem as decisões adequadas em matéria de investimentos em tecnologia e organização. Os efeitos econômicos das inovações dependem de como estas se difundem no tecido produtivo e qual é a estratégia tecnológica adotada pelas empresas na batalha para manterem ou melhorarem os resultados de suas atividades. As inovações radicais e incrementais permitem às empresas e aos sistemas de empresas darem uma resposta eficaz aos desafios apresentados pelo aumento da concorrência nos mercados (BARQUERO, 2001, p. 19 a 21).
A organização flexível da produção: A adoção de formas mais flexíveis de organização por parte das grandes empresas e de grupos de empresas possibilitou melhorar sua eficiência e competitividade, bem como desenvolver novas estratégias territoriais, com base em rede de plantas subsidiárias mais autônomas e mais integradas no território. As novas formas de organização das empresas e as novas estratégias territoriais permitiram a elas utilizarem mais eficientemente os atributos territoriais e gozar, dessa forma, de vantagens competitivas. As novas formas de organização contribuem para que as empresas desfrutem de economias externas e internas e façam uso das indivisibilidades ocultas do sistema produtivo, o que
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certamente contribui para os processos de crescimento econômico e de mudança estrutural (BARQUERO, 2001,p. 22 e 23).
Desenvolvimento urbano do território: as cidades são o Território onde se criam e se desenvolvem os novos espaços industriais e de serviços, devido às potencialidades de desenvolvimento e à capacidade de gerar externalidades. O espaço de competitividade criado pelo processo de globalização induz as cidades a responderem estrategicamente com iniciativas locais, capazes de estimular os processos de desenvolvimento endógeno (BARQUERO, 2001,p. 23 e 24).
Flexibilidade de complexidade institucional: terão maiores condições de competir as cidades e regiões que contam com um sistema de instituições capazes de produzir os bens públicos e gerar as relações de cooperação entre os atores que contribuem para a aprendizagem e a inovação. As barreiras ao desenvolvimento aparecem, frequentemente, em razão das carências e do mau funcionamento da rede institucional, e colocam obstáculos aos processos de desenvolvimento autossustentado. As instituições condicionam os processos de acumulação de capital e, portanto, o desenvolvimento econômico de cidades e regiões. (BARQUERO, 2001, p. 24 e 25).
Um dos focos mais importantes nas políticas de desenvolvimento local está na difusão das inovações e do conhecimento, por isso a criação e o fortalecimento das empresas e a formação de redes constituem um dos objetivos das organizações intermediárias e das iniciativas locais. “A política de desenvolvimento local, todavia, pretende superar os desequilíbrios através do fomento de todos os territórios com potencialidades de desenvolvimento competitivo” (BARQUERO, 2001, p. 28). O mecanismo dinamizador no desenvolvimento local seria representado pela reposta dos atores locais aos desafios apresentados pelo aumento da competitividade, o que desencadearia os processos de desenvolvimento endógeno. Ou seja, a política econômica local está associada a uma abordagem de baixo para cima da política de desenvolvimento. Nesse processo, os atores locais desempenham o papel protagonista quanto à definição, execução e controle (BARQUERO, 2001).
Sachs (1986) escreve que, para promover o desenvolvimento, não basta somente o crescimento acompanhado da modernização das estruturas de produção. O autor enfatiza que
de todos os tipos de dependência, o mais insidioso é a alienação cultural, que leva à internalização de valores exógenos e faz o crescimento mimético e a ocidentalização servil serem vistos como a verdadeira aposta do desenvolvimento. Dessa forma, o teórico denomina o desenvolvimento endógeno como potencial de desenvolvimento endógeno, o qual conta com as próprias forças, definido por oposição ao crescimento mimético e dependente.
A endogeneidade não deve, de forma alguma, ser compreendida como convite à autarquia econômica, à recusa de intercâmbios culturais, científicos ou técnicos com o exterior (é por esse motivo que Sachs prefere usar o termo “desenvolvimento
endógeno” aos mais ambíguos, como: “desenvolvimento autocentrado” ou “autodesenvolvimento”), nem como um retorno incondicional à tradição. Ela
conduz essencialmente à autonomia do processo de definição do projeto nacional e de tomada de decisões (inclusive as que se refere ao grau de abertura da economia e da sociedade e à escolha dos parceiros), assim como à importância primordial da comunicação e da cultura na elaboração de estilos de desenvolvimento, isto é, de uma escolha coerente de objetivos por meio de acordo com uma escala de valores que, sem ser prisioneira do passado, representa um belo papel no sentido da identidade e da especificidade nacionais (SACHS, 1986, p. 81 e 82).
Entretanto, Sachs explica que o potencial de desenvolvimento endógeno decompõe- se de três elementos que estão estreitamento ligados, são eles: capacidade cultural de pensar a si mesmo e de inovar; a capacidade político-administrativa de tomar decisões autônomas e de organizar a execução das mesmas; e a capacidade do aparelho de produção para assegurar a sua reprodução, ampliada em conformidade com os objetivos socais de desenvolvimento (SACHS, 1986).
Referente a território, ele pode ser conceituado como uma extensão de terra, a junção de vários municípios criando-se outras divisões de fronteiras compondo uma nova forma geográfica. No caso do Território Noroeste Colonial, a ligação dos 34 municípios criou este território. Dallabrida (2002) entende território como uma extensão apropriada e usada, porém a palavra territorialidade o autor explica que carrega outro significado, o “sinônimo de pertencer àquilo que nos pertence” (p. 12).
O objetivo do conceito de desenvolvimento territorial refere-se aos processos de articulação dos diferentes atores sociais, econômicos e institucionais, e abarca também participação, autonomia, redes de cooperação, laços de confiança, sustentabilidade, autogestão, empoderamento, autonomia, etc (SOUZA; XAVIER, 2010).
Embora alguns desses aspectos acima serem contemplados numa visão mais horizontalizada de desenvolvimento local, ou mesmo numa lógica endógena, é importante destacar que o desenvolvimento territorial busca compreender o contexto sócio-histórico do
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processo de (re) organização do espaço. Ele abrange também diferentes níveis de escalas. De acordo Dallabrida e Fernández (2008), esta delimitação consiste na identificação de um conjunto de relações de identidade localizadas
[...] as inter-relações dos atores sociais, econômicos e institucionais que atuam no âmbito espacial. O desenvolvimento territorial abrange, assim, todas as dimensões do desenvolvimento: social, humana, econômica, físico-natural, ambiental, política e cultural [...] O desenvolvimento territorial pode ser entendido como um processo de mudança estrutural empreendido por uma sociedade organizada territorialmente, sustentado na potencialização dos capitais e recursos (materiais e imateriais) existentes no local, com vistas à dinamização socioeconômica e à melhoria da qualidade de vida de sua população (p. 41-42).
Dallabrida (2006) argumenta que o desenvolvimento vai além da dimensão intangível (imaterial), e que na dimensão tangível (material) o conceito tem sua maior expressão nos aspectos econômicos. O autor explica que a dimensão tangível pode ser expressa pelos indicadores econômicos enquanto a dimensão intangível diz respeito à capacidade coletiva para realizar ações de interesse da sociedade. Assim, Dallabrida (2003) afirma que o desenvolvimento territorial é como um estágio do processo de mudança estrutural com o objetivo de melhorar a vida da população. Este aprendizado deve ser “empreendido por uma sociedade organizada territorialmente, sustentado na potencialização dos capitais e recursos (materiais e imateriais) existentes no local” (DALABRIDA, 2003, apud, DALLABRIDA, 2006, p. 88).
Portanto, o conceito de desenvolvimento acrescenta a dimensão intangível contemplada nos conceitos tratados no parágrafo anterior:
Da mesma forma, quando, ao focar a temática do desenvolvimento no território, se elegem as variáveis inovação territorial e organização socioterritorial como fundamentais para a geração de processos qualificados de desenvolvimento territorial, quando se afirma que não só as interdependências mercantis, mas também as interdependências não-mercantis são responsáveis pela geração de inovações – estas fundamentais para o desenvolvimento territorial -, e que a inovação não resulta apenas dos esforços de pesquisa e desenvolvimento que ocorrem internamente nas empresas, mas que também resulta de aprendizagens coletivas, está se reafirmando a dimensão intangível do desenvolvimento. (DALLABRIDA, 2006, p.89).
O autor ressalta que a dimensão intangível do desenvolvimento merece maior atenção pelo viés da identificação da causa do desenvolvimento. Dallabrida (2006) explica que alguns estudos têm enfatizado a importância desta abordagem, mas que ainda há muito a ser adicionado. “Principalmente, há muito a ser feito para que esse enfoque de desenvolvimento passe a ser hegemônico, não só entre planejadores e administradores, mas, também, entre a intelectualidade acadêmica” (p. 105).
Boisier (1999), em artigo que analisa modelos reais e mentais de post-scriptum sobre desenvolvimento regional, esclarece que o desafio é estimular o desenvolvimento territorial em amplo contexto, caracterizado hoje por abertura econômica, pelo prevalecimento do mercado como mecanismo designador de recursos, e pela enorme e crescente multiplicidade de “atores dependentes ou relativamente independentes que tomam decisões que não podem mais ser coordenadas pelo aumento do controle nem pela atuação do sistema de preços, o que leva ao surgimento de mecanismos de coordenação em rede ou horizontais” (p. 325).
O autor explica que temos carências para descrever, entender e operar no campo do desenvolvimento territorial. Boisier (1999) descreve este novo campo como extremamente complexo, integrado por três cenários emergentes: o cenário contextual, que é construído a partir dos dois processos básicos: de abertura comercial e externa, por um lado, e política interna; o cenário estratégico, construído mediante a conjunção de novas modalidades de organização territorial e de novas modalidades de gestão territorial; e, ainda, um novo cenário político, o qual emana da necessária modernização do Estado nacional e da reformulação das funções de governo em âmbito subnacional.
Ele esclarece também que há carências de entender as conexões da causalidade contemporânea do novo interno do desenvolvimento territorial...
[...] expressão que designa os fatores que determinam o crescimento, por um lado, e o desenvolvimento, por outro. Com relação ao crescimento, e levadas as últimas teorias de crescimento endógeno ao campo prático, observa-se que os mecanismos decisórios que determinam os fatores de crescimento (acumulação de capital, acumulação de progresso técnico, acumulação de capital humano, demanda externa e efeitos diferenciados do Quadro da política econômica global e setorial) tendem a distanciar-se dos mecanismos sócio-econômicos locais, ao transformar o crescimento em fenômeno cada vez mais exógeno e exigir, do próprio território, nova modalidade de ação, fundada na maximização de sua própria capacidade de influenciar aquelas condicionantes exógenas (BOISIER, 1999, p, 326 )
No que tange ao desenvolvimento, Boisier (1999) escreve que, uma vez projetado o crescimento, é escasso o conhecimento sobre sua causalidade. Conforme o autor, as últimas propostas assinalam os seguintes fatores: recursos, instituições, procedimentos, cultura e, inserção do território em seu próprio entorno. Boisier (1998) escreve ainda que a construção deste novo conhecimento dentro do campo do desenvolvimento necessita de dois requisitos, que são: intervir no processo de desenvolvimento com possibilidade de êxito e a construção do poder local/regional.
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