No inicio do Século XX, a principal estratégia de desenvolvimento
voltava seu foco para produção agrícola em alta escala, principalmente do café e do
algodão, porém o que ocorria era a promoção de uma alta concentração de renda na
mão de poucos, além de gerar uma grande dependência do mercado externo, fato
que jamais poderia elevar o PIB e que dificilmente levaria o município a um processo
de desenvolvimento sustentável. (BUARQUE, 2002)
Num segundo momento, a partir da década de trinta tem inicio o
processo de industrialização brasileiro, que vem para mudar a estratégia de
desenvolvimento focando na a estruturação das indústrias essa ideia foi ainda
reforçada pelo fato da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, que aliado a
uma política de proteção a produção nacional, proporcionou um grande apoio a
industrialização. Já na década de cinquenta era grande a produção de matéria-prima
e equipamentos, o que fez com que as indústrias brasileiras fosse aos poucos
deixando de depender a exportação para produzir. (JARRA, 1994)
Milani (2005), apresenta que na década de sessenta o Brasil passa
a viver o “Milagre Brasileiro” e suas estratégias eram de concentração de rendas nas
classes A e B para estímulo do consumo de bens e consequentemente no aumento
da produção e na geração de empregos para classe trabalhadora, que por sua vez
oferecia salários mais interessantes que os salários agrícolas, esta estratégia fez
com que as indústrias têxteis, de couro e de alimentos tivessem um aumento
considerável. Houve também uma grande política de estímulo as exportações e a
tentativa de se controlar e neutralizar a inflação além de aumentar a poupança.
Outra estratégia neste período foi a de ampliar e organizar as funções do Estado
quem envolvia uma série de medidas entre elas a reforma tributária e a criação do
Banco Central, o que vem a fortalecer a grande empresa estimulando as fusões e
incorporações com o objetivo de desenvolver a tecnologia internacional para
aumentar a produtividade e diminuir custos das empresas nacionais.
Sachs (2000) aponta destas estratégias adotadas nem todas
obtiveram êxito, o que aconteceu foi um fortalecimento das classes A e B, ou seja,
concentração de renda, este foi um período extremamente favorável ao
desenvolvimento devido às condições internas e externas da economia, contudo, na
década de 70 muda-se o presidente e o Brasil mergulha numa grande crise
econômica tem seu processo de desenvolvimento interrompido. que Somente a
partir da década de 80 e da instituição da nova constituição federal é que surge a
possibilidade de uma descentralização decorrente das instituições públicas.
Foi nos anos 90 que o discurso do desenvolvimento, da justiça
social, a eficiência econômica e a prudência ecológica passam a ter espaço no
cenário nacional e como afirma Buarque (2002):
(...) surge o processo endógeno de mobilização das energias sociais em espaços de pequena escala como os municípios localidades e microrregiões que implementaram mudanças capazes de elevar as oportunidades sociais, melhorando as condições de vida da população que passa a ter uma perspectiva de sustentabilidade, onde a satisfação das necessidades do
presente procuram não comprometer a capacidade de gerações futuras somando forças entre o Estado, as organizações e a Sociedade Civil.
Um clássico conceito de desenvolvimento é apresentado por
Richers, (1970), que diz: “Desenvolvimento significa incentivo às possibilidades do
aumento das rendas reais de regiões subdesenvolvidas, provocando mudança
através de investimentos que levem à expansão dos recursos produtivos, na
expectativa de aumentar a renda per capita da população.”
Contudo, o mesmo Richers, (1970) reconhece que o
desenvolvimento nada revela sobre a distribuição geográfica da renda, nem sobre a
distribuição social da renda, ou seja, a renda não é o único critério de determinação
do bem-estar econômico.
A proposta de desenvolvimento municipal vem para constitui um
novo estilo de desenvolvimento baseado nos postulados de equidade social,
conservação ambiental, eficiência e ampliação da base econômica, que visa utilizar
os recursos disponíveis mas sempre pensando na disponibilidade destes mesmos
recursos também pelas gerações futuras.
Assim, o desenvolvimento é a resultante de uma transformação da
realidade como unidade formada por elementos que compõem subsistemas
integrados com relações de restrições ou constrangimentos e mecanismos de
regulação e controle como: economia, sociedade e ecologia, que são subsistemas
da totalidade complexa, constituindo uma identidade integrada e organizada, cada
um definindo os limites e os condicionantes dos outros. (BRUSEKE, 1995)
Para que possa acompanhar e avaliar, tanto processos como
impactos, de uma determinada ação governamental, ou ainda identificar o fenômeno
do desenvolvimento, é necessário a criação de uma base de medida ou utilização de
índices existentes de forma a relacionar informações e declarar resultados.
Neste sentido, existem vários índices que medem o nível de
desenvolvimento de um município, região ou país. Cada qual abordando suas
variáveis de forma quantitativa, sempre de modo a mensurar um desempenho
alcançado.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mede o nível de
desenvolvimento de uma nação utilizando a mesma base de variáveis durante um
longo período, surgindo assim a necessidade de se apurar dados e criar indicadores
para serem aplicados a níveis menos abrangentes, como para Estados, municípios e
até territórios mais locais. (AVELINO, 2013).
Embora o IDH seja um índice muito utilizado em pesquisas
cientificas, desenvolvendo, inclusive, um índice específico para o de
desenvolvimento municipal IDH-M, tem periodicidade decenal, o que inviabiliza por
vezes a utilização deste índice em pesquisas com cortes temporais que não
respeitem esta série.
Neste sentido, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro
(FIRJAN), criou em 2008 o Índice FIRJAN de Desenvolvimento (IFDM), justamente
para suprir a necessidade de monitoramento do desenvolvimento socioeconômico
considerando as diferentes realidades direcionadas aos municípios. Vem ao longo
dos últimos anos, acompanhado e divulgado estudo relacionado ao desenvolvimento
municipal e estadual no Brasil. Segundo Souza (2013) este índice tem sido utilizado
por vários estudos acadêmicos como proxy para medir o grau de desenvolvimento
dos municípios e Estados brasileiros.
Distinguindo-se por apresentar periodicidade anual e por acompanhar o desenvolvimento de todos os atuais 5565 municípios brasileiros, o Índice FIRJAN de desenvolvimento Municipal (IFDM), é hoje referência para o acompanhamento do desenvolvimento socioeconômico tanto no recorte local, quanto nacional. (GOMES, 2013)
IFDM avalia, com igual ponderação, as três principais áreas de
desenvolvimento humano: „Emprego e Renda‟, „Educação‟ e „Saúde‟. A leitura dos
resultados ocorre tanto por áreas de desenvolvimento, quanto pela análise dos
índices finais, variando de 0 a 1, sendo que quanto mais se aproxima de 1 maior é o
desenvolvimento do território e, concomitantemente, quanto mais propínquo ao número
0 mais a região é debilitada em termos socioeconômicos do desenvolvimento.
(AVELINO, 2013)
.Com base nessa metodologia, FIRJAN, (2010), estipulou as
seguintes classificações onde municípios com:
a) IFDM entre 0 e 0,4: baixo estágio de desenvolvimento;
b) IFDM entre 0,4 e 0,6: desenvolvimento regular;
c) IFDM entre 0,6 e 0,8: desenvolvimento moderado;
d) IFDM entre 0,8 e 1,0: alto estágio de desenvolvimento.
com o IDH, pois acompanha as três áreas de interesse do mesmo: Renda,
Educação e Saúde, monitorando anualmente, o desenvolvimento de todos os
municípios do Brasil. Para tanto são utilizadas estatísticas públicas oficiais
exclusivamente disponibilizadas pelos Ministérios do Trabalho, da Educação e da
Saúde através do um conjunto de variáveis:
Figura 3 - Composição do Índice FIRJAN
Fonte: FIRJAN (2013)
O impacto da aplicação dos recursos públicos em saúde, educação,
emprego e renda sobre o desenvolvimento de um município é uma preocupação
constante por parte de toda sociedade civil, uma vez que o cidadão, por meio do
pagamento de seus impostos e tributos acaba por financiar a manutenção dos
programas destinados ao desenvolvimento municipal. Por sua vez os resultados
destas ações podem maximizar do desenvolvimento humano da coletividade,
utilizando a metodologia do IFDM, é possível determinar, se a melhora decorre das suas
próprias políticas públicas, ou se o resultado obtido foi através da queda dos demais
Estados. (SOUZA, 2013)
Para Gomes (2013), “as informações fornecidas pelo IFDM
conseguem exprimir claramente os esforços públicos e privados na determinação
dos componentes considerados básicos ao desenvolvimento de um município”.
Fato que o IFDM mostra, através de um conglomerado de índices, a
realidade constante, declarando anualmente todas as mudanças sociais econômicas
dos municípios brasileiros. Por este índice ser apresentar de forma constante e
direta, tem subsidiado muitas pesquisas que evidenciam e mensuram o
desempenho, relações, correlações, regressões, em especial os estudos
apresentados no Quadro 6:
Quadro 6 – Estudos que utilizaram o Índice FIRJAN
Autor Tema Abordagem
Caldarelli;
Câmara e
Perdigão (2015)
Instituições de ensino superior e o desenvolvimento Econômico: O caso das universidades estaduais paranaenses.
Analisa a relação entre as universidades
estaduais paranaenses e o
desenvolvimento econômico no Estado entre os anos de 2006 a 2010, trabalhando dados em painel.
Silva; Silveira; Costa; Faroni; Ferreira (2011)
A influência do desempenho tributário e gestão fiscal no Índice FIRJAN de Desenvolvimento (IFDM) dos municípios de Minas Gerais.
Analisa a influência dos fatores tributários, orçamentários em políticas públicas, relacionando ao Índice FIRJAN de Desenvolvimento dos municípios mineiros, utilizando analise de cluster.
Avelino;
Bressan; Cunha (2013)
Estudo sobre os Fatores
Contábeis que Influenciam o
Índice FIRJAN de
Desenvolvimento Municipal
(IFDM) nas Capitais Brasileiras.
Avalia o impacto dos gastos públicos sobre o desenvolvimento de um município.
Leite; Fialho (2015)
Efeitos dos indicadores de qualidade da gestão pública municipal, baseados na LRF e
nos indicadores de
desenvolvimento dos municípios brasileiros: uma análise de dados em painel.
Avalia os efeitos dos indicadores de qualidade da gestão fiscal pública municipal, baseados na LRF (IFGF – Índice FIRJAN de Gestão Fiscal), nos indicadores de desenvolvimento dos municípios brasileiros (IFDM – Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal)
FONTE: O AUTOR (2016)